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Medical Center of Louisiana

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1 Medical Center of Louisiana em Sex Jun 17, 2011 5:58 am


O Medical Center of Louisiana aliviou a dor de uma cidade doente, quando em Novembro de 2006 reabriu em New Orleans seu Hospital Universitário. A reabertura imediatamente providenciou 85 leitos para tratamento em níveis de cuidados intensivos e especializados, e também forneceu um alto nível de educação para os estudantes de Medicina e Enfermagem, a maioria advindos da Loyola University. Desde então, o hospital vem adicionando mais e mais leitos. Hoje em dia conta com cobertura em quase todas as especialidades, modernos equipamentos, profissionais bem remunerados, e ainda por cima, é o maior centro de integrações hospital-universidade de toda a América.

A saúde ainda continua um desafio numa cidade como New Orleans. A reabertura do Centro Médico é o primeiro passo de uma obra importante em andamento. O hospital se atualizará cada vez mais com a adição/construção de novos setores e criação de mais especialidades. É um complexo em constante expensão, o que significa que existem obras em todos os trezes andares. O cuidado com limpeza, infecções e com a circulação de pessoas é triplicado devido à correria destas obras.

Além do Centro Médico, a administração do Hospital espalhou diversas pequenas clínicas por toda a cidade. Os mesmos médicos doutores que ensinam em universidades e trabalham no Centro Médico, ao menos uma vez na semana marcam ponto nessas clínicas, e sempre a preços acessíveis - e também atendendo à uma incrível variedade de planos de saúde diferentes.

O hospital, bem como outros setores administrativos da cidade, está sob o controle do Clã Ventrue. Seus membros têm livre acesso a bolsas de sangue, cadáveres, remédios e enfermos. Estes mesmos membros dificultam o fornecimento desses "serviços" a outros Clãs, principalmente aos Toreadores, mas em caso de urgência irão cooperar em nome da paz.





Conheça mais sobre o Hospital AQUI.

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2 Re: Medical Center of Louisiana em Seg Abr 23, 2012 10:58 pm

[Centro Médico da Louisianna - Sala da diretoria]

- Como lhe disse antes de vir a Nova Orleans, estes são os meus termos. Pouco ortodoxos, mas ainda assim, é a forma como desejo trabalhar. Se for um problema para o Centro, posso voltar a LA hoje mesmo.

Não, Dr. Smith. Realmente são pedidos diferentes do que costumo atender, mas certamente a população irá apreciar. Quanto ao seu pedido, encaminharei à sua secretária a recomendação para a Universidade. Sendo um médico do Centro, dificilmente negarão uma cadeira. Ainda mais as cadeiras que o senhor está interessado.

[Centro Médico da Louisianna – Consultório da Cirurgia Plástica]

- Muito bem, é um prazer conhecê-la. Já foi acordado com o diretor a minha agenda, e gostaria que marcasse os pacientes da seguinte forma: estarei no Centro de segunda à sábado de 7:00h às 13:00h, sendo que às segundas, quartas e sextas deverão ser agendados somente pacientes de plástica reparadora. Será cobrado deles apenas o que o hospital exige, pois não receberei honorários por eles. Às terças, quintas e sábados, os pacientes de estética. Estes pode-se cobrar tabela cheia. Se for necessário, eu mesmo negocio com os pacientes meus honorários e deixo os detalhes com você após a consulta.

Para os que desconhecem, existe uma grande diferença entre a plástica estética e a reparadora. A estética é amplamente divulgada: implantes de silicone em seios, as plásticas de nariz, rosto etc. Já a reparadora compreende aqueles casos em que há uma reconstrução. Seja ela por queimaduras, mutilações, mastectomias (retirada das mamas em casos de câncer) e outros.

Ainda não aprendi o nome da minha secretária. Parece uma mulher eficiente e foi muito bem recomendada. Me agrada que não seja tão atraente. É clichê demais colocar uma mulher exuberante num consultório de cirurgia plástica. Ela também foi instruída a manter na segunda gaveta de minha mesa um estoque de medicamentos, em especial a morfina, visto que os pacientes geralmente apresentam quadros de dor intensa, e a morfina é muito eficaz em combatê-la. E também, facilita meu acesso à essa substância, visto que não durmo sem ela.

Decidi aproveitar que hoje não terei paciente algum e me dedicar à carta de interesse em cadeiras da Universidade. A recomendação do diretor, bem como meu currículo já estão em minha caixa de e-mail, conforme prometido. Não que eu seja defensor de alguma causa pró-natureza, mas não gosto de manter milhares de documentos em papel, sendo que é muito mais fácil e prático ter acesso a tudo pelo laptop ou por um tablet.

“Caríssimo Reitor” – penso enquanto digito. “Desejo expressar por meio desta, o meu interesse em lecionar na Loyola University nas cadeiras de Anatomia e como preceptor do estágio no Centro Médico da Louisianna a partir do próximo semestre ou assim que possível. É de meu conhecimento que essas cadeiras precisam ser preenchidas e o diretor do Centro apreciou minha candidatura, como poderá ver em sua carta de recomendação em anexo.”

Preciso encontrar algo para passar o restante do tempo. Pensando em conseguir a cadeira na Universidade, deixei em aberto meus horários na parte da tarde e noite. O problema é que até lá, terei de procurar algo útil para fazer nessa cidade desconhecida.

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3 Re: Medical Center of Louisiana em Seg Maio 14, 2012 9:01 pm

Seria estranho ter uma agenda lotada logo no primeiro dia. Mesmo sabendo que logo eu estaria aqui, seria arriscado encher demais o consultório e eu atrasar um dia ou dois. A imagem do Centro Médico poderia ser arranhada. Apenas duas pacientes foram atendidas até agora, e justamente na área estética. É impressionante o quanto as mulheres se sentem insatisfeitas com a própria aparência. Duas pacientes querendo próteses mamárias, o famoso aumento dos seios. Acho que minha fama de trabalhar em Hollywood já chegou aqui. Em poucos dias, preenchimentos labiais, liftings e diversos outros procedimentos banais devem ser marcados.

Um buraco na agenda me permite passear pelo complexo e conhecer um pouco por aqui. Pedi minha simpática secretária para me bipar caso a paciente chegue antes da hora, e o celular está com o despertador marcado para quinze minutos antes da consulta. É só me manter relativamente por perto e terei tempo suficiente para retornar. Com duas operações já marcadas, preciso verificar se tudo estará em ordem.

“Primeiro preciso verificar na farmácia se tudo que preciso, bem como o anestesista, pode ser conseguido de imediato ou se é necessário já agendar para a operação.” Chegando á farmácia, sou informado que assim que o procedimento é agendado, toda a equipe é avisada e são tomadas as devidas providências. Eu apenas deveria me precaver das intercorrências. A principal delas em qualquer procedimento cirúrgico é uma PCR (Parada Cardio-Pulmonar), seguido de um sangramento excessivo.

Sigo para o bloco cirúrgico, onde observo um bom equipamento, e que cada sala é equipada com um carrinho de parada. O procedimento é padrão, e o FDA (O Food and Drug Administration é o órgão governamental dos Estados Unidos da América que faz o controle dos alimentos (tanto humano como animal), suplementos alimentares, medicamentos (humano e animal), cosméticos, equipamentos médicos, materiais biológicos e produtos derivados do sangue humano. Qualquer novo alimento, medicamento, suplemento alimentar, cosméticos e demais substâncias sob a sua supervisão, é minuciosamente testado e estudado antes de ter a sua comercialização aprovada) não deixa passar nada. Ainda assim, é sempre bom ter certeza do lugar onde você está. Tratando-se de um local com risco de vida, mais ainda.

Chegando ao banco de sangue, vi que o estoque não está farto, mas também não está vazio. Seria interessante uma campanha para doação de sangue ainda mais que a cidade está sendo reconstruída e há obras por todos os lados.

- Ei, quem é você? – sou interpelado por um funcionário, provavelmente o que toma conta da recepção do banco de sangue.

- Desculpe ir entrando assim. Sou o novo cirurgião plástico, Dr. Smith. Estou com duas operações já agendadas e precisava ver como está o estoque do banco de sangue. Precisarei de pelo menos uma bolsa para cada, mas é sempre bom estar preparado para emergências.

Olho pela janela da sala de refrigeração quando vejo algo estranho. Um funcionário do banco levantava um dos freezers com apenas uma das mãos! Eu devia estar enganado, não existem pessoas tão fortes assim. Ainda mais um homem como aquele, longilíneo, sem músculos salientes.

O despertador toca: hora de ir. Tem algo de estranho aqui, e é melhor investigar. Se não chegar a nenhuma conclusão, procuro o RH ou até mesmo o diretor. Eles devem saber de algo. Os quinze minutos são mais que suficientes, chego ao meu consultório antes mesmo da secretária anunciar a próxima consulta. Logo informo pelo intercomunicador que ela pode entrar.

A visão foi um tanto quanto inesperada: uma loira lindíssima, belos olhos, boca bem desenhada, e nariz afilado. O vestido justo marcava bem suas curvas, com seios de tamanho médio, o que talvez qualquer mulher comum dos Estados Unidos gostaria de ter. As nádegas arredondadas e bem desenhadas no vestido, que deixava sutilmente transparecer que a roupa de baixo não passava de um fio dental. “Que traseiro!”.

Não é nada ético de minha parte olhar uma paciente com esses olhos, mas antes de qualquer pensamento profissional, o instinto animal de qualquer homem urge diante de uma mulher dessas. O segredo é não transparecer nada e mostrar que todo esse olhar é puramente profissional, afinal de contas era pra isso que eu era pago. Observar e corrigir as imperfeições aparentes do corpo humano. Apanho a ficha e a cumprimento:

- Bom dia senhorita... Alice Miller. Sou o Dr. Smith, em que posso ser útil?

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4 Re: Medical Center of Louisiana em Qui Maio 24, 2012 5:17 pm

Leu mais três ou quatro notícias, escreveu qualquer coisa num bloco de notas que estava ao lado, fechou o MacBook e o escondeu.

Dentre tantos detalhes modernos, um objeto se destacava na sala de Alice Miller: um toca-discos antigo, mas bonito, cuidado e em perfeitas condições. Não tinha coragem de trocar um clássico desses por um par de fones de ouvido ou música vinda do computador. Escolheu um dos seus discos preferidos e um minuto depois o som suave de uma música jazz enchia a sala do apartamento da advogada.

Alice atravessou a sala descalça e sentiu a diferença de textura ao pisar o chão branco frio e passar para o tapete felpudo negro que estava a caminho do closet.

Estava indo a um encontro importante. Não, não. Não era um encontro pessoal, esses são um pouco menos relevantes. Iria conhecer a próxima pessoa que enfrentaria num tribunal, o primeiro desde que voltara para casa. Pelos papéis que tivera acesso, Alice reconhecia que tinha algumas coisas em comum com o seu novo “inimigo”. Era muito bonito, rico e influente. Tão rico quanto ela, talvez capaz de pagar muito mais pela sua defesa do que pela acusação. Como dissera à pessoa que a procurara no café, iria estudar o caso e logo diria se o aceitava. E essas coisas dependem de hoje. Queria agir da melhor forma possível, seria cautelosa para dar chance para as melhores coisas acontecerem.

Ele, um cirurgião plástico com uma carreira impecável, com bons contactos, família rica. Mas fez porcaria numa cirurgia e, ora bem, parece que teremos que pagar por isso, Dr. Luke Smith.

Conseguira o caso dias antes, quando se encontrara num café discreto perto do seu escritório porque a acusação não queria aparecer por enquanto, mas depois da longa conversa sobre o que acontecera e sobre o que pretendiam ganhar com o processo, Alice alegou que iria analisar o caso e colocou as suas condições. Alice no mesmo dia ligou ao Centro Médico de Louisianna e marcou uma consulta.

Com a mente de volta ao seu closet, Miller escolheu um vestido preto, simples, com decote redondo, que contornava o seu corpo de uma maneira elegante. Calçou sapatos de salto alto, tão caros pela sola vermelha que caracterizava a grife. Reuniu as coisas que precisava e hesitou ao pensar na sua pistola semi-automática. Reconheceu que era melhor não correr o risco de ser revistada para, ainda que tenha autorização para ter armas de fogo, evitar problemas desnecessários e perguntas embaraçosas caso tivesse que passar por um detector de metais.

Entrou no carro, não se descalçou e seguiu na direção do Centro Médico.

Lá orientou-se e encontrou a sala de espera do consultório do Dr. Luke Smith. “Tenho um horário marcado com o Dr. Smith” – Disse Alice prontamente à secretária ao se aproximar dela. – “Sou Alice Miller”, completou apenas. Observou-a informar o médico da sua presença e recebeu autorização para entrar.

Dr. Smith era tão bonito pessoalmente quanto nas fotos e Alice reparou que o olhar dele para o seu corpo foi um pouco além do olhar analítico de um profissional. Ele indicou a confortável cadeira que estava à frente da sua mesa e Alice desviou o olhar por um segundo para se virar e fechar a porta, sentando-se a seguir no lugar indicado. Cruzou as pernas, pousou sobre elas a elegante pasta preta onde tinha os seus documentos e ouviu o médico dizer.

- Bom dia senhorita... Alice Miller. Sou o Dr. Smith, em que posso ser útil?

Alice curvou os lábios num pequeno sorriso que era mais visível no olhar do que na expressão facial propriamente dita e respondeu sem hesitar:

- Em nada que diga respeito aos seus “dotes artísticos”, Dr. Smith. Não tenho a menor intenção em ficar como a pessoa que represento aqui hoje.

Uma boa primeira impressão é tudo nessa vida. Tirou da pasta algumas fotos dos resultados da cirurgia plástica que, supostamente, tinha maus resultados por negligência do médico.

- Dr. Smith, sei que está na cidade há pouco tempo e tem uma brilhante carreira para sustentar a sua vida luxuosa, mas eu garanto que, especialmente por ser novo por aqui, um sinal de incompetência irá afastar o seu sádico bisturi dos corpos que você é pago para deformar. No entanto, a partir de agora, ainda que tudo em New Orleans desse errado por causa disso, mais nada seria produtivo para você se eu assim quiser que seja.

Fez uma pausa relativamente longa e observou o cirurgião olhar as fotos e a sua reação. Emendou:

- Sou advogada e, se você presta atenção às notícias, certamente já ouviu falar de mim. Vou aceitar este caso e saberei exatamente o que dizer para demonstrar o quão perigoso você é para a sociedade, Senhor Doutor.
- Ao aproximar-se da mesa para mostrar as coisas, inclinou-se para a frente e ficou muito séria ao encarar Luke Smith nos olhos.

No entanto, é simplesmente óbvio que Alice não iria até ali simplesmente para o acusar e o preparar para o tribunal. Queria estudar o lugar, a pessoa e conhecer pontos fracos que seriam úteis para colocá-la abaixo quando fosse preciso e, havendo possibilidade, ter uma conversa civilizada sobre “como não perder todo o seu dinheiro pagando indenizações”.

- Suponho que o Doutor não gostaria de ver o seu imaculado nome num escândalo, logo agora que tudo corre tão bem. Despertar dúvidas, causar insegurança aos seus pacientes. Onde há fumaça, há fogo. Por que visitar um médico acusado de negligência? Há muito mais do que milhões a perder, não é?

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5 Re: Medical Center of Louisiana em Sab Jun 23, 2012 5:22 pm




Era a noite, quando recebi uma importante ligação do diretor do Medical Center of Louisiana. Aparentemente havia ocorrido uma série de acidentes. Um ônibus que se dirigia ao centro da cidade, entrou em contato com uma transportadora de automóveis e houve uma grande perda de vidas. Eu descansava em meu quarto e imaginava a nova cor que seria o papel de parede da cozinha, sala e banheiro. O telefone carregava na sala, enquanto eu olhava perdida em meus pensamentos para o teto. Não demorou muito para eu poder ouvir a campainha do celular que gritava desesperadamente. Me levantando me dirigi a sala. Ao atender observei séries de ordens e pelo o que me parecia um verdadeiro câos no local: - Sra....Digo Doutora Alessa aqui é diretor do hospital...Peço desculpas pelo horário da ligação, porém não faria se não fosse de urgência extrema. - A voz parecia meio cansada e devidade alterada. - Ocorreu hoje as seis e doze minutos da noite um acidente digamos fatal. Eu tentei ligar para nosso médico legísta local, porém ele se encontra preso em uma palestra na Argentina e não tem como está conosco essa noite. Bom, sei que o nosso combinado era que apenas amanhã a doutora começasse, porém como disse antes, é urgentissímo. Os parentes não param de chegar de toda parte do país, e temo não ter médicos o suficiente para tal grande caso. Teria por gentileza ter como vir se juntar essa noite a nossa equipe médica? - Pelo tom de voz, eu esperava que fosse uma coisa mais séria, um incêndio sem proporção na cidade talvez. Porém pela gentileza e pelo comunicado de importancia, apenas afirmei a minha presença de no prazo máximo de uma hora. Desliguei o telefone e voltei ao meu quarto. Parecia que tudo havia sido planejado pois o meu material de trabalho havia vindo comigo e estava prontamente a ser usado. Passei rapidamente uma maquiagem e peguei e coloquei o meu brinco de ouro branco. Trocando rapidamente de roupa e separando dentro de uma bolsa, minha série de roupas de trabalho, maquiagem, celular carteira e dinheiro passei pela porta a caminho do hospital. Nas ruas, as pessoas ainda passeavam e alguns casais de adolescentes namoravam próximos de minha casa. Agradeci quando prontamente avistei de longe um taxi. Acenando e depois entrando fui logo vestindo o meu jaleco e colocando o meu crachá escrito " Dr: Alessa Puccinelli " separava o que eu achava que seria o valor do taxi.

Devido ao meu pedido de urgência, o motorista passou por ruas e cortou caminho afim de me deixar mais rápido ao meu destino. Chegado em frente ao hospital, eu respirei profundamente me preparando para o que possivelmente veria a frente. Logo de começo eu pude observar mutidões de pessoas feridas, ambulâncias dando entrada e alguns em desespero total recebia notícias de óbitos. Fui logo recepcionada por uma enfermeira que vendo o meu crachá já indentificou quem eu era: - Dr: Alessa, por favor me siga! - Passando entre as pessoas fui levada até um elevador que se dirigiu até o terceiro andar. Uma séria de enfermeiros e médicos que atarefados ingnoravam a minha presença. Fui levada até o vestiário feminino: - Por favor, se vista e suba até o último andar...O diretor me deixou ordens para lhe informar que o mogue pertence essa noite a doutora. Me foi pedido que lhe comunicasse que precisamos liberar o máximo de corpos possíveis para dar entrada com os que estão a caminho. - Tendo me dado o recado passou por mim rumo a sala mais próxima. Feridos entravam em macas ensaguentadas e alguns desacordados. Adentrei a sala e colocando meu avental impermeável, minha máscara, botas de borracha, meu protetor de mangas até o cotovelo e minha touca me dirigi ao último andar como me foi pedido. Não foi difícil encontrar o necrotério devido ao forte cheiro de éter e formol. Entrando no local, eu observei as macas prontamente localizado no meio da grande sala. Corpos ainda descobertos e com sangue " fresco " quase amontoados um sobre os outros: - Nem depois de morto, temos um lugar decente! - Ajeitando a minha luva, fui até o mais próximo e retirei o lençol. O crânio estava aberto em vários lugares e o corpo não possuia as bolas do olho esquerdo. - Esse é muito fácil de saber a causa da morte...Porém para não mostrar trabalho fácil... - Me encaminhei até a minha maleta de instrumentos e retirei a minha serra longa. Me aproximei do corpo e segurando firme, comecei a abrir o restante das partes presas. Separando a caixa encefálica, voltei com meu instrumento rugina e iniciei a raspagem do crânio. - Como eu suspeitava, derrame cerebral, hematoma subdural...Querido você morreu de traumatismo craniano. - Deixando o crânio aberto passei para o segundo corpo. Era uma menina de aparentemente seis anos. Em sua barriga estava localizada um ferro atrevessando-a. Pela aparência do ferimento, a menina havia falecido na mesma hora do acidente. Pegando a minha serra, comecei a serra delicadamente o ferro e somente depois eu puxei. Um jato de sangue veio até a mim, e meu jaleco mudou radicalmente de cor. Após isso abrindo lentamente do abdomen até a parte do ponto de desvio, eu comecei a serrar a caixa tóraxa da falecida. O pulmão estava lesionado em três pontos principais, o estômago se dividia em dois e além disso, o pulmão estava encharcado de sangue. Retirando as víceras, pude localizar a causa da morte. Um osso da vértebra cervicais perfurou o pulmão causando assim um jato de sangue: - Princesa, a causa da sua morte foi por afogamente pulmonar. Sinto muito! - Anotando cada diagnótico no laudo legísta, eu passava para vários outros corpos.

A minha rotina havia sido aquela por pelo menos três horas seguidas, que foi quando eu resolvi tirar a minha hora de descanso. Retirando a minha roupa e lavando meu rosto, mãos fui até o cafeteria afim de saborear algo que não fosse vermelho. Pedindo um café eu me deliciava com o clima da noite quando dois médicos se aproximou da lanchonete: - Rapaz está um caôs esse hospital hoje...Alguém teve a idéia de ligar para a Dra: Isabela Giovanni Sforza? Ela faz falta nesse lugar! - Nunca em toda a minha vida eu havia prestado a atenção na conversa alheia, porém também nunca eu havia ouvido falar de algum mebro da família Giovanni sem ser minha tia e meu primo. Aquele ponto da conversa quase me fez querer me intrometer no meio. Não pude resistir a curiosidade. Soltei um pigarro forçado: - Com licença...Eu ouvi falar no nome Isabela Giovanni Sforza? Quem é ela? - Os dois médicos trocaram olhares significativos ao me ver tentando participar do assunto. Notei que eu estava sendo um pouco indelicada, por isso tratei logo de tentar consertar as coisas: - É porque eu sou nova aqui na cidade, e comecei hoje na parte de legísta e ainda não conheço ninguém. - Os dois soltaram um ar de alívio ao ver que eu não era uma estranha maluca, que havia pirado devido a alguma notícia recente de morte ou acidente no local. - Ah claro, a Dra:Sforza é no caso a benfeitora desse lugar...Doando quantias e ajudando a parte financeira, ela é quase um anjo. - Pelo menos, dois pontos eu já sabia sobre essa Isabela Isabela Giovanni Sforza. Primeiro ela era de minha família, ou melhor eu era da família dela e segundo, ele tinha posses, afinal pela estrutura do local, " ajudar " o centro médico, era quase ser a mais rica da cidade. Eu estava prestes a fazer a minha próxima pergunta quando duas enfermeiras aflitas apareceu no local, invocando a presença urgente dos dois rapazes: - Nos conhecemos em uma outra ocasião. - Falou um deles olhando profundamente no meu corpo. Bom, eu já tinha um ponto chave para investigar essa doutora, o meu primo Frances. Ele convivendo com a nossa família, deveria conhece-la. Porém o assunto ficaria para outra hora, pois devido ao forte índice de mortos, eu precisava voltar para o meu trabalho. Não fiquei surpresa ao ver que os corpos estavam no mesmo lugar, intocáveis. Voltando a minha rotina, abri alguns cadáveres, costurei outros. Liberando sempre os terminados e recentemente lançando os laudos da morte no sistema. Não demorei muito para querer ir embora, afinal eu não havia descansado de minha viagem. Cansada, me encaminhei a vestiário feminino e após tomar um ótimo banho gelado, me livrei daquele cheiro de formol que gruda na pele. Aproveitei a chance e me encharquei de perfume, não sabia o que poderia acontecer mais a frente. Passando pela recepção, deixei um recado para o diretor que eu voltaria no outro dia a tarde se fosse possível. Pegando o taxi deixei ordens para o taxista rodar pela cidade. Não tinha planos de voltar para a casa, afinal eu ficaria pensando nos corpos que ví hoje.

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6 Re: Medical Center of Louisiana em Qui Jun 28, 2012 10:45 pm

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Sai do elevador e me dirigi até o carro que esperava na porta do edifício. Demetre estava no volante, enquanto Joe segurava a porta aberta. Adentrei.Sem olhar para Demetre, falei.

- Dirija até o Medical Center. Temos um assunto importante para tratar lá. – Dei ênfase em temos, pois assim tanto Demetre, como Joe já entendiam que deveriam aguçar ainda mais as caras de carcamanos e estarem próximos de mim.

Sem nenhum questionamento pretérito, a porta do carro foi fechada. Joe entrou e se acomodou banco do passageiro ao lado do motorista. O carro partiu rumo ao Medical Center.

As ruas de NOLA estavam com pouco trânsito, assim o carro pode se locomover de forma mais rápida. Demoramos pouco mais de 20 minutos para finalmente chegar à Pérola da Saúde do estado de Louisiana. Poucas vezes tinha ido até aquele hospital. Toda vez que precisava de um médico eles vinham até minha casa ou no escritório.

A frente do hospital estava abarrotada de carros, o que obrigou Demetre parar o carro no estacionamento em frente a ele. Descemos do carro e nos dirigimos até a entrada. Eu seguia na frente, enquanto Os dois seguiam um passo atrás, me ladeando.

Assim que entramos, seguimos para a sala de espera. Tinha muitas pessoas no local, pode-se dizer que estava abarrotado. Os odores das pessoas se misturavam. Não sei por que meu olfato parecia estar mais sensível, sentia os perfumes de das pessoas, e aquilo irritou um pouco as narinas me fazendo espirar. Retirei um lenço do bolso e limpei o nariz e voltei guardar o lenço no bolso. Meus olhos estavam levemente irritadiços. Acho que devia ser aquela forte luz branca.

Após perder algum tempo procurando achei Clarice. Ela estava sentada em um canto de cabeça baixa chorando a morte do amado. Clarice era uma senhora de cinqüenta anos, mas que nem de longe aparentava essa idade. Loira, alta e com um corpo de dar inveja a muitas meninotas.

Demetre abriu caminho por entre as pessoas, pois tinha o corpo mais avantajado. Assim que chegamos. Caminhei até a recém viúva. Quando cheguei perto coloquei a mão direita no seu ombro direito.

- Clarice... - A voz saiu baixa, porem não inaudível, na altura suficiente para que ele escutasse minha voz.

Ela levantou a cabeça, me olhou, levantou, me abraçou chorando. Retribui o abraço.

- Calma Clarice! – Falando no mesmo tom baixo e ameno. – Calma, vim aqui para ver como você esta. Ver se precisa de alguma coisa.

Clarice e Philip não tinham filhos ou parentes por perto. O parente mais próximo era um irmão de Philip, e este morava em New York.

- Victor!... – chorando em quanto falava. - Eles não deixam eu ver o corpo... Eles não liberaram o corpo até agora... falaram que não tem médicos no momento para fazer isso...

Segurei firme nos ombros de Clarice, fazendo ela olhar para meus olhos.

- Não se preocupe, vou tentar resolver esse problema.

Soltei os braços dela, me virei e fui caminhando em direção a recepção. Demetre e Joe agora ficaram, cada um de um lado meu. Na recepção estava algumas meninas trajando o uniforme do local.


Olhei com seriedade, e ao falar demonstrei firmeza, sem titubear nas palavras, demonstrando que o que eu falava era a verdade absoluta.

- Boa noite senhoritas! Serei breve e espero que entendam e atendam meu pedido. Meu nome é Victor Callaram, creio que conheçam ao menos meu nome, se o conhecem saberem que sou advogado e dono do Escritório de Advocacia Calarram. Ocorre que um sócio meu veio a falecer no acidente de ônibus, e o corpo dele até agora não foi liberado. A esposa já esta aqui horas a fio aqui esperando e nada. Requeiro que o corpo seja disponibilizado o mais rápido o possível, ou certamente o hospital será processado e uma pequena fortuna será ganha em favor da infeliz viúva. Fale para seus superiores o que eu falei, quero falar assim que possível com o responsável pela liberação dos corpos. Esperarei aqui.

As recepcionistas ficaram atônitas, suas faces antes coradas empalideceram. Ou reconheceram meu nome e o que ele significava, ou tremeram em face da ameaça. Elas começaram a telefonar e correr de um lado para o outro por de trás da recepção chagando uma inclusive sair correndo, provavelmente para falar com os superiores em suas salas.

Fiquei ali na recepção ladeado por Demetre e Joe, esperando o responsável para a liberação dos corpos.

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7 Re: Medical Center of Louisiana em Sex Jun 29, 2012 1:52 pm



Bom o que eu desejava mesmo era poder ter ido ao restaurante que eu tanto desejei, mas não foi possível. Assim que o taxi virou a esquina, o meu telefone voltou a tocar. O hospital não havia recebido o médico prometido e quase imploravam pela minha volta ao local. Eu confesso que não fiquei surpresa, afinal quando se estuda medicina na universidade, os professores deixam sempre muito claro que a vida de um médico são os pacientes, no meu caso, os meus queridos falecidos. O taxista retornou o carro em direção ao Medical Center of Louisiana. Quase não se encontravam muitos carros nas ruas, afinal o acidente havia sensibilizado quase todos, e a maioria estava obtendo respostas através do noticiário local. Enquanto o carro fazia o seu trajeto, eu novamente voltei a pensar na Dra Isabela. O fato do sobrenome dela ser o Giovanni me causava uma pequena reviravolta no meu estômago. Eu não cresci alimentando nenhuma mágoa, raiva, ou ressentimento dessa família que me virou as costas, porém as vezes eu apenas gostaria de entender o porque tudo aquilo aconteceu. E porque ninguém da minha família nunca me procurou. Enfim, a minha família se limita apenas a tia Margaretta e meu primo Frances.

Não demorou muito para que o taxi foi bloqueado pelos carros parados em frente ao hospital. Ordenei que o motorista parasse alí mesmo, dei-lhe o dinheiro devido seguido de uma gorjeta e desci do carro novamente com meu material de trabalho. Enquanto eu me desvencilhava dos carros, eu colocava o meu jaleco e o meu crachá de indentificação médica. A porta de entrada estava lotada, não só de pessoas, como de médicos, enfermeiros e macas dando entrada com feridos no hospital, ou saindo fazendo tranferência para outra unidade de saúde. Por esse motivo, eu me encaminhei até a porta de entrada dos funcionários. Peguei o elevador e fui diretamente ao último andar no meu setor. Deixei as minhas coisas perfeitamente guardadas e desci para tomar um pouco de ar e fumar um cigarro. Na parte do térreo, eu peguei a minha cartela de Lucky Strike e acendi. Dando longas e profundas tragadas, eu me preparava para mais algumas horas de tortura. Desde a minha formação a um ano e meio atrás, eu procurava encontrar um jeito de entender o porque eu ainda trabalhava daquele forma escrava. O dinheiro que eu possuia, me faria viver com conforto pelo resto da minha vida, e além disso eu era sócia de uma empresa. Porém todas as vezes os pensamentos eram sempre os mesmo, eu amo o que eu faço, sinto um profundo prazer em tocar a morte, nem que seja através de um corpo imóvel, frio, pálido e apodrecendo.

Acabando de fumar o meu cigarro, eu entrei no hospital porém dessa vez pela porta da frente. Eu queria ter uma noção de quantos ainda precisavam de respostas. Eu fui até a recepção e estava separando alguns papeis de laudo médico, quando o homem chegou e se dirigi com um pouco de indelicadeza para as recepcionistas de plantão. Ele se apresentou como Victor Callaram e fez exigência e ameaças ao hospital. Como estagiária uma vez, eu fui alertada sobre pessoas que as vezes perdem a razão por consequência de uma dor de uma perda. As recepcionistas estava pálidas e logo começaram a se mover rapidamente, uma chegou até a correr. Eu estava o tempo tempo ouvindo, porém pelo fato da minha estreia no hospital, elas ainda não me conheciam como a pessoa que elas precisavam chamar. Soltei um pigarro delicado e me virei para o homem: - Boa noite! Primeiramente deixa eu me apresentar, sou a Dra: Alessa Puccinelli, e estou responsável pela parte de liberação dos corpos essa noite. Eu ouví o senhor, conversando gentilmente... - Nessa parte, eu fiz questão de parecer um pouco mais sarcástica quanto ao gentil. - gentilmente com nossas funcionárias sobre a liberação de um corpo. O que lhe posso ser útil? - Muitas vezes, o médico precisava tomar posturas mais firmes pois pacientes existem de milhares nos hospitais e todos devem receber tratamentos iguais. Eu esperava a resposta daquele homem.

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8 Re: Medical Center of Louisiana em Sex Jun 29, 2012 6:08 pm

Não tinha notado mulher que estava próximo de mim até que ela chamou minha atenção. Uma bela mulher, ruiva, de olhos claros e pele branca. Ela aparentava ser bem nova.

- Boa noite! Primeiramente deixa eu me apresentar, sou a Dra: Alessa Puccinelli, e estou responsável pela parte de liberação dos corpos essa noite. Eu ouvi o senhor, conversando gentilmente com nossas funcionárias sobre a liberação de um corpo. O que lhe posso ser útil?

Encarei aquela senhorita nos olhos. Podia sentir meus olhos queimarem ao encarar ela, me mantinha com um semblante ameno, porém a entonação da minha voz tomou postura um pouco mais enérgica, porem sem ser agressivo, pois objetivava resolver rapidamente aquela situação, simplesmente isso.

- Boa noite senhorita, digo Doutora Puccinelli, tenho muita satisfação em conhece você. Eu sou o Doutor Victor Calarram, advogado e dono do Escritório de Advocacia Calarram e Associados, o maior escritório de advocacia de nossa cidade e um dos maiores do nosso país. –Fiz questão de dar ênfase em o maior, queria que ela soubesse com quem estava falando. Estendi a mão para cumprimentá-la enquanto prosseguia em meu discurso. - Ocorre que durante um acidente de ônibus ocorrido hoje, um sócio meu veio a óbito, ele dei entrada ao hospital e até o momento o corpo não foi liberado. – Fiz uma pausa para penetrar meu olhar de forma mais profunda nos olhos dela. – Fui informado que tal demora, coisa inadmissível e intolerável para com um digno homem, que dedicou toda sua vida no exercício de buscar a justiça, aonde habitava o véu obscuro da injustiça.

Mudei o tom de voz, e a forma de olhar, agora com voz e expressão que transparecia calma, enquanto mantinha um ar de quem queria ter seu pedido atendido.

- A doutora falou que é responsável por liberar os corpos, pois bem, peço que acelere a liberação do corpo do meu sócio, seu nome é Philip Bouton. – Apontei para a sala de espera. – Existe uma viúva, naquela sala, sem ninguém para ampará-la, este homem era a única família dela, e agora se foi, espero que entenda a questão.

Endireitei minha postura, a espera de uma resposta daquela ruiva. Senti o seu perfume, não sei como eu podia sentir, e não era de todo bom, pois ainda o formol estava presente em seu cheiro, mas mesmo assim o aroma era bom. E posso dizer que realmente posso dizer que não me cansava de olhar para ela enquanto esperava sua resposta, pois sua beleza sobressaia a de muitas que tinha conhecido antes.

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9 Re: Medical Center of Louisiana em Seg Jul 09, 2012 8:02 pm

A luz da recepção do hospital incomodava, levemente, meus olhos. A vontade de fumar já aguçava meu cérebro, não fumava desde que acordei. Muitas coisas aconteceram comigo, e desviaram a minha atenção, fazendo me esquecer completamente do meu vicio. Comecei caminhar em direção a saída do prédio, para deleitar meu pulmão no aroma desse, fétido, prazer.

Não espero a resposta da doutora ruiva e nem faço uma menção de que vou me retirar. “Quero fumar!” Gritava meu cérebro. Estava do lado de fora do hospital, quando alcancei no bolso interno do terno a carteira com o cigarro e o meu clássico isqueiro zippo, de cor dourada. A chama reluziu rapidamente, a brasa se acendeu na ponta do cilindro e a fumaça preencheu meus peito para, aos alguns segundos, deixá-lo. Passei caminhar pelo externo daquele edifício enquanto era seguido por Joe e Demetre. Após alguns passos, escutei uma sirene, primeiro ao longe depois mais próximo, até que o barulho se postou na minha frente. Eu tinha caminhado até a proximidade da entrada de emergência, e agora estava estacionando uma ambulância.

As portas do veiculo se abriu e o cheiro de sangue se espalhou pelo ar. Mesmo com o cigarro na boca, eu podia sentir a sabor do sangue. “Henry Freeman”. Esse foi meu pensamento. Uma viagem aos acontecimentos ocorridos à algumas horas atrás. Sacudi minha cabeça para deixar aquelas imagens abandonarem minha mente.

De dentro da ambulância saia, em uma maca, alguém que parecia uma mulher de pele branca e cabelo castanho.

- Ferimento à bala! Ela esta perdendo muito sangue. – Gritava um sujeito que aparentava ser um socorrista. – Temos que levar ela para a cirurgia! Esta estável, mas não sabemos por quanto tempo continuará assim.

Quem será a mulher? Não tenho nada haver com isso, por que me perguntei uma coisa dessas?

O cigarro acabou e o desejo do café aguçou. Dei meia volta. Olhei mais uma vez para trás e continuei caminhando até a recepção. A ruiva já não estava mais lá. Passei pela porta da sala de espera e avistei Clarice. Ela ainda chorava. Continuei caminhando, olhando as placas de orientação, até chegar à lanchonete.

O local estava lotado. Mas pude avistar uma mesa de quarto lugares livre. Era a única mesa disponível no local. Sentei e apontei para Joe fazer o mesmo. Olhei para Demetre.

- Por favor, traga café para nós. Vamos esperar mais um pouco. Vamos ver se o corpo do outro (Philip) será liberado.

Demetre foi até o balcão e trouxe os copos com o café. Ele entregou o descartável e sentou. Sorvi um pequeno gole da bebida. O sabor era o mesmo que me habituei a toma desde que comecei a fumar, mas algo tinha mudado. Algo não me apeteceu.

Fiquei brincando com os dedos na borda do copo, enquanto os dois degustavam o líquido negro que agora não apreciava.

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10 Re: Medical Center of Louisiana em Qua Jul 25, 2012 12:57 pm


Eu disse para mim mesma que jamais acreditaria em Deus e em sua misericórdia - eu disse, mas preferia não tê-lo feito.



St. Louis Cathedral

O som do freio trouxe a lembrança do som do gatilho de uma pistola - trouxe a ideia do inevitável. Tudo o que enxergou antes de ser atropelada foi a luz fortíssima que partia de ambos os faróis do veículo que, nem mesmo tão depressa, causou grande estrago. Rolou alguns metros até que o corpo se estabilizasse de bruços e, com alguma dificuldade, ergueu os olhos adiante. Primeiro o degrau que a levaria à calçada e depois a imagem nauseante de postes de luz e algumas árvores - estava, ainda, lado a lado com o Audubon Park. Antes mesmo de a ambulância chegar - esta solicitada pelo motorista -, Beatrice foi surpreendida pela visita de alguns curiosos, estes que partiram do parque e, retirados de suas pequenas horas de alegria, aproximaram-se a fim de assisti-la - não em termos de ajuda. Enxergou, ainda, a mesma menininha que a lembrou de seu filho, isso ainda no parque. Deveriam estar tão impressionados com o acidente, não é? Se a mocinha não fosse forte, teria pesadelos com a quantidade de sangue que minava de algum machucado por entre os fios loiros do cabelo de Beatrice.

"- Beatrice...? Beatrice, acorde! Eu já cuidei o suficiente do nosso filho, que tal você o fazer um pouquinho?" - era Alan quem sorria e insinuava, segurando um embrulho de panos coloridos em seus braços. Beatrice, por outro lado, tentou se aproximar e, acreditando que aquilo fosse real - e poderia! -, percebeu que estava amarrada em uma cadeira de rodas. Viu-o gargalhar - Alan, em verdade -, sendo que este não demorou em estender os panos por sobre o gramado o qual "pisavam". O dia ensolarado a fez se lembrar de um piquenique e a maneira como seu ex-esposo entendeu os panos indicou que o fosse, realmente. Não era seu filho quem estava nos braços do outro? Nada viu além da tapeçaria - nada além de remendos e um homem aparentemente feliz.

Medical Center of Louisiana

- Filho...! - exclamou quase acordada, arregalando os olhos aos pouquinhos. A luz, ainda que fraca, soou forte aos olhos cansados e Beatrice não tardou em fechá-los novamente. O cheiro de éter, este já inconfundível para ela, fez com que a mesma abrisse os olhos novamente e, fadada à dúvida, tentasse procurar por algo em si mesma. As mãos se esticaram com imensa dificuldade e apertaram, com indelicadeza, o abdômen reto, descendo pela cintura curvilínea - não existia filho algum. Chorou como se tivesse acabado de descobrir que seu filho não existia. Como queria que todos os últimos meses não tivessem passado de um pesadelo - como queria!

- Senhorita, por favor! - uma enfermeira exclamou alarmada, tal que deixou a cama de outro paciente - isso no mesmo quarto que o de Beatrice - e se aproximou da loira. - Acalme-se, por favor... Está tudo bem, pois você não sofreu ferimentos graves e já cuidados de todo o possível para que a senhorita possa se recuperar. - de fato não tinha quebrado um osso sequer, mas tinha ganhado alguns arranhões nas pernas e braços, assim como nas costas e, principalmente, no rosto. Parou de chorar assim que a mulher explicou a situação, virando o rosto com delicadeza para o lado direito. Evitou a troca quase envergonhada de olhares e a enfermeira se retirou.


Eu quero rir... Rir de mim mesma. Rir porque perdi meu livro e o perdi, penso, na Catedral... Rir porque estou deitada em uma cama de hospital novamente. Rir... Porque estou sozinha. Minhas notas tocam uma só melodia - a tristeza afiada das cordas de um violino desafinado.

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11 Re: Medical Center of Louisiana em Qui Jul 26, 2012 11:08 am

Estava ali, sentado na lanchonete do hospital enquanto minha mente vagava, sem rumo, em um turbilhão de pensamentos. Os olhos penetrantes de Annabeth davam lugar aos assustadores olhos de Freeman e estes aos tristonhos olhos de Clarice. O despejo de Garden District, a morte de Philip, a mulher chorosa na calçada, a nova bartender do Razzoo, o vestido vermelho de Soraia, o beijo ardente da loira, o sangue do CEO da Vestrue, o café que não me apeteceu. Pensamentos desconexos. Estava ali no hospital fazendo hora, já poderia ter ido embora, mas em vez disso, fiquei por ali.

O bolso do Blazer começou a tremer. Minha mão deslizou para o interior dele e retirou o celular, e ao focalizar o visor do aparelho, vejo que se trata de uma ligação vinda do telefone localizado na mesa da senhorita Smith. Os pensamentos cessam, agora tenho que me concentrar. Antes de atender respiro fundo, pois creio que algum problema quanto ao despejo possa ter surgido.

Sim, um problema surgiu, mas não sobre o assunto que eu pensava. A senhorita Smith, informou que uma funcionária do departamento contábil, tinha sofrido um acidente e foi encaminhada para o hospital. Seu nome Beatrice Beau. Como eu estava ali no hospital resolvi checar como a tal funcionaria estava.

Levantei-me e me dirigi até a recepção. Perguntei a recepcionista aonde eu poderia encontrar a paciente Beatrice Beau, e esta me indicou o quarto em que ela estava.

Fui até o elevador, seguido pelos dois seguranças, subi alguns andares, andei por um amplo e claro corredor até chegar à porta do quarto indicado. Uma enfermeira saiu do interior. Parei ela e perguntei se era ali que a senhorita Beatrice se encontrava e esta confirmou antes de partir, deixando me a sós com os dois carcamanos. Falei para que eles esperassem do lado de fora, que só eu entraria ali.

No quarto haviam duas camas com pacientes. Um era homem, o outro paciente era uma mulher loira, por certo era a Beatrice. Caminhei até próximo ao leito.


- Beatrice? Beatrice Beau? – Falei em tom baixo e ameno enquanto caminhava vagarosamente para mais perto. – Eu sou Victor Calarram, fiquei sabendo do ocorrido e quis saber como você estava. – Tentava passar com meu olhar sinceridade, e com minha expressão facial acolhimento e amizade. – Existe algo que possa lhe fazer para deixar a situação mais confortável?

Mais uma vez o homem sentimental surgia anulando homem racional, mas agora não me importava, pois sei que fazia o que era certo, e sei que gostaria que fizessem o mesmo por mim.

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12 Re: Medical Center of Louisiana em Qui Jul 26, 2012 8:43 pm


Quem a observasse diria que estava em um tipo de transe - de olhos tão fixos e lábios tão secos que talvez estivesse encenando o próprio fim. Encarava a porta e, em sua fixação, a saída. São duas coisas diferentes e ainda mais diferentes para alguém no estado dela - de Beatrice. O ruído das dobradiças trouxe a ideia de que alguém estava entrando e, àquela altura, só poderia ser uma enfermeira; uma enfermeira com um copo descartável cheio de comprimidos para dores. Não os queria e apertou os olhos, fingindo dormir.

Sentiu-se confusa, no entanto, ao ouvir a voz de Victor. Sem mais temer, reabriu os olhos com leveza e ergueu o rosto a fim de encará-lo, mantendo-se na mesma posição em que tinha sido encontrada. O visitante iria se deparar com um misto de antipatia, receio e surpresa. Era para ele que vinha prestando serviços de contabilidade? Por Deus, de todas as pessoas do mundo, ele era o último quem ela imaginaria que a visitaria naquele momento. - Sr. Calarram... - sussurrou pouco após os segundos de silêncio e análise, mantendo-se impassível. Era possível enxergar os hematomas que se estendiam pelo braço direito e um, em especial, na bochecha esquerda. Ataduras cobriam os ferimentos mais alarmantes, sendo que o lençol azul-bebê cobria parte da bata hospitalar a qual usava, assim como metade do corpo - da cintura para baixo.

- Obrigada pela visita... É realmente uma surpresa. - sempre amena, sutil. Sempre e ainda mais agora que estava parcialmente debilitada. Manteve os olhos fixos aos dele por um instante e os desviou minutos depois, suspirando vagamente. Não parecia interessada em ajuda alguma, afinal teria de se recuperar para sair dali e o faria sozinha como na maioria das vezes. - Hm. - encenou um sorriso preocupado e o encarou novamente, começando. - Não é como se existisse, mas se pudesse reconsiderar uma única coisa... - emudeceu, continuando sem mesmo esperar por uma positiva. - Eu me esqueci de avisar sobre o balanço da semana passada... Esqueci-me de entregá-lo para minha superiora e, enfim... Eu sei como essas coisas costumam atrasar outras. - torceu os lábios em sinal negativo ao confessar, continuando. - É uma pasta cor de carmim e está na minha sala, ou melhor... Na sala em que fui "hospedada". - sorriu em contrapartida, concluindo.

O paciente ao lado pareceu irritado com a falação dos dois, começando a gritar para que alguém o ajudasse. A mesma enfermeira que tinha orientado Calarram ao encontro de Beatrice entrou no quarto. - Acalme-se, senhor Mikael...! - foi claro o olhar de reprovação vindo da assalariada, tal que se voltou para o paciente alvoroçado e o acalmou em pouco tempo. - Sr. Calarram, seria melhor que se retirasse... - informou, enfim, repreendendo-o sem muita convicção. Não tardou ela em deixar o quarto e, novamente, deixá-los à sós. O homem ao lado permaneceu em silêncio, mas não o faria por muito mais tempo se os dois - Calarram e Beatrice - continuassem conversando. - Obrigada... Obrigada novamente. - por ter vindo, claro. Sentia-se bem? Sentia-se... Diferente. Não como se estivesse sozinha; não como se estivesse sozinha de todos os outros, mas sim de alguns - de alguns poucos.

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13 Re: Medical Center of Louisiana em Sex Jul 27, 2012 1:24 am

Eu queria rir da cara de surpresa que a Beatrice quando entrei no quarto em que ela estava. Rir não por que era engraçada, mas pelo fato de eu ter certeza que ela achava que eu seria a última pessoa que entraria naquele quarto. Realmente, se não estivesse naquele hospital, de certo não iria vê-la. O destino conspirou para que estivesse naquele local, e que sou para discutir com ele. Retive o riso, mas não por completo, deixando uma leve expressão de bom humor em minha face, expressão que poderia facilmente confundida com um sinal reciprocidade amigável.

A mulher, por incrível que pareça, não falou de sua situação, porém se manifestou com preocupação profissional sobre um relatório financeiro. Ela ganhou meu respeito nesse momento. Até mesmo eu iria me preocupar com meu bem estar, pedir por mais conforto, atenção e coisas do gênero, agora pedir desculpas por algo profissional estando em uma cama de hospital era algo que não poderia imaginar.

Antes que pudesse falar qualquer coisa, o outro paciente que dividia o quarto com a loira, começou a fazer seu show particular clamando pela enfermeira, que entrou e solicitou pela minha saída do ambiente e saiu do mesmo.

Voltei meus olhos para Beatrice os encarei com raiva, mas não dela, mas sim pela ocorrido. Segurei minha voz, fazendo ser amena, mas com tom de descontentamento.

- Beatrice, espere um momento, já retornarei a falar com você, mas antes tenho que providenciar algo.

Virei sobre os calcanhares e rapidamente sai do quarto, ainda em tempo de encontrar com a enfermeira, que a pouco se retirou do leito.

- Senhorita! Por favor, espere. – Fixei meus olhos com determinação dentro dos dela, demonstrando que queria que minhas palavras fossem escutadas e obedecidas. – Meu nome é Victor Calarram. Sou dono do Escritório de Advocacia Calarram. A mulher que esta nesse quarto é uma funcionaria minha. Requeiro a imediata transferência dela para um quarto privativo, que será custeado pela minha empresa. Do mais é só!

Esperei o assentimento da enfermeira, e retornei ao quarto. Olhei para o outro paciente e falei.

- Irei trocar mais algumas palavras com esta mulher, e peço que não tenha outro surto, pois serei breve! – Fiz questão de falar com tom de voz ríspido e sem muita gentileza na minha face.

Respirei fundo, pois queria que minha expressão se tornasse mais amena, e assim acho que consegui fazer. O tom de voz foi novamente preparado para ser gentil e amável, e um leve sorriso voltou a aparecer no canto da minha boca.

- Beatrice, por favor, não quero que se preocupe com os problemas do Escritório Calarram, tenha em mente só sua recuperação, nada mais, o que importa para a minha pessoa é somente teu bem estar, e se isso é importante para mim é importante para o Escritório. – Dei meia volta e comecei a sair novamente do quarto, mas parei poucos passos da porta, voltei-me para ela e conclui. – Todas as despesas da sua recuperação serão custeadas pela nossa empresa, vamos alegar que você se acidentou indo trabalhar.

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14 Re: Medical Center of Louisiana em Sab Jul 28, 2012 4:25 pm


A surpresa desapareceu, assim como o meio sorriso e toda a "magia" da coisa - da visita. Só percebeu isso ao se deparar com uma súbita e, em verdade, rude vontade. "- Existe mais alguma coisa que eu possa fazer por você, Sr. Calarram?" - vontade em perguntar e, certamente, em colocá-lo para fora do quarto o quanto antes. Repreendeu a si mesma ao vê-lo se retirar para falar com a enfermeira, lançando olhares de dúvida em direção ao teto. Por qual motivo tinha de ser tão arredia? Não existia outro culpado que não ela mesma, ou será que existia?

Outro culpado para a morte de seu filho? (Um filho de nome Filho).

"- Sou dono do Escritório de Advocacia Calarram." - mencionou, de certo tentando impor respeito ou coisa do gênero. Clarisse - a tal e tão mencionada enfermeira - voltou-se para o outro e, encarando-o por um longo período de tempo, pensou: - É mesmo? E eu sou uma empregada e, como tal, sigo ordens, mas não as SUAS ordens. Não devo ganhar tão bem quanto você, sr. Engomadinho, mas dá para o gasto. Ah, quer saber...? Eu realmente estou cansada disso tudo e quero mais-" retorquiu, então, abrindo um sorriso quase espontâneo. - Só? Bom, tudo bem. Cuidarei do possível para que possamos transferi-la o quanto antes. - e seria doído e até mesmo maldoso o que viria a seguir, pois Clarisse a deixaria esperando ao lado do tão rabugento Mikael e só a trocaria de quarto na manhã seguinte - não que Beatrice se importasse com a coisa toda.

Encarou-o assim que o mesmo voltou para o quarto, vendo-o espreitar o outro paciente com os olhos. Quase uma ameaça, pensou Beatrice. Não iria mais se preocupar com a empresa, mas quase pediu para que ele, por todos os santos, recolhesse o balanço da semana passada. Iria sentir como se um pedaço de si mesma estivesse faltando - e talvez estivesse - se o balanço não fosse, finalmente, entregue, mas não pediu e permaneceu escutando - escutando cada uma de suas palavras. Não concordou com a pompa de tais ações, ou melhor, não as interpretou tão bem quanto deveria. Victor perceberia, se fosse atencioso o suficiente para tanto, a hesitação até comum por parte de alguns empregados e, agora, de Beatrice. A loira hesitou em negar e, mais profundamente, em se submeter aos cuidados da tão falada e gigantesca "empresa de advocacia Calarram".

- Acredite... Não ficará por menos. - adiantou, mantendo os olhos fixos aos dele. Tinha demorado em sorrir e o fez logo após dizer, recostando-se no travesseiro novamente. Logo que Victor se retirou, Beatrice suspirou e, sem querer, chamou a atenção de Mikael, este que apenas ergueu a cabeça e lançou um olhar nada acolhedor para a "amiga de quarto". Talvez a ideia de se mudar de leito não fosse assim tão ruim, não é?

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15 Re: Medical Center of Louisiana em Dom Jul 29, 2012 7:03 pm

Achei divertido quando ela perguntou se vendiam comida e cigarro no hospital, e respondi que comida, com certeza, sim, mas cigarros eu achava muito difícil. Quando vi que ela olhou em volta como se procurasse o meu carro, indiquei o final da rua e falei pra ela vir comigo. No caminho, contei que era mentira aquela história de eu ser doutora e trabalhar no Medical Center, mas que sabia bem onde ficava.

Ao sentar no banco do motorista, me veio à lembrança um namorado que vivia me zoando por eu carregar tanta coisa na bolsa. Mas faço muito bem em ser precavida. Peguei a bolsa no porta luvas e tirei de lá uma caixa de lenços descartáveis e um frasquinho de álcool em gel que carrego por causa dessas gripes como a H1N1. Ia ser muito útil pra limpar aquele sangue todo, pois vai saber se a garota baleada não tinha hepatite ou coisa pior.

- Se quiser usar isto pra se limpar, fica à vontade. Aliás, qual é o seu nome?

Logo o carro ia seguindo pelas ruas do French Quarter, como tantas e tantas vezes aconteceu desde que me mudei pra cá. Eu tava alcoolizada, mas, como queria bater papo, fui dirigindo devagar(*). Meus olhos alternavam entre a rua e as sacadas daqueles prédios antigos, de arquitetura tão atraente. Minha mãe acha que eu gostei de vir pra Nola por ser uma cidade grande e charmosa. Em parte, sim, mas o principal não era isso. Só que eu não conseguia ver o que realmente desejava naquelas ruas, naquelas sacadas, em frente à fachada das construções coloniais. Começou a me dar aquele nó na garganta que eu já conhecia tão bem. Talvez por isso eu tenha começado a falar coisas que não tinham nada de nada com o ocorrido no bar. Mas pelo menos agora eu falei de modo bem natural, sem afobação nenhuma.

- Sabe, na primeira metade do século XIX, o principal recurso usado na literatura fantástica era uma evocação visual de forte impacto. Os protagonistas se deparavam com uma estátua que ganha vida, ou com um fantasma vindo dos infernos, ou um homem apaixonado podia descobrir que sua mulher tão perfeita era uma boneca de madeira. O real se revelava inusitado ou assustador, desafiando os personagens a rever a lógica do mundo ou sucumbir à loucura. Já na segunda metade do XIX e começo do XX, predomina o fantástico que se constrói principalmente por sugestões psicológicas. O cotidiano transcorre normalmente, mas o fantástico vai se insinuando cada vez mais nos objetos, nos acontecimentos ou em visões que podem ser reais ou não. De um modo ou de outro, o que essa literatura mostra...

Parei de falar ao desacelerar bruscamente, pois o sujeito do carro da frente virou sem dar seta. “Tá querendo morrer, filho da puta?!!”, gritei pondo um braço pra fora com o dedo médio espetado.

- Bom, como eu dizia, de um jeito ou de outro, essa literatura trabalha com a ideia de que o mundo interior, individual e subjetivo, é tão ou mais real e importante que o mundo exterior. Mas aí eu penso cá comigo: e se for ainda mais do que isso? Será que a literatura fantástica é realista, enquanto aqueles romances realistas do século XIX eram meramente superficiais? Ou, indo mais longe ainda, e se, ao invés de o mundo interior ser uma representação da realidade objetiva, esta última for uma projeção do mundo interno de cada um? Penso nisso como uma espécie de revolução copernicana, se é que não soa muito pernóstico usar tal expressão. Se fosse assim, poderíamos curvar o real à nossa vontade, mas também não teríamos ideia do que seria lógico ou não esperar. Tudo seria possível. Prestando bem atenção, talvez sentíssemos coisas irracionais nos cercando de forma cada vez mais insidiosa no dia a dia, como no fantástico de tipo mais psicológico; ou talvez tudo mudasse de súbito, quando a gente desse de cara com um monstro saído de um pesadelo, nosso ou de outras pessoas.

Parei de repente, pois vi que estava ficando verborrágica de novo, apesar do tom calmo. Isso era perigoso, pois a crise nervosa que desencadeou minha depressão começou com um surto de glossolalia no meio de uma aula sobre miologia. O problema todo é que eu estava impedida de falar o que eu realmente queria. Impossibilidade física mesmo. Daí usar a literatura como metáfora do que eu realmente queria dizer.

- Desculpa, eu tô sendo chata com esse falatório. Me conta um pouco sobre você. Em que cê trabalha, como se diverte, quais seus planos pro futuro... Essas coisas.

Depois de mais algum tempo, chegamos ao hospital. Mas foi só pisar na sala de espera pro meu celular tocar. Era um SMS da minha mãe...

Fomos até a lanchonete do hospital, já que ela tinha dado a entender que tava a fim de rangar alguma coisa. Sentamos pra comer e, enquanto eu mandava um SMS avisando que eu tava bem, mas ainda ia demorar, comecei a repassar as coisas que tinham acabado de acontecer.

- Sabe que eu joguei um cristal de Ice fora lá no Heavy Duty antes de ser revistada? Rá, o filho da puta passou a mão na minha bunda mas não viu essa. E o pior é que eu nunca experimentei uma viagem desse tipo. Você já?


- - - - - - - - - - -

(*) O carro ia um pouco além do limite de velocidade, mas a bebida sugere uma velocidade menor.

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16 Re: Medical Center of Louisiana em Seg Jul 30, 2012 12:36 pm

Ao sair do leito onde se encontrava Beatrice caminhei até o elevador acompanhado de Joe e Demetre. Assim que desembarcamos no térreo, me voltei para Joe e falei para ele ir até a floricultura mais próxima e providencia-se um grande buque de rosas vermelhas o qual eu daria para Beatrice assim que ela mudasse de quarto. Dado essa instrução, caminhei até a sala de espera para ver como Clarice estava.

Ela continuava sentada, esperando pela liberação do corpo do marido. Aproximei dela. Seus olhos estavam fechados. Ela dormia. Abaixei em sua frente, segurei suas mãos. Ela despertou. Olhei para ela com ternura e com a voz baixa falei.


- Clarice! Por favor, vá para casa. O Demetre te leva com meu carro. Eu ficarei aqui até que as coisas se resolvam. Você tem que descansar e ficar aqui não lhe fará bem algum.

Ela tentou argumentar por alguns instantes, mas acabou cedendo. Clarice acompanhou Demetre e em poucos segundos os dois desapareceram pela porta do hospital.

Agora eu tinha que esperar o retorno dos dois, a liberação do corpo e a transferência de quarto da senhorita Beau. Caminhei lentamente até a recepção aonde informei as funcionarias o pedido de transferência de quarto que fiz para enfermeira que estava cuidando da loira. Aproveitei para reafirmar o pedido e verificar como estava os tramites relativos ao Philip. Dessa vez conversei com o pessoal por detrás do balcão sem ameaças ou superioridade, pois o pessoal dali já sabia quem eu era e não precisava ficar me reafirmando.

Resolvi pegar um café na lanchonete. Eu sabia que aquela bebida não tinha me apetecido antes, mas quem sabe agora a bebida me agrade. No corredor que levava a lanchonete, parei. Recostei na parede. Respirei fundo. Mudei o rumo e entrei no banheiro.

Os pensamentos invadiam minha mente, assim como os cheiros minhas narinas, e a claridade irritava meus olhos. Liguei a torneira, molhei as mãos e lavei o rosto. Encarei o reflexo dos meus olhos e me perdi no mar de pergunta que comecei a me fazer mentalmente.


“O que esta acontecendo comigo? Eu sou Victor Calarram, um homem sem coração e não um sentimental. Por que me preocupar com Clarice? Por que mandar pedir pra comprar flores para um empregadinha? Por que meus olhos doem e os cheiros irritam meu olfato? Eu sou superior e não igual a essa plebe.”

A raiva começou a aparecer. Não raiva por uma coisa real, mas sim por não conseguir entender o que estava se passando comigo. Minha mão tremia de cólera, enquanto percorreu o terno até encontrar a caixa de cigarros e o isqueiro. Não vi como aconteceu, mas me peguei com ele acesso nos lábios. Sabia que não era permitido fumar naquele local, mas eu estava fazendo. Dei mais duas tragadas antes de apagar na água da torneira e jogar no lixo. Encarei novamente meu reflexo.

“O que estou fazendo aqui? Não sou um bom samaritano pra fazer gentilezas. Ninguém ficou ao meu lado quando meus pais morreram, então porque eu deveria me preocupar com essas pessoas que não significam nada para mim. Quero café. Quero uma mulher. Sexo isso que eu quero. O que estou pensando? Estou em um hospital. Eu sou um dos melhores advogados dos Estados Unidos. Eu rico. Eu quero poder e mais dinheiro. Eu sou Victor Calarram, herdeiro dos Calarram, eu sou...”

Um senhor entrou no banheiro e os pensamentos se esvaíram parcialmente, ficando somente duas coisas na minha cabeça. Primeiro eu tenho que voltar a agir como realmente sou e sempre agi, ou seja, como alguém que é melhor que os outros. Segundo preciso tomar café.

Sequei meu rosto com algumas toalhas de papel e parti para a lanchonete. Pequei um copo de café expresso grande e forte. Procurei uma mesa. A única livre era ao lado de duas garotas. Uma machucada e com o cabelo que dava a impressão de não tomar banho por um mês ou mais. A outra era gostosinha, e usava uma jaqueta de couro. Retirei do bolso a caixa de cigarros e o isqueiro. Não sei por que, não iria fumar ali. Tomei um gole de café. Dessa vez senti seu sabor gostei. Faltava alguma coisa, mas pelo menos o gosto voltou a me agradar.

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17 Re: Medical Center of Louisiana em Qua Ago 08, 2012 10:45 pm

Origem: Manicômio Abandonado

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Estacionou o carro em sua vaga reservada no estacionamento privativo da diretoria. Ser investidora do lugar retornava em alguns confortos e um deles era não ter que lidar com a gentalha dos ambientes comuns. Ao circular com o carro percebeu a Emergência expelindo gente por todos os lados. Assim como a construção abandonada às assombrações, hospitais também tinham uma aura de morte, mas diferentemente, de morte fresca... mesmo aquele sendo um lugar originalmente destinado à convalescença e a cura, mas para aqueles que vivem a morte é sempre o destino e via de regra, a morte sempre perpassa aqueles corredores. Os de saúde reestabelecida apenas assinam a postergação do inevitável. Tudo que nasce está destinado a morrer. Isabela bem sabia disso.

Deixou o veículo, mas não sem antes inspecionar sua aparência no espelho retrovisor. Estava pálida, como era esperado, e buscou disfarçar um pouco com pó compacto e batom rosado. Embora não mais se importasse com as impressões geradas por sua condição no limiar entre a vida e a morte, tais atitudes mundanas faziam parte de sua rotina de preocupações diárias — tal qual uma pessoa ao escovar os dentes ao acordar. Escovou os cabelos acastanhados com os dedos, pondo-os cuidadosamente no lugar. Endireitou as vestes e seguiu hospital à dentro em direção ao Departamento de Necrópsia.

Conforme ordenado, Vicenzo já estava à sua espera. Sentado num canto da lanchonete, na mesa de sempre que costumavam se encontrar, quando precisavam fazê-lo no hospital. Ele estava discretamente a folhear uma revista, mas ainda assim atento à tudo que acontecia ao seu redor. Assim, não precisou chamá-lo, acenar ou qualquer coisa, ele prontamente estava ao seu lado. Dócil e servil como o ensinara a ser. Seu nome não era Vicenzo. Era Vincent, mas ela não gostava e tratava-o pelo que mais lhe agradava. Já estava com ele faziam quase 15 anos e ele pouco envelhecera devido à fortificação provocada por seu sangue. Seus conhecimentos de necromancia avançavam deslumbrantemente e, quem sabe, em breve, estaria pronto para receber o abraço e entrar para a famiglia.

Wisenhower me comunicou a chegada de cadáveres frescos. — Disse enquanto se sentava.

Sim, ele deixou um recado no laboratório e eu encaminhei para a senhora. — Ele respondeu.

Trouxe o rabecão?

Eles dialogavam baixinho para que as pessoas em volta não escutassem.

Sim, imaginei que faríamos coleta hoje.

Ótimo. Desça e faça a seleção. Você conhece as coisas que eu gosto.

Ele aquiesceu silenciosamente, mas tornou a falar quando ela se inclinava para levantar.

Posso perguntar-lhe por que veio aqui? Você raramente vem ao hospital, exceto quando para “estreitar as relações”. — Ele inquiriu, embora respeitosamente.

Eu preciso falar com o chefe da psiquiatria. — Ela respondeu e ele franziu o cenho, visivelmente curioso, mas não perguntou e ela não explicou.

Ela levantou e percebeu com o canto dos olhos que era observada. Isabela causava uma impressão nas pessoas. Destacava-se, mas não de uma maneira que se consideraria boa. Era uma mulher bonita, bem vestida, elegante como sua abastada condição permitia que fosse e se comportava de acordo. Para todos os efeitos, não passava de uma ricaça discreta. Todavia, ela exalava aquela aura estranha de quem lida com o desconhecido e ela lidava com o inevitável que todos temiam. Certa vez, haviam lhe dito que embaixo do perfume e da pele sedosa, ela era tão podre quanto um “rato de esgoto”. Quem soubesse farejar, poderia sentir o cheiro em seu hálito de quem comunga com a morte. Para as pessoas comuns ela era aquela pessoa que causava sensações estranhas, digna de desconfiança. Mas aquilo não a incomodava, pois a confiança que precisava era a dos mortos e estes não se incomodavam com nada daquilo.

Quando já a algumas mesas de distância. Voltou-se para Vicenzo que se preparava para sair.

Vicenzo, — chamou evidenciando o sotaque italiano, que atravessava o ambiente — providencie o telefone de um advogado para quando eu voltar. Um discreto.

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18 Re: Medical Center of Louisiana em Qui Ago 09, 2012 2:46 am

Eu estava ali, sentado tentando saborear aquele copo de café enquanto esperava pelo retorno de Joe e de Demetre. Olhei para o relógio que estava em meu pulso. Ambos estavam demorando. Voltei meus olhos para a entrada da lanchonete na esperança de ver um dos dois entrando. Foi quando vi uma bela mulher adentrando o recinto. Estava vestindo Calça preta larga, camisa cinza escura (fina demais para o frio daquela noite) com a manga dobrada até o cotovelo. Sapatos sociais pretos. Andava com uma postura que impunha certa autoridade, mas mesmo assim aos meus olhos parecia o desfilar de uma modelo sobre um tapete vermelho, não se importando com os olhares voltados para ela. Via-se ali o exemplar de uma mulher em extinção. Era uma mulher com classe e dinheiro. Classe sua postura demonstrava. Dinheiro as roupas dela falavam, visto que não eram aquelas compradas em qualquer loja, mas provavelmente foram feitas sob medida. Sua pele clara valorizava seus traços faciais e seu cabelo liso e solto sobre os ombros de coloração acastanhada dava o toque final ao charme dela.

Ela caminhou em minha direção. Busquei fazer meu olhar cruzar com o dela, mas ela manteve-se altiva, caminhando sem desviar seus olhos para lado algum. Quando ela estava a poucos passos do local em que estava sentado, pensei em levantar. Notei notar ela estava com uma maquiagem bem sutil, podendo dizer clássica. Suas orelhas eram adornadas por pequenos brincos de diamantes e em seu pescoço encontrava-se uma fina e delicada corrente de prata. Ela passou por trás da minha cadeira, pela minha mesa, e sentou em uma mesa diretamente ao lada da minha. Um homem a esperava.

Desanimei. Noite passada, foi Annabeth que me deixo as pressas pra fazer sabe lá o que, e durante todo o dia não se manifestou. Tentei ligar para seu celular e deu somente caixa postal. Agora Esta linda mulher, nem se deu ao trabalho de desviar o olhar e me fitar por um misera segundo.
“Devo estar ficando velho”. Foi o que passou na mente. Olhei novamente para a entrada, mas nada dos dois chegarem.

Aquela mulher chamou minha atenção. Voltei minhas atenções nela. Tentei escutar o que ela e o outro sujeito falavam. Tentativa inútil. Passei a observar melhor ela e notei que em seu dedo anelar existia um anel e com o tempo percebi que nele existia um brasão.

O sujeito que estava na mesa se levantou e começou a rumar em direção a saída do local. Um chamado o fez para e virar.


— Vicenzo, — chamou com um tom que aparentava italiano providencie o telefone de um advogado para quando eu voltar. Um discreto.

Eis minha deixa para me aproximar daquela esplendorosa mulher, e quem sabe arrumar alguma coisa para alem de uma noite. Arrumar mais um cliente para o escritório.

Guardei o cigarro e o isqueiro no bolso interno do terno. Tomei um último gole do café. Ajeitei a gravata. Aprumei as abotoaduras do blazer. Levantei endireitando a postura bem como terminando de acertar o prumo do terno. Votei primeiro minha cabeça e depois meu corpo para a tal mulher e caminhei os poucos paços que separavam nossas mesas. A cadeira a sua frente que a pouco o outro sujeito ocupava foi por mim ocupado. Já acomodado olhando nos seus famigerados olhos, saquei do bolso externo do paletó do terno um cartão e que coloquei na mesa e deslizei com as pontas dos dedos até a frente da mulher.

Com a voz desinibida, porém mantendo o aspecto formal que queria passar.

- Victor Calarram. Advogado!

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19 Re: Medical Center of Louisiana em Qui Ago 09, 2012 10:37 am


A abrupta aproximação daquele homenzinho, quase beirando a invasão de seu espaço pessoal poderia ser considera uma absoluta insolência. Tamanha a ousadia. E muito rapidamente, Vicenzo com a destreza e habilidade de um carniçal experiente logo estava se postando entre eles a fim de afastar o sujeito. Foi apenas um levíssimo afastar com uma das mãos no ombro do rapaz. Talvez se sentisse ofendido, mas ao menos ainda estava são. Bom, pelo menos estavam num hospital, se se atravessasse com os ânimos de Isabela.

Ele se apresentava como advogado e lhe estendia um cartão. Às vezes ela detestava coincidências. Ou orelhas compridas. Queria um advogado, mas não qualquer advogado. Revirou os olhos e recolheu o cartão oferecido. Dizia Victor Calarram. Escritório de Advogacia Calarram e Associados. Trabalhamos para você e por você. Seja um cliente nosso e nunca mais se preocupe com problemas jurídicos. A vontade era de jogar aquele cartão fora e simplesmente sair sem dar-lhe mais de sua atenção do que já dera. Dificilmente aquele homenzinho cheio de si teria algo a oferecer e se a irritasse o bastante sequer poderia levá-lo para casa. Poderia fazer uso do cadáver fresco de um jovem saudável. Infelizmente vinha de uma boa família que prezava a educação e a cortesia.

Aspetta, Vicenzo. — Ordenou com gentileza ao carniçal que apenas aguardava uma leve indicação de que o homenzinho a incomodava para mandá-lo ao inferno. — Andate a fare quello che chiesi. Inviami un messaggio quando hai finito, ti dico dove incontrarmi. Grazie.

Vicenzo se afastou de ambos e deixou a lanchonete a caminho de seus afazeres. Às vezes a pior coisa de agradar-se tanto de um carniçal a ponto de oferecer-lhe o abraço era ter que se desfazer de um bom carniçal. Mas ainda tinha uns bons anos com ele até que se tornasse merecedor do abraço ou mesmo se tornasse insolente por causa da ambição. Observou-o partir e então dirigiu o olhar para o homenzinho.

Victor Calarram, advogado. O que posso querer de você para ter tanta convicção de poder me atender? — Seu sotaque italiano estava mais pronunciado naquele momento do que ela geralmente podia disfarçar. Talvez ele notasse que ela não o convidara para sentar. Talvez ele não notasse e sentasse do mesmo jeito. Isabela estava testando-o.

Ela cruzou as pernas e os braços, enquanto observava-o, esperando que ele logo se mostrasse uma perda de tempo para ela retornar ao que a trouxera ao hospital em primeiro lugar. Um favor lhe fora pedido e para que pudesse se beneficiar daquela relação precisava por o trem a andar. Isso lhe lembrou que precisaria entrar em contato com o seu contador a fim de avaliar o quanto precisaria investir, bem como de quais fundos desviaria o dinheiro para alavacar sua empreitada.

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20 Re: Medical Center of Louisiana em Qui Ago 09, 2012 1:25 pm

Tudo estava completamente normal como antes. Digo, um hospital nunca é normal, sempre tem casos novos aparecendo. Depois de um certo tempo, a gente sempre se acostuma a uma rotina cansativa e imaginária. Dessa vez eu estava fechando os últimos prontuários de óbitos. As vezes muitas pessoas me perguntam porque eu escolhi essa profissão, e eu sempre digo, os mortos são mais fáceis de lidar do que os vivos. Mortos não escolhem suas roupas e muito menos o lugar aonde quer passar o final de ano, eles simplismente vão aonde queremos que eles vão. Muitos ainda não compreedem a beleza por trás da morte. Um homem cresce num mundo de violento, casa-se com uma mulher triste, passa o resto da vida trabalhando para sustentar a sí mesmo e a família que por consequência vieram. Um certo dia, o seu coração para de bater e o que ele encontra? A paz! A paz de se livrar desse mundo mesquinho, onde o dinheiro dita as regras.

- Bom, eu acho que depois desse, eu terminei essa minha parte!

O diretor do hospital havia sido muito bondoso em aceitar uma simples estudante de medicina no local. Eu tinha muita experiência, afinal eu lidava com defuntos a muito tempo. E tanto porque Frances Giovanni, o meu primo de nome e dinheiro, tinha algumas influências sobre alguns ramos. Algumas ligações e em apenas uma semana eu estava com uma casa quase mobilhada e um emprego. Se bem que dinheiro nunca me foi o pobrema. Após terminar o meu prontuário, eu retirei as roupas e fui até o vestiário. Eu realmente precisava de um tempo comigo mesma. Desde que me conheço, nunca tive uma enorme noite de diversão. Tudo para mim sempre foi responsável e com grande respeito pelas leis. Eu havia cuidado de muitos óbitos com casos de overdoses de drogas lícitas, porém eu nunca havia usado. Por esse motivo, aquela noite eu queria fazer tudo diferente. Eu queria mesmo sair e encontrar nas ruas aquele homem em que te coloca medo e comprar com ele alguma coisa que me fizesse " viajar " desse mundo estranho.

Pensando nisso, eu tomei um rápido banho e troquei de roupa. A minha calça jeans surrada nunca me abondonava. Um casaquinho básico por cima de uma simples blusa caqui e eu estava pronta para sair. Eu não conseguia imaginar no que eu estava prestes a fazer. Sei que se Francis estivesse comigo, ele me apoiaria e se juntaria a mim, o que era muito engraçado. O meu corpo ainda não lidava muito bem com novidades e por isso o meu coração acelerava dentro de meu peito. Eu não havia comido nada durante aquela noite cansativa de mortes e mortes. Não querendo ser abordada por algum médico com urgência, e resolvi que sair pelo portão dos fundos seria perfeito. O lugar ainda cheirava a sangue. As pessoas ainda continuavam presente no local esperando uma boa notícia, talves ela nunca viesse. Passando pela parte vazia do hospital não resisti ao meu vício e acendi um cigarro. A calma que eles me causavam era inclível. Embora não parecece muito, eu estava cansada. A viagem havia sido cansativa e esse acidente contribui para um corpo sem muitas forças. O cigarro queimava e minha mente viajava pelo necrotério do local. Aquelas vidas interrompidas drasticamente, chegava a ser triste. Quando o cigarro terminou de queimar, eu estava a caminho da lanchonete. Eu estava começando a considerar a idéia de me drogar uma merda. Para que viajar se quando eu deitasse na minha cama, a minha mente apagaria? O cansaço para mim já era normal. Eu começava a me arrastar pelo local. Os meus olhos estava fechando e só acordei quando esbarrei com força numa mesa. Abri os olhos assustada. Reconheci de imediato o homem sentado a mesa. Era o advagado que eu havia conhecido a algumas horas atras. E com ele estava uma mulher que, nunca havia visto. Consertei a minha roupa e com um pigarro muito envergonhado:

- É,é! Peço desculpas! Minhas mais sinceras desculpas!

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21 Re: Medical Center of Louisiana em Qua Ago 15, 2012 2:59 am

O outro sujeito veio e colocou sua mão em meu ombro. Quem era ele para me tocar? Não queria ser indelicado, e queria conquistar aquela bela mulher como cliente para o escritório. Olhe para ele com olhos de poucos amigos. Meu olhar para o fulano transmitia claramente meu pensamento. “Retire sua mão de mim”. O cara tirou a mão e a mulher pegou o cartão que eu tinha oferecido. Prestei atenção em sua expressão facial enquanto lia. Pelo que pude perceber ela não estava reconhecendo meu famigerado nome. Tinha que fazer alguma coisa para mudar isso. Ela falou para o homem que a pouco teve a ousadia de encostar no meu ombro alguma coisa em italiano, língua esta que só podia reconhecer o sotaque e algumas poucas expressões por causa da convivência com Joe e Demetre. Assim que a mulher terminou de falar ele se afastou de nós rumo a saída da lanchonete. Ela me olhou por um instante antes de falar em com aquele sotaque italiano.

— Victor Calarram, advogado. O que posso querer de você para ter tanta convicção de poder me atender?

Estava na cara que ela não queria alguém a importunando, mas suas palavras foram musicas para meus ouvidos. De certo ela queria saber que eu era e acertou um dos meus pontos fracos, com meu orgulho. Resolvi que iria mostrar pra ela um pouco de quem sou.

Encarei aquela bela mulher nos olhos, endireitei ainda mais a postura e preparei a voz para que ela saísse de tal maneira que demonstrasse o meu poder, dinheiro influência e a cima de tudo a minha capacidade.

- Vou dizer assim. Sou o melhor e mais rico advogado de Louisiana e um dos melhores do país, isso se não for o melhor. Sou dono de um dos maiores escritórios de advocacia do país. Represento os maiores empresários, e magnatas do nosso estado contando hoje até mesmo com o maior grupo empresarial da nossa cidade, a Vestrue CO. – Firmei ainda mais fundo meu olhar nos dela demonstrando que minhas palavras anteriores eram sérias e verdadeiras, bem como dizendo o que eu ira dizer a seguir era a mais absoluta verdade. – Você disse que precisa de um advogado, eu sou “o” advogado! Se eu não puder lhe atender, digo que ninguém mais vai conseguir fazer isso. - Me toquei que não sabia o nome dela. – A propósito qual o nome de tão exuberante dama?

Recostei no encosto da cadeira, cruzando minhas pernas e colocando o braço direito sobre a mesa. Aguardando uma reação dela. Mas foi só começar esperar pelas palavras da italiana alguém esbarrou na mesa. Levantei meus olhos e pude ver que era a atrevida da médica legista.


- Desculpas aceitas! Espero que tenha se dirigido até aqui pra me informar que aquela pendência foi resolvida. Se foi fico agradecido, se não foi acho melhor se apressar, pois na hora que eu me retirar desse local irei preparar o processo contra este hospital e contra você. Agora por favor estou tratando de negócios aqui.

Voltei para a mulher.

- Peço desculpas por esse inconveniente.

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22 Re: Medical Center of Louisiana em Sab Ago 18, 2012 5:43 pm


O homenzinho, apesar de não ter sido convidado, sentou no lugar antes ocupado por Vicenzo. Tal atitude, apesar de achar de uma deplorável falta de educação, Isabela procurou metodicamente ignorar, pois, como dito anteriormente, estava testando-o. Vendo até onde aquela criatura poderia ser interessante. Porém, tanta certeza a cerca de si, ela não conseguia ver muito potencial. Que ele a convencesse do contrário.

Ele se endireitou quando lhe foi dado permissão para falar, corrigiu a postura para que parecesse mais alto, endireitou a voz. Ela observava os pequenos sinais de sua linguagem corporal. Tudo aquilo para impressioná-la. Isabela deveria sentir-se lisonjeada em nome de tamanho esforço. Mas não... definitivamente não... E ele gasta mais uma tentativa quando abriu a boca e ela pode sentir o leve hálito de cigarro que atravessava a distância entre eles e encontrava as narinas dela, isso além de um cheiro de menta típico de pessoas que tentam disfarçar a identificação pelo odor do hábito do fumo com balas. Todavia o cheiro do tabaco já estava impregnado no tecido de seu caríssimo terno feito sob medida. Era impossível não perceber nele uma preocupação em ser socialmente agradável. Isabela também eram um pouco assim, de outra forma não se preocuparia em vestir-se bem ou manter seu cabelo arrumado de acordo com a moda, fosse em nome da Máscara ou de suas vaidades pessoais.

Após um momento de devaneio volta sua atenção para a fala do homenzinho e levemente franze o semblante simulando atenção. Ele estava a dizer que era o melhor e mais rico advogado de Louisiana. Era necessário apontar que era mais rico. Riqueza podia ser oriúnda de outras coisas além de seu excelente trabalho, caro. “Um dos melhores do país”, continua ele. Certo... “Sou dono de um dos maiores escritórios de advogacia do país”. Ok. “Represento os maiores empresários, blablabla.... blablabla...” Já estava perdendo a paciência e estava pronta para mandá-lo calar-se e procurar Vicenzo no dia seguinte, caso estivesse tão interessado em atendê-la. Mas uma palavra que estava nos tópicos mais importantes da cidade nas últimas semanas surgiu. Vestrue. Então o homenzinho era o tal advogado responsável pela desapropriação dos toreadores de Garden District. Então o homenzinho conseguira revelar seu potencial.

Um leve e discreto sorriso surgiu no canto de seus lábios. E ela responde quando ele pergunta o nome da exuberante dama. Teria que dar a ele algumas regras de comportamento, pois se fosse mantê-lo por perto, o homenzinho teria que ser menos irritante. Estava para responder-lhe quando alguém se aproximou e interrompeu-os. Definitivamente pessoas a irritavam.

Baixou o olhar pouco dando atenção a mulher que se aproximou. Uma qualquer com o cabelo tingido com um vermelho artificial, vestida de modo simples e com um tom desculposo na voz. Mas o homenzinho rapidamente despachou-a não sem antes ameaçá-la por qualquer motivo e então retornou sua atenção para Isabela.

Sem problemas. — Ela diz baixinho. — Também não suporto ser interrompida quando estou no meio de algo importante. Aliás, não gosto de ser interrompida em qualquer momento, sejá lá o que eu estiver fazendo.

Aí estava a primeira regra de comportamento para uma convivência saudável com ela.

O nome é Sforza. Isabela Sforza. — Responde-lhe agora num tom mais agradável e estende-lhe a mão direita.

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23 Re: Medical Center of Louisiana em Ter Ago 21, 2012 10:14 pm

Aeroporto de Nova Orleans - 19:53 - Noite.



Eu estava em minha poltrona sentada. Como sempre, eu estava lendo a nova edição da revista Medical Word, onde um assunto sobre genomas humanos estava intrigante. Tudo parecia normal quando um homem alto de pele escura se sentou ao meu lado. Sem ao menos ter a educação começou a tentar observar a minha leitura. Lancei-lhe um olhar, e depois voltei ao que eu estava fazendo. O piloto já havia anunciado que o avião estaria entrando em contato com o solo num período de duas horas. As aeromoças ofereciam doces, sucos e alguns quitudes salgados. Bônus esse que eu sou desfrutava por está viajando de primeira classe. Eu recusava as comidas e aquele homem então ao meu lado continuava a me incomadar. Furtivamente chamei uma das aeromoças.

- Por gentileza, não teria um outro lugar vago na primeira classe?
- Sinto muito madame, mas todas as poltronas estão ocupadas. Mais porque o interesse de mudança?
- Nenhuma em especial. E na segunda classe?
- Sinto informa-la que esse avião está com todos os assentos ocupados. Essa companhia viaja sempre com o máximo de passageiros!

Tendo me dito isso, a aeromoça partiu. Vendo que eu teria que lidar com o mau encarado, simplismente forcei minha poltrona para atrás, fechei os olhos e a revista e repousei. Eu estava procurando pensar em qual seria o próximo passo ao chegar em Nova Orleans. Por mais que Frances havia feito a parte trabalhosa e chata, concerteza ainda teria algo a ser feito. Eu estava pensando no que seria, quando senti os dedos do indívíduo tocando o meu rosto. Abri os olhos e estupefata ví a figura do homem me observando. Me levantei na pressa da poltrona, os outros passegeiros dormia:

- O senhor por acaso possui algum pobrema mental? Está louco? Como ousas tocar em mim? - Olhando para o avião eu esperava que alguém responsável chegasse, já que minha voz estava num tom um pouco alto. - Cadé o responsável por esse avião? Como isso pode acontecer? - Eu reclamava quando as aeromoças chegaram e começaram a pedir pra mim me acalmar.
- Senhor mantenha a calma!
- Calma? Esse homem estava tocando em minha pele enquanto eu dormia e vocês ainda me pedem calma?
- Senhora peço que volte para o seu assento, ainda não pousamos em solo.
- Voltar? Eu me recuso a voltar para ao lado desse tarado...Ou me arrumem uma outra poltrona ou vou passar a viagem em pé!

Vendo que eu era uma pessoa que não se dava por vencida, arrumaram um poltrona para o homem longe de mim. Ao meu lado agora se sentava uma senhora bem simpática por sinal. Mesmo ao longe eu podia sentir o olhar dele sobre mim, o que me causava ânsias de medo. Eu não queria pousar com ele me vendo, afinal eu poderia ser seguida. Os últimos minutos foram os mais tensos para mim. Eu pensava num jeito de despistá-lo. Quando o avião pousou, eu fui pegar minhas malas e olhava constantemente para os lados. Enfim, nenhum sinal do homem, ele aparentemente havia desistido de mim.





Medical Center Of Louisiana - Horário atual



Eu estava me sentindo péssima aquela noite. Além do cansado, da série de acidentes, eu estava sozinha num hospital que eu mal conhecia. O grande número de corpos estava cada vez aumentando e eu não via o horário em que eu ficaria livre chegar. Um pouco mais cedo, eu havia tido um encontro um pouco estressante com um advogado de porta-de-cadeia. Na minha profissão eu estava sempre fadada a esse tipo de encontro. Exigências e algumas vezes processos, tudo fazia parte do mundo da medicina. O corpo do homem negro que havia me incomodado no avião, ainda estava no necrotério, porém o homem, amigo do indesejado Victor Calarram já estava pronto para ser liberado, o próximo passo não seria comigo. Eu estava me sentindo péssima por ter esbarrado numa mesa, afinal a etiqueta merece ser sempre mantida. Porém algo me chamou a atenção a voz do indivíduo. Eu olhei e não acreditei no que meu olhos observavam, era ele, Victor Calarram. Não fiz questão de esconder meu rosto de descontente, muito menos após ouvir suas palavras grossas e ameaçadoras. Nem ao menos me dei ao trabalho de observar a mulher que estava com ele, afinal na companhia de um tipo como ele, boa pessoa ela não poderia ser. Eu estava respirando fundo afinal, era o meu trabalho e não poderia rolar nenhum derrespeito, porém o primeiro passo dado não foi meu:

- Vejo senhor Calarram que o senhor ainda não abandonou o local, aproveite e tome um pouco de remédio, está com um expressão horrível. - Dei um ótimo sorriso debochado - Quanto ao seu companheiro, digo, seu amigo, o corpo dele já foi liberado. O senhor já pode dar um enterro descente a pessoa que o senhor mais amou. - Dito isso eu parti deixando a mesa dos dois, eu estava me sentindo um pouco melhor, mesmo sabendo que ainda existia a ameaça dele. Não sei o que houve, porém eu resolvi que deveria finalizar aquele assunto de vez. Voltei alguns passos e olhando dessa vez para a mulher e para o Sr: Calarram: - E quanto ao processo, não tenho medo. Já ouviu falar em Franschesco Giovanni? Não? Meu primo, na verdade a minha família que mora em Veneza possui alguns bens também. Eu não tenho muito, mais possuo o suficiente para não temer ninguém, nem mesmo um ótimo advogado, afinal perigo por perigo, eu também sou perigosa! - Terminando a minha frase, eu fiz uma reverência e parti, dessa vez eu não tinha planos de voltar, havia terminado o que tinha de ser dito. Me sentei um pouco distante da mesa deles e pedi um café. Agora por dentro eu estava com vontade de rir, eu havia usado o nome de Frances que nem imaginava o que se passava. Dando uma olhada no relógio, resolvi que não era muito tarde para ligar para ele. Peguei o celular e enquanto provava o café, eu discava o seu número. Precisava dizer a ele que talvez eu havia feito mais um inimigo.

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24 Re: Medical Center of Louisiana em Qui Ago 23, 2012 11:28 pm

Deixou-se conduzir ao carro da loira sem esboçar maiores reações. A ideia de que não vendiam cigarros no hospital a deprimia e, se sentindo para baixo, as dores abandonavam seu latejar monótono para se tornarem agudas como o punhal fictício de Macbeth. Contudo, ao recostar-se ao couro sintético do banco do passageiro, o alívio dominou-a e o relaxamento foi tão grande que quase superou a dor física por uma mais psicológica, e seu braço se permitiu um espasmo. Só agora percebia o quanto lhe custava se manter em pé, e considerando que não se sentara desde o momento fatídico – afinal, se equilibrar perigosamente em um desmantelado banco de bar não era exatamente uma atividade relaxante – bom, era bom.

Com um ar penalizado, jogou pela janela do carro o último resquício do cigarrette que fumava. Adeus, bom amigo. Foi bom enquanto durou. E, com um sorriso que lembrava mais um esgar, voltou-se para a motorista. Ah, como seria ótimo fumar um baseado agora. Era o momento ideal. Já estava tão relaxada, seria como que a cereja do bolo. Mas isso também trazia alguns problemas. Por exemplo, agora que não estava mais tensa – noventa por cento de tensão corporal para se fazer uma performance não era nada perto da tensão que vivenciara – sentia que suas mãos suavam frio um pouco, e tremiam. Infelizmente, não era um tremor leve. Tentou escondê-lo torcendo as mãos uma na outra, mas não havia como não falhar. As primeiras pontadas de uma dor de cabeça crônica começavam a aparecer, bem, já sabia o que era. Abstinência.

Tentou focar seus olhos na loira, sentindo-se balançar como se estivesse num navio. Que chegassem logo ao hospital! Ou então provavelmente vomitaria no volante. Estendeu as mãos trêmulas para pegar o frasco de álcool em gel que ela lhe oferecia, derrubando-o quase no mesmo segundo. Não se importou em recuperá-lo. A garota começou a falar quase imediatamente, num ritmo frenético, confundindo-a com a quantidade de sons que conseguia produzir num espaço tão reduzido de tempo. Ela só conseguia focar nas narinas contraindo e descontraindo num ritmo acelerado para que a respiração acompanhasse a fala, e as poucas palavras que ouviu tiveram o desagradável efeito de assustá-la e confundi-la ainda mais: a terrível sentença “fantasma vindo dos infernos”, e coisas disparatadas como “boneca”, “lógica”, a assustadora “loucura”, a estranhíssima “realista”, e “superficial”, “irracional” e, a pior de todas, “pesadelo”. O que ela sabia? Porque ela estava falando aquilo? Seria uma enviada do demônio-coisa-fantasmagórica? Como ela poderia saber? O que ela queria dizer com tudo aquilo? Como assim? Deveria matá-la?

Sua cabeça ainda girava em confusão quando ela lhe perguntou seu nome. Interpelada assim de surpresa, com a dor de cabeça se tornando uma avalanche assustadora, as palavras batendo contra seu crânio como pedra malditas que carregam a dor e as mãos tremendo como vara verde, tudo que conseguiu foi balbuciar fracamente: - Gi-gia... Kav.. Kaf-Ka. E fechou os olhos logo em seguida, nervosa. Não conseguiria fazer mais do que isso.

Praticamente se arrastou até a lanchonete, sem forças e com medo da loira que a guiava, comeu sem vontade e com a nítida impressão que vomitaria tudo assim que tivesse oportunidade, e observou nervosamente sua visão oscilar. A garota mencionou algo sobre drogas sintéticas semi-desconhecidas e, com uma forte estremeção, ela junto suas últimas forças para dizer.

- Só curto... maconh... – o fim jamais veio, pois não pode parar o vômito. Conseguiu virar a cabeça para o lado, evitando assim que atingisse alguém, mas, quase cega, cambaleou até o primeiro jaleco que conseguiu vislumbrar e agarrou-se a ele, ou melhor, aos joelhos da pessoa desconhecida - Po-pode me arranjar alguma morfina?

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25 Re: Medical Center of Louisiana em Sab Ago 25, 2012 12:27 am

Não dei ouvidos ao comentário impróprio, inoportuno e inconveniente proferido pela insuportável doutorinha. Minha atenção estava voltada totalmente a exuberante Senhorita Sforza. Pelo jeito que ela falou antes de realizar a apresentação de seu nome tinha cometido uma tremenda gafe ao me aproximar dela da maneira pouco convencional que fiz. Já tinha cometido agora o que restava era tentar saná-la bem como oferecer minhas desculpas e meus préstimos.

- Senhorita Sforza! Lamento ter embaraçado suas ações, não é de meu feitio fazê-lo! Estou meio atarantado nos últimos dias. Tantos acontecimentos recentes me fizeram agir de maneira leviana e impulsiva na minha apresentação. – Meus olhos fitaram Isabela, mas neles não existia aquele ar suplicante de pedido de perdão, e sim a alma de quem cometeu um erro, pediu desculpas, mas não se deixou abater, demonstrando o quão forte era a personalidade de quem falava. Talvez possa cometer, mas um leviano deslize, mas me permita... – Olho para ver se a doutorinha já se afastou e constato que ela esta em outra mesa. – Desejo saber quais préstimos procura em um advogado e quem sabe já posso providenciar alguma solução mesmo que momentaneamente parcial para a senhorita.

Tinhas tentado medir minhas palavras, bem como demonstrar que não sou um sujeito de brincadeira, totalmente capacitado para o que quer se seja.
De repente um ruidoso barulho se perfaz no ambiente. A jovem de cabelos sujos que estava sentada com a gostosinha loira estava colocando o que bebeu pela boca a fora, algo nojento de se ver e de se sentir o cheiro. Estava começando ficar insuportável aquele lugar.


- Se desejar senhorita, podemos ir para outro local para conversar. Coloco meu escritório a disposição.

Atrás de Isabela pude ver entrar pela porta Joe e Demetre juntos. Eles se aproximam da mesa e eu aceno para que fiquem um pouco mais afastados.

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