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Medical Center of Louisiana

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26 Re: Medical Center of Louisiana em Seg Ago 27, 2012 1:09 pm

A sequência de ações que se seguiu levou a paciência de Isabela a cerca da convivência com a humanidade ao limite. Ela não se dedicava aos mortos apenas por interesses acadêmicos. Dedicava-se aos mortos porque, na maior parte do tempo, detestava os vivos, com seus talentos para levá-la ao auge da fúria. Cada vampiro é um ser partido em dois, uma parte referindo-se à humanidade que ainda lhe resta e a outra à besta que lhes dá todas as vantagens de pertencer à noite e que tem sede de sangue. Em cada momento que um daqueles patéticos humanos ousavam testar sua paciência a besta se remexia dentro dela e mandava-lhe rasgar-lhe suas gargantas e tomar-lhe o sangue... certamente, em momentos como aquele ela pensava que a Camarilla era idiota em permitir tamanha liberdade para aqueles sacos de carne.

A mulher retorna para tentar dizer poucas e boas para o advogadozinho inchado. O que ela diz chama a atenção de Isabela e a faz mirá-la com cuidado. Marcando-a e inserindo-a como seu próximo item na sua lista de afazeres. Há nomes, por mais poderosos que sejam, cujo poder está justamente por suas ações na escuridão e no silêncio. Giovanni era um nome que não podia ser proferido em vão. Imaginou quem ela seria para conhecer o nome de sua família. Ela dizia ser de Veneza, porém, em Veneza, lar dos Giovanni, aquele era um nome tão temido que os comuns evitavam dizê-lo em voz alta, evitavam torná-lo tópico das conversas. Tudo para que não se tornassem alvo da fúria de um dos descendentes de Augusto. E a idiota dizia que um Giovanni qualquer viria em seu resgate, por isso ela era perigosa... Quão patético poderia ser isto. Franchesco Giovanni... Imaginava quem seria o imbecil que deixaria a solta lacaio tão mal educado. Nota mental: educar a idiota, notificar o imbecil sobre sua criaturinha boca grande, notificar aos patriarcas sobre a irresponsabilidade do imbecil.

Quando a mulher se sentou à outra mesa, prolongou o olhar por mais alguns segundos e por fim voltou-se para o homenzinho que como um cachorrinho parecia abanar o rabinho por sua atenção. Ele lhe pede desculpas por ter-se atravessado em seus assuntos. Ela ignora. Explica que está atarantado. Ela ignora. E, finalmente, pergunta o que ela precisa de um advogado.

Normalmente, teria preferido investigar melhor a criatura antes de colocá-la a par de seus negócios. Mas ele tinha uma vantagem. Estava sob o radar de Henry Freeman e seria o responsável pelos despejos de Garden District. Para sua segurança, era possível que Freeman tivesse dado a ele de seu sangue para garantir fidelidade. Mas não acreditava que tivesse feito dele seu carniçal. A relação de um mestre com seu carniçal é mais estreita do que aquilo. Além disso, o homenzinho, ao realizar o trabalho sujo de Freeman saberia melhor quem seria seus inimigos caso se visse frente a frente com um. Victor Calarram deveria saber identificar quem seriam os membros da Primigênie e seus carniçais conhecidos. Se Calarram a tivesse reconhecido, ela saberia. Um carniçal não se mostraria tão a vontade com uma anciã. Por melhor ator que fosse, ela lidava com os malditos Toreadores numa frenquência maior que o desejado para saber se armar contra um truque ou dois.

Neste momento um som de excreções humanas enche a lanchonete, seguido do som de substâncias parcialmente líquidas caindo ao chão. O cheiro de resíduos estomacais rapidamente se espalha pelo lugar. O filhotinho do Ventrue tenta disfarçar, mas torce o semblante enojado. Ele pergunta se ela prefere se retirar e ir para um local mais apropriado para continuarem a conversa. Ela ergue a mão para silênciá-lo.

Podemos continuar aqui, estou acostumada com odores muito piores — diz ela para a agonia do homenzinho.

O que precisarei de você, neste momento é simples. Existe uma propriedade abandonada, em Lakefront, o antigo manicômio. Quero adquiri-la, legalmente, tudo preto no branco, para não abrir qualquer margem para ocorrer como ocorrerá em Garden District. Infelizmente não sei quem é o proprietário. Caberá a você descorbrir a quem a propriedade pertence e assegurar que ela seja passada para mim. Cubro a quantia que for necessária, mas procure negociar um preço razoável. Se você conseguir isto, com descrição, eu mantenho você e sua empresa cuidando dos aspectos burocráticos da abertura de meu novo negócio.

Seu tom de voz não abria qualquer espaço para questionamentos. E para garantir que teria dele o que queria, pôs a mão no rosto dele e fez com que seus olhos se encontrassem.

Até que eu diga o contrário, minha presença na sua lista de clientes deve ser mantida em segredo. Como eu já lhe disse não gosto que se intrometam em meus assuntos. Você entendeu?

Ele não tem outra escolha senão dizer que sim e quando ele o faz, Isabela se afasta e se ergue, aprumando-se para sair.

Entre em contato com Vicenzo, meu... assistente, caso precise de mais informações, ou precise se encontrar comigo. — Ela lhe pede uma caneta, e escreve o número do telefone do carniçal num guardanapo. — Perdão por isto, eu deixei minha bolsa no carro. — Entrega-lhe o papel com o número. — Acredito que estamos acertados, Sr. Calarram, — estende-lhe a mão. — Mantenha-me informada sobre seu progresso.

Antes de se retirar porém, ela se abaixa e sussurra em seu ouvido.

Sobre Garden District, Freeman está lidando com gente muito mais graúda que ele. Se deseja continuar vivo, tome cuidado.

E moveu-se para se afastar, pensando que não estava tentando proteger as propriedades do principado, mas tentando manter seu advogado vivo. E se este Calarram for realmente tão bom quanto diz, irá tomar cuidado para não atravessá-la com Freeman e acabar comprometendo sua credibilidade mortal.

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27 Re: Medical Center of Louisiana em Qua Ago 29, 2012 2:24 pm

Eu já tinha percebido que ela tava mal pelo modo como balbuciou o próprio nome: Gia Kafka. Mas só fui me dar conta de quão ruim era o estado dela na lanchonete do hospital. Ao me responder que só curtia maconha, a garota virou pro lado, agarrou o jaleco de um médico que passava e deu-lhe um baita esguicho de vômito!

Girei o corpo rapidamente até ficar sentada de lado na cadeira, expressão de nojo na cara e olhos fixos no celular enquanto respondia ao SMS da minha mãe. Já soube de gente que desistiu do curso de medicina por não aguentar ver sangue, mas isso nunca me impressionou nem um pouquinho. Em compensação, urina, fezes e vômito... eu acho insuportáveis! E foi só eu contar isso, lá na faculdade, pra pecha de “patricinha” grudar ainda mais em mim. Ah, foda-se. Eu fujo mesmo dessas coisas, e daí? Quem não sente nojo? Tinha muitas especializações profissionais que eu podia seguir pra evitar o contato com isso!

Bom, depois daquilo, ficou óbvio que ela precisava ir logo pro pronto atendimento. Enquanto o coitado do médico se recompunha e respondia ao pedido de morfina que ela fez - devia tá com mais dor do que eu tinha pensado -, peguei uma caneta e escrevi num guardanapo de papel. Estendi o braço e até me inclinei um pouco pra entregar a ela o guardanapo mantendo o máximo de distância possível daquela nojeira. Eu tinha simpatizado muito com a Gia, mas, naquela hora, nem pensar em chegar perto! Sorri o melhor que pude ao me despedir, mas não sei até que ponto meu rosto não teria revelado o asco que eu sentia.

Saí do hospital em direção à minha casa. Mas aí me voltou à memória que eu joguei fora o cristal, e fiquei inconformada por ter tido que fazer isso. Que bela droga de noite estava sendo aquela! Peguei o celular e liguei pro Rodrigo, um soldadinho do tráfico que eu conheci na balada e que me fornece baseado. Contei rapidamente o que aconteceu e perguntei se ele não teria outra pedra daquelas pra vender. Ele me disse que tinha várias “coisas” legais e informou onde eu podia encontrá-lo. Segui pra lá com o carro na mesma hora. Afinal, a noite não podia acabar daquele jeito!

No caminho, me vieram inexplicavelmente umas lembranças do meu falecido pai, junto com aquela sensação de estar sendo observada por ele. Assim como a minha mãe, ele me deu uma boa formação moral. Se tivesse vivido pra ver a filha maravilhosa passar os dias sem estudar, nem trabalhar e ainda lidando com traficantes... Ele me ensinou a ser honesta, trabalhar duro e a não gostar de gente que faz coisas ilegais. E, ainda assim, eu já participei de um roubo! Faz pouco mais de um ano, mas parece que um século se passou.

Bom, eu tava viciada! Gente viciada faz coisas desesperadas. E tá sendo muito, muito difícil mesmo viver esta vida vazia. Ao invés de melhorar, superar a minha perda, sinto que tô piorando. Já tô chegando no ponto de tentar compensar um vício com outro. Tô sentindo que isso vai dar merda e, ainda assim, sigo em frente. Já vejo o Rodrigo parado ali na esquina, perto da boate. Pelo menos eu avisei minha mãe que ainda ia demorar.

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28 Re: Medical Center of Louisiana em Qua Set 05, 2012 11:12 pm

Escutei atentamente cada palavra de Isabela. Cada olhar e cada expressão mesmo o cheiro daquele lugar me deixando levemente nauseado. Fiquei calado enquanto minha mente trabalhou com fervor processando cada núncia por trás do que aqueles lindos lábios pronunciavam

O que ela desejava inicialmente não era complicado, nada que algumas ligações e uma pesquisa na internet, na biblioteca local ou no cartório do cidade não resolveria, e a segunda parte seria mais complicado, pois restaria saber se o proprietário ou proprietária quer vender ou se deixará convencer na venda do local.

O segundo pedido era normalíssimo, muitos clientes desejavam ficar ocultos, e por isso eu era o dono do escritório, e tinha a autonomia de ocultar determinados dados, “tudo para o bem da empresa”. Mas o olhar dela tinha alguma coisa não sei. Algo que me prendeu. E entendi que não era só um pedido era a ordem de uma cliente.

Retirei a caneta do bolso e entreguei para ela e assim que ela terminou de anotar peguei o papel com o número de Vicenzo. Com isso percebi a deixa para falar.

Preparei o tom de voz para que saísse o mais formal possível.


- Senhorita, pode ficar tranqüila. Farei tudo como pediu nada mais nada menos e assim que eu tiver alguma novidade tratarei de informá-la.

Ela se levantou mas voltou-se e sussurrou no meu ouvido.

A fala dela me deixou a priori sobre cautela, mas com certeza foi somente no principio. Minha mente trabalhou com fervor processando cada núncia por trás do que aqueles lindos lábios pronunciavam. Desde que resolvi encarar os poderosos para recuperar minha fortuna e aumentá-la estava cercado por problemas e por essa razão mantinha Joe e Demetre sempre ao meu lado. Mas cuidado nunca é demais.

Assim que ela me deixou, Joe e Demetre se aproximaram. Me levantei e caminhei até a mesa da doutora Pucinelli.

Fitei rapidamente seus olhos.


- Me desculpe pelo meu jeito a pouco, mas o dia não foi dos mais fáceis. Mas saberei como lhe agradecer. Obrigado por tudo. Agora se me permite negócios me chamam.

Deixei o hospital pela porta da frente e me dirigi até o carro que milagrosamente Demetre tinha conseguido parar próximo a entrada

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29 Re: Medical Center of Louisiana em Qui Set 06, 2012 11:44 pm



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O telefone tocou algumas vezes antes de Frances atender. O barulho de um som alto, tornava a voz dele quase inaudível. Provavelmente ele estava na farra com os rapazes, ele sempre fazia essas coisas. Eu nem ao menos sabia se era ele que havia atendido.

- Frances? Frances? Frances cacete, responde alguma coisa! - Se tinha uma coisa que me deixava sem paciência era ficar conversando com um vento, um nada. - Se afasta um pouco, preciso lhe contar umas coisas! - Pude ouvir o som ficando um pouco mais longe e as voz dele mais reconhecível.
- Fê? Me desculpa o som estava alto, é que estou numa festinha com uns amigos e estou, bem, digamos que um pouco alterado, mas não o suficiente para deixar de ouvir minha prima preferida!
- Que o som estava alto eu ouvi! Afinal eu ouvi tudo, menos a sua voz. Eu estou te ligando apenas para dizer que está tudo bem e que também adorei o novo emprego. É um pouco trabalhoso, mas lidar com cadáveres é a minha especialidade. Sou muito boa nisso tudo! Exceto algumas pessoas aqui, que me encomodam um pouco...- Ao dizer isso olhei para a mesa de Victor e da senhora que estava com ele. - Mas eu tiro isso de letra!
- Ai que bom que você gostou! Eu me matei igual a uma louca pra conseguir esse trabalho e também a casa que você está morando. A propósito, a casa é legal?
- Primeiramente é L.O.U.C.O! - Dei uma ênfase no louco. Eu sempre precisava mostrar a Frances, que ele era um homem, mesmo que seu modo de se comportar se mostrasse ao contrário. - E adorei a casa. É espaçosa e eu vou poder criar o meu próprio laborátorio, o que é ótimo.
- Fê você não me leva a mal, mas o Jonh está solicitando a minha presença em seu dormitório. - Ele falou como se tivesse prestando a atenção em outra coisa bem interessante.
- Quem é Jonh? Frances você está usando camisinha? - O silêncio. - Francês? Frances Giovanni Cacete você desligou novamente na minha cara? - Desliguei o telefone e voltei ao meu café.

Parecia que a vida de Frances estava bem movimentada. O que dava um pouco de inveja, porque por mais que eu pudesse, eu não conseguiria ser prosmiscua igual a ele. Acho que minha tia criou eu e ele de formas diferentes. Tomei todo o meu café e retirei o meu cartão para efetuar o pagamento. Após todo aquele processo, a atendente me voltou com o cartão. Impressionamente como que depois de criado o cartão de crédito, o dinheiro em cêdula perdeu quase a serventia. Me levantei e olhei para a mesa, porém observei ninguém. Victor Calarram estava passando por mim naquele momento. Ele parou e olhou-me nos olhos. Caramba, ele tem os olhos lindos, igual ao de todos, porém lindo. Na verdade ele era bonito. Senti a carência gritando um pouco, afinal fazia dois meses que eu não tinha relações sexuais com ninguém.

- Me desculpe pelo meu jeito a pouco, mas o dia não foi dos mais fáceis. Mas saberei como lhe agradecer. Obrigado por tudo. Agora se me permite negócios me chamam. - Fiquei pasma com o que ele me disse. Um homem de aparência arrogante me pedindo desculpas. Não reparei quando eu sorri. Eu estava sorrindo e me sentindo uma trouxa, porque ele já havia ido embora. Não sei dizer ao certo quanto tempo eu fiquei sorrindo ainda. A mulher que estava com ele, havia se retirado também, porém eu não estava mais a vendo. Já que era momento de desculpas, eu precisava me desculpar de algum jeito. Me virei para a atendente: - Você conhece aquela mulher que estava conversando com esse homem que acabou de se desculpar? - A mulher olhou para mim e balançou a cabeça dizendo que não. Dei de ombros e pegando minhas coisas, me encaminhei até o ponto de taxi. Por sorte ou não passou um em pouco tempo. Fiz sinal e após entrar, eu estava indo em direção a minha casa. Precisava descansar ou pelo menos trocar de roupa antes de sair novamente.

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30 Re: Medical Center of Louisiana em Sex Set 07, 2012 10:16 pm

Há algum tempo que Isabela vinha percebendo a audácia do rebanho na presença de seus predadores. Culpa da maldita máscara da Camarilla. Ressentia-se dos acordos dos Giovanni com a seita para serem deixados em paz. E ressentia-se mais ainda de ter acabado como membro do conselho responsável pela manutenção de regras que para ela não pareciam ser tão vitais assim. Mas se era pela máscara que ela tinha que jogar, tudo bem. Ela conhecia aquele jogo e sabia que certas ações ou palavras não deviam ser realizadas ou ditas em qualquer lugar. Aquele era um jogo que requeria disciplina, e se precisasse disciplinar alguém, iria fazê-lo.

Talvez devesse deixar a garota de lado e não dar a ela mais importância do que merecia. Talvez devesse resolver o assunto apenas entre os membros família, entrar em contato com o tal incompetente Giovanni e ordenar que ele viesse limpar o lixo que enviara para o seu domínio. Talvez, considerou ao vê-la se encaminhar para a saída do hospital, deveria mostrar a ela que o mundo não era tão bonito e cor-de-rosa, onde ela podia achar que um necromante seria seu cavaleiro protetor, pelo menos não até onde se estendia o domínio de Isabela Sforza e ela certamente não gostava de concorrência, mas não gostava menos do que gostava de ter que lidar com as porcarias de outrém...

Posicionou-se de modo que a garota teria de esbarrar em Isabela ao passar.

Virou-se e encarou-a. — Ah... a garota mal educada da lanchonete, — disse secamente, olhando-a de alto a baixo e avaliando-a, todavia sem demonstrar tanto interesse — Você deveria olhar por onde anda... e com quem fala. Há nomes que simplesmente não dizem nada para alguns, entretanto para outros...

Disse e deu as costas, naquele momento percebeu que ela não valia os seus esforços, não passava de um patético de inutil saco de carne. Por vezes esperava que estas criaturas a surpreendessem de alguma forma. Que fizessem algo além de simplesmente existir e se destacasse. Mas não e Isabela se aprofundava cada vez mais no seu culto aos mortos. O que a lembrou que Vicenzo naquele momento estaria a carregar alguns cadáveres para o rabecão. Aquilo quase a fazia sentir-se menos entediada. Apenas quase, quando parava para pensar na distância que se encontrava de fazer progressos com 17.

Você vai me seguir ou não? — Perguntou a garota. — Eu sei que aticei sua curiosidade. E tenho perguntas a fazer.

Com isto deixou o prédio e começou a caminhar para o estacionamento. A conversa com Sherman teria que esperar, a tolerância que ela tinha para com a humanidade estava chegando ao limite naquela noite.

Você certamente não pertence à família, então, qual é a sua relação com o Giovanni? — Perguntou enquanto se dirigia para o estacionamento da diretoria, àquela altura da noite, vazio à exceção de seu carro e mais um outro.

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31 Re: Medical Center of Louisiana em Sab Set 08, 2012 11:40 am




A noite por mais cansativa que fosse, ela estava agradável. O vento frio tornava aquele momento perfeito para um copo de chocolate quente. As pernas cansadas tornava o meu andar num desfile para terceira idade. Mas eu agradecia por não usar salto alto naquele momento, poderia ser pior. No portão do hospital eu encontrei com algumas enfermeiras que me vendo, sorriram e acenaram. Era bom ser reconhecida pelo menos uma vez na vida. E depois de tudo o que eu fiz essa noite, concerteza eu deveria ganhar um prémio Nobel do Corpo, mas me contento apenas com um bom salário. E tanto porque eu não necessitava tanto de quantidades altas de dinheiro, eu tinha o meu guardados no banco italiano.

O taxi estava demorando passar. Conforme as horas da madrugada se avança é difícil você conseguir um taxi rapidamente. Eu estava necessitada de entrar numa auto-escola e conseguir um carro para mim. Se bem que eu poderia fazer ao contrário, eu poderia tentar contratar um motorista particular. Se bem que motorista, fugia dos meus ideais. Nunca fui fútil a ponto de esbanjar riquezas por onde passei. E um motorista só me denunciaria quanto a meus bens. Não tenho vergonha de ser bilionária, apenas procure esconder esse fato. As fazes muitas pessoas se aproximam por interesse e não por realmente gostar de você. Eu estava pensando nesses pequenos detalhes de minha vida, quando observei a mulher que estava com Victor. Eu senti a necessidade de pedir desculpas a ela, afinal eu havia sido grossa perante sua presença. Porém, eu estava começando a perder essa vontade. Ela passou por mim e me olhou nos olhos. Tudo bem então, ela estava começando a ser mal-educada. - Ah... a garota mal educada da lanchonete, Você deveria olhar por onde anda... e com quem fala. Há nomes que simplesmente não dizem nada para alguns, entretanto para outros... - Fiquei olhando parada e ouvindo ela dizer. Eu tinha me convencido a ficar passiva em relação a isso também. Digo, eu já havia tido um pequeno desentendimento com Victor Calarram essa noite, não precisa de outro. Apenas abaixei minha cabeça e olhei para ela.

- Me desculpa senhora...Quanto a mais cedo, não tive intenção de ser grosseira diante de sua presença. Aconteceu que simplismente...- Parei no meio da frase. Eu não devia sastifação a ela. Nem a conhecia, pra mim ela era mais uma qualquer que fazia coisas que só Deus sabia. Poderia até ser garota de programa. Mas o que me fez parar, foi tentar entender o que ela havia dito no final de sua tão educada frase para mim. O que ela queria dizer sobre, nomes que dizem algo para ela? - Senhora, eu não entendi muito bem, o que a senhora quis dizer sobre...- Olhei para ela e lá estava ela de costas virada para mim e andando. Eu odiava quando as pessoas me davam as costas. Frances sempre fazia isso comigo, o que me fazia sempre tacar algo nele, e as vezes machucava ele. Eu estava parada quando ouvi a sua voz perguntando se eu a seguiria. Oh My God! As minhas pernas já estava andando em direção a ela. Se tinha uma coisa que eu adorava, era lidar com perigo e nesse momento dizia que eu estava entrando num grande e perfeito perigo.

Quem liga?? Um pouco de emoção as vezes é bom para tornar a vida mais emocionante. E além disso, ela queria fazer perguntas a mim. Eu não entendia muito bem sobre perguntas, porém se fosse sobre Victor Calarram, eu tinha muita coisa para dizer, embora eu não conhecesse o sujeito muito bem. Aos poucos eu já estava próximo dela, preferi manter uma certa distancia, ajuda quando é preciso correr. Eu estava no estacionamento quando ela lançou a pergunta que fez o meu coração saltitar pela boca. - Você certamente não pertence à família, então, qual é a sua relação com o Giovanni? - Aquela pergunta que ela me havia feito, veio como um onda de sentimentos ruins na minha cabeça. Eu poderia mentir, dizer a história que eu sempre contava quando perguntava se Frances era meu primo de sangue. Eu sempre dizia que fui criada com ele e por isso o considerava da minha família. Porém perante aquela mulher que me parecia arrogante, eu precisava não demostrar nenhuma carencia de família, afinal ter família de consideração é a mais triste carência de todas.

- Não pertenço a família? Meus pais biológicos se chamavam Castro Giovanni e Anne Gestrudes Giovanni. Acho que isso me faz ter cem por cento do sangue Giovanni em minhas veias. Mais o porque dessa pergunta? O que esse sobrenome tem a ver com você? Era essa a pergunta que você queria me fazer? - Não fiz questaõ de esconder a dor e a mágoa. Dessa vez, eu olhei para ela. Será que ela havia descoberto o meu passado e estava alí para me humilhar? Para dizer que eu havia sido renegada, chutada para fora de uma família mesquinha? Se esse for o rumo da conversa, não queria participar dela.

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32 Re: Medical Center of Louisiana em Seg Set 10, 2012 6:29 pm


Isabela se aproxima de seu carro acompanhada pela garota. A temperatura caíra mais um pouco desde que adentrara ao hospital e cairia mais até que o amanhecer chegasse e mandasse a necromante de volta para seu refúgio. Por hora o frio e a noite pertenciam a ela e aquela ruivinha falsa teria que responder suas perguntas e a não ser que suas resposta a satisfizessem, estaria a mercê de sua vontade. Non sprecare il tuo tempo, Bela, ouvia a voz dele no fundo de sua mente, mandando-a se dedicar aos assuntos que eram verdadeiramente seu interesse, mas a resposta da garota lhe trouxe uma vontade de riso para cima que fez seus lábios se curvarem num sorriso maldoso e ela riu levemente.

O saco de carne tem audácia para dizer que o sobrenome de seus pais é Giovanni. E que ela tem sangue cem por cento Giovanni. Revirou os olhos. Deveria avançar em seu pescoço e tirar dela a unica coisa que nela valia. Vira-se para ela e encontra-a assustada, acuada, mas aquilo não a tocou em absolutamente nada.

Não diga asneiras! Seus pais não se chamam Giovanni e você certamente não tem uma gota de sangue Giovanni em seu corpo. — Diz ela para a garota. — Então qual a sua relação com o Giovanni para ter tamanha presunção em tentar se proteger sob um nome que não deve ser dito por bocas imbecis.

Isabela se vira para ela e cruza os braços, encarando-a a espera da resposta.

É razão de extremo orgulho carregar o nome Giovanni ao lado de seu nome de batismo. É tamanha honra que quem a tem não deveria querer usar o nome da família a toa. É por isso que Isabela prefere manter seu nome de solteira. É um nome extremamente poderoso que pode abrir e fechar portas, estabelecer oportunidades e conquistar inimigos. Giovanni é sinônimo de morte e a morte deve ser utilizada com cautela. Isabela tinha um entendimento da morte, talvez, com mais profundidade do que seus companheiros de espécie naquela cidade. A morte é o fim. Ou não. A morte é a incerteza. É a fragmentação do eu. É a tortura do desconhecido. É o poder ir e o ficar aprisionado. É o correr sem sair do lugar. É a eternidade e o tempo nenhum. É o tudo e o nada. É o vazio. Carregar o nome Giovanni é receber o legado de uma família que tem nas mãos uma série de contradições de um mundo que não faz sentido algum. Portanto, irritava a Isabela a insolência daquela criança. E irritava ainda mais a irresponsabilidade de um irmão que deixava a solta uma boca indisciplinada.

Àquela altura já estavam ao lado do carro da necromante e Isabela não estava para brincadeiras. Sua expressão de poucos amigos e em sua postura exalava o significado de ser uma autêntica e secular Giovanni.

Quem foi il stronzo que deu permissão para mencionar questo nome? — Perguntou mais uma vez e esperava que ela fosse inteligente o suficiente para não tentar bancar a espertinha, que lhe respondesse logo o que queria e quem sabe ela terminaria a noite saudável.

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33 Re: Medical Center of Louisiana em Ter Set 11, 2012 11:49 am





Risos? Eu conto uma história triste da minha vida e ela rir? Quem essa mulher pensa que é para ser sarcástica comigo? Eu estava começando e me sentir desconfortável perante ela. Mesmo depois de 24 anos, a dor ainda existia dentro de mim. E embora a rejeição não tivesse mudado quem eu sou de verdade, as vezes eu pensava em como seria ser criada perto de mim família. Não que Frances e minha tia não foi o suficiente, mas se todos os meus primos, primas, tios e tias estivessem presentes, acho que hoje eu seria menos amarga e menos depressiva. - Não diga asneiras! Seus pais não se chamam Giovanni e você certamente não tem uma gota de sangue Giovanni em seu corpo. Então qual a sua relação com o Giovanni para ter tamanha presunção em tentar se proteger sob um nome que não deve ser dito por bocas imbecis. - A mulher dizia isso a mim com total frieza. A minha frente poderia está uma mulher mais amarga do que eu.

- Porque me chama de mentirosa? Qual o motivo que eu tenho para mentir a uma mulher que eu nem conheço? Era, ou sou uma Giovanni e isso a senhora acreditando ou não, é pobrema seu! - Eu estava começando a supor a idéia de realmente me abrir a ela. Que mal faria? Ela não conheceria mesmo a minha família. Poucos ou quase ninguém conseguem entrar em contato com a família em Veneza. É como se eles não quizessem ser achados. - A 18 anos atrás, meus pais Castro Giovanni e Gertrudes Giovanni foram mandando pela família, ou melhor por Kazemiro Giovanni, eu acho que esse é o nome dele, faz muitos anos. - Estava sendo difícil relembrar o passado, porém eu precisava tentar me lembrar dos fatos e dizer aquela mulher, que eu não era uma mentirosa. - Esse Kazemiro, era o patriarca de minha casa. Ele tomava as decisões da minha família, até que um dia, meus pais foram mandados para uma missão, onde não voltaram mais. - Fechei os punhos e automaticamente me enchi de ódio. - Desde esse dia a família me renegou. Disse que não precisava de uma filha de fracos entre eles. Fui mandada para a casa de minha tia Margaretta, onde fui praticamente obrigada a aprender sobre suas magias com espíritos. Pra mim, essa minha tia é louca! Sobre minha tese, bom, sou médica legista, então acho que acredito um pouco sobre as bruxarias necromanticas de minha tia. - Voltei de minha séria de ódio.

Andei um pouco mais e peguei minha cartela de cigarro na bolsa e acendi um. Eu estava começando a ficar tensa. Todo aquele dia cansativo de trabalho, estava começando a alterar novamente o meu humor. Porém eu ainda estava alí, perante aquela mulher estranha. Não entendia ainda o porque eu havia contado minha história a ela, talvez eu odiasse quem desconfia de minha palavra. Cheguei um pouco mais perto da mulher e ouvi o que seria a gota d´água para me fazer voar no pescoço dela, porém eu não agredia pessoas mais velhas. Sendo assim, apenas fechei os olhos e tentei não focar minha raiva. Digamos que naquele momento, eu não estava querendo ser boazinha. - Idiota? Idiota? Dio santo o porque isso tudo por essa família? Acha mesmo que isso vale tanto assim? E eu não digo o nome Giovanni sempre. Não me leve a mal, porém eu não gosto de lembrar que minha família virou as costas pra mim. E ninguém precisa me dar permissão, porque pra mim, esse nome não significa nada. - Eu estava farta disso tudo e por isso comecei a seguir o meu caminho de volta a ponto de taxi. Porém antes me virei para atrás. - Se acha que eu estou mentindo. Confira a senhora mesmo! Pelo que eu vejo a senhora tem dinheiro, então não vai lhe fazer falta. Contrate alguém para ir até Veneza e ver no banco sobre minhas posses. Verá que meu nome Felícia Alessa Puccinelli, é a única herdeira de Castro Giovanni e Gertrudes. Verá também que Kazemiro Giovanni segurou os meus bens até eu completar 18 anos. E também descobrirá que fiquei sobre tutela de Margaretta Giovanni. Tantas pessoas com o nome Giovanni não? Porque tanta assim, se eu não sou da família? Porque então os Giovanni me deixaram uma herança. E se mesmo assim, a senhora não acreditar, eu compro uma passagem a gente viaja juntas para Veneza. Tenho mesmo que fazer uma visitinha a minha família que me renegou. - Dito isso eu me virei e comecei a andar para o ponto de taxi. Não estava disposta a ser maltratada por aquela estranha.

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34 Re: Medical Center of Louisiana em Ter Set 11, 2012 1:56 pm


Isabela ouve a história da garota e a coisa parece ser mais absurda ainda. Mas pelo menos tinha o nome de quem procurar. Kazemiro Giovanni. Não o conhecia pessoalmente, mas sabia por alto que era, e aquilo a irritou. devia pegar a garota, retalhá-la e mandá-la numa caixa de volta para o seu dono. O que estaria pensando? O que se passava na cabeça deste puto idiota para deixar uma criança com algum conhecimento sobre necromancia a solta e sem qualquer supervisão. Ainda por cima, mandar até seu território sem qualquer notificação. Aquilo era extremamente ofensivo. Detestava lidar com o retardo dos outros. No próximo encontro de família, certamente teria que expor a crescente irresponsabilidade de seus primos.

Eu não disse que você poderia ir. — Anunciou.

Recostou-se no carro e com uma simulada paciência começou a explicar.

Seus pais não se chamam Giovanni. Eles podiam referir-se a si mesmos, assinar papeis como se fossem dignos do nome, mas posso falar com absoluta certeza que não eram, cara mia, assim como você. Giovanni é mais que uma etiqueta mediocre. Diferente de qualquer outro nome, não basta ser expelida pela boceta certa para recebê-lo. Você tem que merecê-lo. E você não tem o que é preciso para sequer começar começar a merecer. — Observou a reação da garota e continuou: — Seus pais não passavam de lacaios presunçosos. Não fico surpresa em terem sido enviados numa missão suicída... Eu prefiro me livrar eu mesma de meus lacaios. Mas este Kazemiro me parece ser um imbecil, obviamente. — e lançou um olhar incisivo sobre a garota.

Aquela garota deveria ter sido imposta ao laço de sangue ou ter sido morta. O que, maldições, ele estava pensando!? Pelos infernos... O que fazer com a criaturinha agora? Quebrava-lhe o pescoço? Era a opção mais sensata na medida em que com tudo que lhe acontecia não estava com a disposição para educá-la para ser sua carniçal. Vicenzo, talvez pudesse lidar com ela no início... Mas o carniçal já tinha atribuições suficientes não precisaria de uma tonta atrapalhando.

Ah... O legado, Isabela já tinha decidido que passaria seu sangue e seu conhecimento para Vicenzo, pois de todos aqueles que já a tinham servido ele fora o único que se tornara merecedor. Leal, obediente, eficaz. Tinha-o na mais alta estima, primeiro porque acabara por nutrir algum afeto na direção de seu servo e segundo porque não seria fácil substituí-lo. Portanto, a cada olhar para a criança a sua frente, perguntava-se se ela conseguiria se tornar tão boa quanto o que poderia tornar-se seu irmão. Isabela duvidava. Era uma fraca.

Para Isabela considerar alguém digno de respeito, este teria que suportar sua presença e não esmorecer e pedir piedade na primeira hora. A garota fizera exatamente isso, não pedia piedade, mas não se impusera, e saíra choramingando sua triste histórinha. Talvez tentando apelar para o sentimentalismo da necromante, mas Isabela se livrava daqueles que lhe provocavam pena. Eram fracos e Isabela não suportava fraqueza. Por isso Helena, por exemplo, lhe dava nos nervos e não conseguia evitar provocá-la a descer de seus saltos de cristal. Todavia, Helena estava numa posição de poder, hierarquicamente superior à necromante. A garota não, não passava de um pedacinho de nada, completamente descartável. Portanto, o que fazer com ela?

Por que você está aqui? Por que veio para esta cidade? — Perguntou, mas não tinha interesse em saber mais de sua vidinha inútil, mas já que resolvera abrir a boca, poderia saber haveria outro Giovanni a caminho. Ou pelo menos tentar fazer a caridade de descobrir algum potencial nela.

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35 Re: Medical Center of Louisiana em Ter Set 11, 2012 9:55 pm

Como boa naturalista drogada que era, Gia se colocava num lugar ambíguo quando pensava sobre drogas sintéticas. Melhor dizendo, era contra medicamentos para emagrecer ou contra a depressão, esses sim drogas maléficas, o mal do milênio. As outras drogas sintéticas... Bem, quem não gosta de um LSD de tempos em tempos?! O fato é que ela não gostava de médicos, ou de como lidavam com seus medicamentos, mas poderia afirmar com toda a certeza que o melhor momento de sua vida desde o ataque no manicômio foi quando finalmente injetaram alguns miligramas de uma substância extremamente fedorenta que servia para acalmar, tranquilizar, matar neurônios e convulsões e diminuir a resistência a alucinações. Não que ela realmente precisasse daquilo, mas seu instinto exibicionista a fez aumentar um pouco seus sintomas, além de sair gritando e girando pela cafeteria só pelo prazer de tirar aquele bondoso médico que agarrara anteriormente do sério – tudo isso a ajudava a ficar mais chapada. Bacana.

Não tinha certeza de quanto tempo passara no hospital, não muito, e esteve viajando na maior parte do tempo – por isso, quando o médico bacana veio lhe dar sua alta com uma expressão aliviada na cara, ela balbuciou tristemente que não queria ir. Não adiantou nada, é claro. Lutando contra seu instinto de sair na rua com as roupas do hospital mesmo – tão frescas, tão livres! – colocou as calças e prendeu os dreads, com alguma dificuldade devido ao ombro e aos dedos enfaixados. O tombo tinha sido mais grave do que imaginara a princípio, e ela tinha vários curativos espalhados pelo corpo. Deu um ligeiro sorriso para sua imagem de enferma refletida no espelhinho do banheiro, penteou as sobrancelhas direitinho e saiu a passos lentos, largos e ligeiramente desiguais devido a um curativo no joelho do hospital.

Do lado de fora, já era noite. O movimento era frenético, como era de se esperar, e tudo o que ela queria era voltar para dentro e ficar de boa um pouco, coisa que sabia agora que era impossível. Afinal, tinham limpado seus ferimentos e lhe enchido de drogas, não podiam fazer mais nada. Não, precisava de alguma outra maneira para lidar com as imagens grudadas em seus olhos, reais ou irreais. Jogou a mochila displicentemente sobre o ombro bom e se pôs a caminhar. O apartamento de Agatha não era longe e ela tinha que pegar mais roupas, mais maconha, dar as caras por lá, afinal, não podia colocar tudo a perder, era a única pessoa que realmente conhecia na cidade e um lugar onde dormir. Não que não tivesse dormido na rua antes, mas, se pudesse escolher, sempre preferia acampar na casa de alguém, certamente. Talvez devesse pensar em arranjar um lugar fixo, afinal, ia ficar em Nova Orleans por uns tempos. Até o fim dos tempos.
Enfiou a mão no bolso traseiro da calça, procurando inutilmente por cigarros que ela sabia bem que não existiam, e puxou um pedaço de papel do fundo do bolso com impaciência. Maldita mania de guardar lixo nos bolsos! Abriu sem muito interesse o papelzinho, rasgado de algo que parecia ser um guardanapo de papel, um nome escrito em uma letra não muito firme à caneta, “Ann”, e algo que parecia um número de telefone. Um sorriso malicioso começou a se desenhar de um dos lados de sua boca, e ela guardou o papel no bolso novamente, divertida. Aparentemente, a garota do carro tinha se interessado; bem, realmente, ninguém podia resistir ao seu charme, pensou enquanto passava as mãos de leve pelos cabelos louros soltos no topo da cabeça. Sim, sim, era bonitinha a tal Ann, não era? Pois bem, ligaria.

Encostou-se ao primeiro muro que encontrou, largando a mochila no chão, e discou o número de Ann no celular todo destruído que só os deuses sabiam como ainda funcionava. O que deveria dizer? Algo engraçado e sedutor? Deveria fazer uma voz mais sexy? Parece incrível, mas ela nunca tinha paquerado alguém por telefone. Era mais o tipo do olho-no-olho, etc-no-etc e por aí vai. Poderia usar um cigarro agora. Melhoraria sua autoconfiança sobremaneira. Amaldiçoando-se por não ter dinheiro para comprar algum tabaco, esperou enquanto a chamada não era atendida.

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36 Re: Medical Center of Louisiana em Ter Set 11, 2012 10:29 pm



Muitas vezes as pessoas duvidam de você, e todas essas pessoas deveria morrer. Um caso desses estava a minha frente. Eu estava habituada a lidar com quase qualquer tipo de pessoa, mas ela, era um cúmulo. A minha vontade era de mandar aquela prostituta cagna ir para um lugar que ela conhecia bem. Com quem ela pensava que lidava? Quem ela pensa que é para falar comigo desse jeito? A raiva já estava tomando conta de mim e por hora, o meu corpo já tremia. Eu não aguentaria mais ficar um segundo perante aquela dannata donna. E ainda por cima ela pensava que mandava em mim: - Quem você pensa é para falar desse jeito comigo? Me chama de mentirosa, diz que meus pais não são quem eu penso que são. Olha só querida, pra mim eu cago e ando pra toda essa história de Giovanni. Meu nome é e sempre será Puccinelli, e é o que eu amo na verdade, é quem eu sou no meu interior. - Dei uma volta e voltei aonde ela estava. - Não pense que pode falar o que quizer de mim e nem tampouco de minha mãe. E se quizer chingar o maldito do Kazemiro, por mim tudo bem. Fode com a vida dele se você quizer, não ligo. O problema é seu, na verdade se fode com ele junto. E esse negócio de lacaio? O que é isso? Uma outra família? Por mim tanto faz, não me importa.

Em toda a minha vida, lidar sozinha com os problemas havia sido difícil, porém eu havia aprendido. As pessoas querem apenas uma coisa, humilhar a mais fracas. Fraqueza pra mim, nunca foi ser menos favorecido em dinheiro e status, e sim não enfrentar quando se tem força para isso. Aquela mulher a minha frente, era uma delas. Talvez devesse ter muito dinheiro e posses, mas pra mim, não passava de uma vaca desgraçada. Uma prostituta de mãe burra. Olhei bem aquela mulher dos pés a cabeça, eu mostraria a ela, que não temo ninguém, nem mesmo a morte. Eu sou uma mulher que já enfrentei coisas piores e não seria uma puta que me faria recuar.

Acendi novamente um outro cigarro e dessa vez, eu mesma me encostei no carro dela. Tragava cada vez mais debochadamente. - Não devo sastifação a você de minha vida. Porém eu vim aqui a trabalho. Sou médica e de acordo com meus conhecimentos, fui aprovada para a universidade local desse lugarzinho. Porém estou começando a achar que devo sair desse lugar e voltar para a Suíça, meu lugar de onde eu não deveria ter saído jamais. Você fez tantas perguntas, porém dessa vez é a minha vez. - Olhei-a bem. - Porque essa adoração por um nome qualquer? Porque esse sobrenome te atinge tanto? Foi renegada também? Se foi querida sinto muito, junte se a mim e odeio esse sobrenome com toda a sua força. Eu mesmo renego esse nome sobre mim. Não quero e jamais vou ser uma coisa inútil que acha que pode mandar na vida das pessoas. Eu sou muito mais eu...- Olhei-a novamente mais firme. - E eu estou aqui para mostrar que não tenho medo de ninguém, e quando digo ninguém, eu digo todos. - Traguei o meu cigarro. - Você estava mais cedo quando ameacei aquele advogadozinho de porta de cadeia. Quando eu quero ser perigosa, eu posso, eu sou! - Voltei a andar novamente e parei um pouco distante dela. - Se era somente isso que queria falar, vou me retirar tenho algo mais importante para fazer do que ser insultada e dita como mentirosa, por um pessoa que não considero como nada na minha vida.

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37 Re: Medical Center of Louisiana em Qua Set 12, 2012 3:28 pm

Isabela percebe a fúria da garota aumentando. Obviamente enraivecida por ter sua palavra posta em dúvida. Para uma época em que a palavra pouco ou nada vale, esta leva as coisas a sério de mais, pensa a necromante. Ela anda de um lado para o outro, choramingando a injustiça que cometia para com ela.

Eu não estou chamando-a de mentirosa. – Diz. – Apenas estou a dizer que sua história não é verdadeira, ou pelo menos partes dela. O que posso eu fazer se te fizeram acreditar em mentiras? E não se preocupe, Kazemiro terá o que merece, só de te mandar aqui, cometeu uma grave ofensa contra mim.

Ela fala rápido e tenta ofender Isabela, que não dá a mínima para as ofensas. Simplesmente a assiste, sem esboçar qualquer reação, andar de um lado para o outro, gesticulando bastante a sua raiva. Ao menos parecia italiana, por que de resto, jamais via figurinha tão falsa. Mesmo que não soubesse o quão falsificada era. Ela quer parecer forte, mas quanto mais pose ela faz e mais olhares lança, maior se torna o fingimento, pois Isabela pode ver dentro dos olhos da outra a fragilidade de sua natureza. Talvez fosse a falta de identidade. Acreditar pertencer a um clã que na verdade não é o seu não ajuda na construção de estruturas fortes para sustentar o 'eu'.

Ela acende um cigarro e se encosta no carro de Isabela. Afirma que não deve satisfações a ela de sua vida, mas a fraqueza de espírito dela tem sua presença reforçada mais uma vez quando começa a responder o questionamento da vampira, dando todas as satisfações para a outra a quem não deve. Ela continua a falar e falar a ponto de entediar a necromante. Isabela olha para as próprias mãos entre as quais estava as chaves do carro. Então algo no meio do falatório volta a captar sua atenção. Ela tenta dizer mais uma vez que é perigosa. Neste momento Isabela gargalha abertamente.

Você não é perigosa, cara mia, não é absolutamente nada perigosa. – Diz entre risos – Você uma das coisinhas mais patéticas que já passou pelo meu caminho e eu deveria tê-la deixado guinchar para o advogado o que quisesse, e deixado-a brincar de sustinho. Você está tentando brincar com um jogo que você não entende nada. Você não passa de uma cabritinha assustada que acredita num mundinho cor de rosa. Aqueles Giovanni não te ensinaram nada?

Ela estava de afastando, mas Isabela a interpela e a puxa pelo braço fazendo-a bater de costas no carro. O cigarro cai no chão. Ela poderia resistir, se debater e tentar fugir. Mas Isabela contava com os dons da besta há mais de quatrocentos anos e lidar com uma humaninha como ela não seria problema.

Você não aprendeu a coisa mais importante, caríssima, o perigo não se anuncia, ele acontece. – Sussurra com seu rosto muito próximo do dela, para que ela sentisse, além de seu toque cadavérico, o cheiro de morte que ela exalava. – Você não sabe o que é perigo, mas quem sabe eu possa fazê-la aprender.

Um dos motivos pelos quais escolhera Vicenzo como seu fiel acompanhante é que ele sabia como o mundo moderno funcionava, pensava e se comportava e da mesma maneira conhecia sua senhora para tomar nota das necessidades de ambos, normalmente tão distantes, e cruzá-los. Vicenzo a ensinara a dirigir e a utilizar o celular, e fora responsável pela escolha naquele estacionamento da única vaga que ficava no ponto cego da vigilância eletrônica.

Pode parar de se debater, você só sai daqui quando eu disser que pode. – Explica. Enquanto a imobiliza contra o carro. – E não grite, apenas fará de você mais patética e me fará ter que cortar a sua garganta para calá-la.

Entende agora o que é perigo, sua burrinha irritante?

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38 Re: Medical Center of Louisiana em Sab Set 22, 2012 8:43 pm

As vezes a gente começa a sentir sentimentos que não conseguimos entender. Quando eu era criança, minha tia costumava dizer que eu tinha que possuir uma força interna grandiosa. Que eu precisava suportar os meus medos e tentar sempre me superar. Os espíritos que ela costumava estudar e lidar era a prova simples de que eu era fraca. Eu aprendi muito sobre eles, porém jamais cheguei a ver nenhum deles. Aquela mulher a minha frente, ela me colocava medo, afinal ela poderia ser qualquer coisa. Porém eu havia aprendido a superar as minhas fraquezas. - Você não está me chamando de mentirosa? Imagina então se tivesse querida! - Eu estava começando a me assustar com ele. Porque ela não queria me deixar ir e qual a ligação dela com minha família.

Num ponto eu estava gostando daquela mulher. Era evidente que ela estava enraivecida com Kazemiro e concerteza ele ficaria em más lençois. Eu conseguia passar em minha mente, o que ela poderia fazer de tão grave com um homem poderoso como ele. Não queria está enganada, mais aquela mulher poderia ser perigosa pra mim, porém para Kazemiro, nem um pitada de perigo. - Que jogo é esse então? O que é tão importante para você ficar balbuciano coisas sem sentido para mim. Você conhece a minha família, ou melhor a família de meus pais? Porque estou começando a achar que você é uma louca que está fantasiando algo em sua mente patética e doentia. - Apaguei o meu cigarro e agora eu olhava para ela sem ao menos fraquejar.

O arrepio tomou conta de mim quando ela aproximou o rosto do meu. Agora sim, eu tinha certeza, ela era uma psicopata ou talvez uma lésbica tarada afim de levar uma surra. Eu não estava levando ao perigo extremo até sentir suas palavras duras e ameaçadoras. Eu estava começando a sentir um grande medo agora. Os seus braços ainda me prendendo, me sugurava firmemente. Eu sentia que talvez eu não conseguisse vencer uma luta corporal com ela, o que era estranho já que eu era mas nova e evidentemente mais forte. - O que você quer de mim? Dinheiro? Eu tenho dinheiro, eu posso te arrumar alguns! Mais apenas me solte porque o seu rosto está próximo do meu e estou sentindo um forte mau hálito vindo de você. Posso além do dinheiro te doar um escova dentária?

Eu estava fazendo uma força para tentar me desgrudar de seus braços. As vezes quando as pessoas dizem que não devemos ficar sozinhos, eu simplismente não acreditava. Agora eu vejo que se tivesse com alguém a mais, aquela mulher não teria feito metade do que fez. Eu estava além disso arrependida. Arrependida de ter ficado conversando com ela. Não me arrependo de ter dito as coisas que falei para ela, porém de ter ficado ali perante ela. Os meus olhos estava passeando pelo estacionamento. Eu desejava anciosamente que alguém aparecece naquele momento. Embora o meu corpo não tremesse, eu por dentro sentia o meu medo. Não medo da morte, disso eu nunca tive, mas sim medo de sofrer. Não quero sofrer, se eu tivesse que morrer, que fosse rápido.

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39 Re: Medical Center of Louisiana em Sex Out 05, 2012 11:12 am


A criatura começa a se debater, procurando se desvencilhar e fugir, mas Isabela está tranquila, nada a deixa mais calma do que fazer aquilo o que fora criada para fazer. Antes de tudo ela era uma predadora, e ter a presa assim tão perto era emocionante. A modernidade tornara a caçada extremamente enfadonha, tinham que olhar por cima dos ombros constantemente a fim de fugir da observação quase que constante dos olhos de metal. Encurralar a presa e fazê-la gritar não era mais algo permitido, o silêncio e a escuridão eram as únicas aliadas dos cainitas em favor da Máscara. Às vezes Isabela detestava-a. Às vezes flagrava-se no meio da madrugada conjecturando a cerca da vinda do sabá para esta cidade afrescalhada a fim de mostrar-lhes quais deveriam ser suas verdadeiras preocupações. Estava tudo errado e a única certeza que tinha naquele instante era o sangue quente que circulava dentro daquele saco de carne preso em seu abraço.

Suas mãos a seguravam pelos pulsos. Moveu os dedos, mas sem diminuir a força que fazia para impedi-la de se mexer e sem mover seus olhos dos dela. Cravou as unhas compridas nas palmas da garota. Algumas gotas de sangue escorreram e Isabela rapidamente trocou o modo de segurá-la. A mão direita, numa fração de segundo estava no pescoço da criaturinha e a esquerda levava a palma direita, ensanguentada, de encontro à sua boca. Lambeu e sugou do ferimento e sentiu o gosto férreo. Mostre para qualquer animal sua comida preferida e não importa que seja todos os dias a mesma, ele sempre ficará satisfeito. Isabela era um animal, uma besta e a visão do sangue sempre, sempre lhe abriria o apetite.

Aplicou força na mão que lhe apertava o pescoço e obstruiu-lhe a garganta enquanto aperitivava com o ferimento na palma. Talvez devesse rasgar-lhe de uma vez e acabar com aquilo. Talvez devesse cortá-la pouco a pouco e sorver-lhe o sangue assim, aos pouquinho e senti-la morrer em seus braços. Talvez... Talvez... Dúvidas...

Eram raras as vezes que se dava ao luxo de alimentar-se direto da fonte. Ao dançar tanto com a morte, aos Giovanni foram negados os prazeres da vida, portanto, seu beijo era doloroso e duplamente mais mortal do que o beijo de qualquer outro vampiro. Isabela apenas se alimentava direto da fonte quando estava sobre total controle da situação, em sua casa, com uma vítima muitíssimo bem selecionada cujo desaparecimento não fosse criar alardes. Por isso a caçada era chata. Não se importava com a dor que causava, ou com as rápidas mortes que promovia, mas com essa necessidade de excesso de controle. Por isso estava excitadíssima com a situação que ocorria.

Largou a palma ferida e deslizou a mão para dentro do bolso da calça, lá encontrando a chave do carro. Acionou o destravamento automático das portas. Deslizou com a criatura para o lado de modo a abrir espaço para escancarar a porta traseira e jogou-a lá dentro, posicionando-se sobre ela. Usou o pé como alavanca para fechar a porta e travou-as por dentro. Em seguida, atirou para a área da frente a chave que caiu próximo aos pedais.

Habilmente posicionou-a sentada no centro do banco e se postou em cima dela. A constante necessidade do segredo fez com que Isabela educasse seu corpo a agir em lugares apertados. Não era a primeira vez que arrastava uma vítima para o carro.

Soltou a garganta dela finalmente e ela tossiu.

Você é deliciosa, tenho que admitir – disse enquanto a garota lutava para recuperar o fôlego, o que não era muito fácil quando havia outro corpo postado em cima do seu –, mas isso apenas me é útil para uma boa refeição. Você sabe demais, vai acabar sabendo mais ainda e é burra demais para lidar com essas informações. Não posso lidar com você fazendo merdas por aí.

Mas vou te dar uma escolha. Viver ou morrer? – Isabela sorriu deliciada ao ver a mudança de expressão no rosto da garota. – Não é tão fácil assim, garota. Se você decidir viver, você será minha, para eu fazer o que quiser, você estará irrestritamente às minhas ordens e não haverá concessão para me questionar seja o tópico qual for. Você se comportará como eu disser que deve, você vai abrir a boca quando eu disser que pode, tudo o que você é, quiser ser ou será eu irei aprovar.

Olha diretamente nos olhos dela.

Mas é claro, se você não quiser, posso matá-la agora, me fartar de você e me poupar do trabalho amanhã.

Então?

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