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Apartamentos

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1 Apartamentos em Sex Jun 17, 2011 6:14 am


Vista frontal

Toda cidade tem o seu lado podre, por mais avançada que ela seja. O lado podre de Nova Orleans é feio, bem feio mesmo, e atende pelo nome codinome de "Apartamentos".

Construído inicialmente para abrigar famílias de creoules que trabalhavam nas fazendas da área rural, esse conjunto de apartamentos teve o seu futuro traçado desde a inauguração. Uma imensa festa foi feita para o dia em que muitos se mudariam para cá, mas um grande incêndio ceifou uma dúzia de vidas e tornou o lugar fadado ao fracasso.

As pessoas se recusavam a morar nele, temendo pela maldição que havia se instalado com o incêndio. O lugar se viu novo e abandonado. Com o passar do tempo a memória coletiva foi se apagando até o ponto em que a maioria da população se esquecera do que havia ocorrido. Infelizmente à esta altura todos os prédios estavam condenados, destruídos, longe das condições ideais de moradia. Toda sorte de desfavorecidos sociais (moradores de rua, traficantes, foragidos, prostitutas) fizeram do lugar seu lar.



Pátio interno entre os blocos

Os Apartamentos, nomeados oficialmente como "Conjunto Habitacional Edgard Monton", abrigam apenas algumas poucas pessoas honestas. Trata-se do maior centro de distribuição de drogas do estado, e apesar disso ser de conhecimeno geral a polícia e a justiça evitam fazer incursões mais efetivas. O lugar é um caos, pessoas morrem assassinadas ou por overdose, e ninguém liga se um vizinho sumir de repente no meio da noite, o que torna um território de caça perfeito para os vampiros que não ligam para onde suas presas vivem.

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2 Re: Apartamentos em Ter Mar 06, 2012 8:42 pm

Seus olhos se abriram quando os raios solares conseguiram, depois de muita persistência, incomodar seu sono. Precisava arrumar uma cortina urgentemente e sentia que deveria anotar tal fato em um pedaço de papel para levar consigo, já que se esquecera de adquirir o objeto desde que se mudara para sua atual moradia.

Bocejando, resolveu sair da cama já que não conseguiria mais voltar a dormir, o que era sinceramente uma pena, em sua opinião. Duvidava avidamente que houvesse tido sono o suficiente na noite anterior, mas o impiedoso sol sequer parecia se preocupar com seu bem estar. Realmente, precisava da maldita cortina o quanto antes.

Enquanto caminhava até o banheiro, ouvia os barulhos da vizinhança com um sorriso no rosto. Gritos, xingamentos, objetos que eram derrubados, donas de casa preparando o almoço, crianças correndo... Um verdadeiro caos. Apesar de já estar acostumado com aquela rotina, alguns de seus vizinhos às vezes conseguiam surpreende-lo. Como o casal do andar de cima, cujo homem se tratava de um dos traficantes mais influentes da área, e a mulher, de reputação duvidosa, era alguém que causava medo sincero em Travis. Talvez fosse pelo olhar de ódio intenso que ela exibia o tempo inteiro, ou então pelo vocabulário pouquíssimo convencional. Ou mesmo pelos sons de violência física que ouvia constantemente e tinha certeza absoluta que não era a mulher quem estava em apuros nas situações.

Só de lembrar, Travis já sentia um arrepio desgostoso correr por sua espinha.

Suspirando, decidiu tomar seu banho rapidamente, já que água quente estava em falta em seu pavilhão. Pelo menos era só a água, e não a energia elétrica, como da outra vez. Deveria estar aliviado, mas era uma sensação difícil de conquistar quando o sangue parecia estar querendo congelar a si mesmo.

Sentiu-se um pouco mais disposto depois de se lavar, apesar de tudo, o que era bastante positivo. Precisava de dinheiro, urgentemente, e ficar em casa não ajudaria em sua situação. Talvez acabasse por arrumar algum bico específico, ou pudesse cobrar favor que alguém lhe devia, mas, no entanto, não tinha nada em mente quando desceu as escadas e saiu de seu humilde complexo habitacional.

Sua moto, estacionada no ponto específico que a pertencia, estava exatamente como a deixara anteriormente. Tal fato era esperado, já que ninguém ousaria tocar em sua preciosidade. Era bem conhecido por aquelas bandas e suficientemente respeitado; pelo menos cinco dos figurões influentes lhe deviam favores ou afins e isso era muitíssimo positivo em sua opinião.

Apesar de não ter um destino certo, montou em sua moto de qualquer forma e deu partida, distanciando-se dos Apartamentos rapidamente. Esperava que surgisse alguma oportunidade decente no meio do caminho, ou então, que acabasse por pensar em algo, já que não fazia ideia de quanto tempo o restante da gasolina iria durar.

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3 Re: Apartamentos em Seg Jan 07, 2013 7:54 pm

Se tem uma porra que eu odeio é me esconder feito um rato de esgoto.

Eu não morri pra ficar enclausurado e esconder a minha fuça, mas pra tudo nessa porra existe um motivo.

Depois do barraco digno de Oscar daquela maluca, onde mais da metade dos subordinados dela foram pro saco, ouso dizer que essa cidade está mais perto do colapso do que nunca. O que, na minha humilde opinião, é ótimo. Sou um filho do caos, desordem corre pelas minhas veias mortas, e aquela filha da puta não perdia por esperar.

Então cá estou eu, num apartamento que sequer merecia receber tal título, enquanto aguardava a hora certa de agir. O lugar mais parecia uma toca de Rato, mas servia bem aos seus propósitos. Não sou um fresco, não preciso de luxo e regalias, e tem gente que vive com muito menos que isso.

Ao menos, eu estava protegido.

Fazia tempos que não tinha sinal de Travis, mesmo usando sua moradia para meu refúgio. Não era de se surpreender, já que um Nightstalker não para no mesmo lugar por muito tempo, ainda mais alguém com negócios nojentos como os dele. Prefiro não entrar nesse assunto.

O fato era: Helena estava fodida. Porque quando eu resolvesse mostrar minha cara nessa porra de novo, a cidade inteira ia ruir.

Ninguém fode comigo desse jeito, como se eu fosse um badernista qualquer, e aquela louca ia se arrepender do dia que resolveu me dar as costas.

Meu plano já estava sendo colocado em prática, e eu movia meus pauzinhos pelas sombras, sem que ninguém tivesse ciência do que eu e os meus estávamos tramando. Quando dessem por si, seria tarde demais. Helena não insultou apenas a mim, mas sim a todo o meu clã e meus seguidores, e por isso, ela iria pagar.

Eu não tô de sacanagem nessa porra.

A Camarilla de New Orleans vai cair e essa merda de cidade vai experimentar o caos como nunca antes imaginou. Ou eu não me chamo Royce Gregor. Tudo por culpa de uma governante estúpida que devia estar presa em um hospício.

E ela era meu alvo número um.

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4 Re: Apartamentos em Seg Jan 14, 2013 5:47 am

Jack Cross

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Ancillae
Então ele não parecia um ”arregão”. Ficou todo com raivinha e devolveu meu olhar ameaçador, mostrando que pode sim ter um bom uso. Foda-se, é ele ou nada. Eu preciso de gente e preciso que Royce autorize minhas necessidades. Decidi me aproximar um pouco mais dele, dessa vez com a postura relaxada. Coloquei a mão no bolso da jaqueta, um bolso tão curto que não costuma levantar suspeitas. Só que dentro dele eu guardo meu soco inglês.

- Eu acho que devo minhas desculpas a você. Na verdade eu tenho até uma proposta para lhe fazer.

Tirei o soco inglês do bolso e coloquei na mão. Beleza, ele pode ter visto a parada e ter tentado se proteger, mas para ter sucesso ele teria que ter uns duzentos anos a mais que eu. Eu me joguei em cima dele e desci o braço em seu queixo. BAM!

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Foi fácil carregar o corpo desmaiado do grandão pra fora do clube de merda. A foda foi leva-lo na garupa de moto até aquele cafundó que Royce se escondia. Mas assim que cheguei lá percebi o porquê ele tinha escolhido o local: feio, fedido e cheio de gente que não dá a mínima pra um cara carregando um corpo de apartamento em apartamento, que nem eu fiz. Cacete, foi difícil achar o lugar certo.

Se eu desse mais uma batida na porta ia acabar derrubando aquela porra, de tão podre que tava. Ela acabou abrindo sozinha e eu entrei trazendo o minotauro junto. Cumprimentei Royce como um Nighstalker (é coisa de Brujah) e larguei o corpo no chão. O cara parecia estar querendo começar a acordar, então teríamos que papear rápido.

- É esse sujeito aí. Ele me pareceu durão no seu bar outro dia, e o melhor, com um cérebro. Mas daí encontrei ele hoje vestido que nem um bicha no clube e já tô quase mudando de idéia. – coloco as mãos na cintura e fico olhando o homem no chão – Em nome das tradições de idade, do companheirismo Brujah e de minha amizade com você, Royce, ele é todo seu se você quiser. Mas se tu não se interessar, pego ele.

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5 Re: Apartamentos em Ter Jan 15, 2013 8:57 pm

Paciência é pra quem tem.

Eu não tenho, nunca tive e nem pretendo ter. Se tem uma coisa que pra mim não tem a menor utilidade é essa porra de paciência; esperar nunca foi meu forte.

O filho da puta do Jack estava demorando. A verdade era que não havia data, horário e nem porra nenhuma marcada, mas não preciso de muita inteligência pra saber que o cara estava a caminho, com sua promessa cumprida.

Aquela cidade ia fervilhar depois que os Brujah tomassem conta do subúrbio.

O maior erro daquela maluca era acreditar que NOLA era movida a bairros ricos, pessoas bonitinhas e de classe social respeitável. Ela se enganava muito ao ignorar a base da cidade, o que fazia as ignições se moverem.

Não vou dar uma de Marx e começar toda aquela palhaçada de proletário e sua turma ignorante, mas sem a classe baixa, não tem nada. Não tem funcionário pra sustentar as demandas dos frescos, não tem limpeza de rua, não tem sistema elétrico, não tem porra nenhuma.

Não só de dinheiro que se vivem os ricos e quanto mais cedo eles se derem conta disso, melhor.

Eu soube que Jack estava no prédio assim que meus ouvidos captaram o som nada suave de portas se abrindo e fechando, passos pesados e resmungos. Sorri ironicamente, sentando-me no colchão pulguento de Travis e aguardando sua chegada.

Eu não ia me mover para ajuda-lo; seria muito mais divertido ver o velho se foder pra me achar.

É engraçado o fato de que mesmo eu tendo muito mais idade que Jack, ele tinha aquela puta cara de velho. E atitude de velho. Mas ele sabia bem que quem mandava naquela porra, quem era o verdadeiro vovô da história, era eu.

Quase temi que a porta do apartamento se desfizesse quando ele entrou. Delicadeza e Brujah não combinam, e isso foi algo que fez meu sorriso se alargar ligeiramente. O corpo fora jogado no chão com a maior displicência, mas se aquele palhaço estava ali para fazer parte do grupo, era melhor se acostumar com o tratamento VIP.

- Até que enfim, Velho. – Eu disse, após retribuir o cumprimento. Observei o cara no chão, reconhecendo-o de cara, e voltei meu olhar para Jack com visível aprovação. – Vou aceitar sua oferta como um presente.

Com um chute suave, para os meus padrões, obviamente, cutuquei o homem inerte na clara intenção de acordá-lo, abaixando-me para fitar seu rosto de perto e ser a primeira coisa que seu campo de visão captasse. Eu sabia quem ele era – o badernista que tinha a mania de entrar no Heavy Duty ajeitando o pacote – e ele provavelmente também me reconhecia, o que facilitaria muito toda a situação.

- Boa noite, Picudo. – Cumprimentei quando ele finalmente despertou, sorrindo debochadamente em sua direção. – Espero que sua soneca tenha sido agradável.

Ele tinha potencial, e muito, mas antes de qualquer coisa, aquele idiota teria que passar pelo meu teste para finalmente receber o meu sangue como dádiva e se tornar um verdadeiro Brujah.

Se é que ele sabia o que isso significava. Se não, aprenderia com o tempo. Na marra. Se fodendo todo, de preferência.

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6 Re: Apartamentos em Ter Jan 22, 2013 8:11 pm

Jason não temeu o homem tirando o soco inglês do bolso. Continuava encarando o grisalho, sem se intimidar. Na verdade tentava intimidá-lo, sem pista de como na verdade estava ridículo com aquela tanga e o corpo pintado. O velhote falou sobre alguma proposta, e se isso tivesse a ver com livrá-lo do peso que as joias faziam em sua consciência, seria de bom grade.

- Que tipo de pro... – BAM! Não deu tempo nem dele desviar. Estava tão preocupado em manter a pose intimidadora que o melhor movimento que fez foi um vacilo, pro lado errado. Isto é, em direção ao soco inglês.

Estrelas. Via um céu estrelado, brilhando no alto, em uma noite sem nuvens. Muitas e muitas estrelas, como nas noites em que seu avô precisava de seu auxílio nos rituais xamânicos à luz da lua cheia. Sentiu o cheiro da erva de seu cachimbo, sendo tomado por um sentimento de nostalgia muito forte. Então viu seu avô, rindo, com seus longos cabelos brancos, poucos dentes, nariz enorme e a pele vermelha chupada, fumando o longo cachimbo. Sentia o calor da fogueira que o iluminava, a única fonte de luz além da lua imensa no céu. Sentou-se, o que fez sua cabeça doer muito, e sentia também o maxilar, que latejava com o golpe que acabara de tomar. Mas não estava mais no banheiro masculino do clube dos bacanas. Estava no deserto do Texas, onde seu avô fazia contato com os espíritos. Mas seu avô estava morto, e agora era ele quem tinha contato com um espírito.

- Hihihiiiiii! – Riu o velho, mostrando mais seus dentes. - Você está ridículo, garoto! Ridículo! – Riu mais, e fez Jason olhar para seu corpo, com tinta e a tanga. Se recuperando do riso, o avô tossiu fumaça do cachimbo, e tentava ficar sério. – Eu ainda tinha esperança de que seguisse meus passos, pequeno Jason. Não sei porque, mas tinha. – Deu mais uma puxada seca de seu cachimbo, chegando a fazer um barulho fino, segurou um pouco e depois soltou a fumaça. – Mas vejo que o búfalo branco o negou, e te leva por outros caminhos... Que pena, meu filho. É mesmo uma pena. Adeus, picudo... Hihihiiiii!!! – Voltou a rir, e a soltar fumaça, engasgando e tossindo, enchendo completamente o ar com o produto de sua erva queimada.

A forma com que o seu avô lhe chamou ecoava em sua mente dolorida. A fumaça tomou conta de tudo, e logo não havia mais lua, estrelas, fogueira, fumaça, cachimbo ou avô. Havia apenas uma cabeça bem dolorida, e um cara com carinha de bebê o chamando de picudo. Tentou se erguer com o primeiro reflexo que lhe surgiu, mas a dor de cabeça o deixou tonto, e o fez cair mais uma vez. Viu o grisalho do banheiro ali no quarto também, e pelas roupas de couro uma história lhe veio à mente em meio a tanta dor.

Jason estava no México, em uma cidade próxima à fronteira. Mal havia completado seus 18 anos, e acabou apostando em uma briga de bar que derrubava um branquelo velhote em uma briga. Precisava de dinheiro pras putas, e naquela época ainda não havia entrado no mundo do crime. A tequila o fez subestimar o homem, que não era tão velho assim. Levou um soco na cara, que fez seu crânio estralar junto com os ossos da mão do sujeito, que o derrubou. Apiedando-se de Jason, o velho o chamou para tomar uma bebida e ouvir sua história.

Contou que era um boxeador chamado Butch Coolidge, que enganou a máfia e fugiu com a grana que pagaram para ele perder uma luta. Ele acabou matando o adversário, e escapando dali para o México. Mas antes de conseguir sair da cidade, enquanto fugia do homem que o pagou para perder, ele trombou com uns malucos que sequestravam caras como ele, e como Jason, para amarrá-los e currá-los. O jovem Jason ficou de olhos arregalados, ainda mais quando disse que os caras haviam pego o mafioso que estava atrás dele, fizeram o que tinham de fazer. A trégua do boxeador veio quando ele salvou o mafioso dos estupradores, com o acordo de que aquele fato não saísse dali.

Butch não disse o nome do mafioso, mantendo sua promessa, e Jason aprendeu que o estupro não era exclusividade das mulheres e crianças. Isso o deixou esperto na prisão, mas agora se via em uma situação muito parecida com a do velho boxeador. Aqueles caras queriam currá-lo! Nunca ninguém além das mulheres que de fato viam o que ele tinha dentro das calças o chamaram de “picudo”. Muito menos o acordando e usando a junção das palavras “soneca” e “agradável”.

- Mas... Mas que porra é essa, caralho? – Tentou se erguer mais uma vez, mas acabou se encurralando, com a mão na cabeça, tateando as paredes.

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7 Re: Apartamentos em Sab Jan 26, 2013 8:48 pm

Gostaria de deixar essa música inspiradora pro meu amigo Picudo curtir e dar um clima de expectativa https://www.youtube.com/watch?v=UWlSw5Kb0dg

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Não pude conter o sorriso que despontou por meus lábios diante da primeira reação dele.

Devo acrescentar que o Picudo tinha colhões, por mais irônico que isso possa soar. Ele estava ali, diante de seu agressor e com a minha cara a poucos metros da dele. Isso deveria ser o suficiente para causar um pouco de intimidação, mas o cara estava lá, perguntando que porra era aquela.

Respeito. Por ele e pela escolha do Velho.

- Como você pode ver, Picudo, meu amigo aqui fez um grande favor em te trazer até aqui. Vou ter que pedir desculpas pela delicadeza, o Velho ainda tem os costumes da época que era vivo. – Retorqui, alargando o sorriso antes de voltar a me sentar na cama.

Bem, ele tinha muito a aprender, isso era fato. Mas qual era a graça de ver meu sangue mata-lo se eu lhe desse todas as instruções antes de ele poder sentir na própria pele? Nenhuma. E a verdade era que o Picudo tinha um propósito, gostasse ele ou não.

- Essa porra é bem simples: você está aqui por um motivo. Normalmente, eu te enfiaria nos Nightstalkers antes de te dar essa oportunidade, mas o Velho acha que você é carne de primeira e eu creio que devo concordar. – Continuei, observando cada uma de suas reações atentamente.

A vida e a morte dele dependiam disso, mas o fato de eu não o ter testado previamente antes de coloca-lo à minha presença não significa que o viadinho não seria testado agora. Qualquer passo em falso seria o suficiente para ele ir parar naquele caixote.

- O único problema é que eu estou pouco me fodendo para as suas opiniões, se é que você tem alguma, então eu acho melhor você se comportar e ouvir o que eu tenho a dizer. – Disse, calmamente, em clara provocação. – Sabe aquelas historinhas idiotas de criança sobre monstros mortos que chupam sangue?

Essa era a minha parte preferida, onde eu podia testemunhar a incredulidade e a certeza de que eu era louco, ou um filho da puta sem senso de humor. Mas o Picudo ainda não sabia de porra nenhuma, e, se ele realmente fosse tudo o que eu esperava que era, ele ia se foder e aprender.

- Então, eles existem.

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8 Re: Apartamentos em Sex Mar 01, 2013 7:23 pm

Não havia saída para Jason. Qualquer coisa que tentasse seria burrice, e sua cabeça ainda doía. Era melhor parar e ouvir o que aqueles caras queriam com ele. Se fosse alguma merda, teria que dar um jeito. Deixou seu corpo cair sentado no chão, mantendo uma das mãos na cabeça, com o cotovelo apoiado sobre o joelho. Seus cabelos caíam na frente de seu rosto, que estava levemente inclinado para frente. Tentava encarar o homem que falava com ele, mas até isso lhe fazia a cabeça doer mais. O que mais precisava era fechar os olhos e dormir.

As palavras que chegavam a sua mente eram desconexas. Aos poucos começavam a fazer sentido. Um pedido de desculpas, e algo sobre um velho que não era mais vivo. “O que tem meu avô?”, pensou o rapaz, mas não conseguiu associar as palavras para completar um raciocínio plausível. Ao menos o pedido de desculpas lhe dava certa segurança. Seus miolos não seriam estourados naquele instante, e tampouco perderia suas pregas.

Então as palavras começaram a juntar, depois que o sujeito disse “Essa porra é bem simples:”. Finalmente ia saber o que estava acontecendo. Ouviu tudo o que lhe foi dito sobre ele ser carne de primeira para os Nighstalkers ou coisa assim, provavelmente uma gangue. Logo se viu em um ritual de iniciação. Passou por algo parecido no México. Poderia estar errado, mas isso lhe dava mais segurança.

Estava prestes a abrir a boca sobre não querer fazer parte de uma gangue que ouviu um “estou pouco me fodendo para suas opiniões”. “Caralho, esse cara tá lendo minha mente, porra?”. Olhou para os olhos do cara, agora sem que sua cabeça doesse muito, e consegue escutar melhor o que ele dizia. Aliás, era isso mesmo que o maluco mandou ele fazer. Ouvir. E ele ouviu atentamente quando falou que monstros que chupam sangue existem. Nessa hora ergueu o olhar, deixando seus cabelos saírem do seu rosto, e os cerrando. Franziu o cenho, como se fizesse força para pensar, processando a informação. Jason não é nenhuma mente brilhante, e demorou para sacar o que aquele cara tava querendo dizer.

- Monstros? Você quer dizer... Chupacabras?

A última palavra saiu com puxado sotaque mexicano, como se essa fosse a única forma de pronunciá-la. Ouviu algumas histórias sobre monstros que sugavam sangue do gado no México desde que era criança. Seu avô respeitava aquele mito, mas nunca o confirmou. Na verdade o velho índio não mexia com coisas vivas. Sua especialidade eram os mortos, então Jason não entendia nada daquilo. Então o que lhe era dito agora era apenas uma confirmação de uma lenda da infância. Sua reação àquela revelação foi arregalar os olhos, esperando pela resposta, dilatando as narinas em uma respirada mais intensa causada pelo peso do assunto.

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9 Re: Apartamentos em Seg Set 02, 2013 5:40 pm

Nada e muito havia mudado nesse mês que passou. Seu último tratamento, apesar de bem mais pesado, novamente não surtiu efeitos, ao menos não sobre a doença. Começava a desconfiar se aqueles médicos queriam tratá-lo ou matá-lo mais rápido. De toda forma havia aceitado aos poucos o inevitável, e pela primeira vez em tempos tinha voltado a trabalhar e não apenas a comparecer ao escritório. Definitivamente não se comparava a dar a vida como o fizera outrora em Nova York, mas ainda assim era o suficiente para ocupar sua mente, e tornar os demais momentos do dia ainda mais prazeroso.

De quebra também continuou tentando manter segredo sobre sua situação com tudo e todos ao seu redor. E essa decisão se mostrava mais sensata a cada dia, principalmente agora que voltara a trabalhar com Mark. Uma das únicas pessoas que sabiam o velho empregado sempre demonstrava uma preocupação exarcebada. Uma chatice só, afinal o fato de estar morrendo não tornava Derek inútil. Morimbundo sim, mas inútil não, ao menos não ainda! Pior que mesmo entendendo um pouco a preocupação do velho amigo da família, ele acabava saindo do sério na maioria das vezes, até por que o mundo já lhe tirava a paciência o suficiente. Não que tivesse se tornado alguém insuportável. Só um pouco irritante e irônico talvez. Sendo que essa segunda qualidade podia agradecer a vida, que tem lhe ensinado muito bem.

Mas falando em ironias, a outra novidade do último mês era desaforada e marcante o suficiente para mudar qualquer humor. Naquele baile regado a drogas, dinheiro, peitos à mostra e sexo, esperava conhecer qualquer tipo de pessoa menos uma Aleia. E ainda menos na situação em que o foi. Se pudesse imaginar uma definição para “Fundo do Poço” certamente aquele momento se encaixaria muito bem. Em meio a drogas (algumas legalizadas, outras não), desespero, cortes, quedas e pisos molhados, aquela mulher apareceu para carrega-lo dali como uma salvadora. Na verdade foi mais um arrastou e jogou, entretanto isso são apenas detalhes. O que realmente importa é que ele viu algo positivo nela. Ainda não sabia bem o que, mas podia imaginar. Confiança talvez, observando as pequenas atitudes? Ou quem sabe uma mera ligação, já que ela passou a ser uma das três pessoas, além de Mark e o médico, que sabiam de seu segredo em toda Nola? Pois é, as drogas parecem desorientar só as pernas, pois a boca funciona magnificamente bem. Porém algo lhe atraíra a Aleia, algo que o fez se ligar a ela cada vez mais.

Enfim, seguindo com seu carro pela cidade, aos poucos ele começa a adentrar em áreas “não endinheiradas” de Nova Orleans. Na medida em que adentrava a rua, percebia olhares de todo lado. Não sabia bem o porquê, não acreditava que seu carro merecesse tanta atenção. Provavelmente estivessem esperando alguém. Ao chegar enfrente a uma das casas ele dá uma buzinada e pensa enquanto espera. Hoje também teria uma reunião de negócios com o senhor Freeman e só podia maquinar os motivos desse encontro. O homem tinha tudo na cidade, o que mais poderia querer? Só torcia para que não fosse nada demorado, afinal... E por falar em tempo
- Aleia! Está ai? - Ele dá mais algumas buzinadas enquanto fala alto pelo vidro aberto - Quanto tempo acha que tenho para ficar esperando? Um ano?

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10 Re: Apartamentos em Qui Set 05, 2013 6:43 pm

Eu ainda não sabia se o cara era extremamente estúpido ou se estava de sacanagem com a minha cara, apesar de achar que a primeira opção era a mais provável. A cara de imbecil inocente que ele exibia, juntamente com a forma que parecia estar tendo dificuldade em assimilar informação, me fizeram ter mais convicção.

Eu tive que rir.

Não vou dizer que foi uma risada gostosa e cheia de humor, porque não foi. Na realidade, eu acho que nunca soltei um riso tão sádico na morte. Já ouvi coisas ridículas e absurdas, mas, por algum motivo, esse caso teve mais graça.

Acho que pela proximidade com a realidade, mas também pela enorme idiotice e fantasia que isso significava. Humanos são criaturas engraçadas, cheias de imaginação e explicações absurdas sobre fatos ocorridos. E eu ainda acredito que a que mais me fez rir foi a teoria extraterrestre para os Chupacabra. Nunca antes um clã foi tão ofendido quanto os Gangrel naquela época, e nunca antes eu me diverti tanto.

Não tenho certeza das origens do Picudo mesmo que isso me dê a certeza de que ele é filhote do Novo Mundo, e na realidade estou pouco me fodendo para isso, mas se suas crendices idiotas forem atrapalhar a situação nós dois vamos ter um problema.

- Chupacabra? – Repeti, voltando a gargalhar e jogando a cabeça para trás, enquanto me perguntava se a porrada na cabeça do cara tinha sido forte demais.

Acho que dessa vez o Velho exagerou, mas não é como se isso fosse algo incomum. Ele não sabe brincar, de qualquer forma. O Velho leva os ensinamentos sobre ‘força’ a sério demais e os sobre ‘humanos frágeis’ nem um pouco a sério.

Esse é o problema de trazer senis para o lado ‘chupa’ da força.

Aproximei meu rosto ainda mais do dele, com um sorriso que eu tinha certeza que poderia gelar os ossos do palhaço mais corajoso dessa porra. E fazer as bolas do Picudo voltarem para dentro do corpo.

- Tente Chupagente. – Declarei, observando cada uma de suas reações com muita atenção.

Ele tinha apenas uma chance, e se fodesse essa chance, ele ia descobrir porque caralhos eu não chupo cabras. Lá no inferno.


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Bem, me dei a liberdade de relacionar o lance dos Chupacabra com os Gangrel, se o Mestre achar que foi prepotente e escroto, só avisar que eu edito.

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11 Re: Apartamentos em Dom Set 08, 2013 10:10 am

Jason engoliu seco assim que ouviu a resposta do homem acompanhada de um riso sádico. Esse riso vinha sempre quando se estava prestes a ferrar alguém. Ele mesmo já deu esse riso antes em outras ocasiões. Mas agora ele era a vítima. E se ele tinha entendido direito o que o cara tinha dito, era vítima de um “Chupagente”. E não era no bom sentido. Isto se ainda houvesse bom sentido em um cara te falar que era um Chupagente. Algo lhe dizia que não iria sobreviver àquele momento.

Não era um cagão. Nunca foi um cagão. Pode ter sido um burro, como seu avô mesmo lhe falou tantas vezes. Mas um cagão, nunca. Sabia que o dia em que tivesse que enfrentar a morte não o faria chorando, implorando por misericórdia, ajoelhando e pedindo por um Deus que nem sabe se existe. Iria receber a morte de frente, e agora a encarava. Encarava o rapaz a sua frente, pronto para o que viesse a seguir.

- Vai me matar, filho da puta?

Não era inteligente xingar seu provável algoz. Mas era corajoso. Burro e corajoso. E era isso que definia Jason, por mais que ele não gostasse de ser burro. De se guiar por seus instintos, ser impulsivo, pensar pouco, ter um pavio curto. Ou talvez gostasse. Viveu a vida inteira assim, fazendo o que dava na telha, e se fodendo por isso. E se dando bem também, algumas vezes. E toda vez que se fodia algo bom lhe acontecia. Pegou um ano de prisão pra depois ganhar uma grana boa. Teve que fugir da máfia, mas por isso teve a melhor foda de sua vida. Talvez morrer naquela hora lhe trouxesse alguma coisa boa, afinal.

Continuou encarando o homem, sem medo do que poderia lhe acontecer dali por diante. Se acabasse, que acabasse logo. Então Jason se lembra das palavras que o cara tinha lhe dito segundos antes de explicar o que era um “Chupagente”. Ele ia dar uma oportunidade pra ele. Alguma oportunidade de alguma coisa que ele nem tinha ideia do que era. Só esperava que não fosse pra “chupargente”. Isto é, se ele pudesse escolher a gente que ele fosse chupar, talvez fosse até legal.

- Que porra eu tenho a ver com isso?

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12 Re: Apartamentos em Sex Set 20, 2013 8:51 pm

Eu soube que o Velho tinha feito a escolha certa no segundo que coloquei os olhos no picudo quando entrei  naquele lugar de merda. Mas a certeza me veio depois da sua frase memorável, que eu vou ter um enorme prazer de obriga-lo a guardar para a posteridade.

“Vai me matar, filho da puta?”

Foi o que ele perguntou. Teria sido engraçado se não fosse a mais pura realidade. Aquele filho da puta ia morrer ali, pelas minhas mãos, mas de uma forma que ele nunca pensou ser possível.

E bem, colhões ele tinha, disso eu já sabia. Ele estava basicamente cuspindo na cara da morte e, por mais que isso não fosse muito inteligente, para mim estava perfeito. Eu não precisava de cérebro no meu exército, sim de músculo.

- Vou, e agora, o que você vai fazer? Chorar? – Respondi, ainda o encarando com um sorriso pouco amigável. – Vai rezar e implorar pra Ave Maria e os caralhos virem te salvar?

Era um fato; eu o queria. Ele seria uma aquisição valiosa para os meus planos e eu não tinha dúvidas de que ele sobreviveria à mudança. Uma coisa era bem palpável em pessoas como aquele idiota na minha frente: burros precisam ser altamente adaptáveis ao ambiente que os cerca, caso o contrário, se transformam em peso morto. E peso morto vai para o saco.

Eu precisava disso, desse poder de se adaptar, da coragem de enfrentar o que quer que fosse sem vacilar. Mas, para isso, eu precisava da sua lealdade, já que seria inadmissível um Brujah sob meu comando que não soubesse quem mandava nessa porra.  

Talvez estivesse na hora de parar de brincar com o idiota.

- Ou será que você acredita em vida após la muerte, palhaço?
– Questionei, deixando meu sorriso morrer e adotando uma postura menos agressiva. – Será que você realmente não consegue adivinhar o que tem a ver com essa merda toda?

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13 Re: Apartamentos em Sab Set 21, 2013 11:32 am

“Você devia estar mais agradecida, minha filha, porque Jesus te ama. Você tem duas pernas e dois braços sãos, nenhum defeito na cabeça, é boa de vista; enquanto muita criancinha nasce sem cérebro ou ruim do coração. Agora, termina esse café e vai trabalhar.”


“Se você não se esforçar e estudar você nunca vai ser ninguém. Vai acabar limpando o chão para os outros. O mercado de trabalho está muito exigente, mas com essas notas você vai perder de ano na escola. Os seus pais vão ter vergonha de você.”




Coube tudo em uma só mala. Era quase o mesmo volume de quando se mudou para este bairro.  De uns anos para cá tinha botado isso na cabeça, a gente só é dono daquilo que pode carregar consigo. O resto, as traças comem. Mas não era por isso que se devia passar a vida sem construir nada. Na hora de entregar a chave pra senhoria, estava aliviada. Nunca sentiu saudade de nada deixado pra trás, não iria começar com aquele quarto fuleiro. Mesmo assim, seguir em frente era doloroso, especialmente pra ela, sozinha na vida, quer dizer, sem ninguém para dar satisfação ou pedir conselho. Decidir as coisas parecia um salto no escuro, aposta arriscada, especialmente aquele tipo de decisão, envolvia confiança. E confiança é coisa sempre minguada, a gente deposita, depois não consegue sacar.
Já estava feito, porém, a chave entregue, os contratos feitos, a mala arrumada e o carro buzinando na porta. Nunca parou tanto tempo pra pensar antes de trocar de emprego, parecia até premonição. Mas até onde ela sabia, não era vidente; era sim desconfiada até a alma, mofina, calejada de ser passada para trás sem saber como. Dessa vez ia dar tudo certo, esperava. Na verdade, só deseja que não desse tudo errado, porque com os meios termos a gente aprende a lidar.
- Você me desculpa a demora, o elevador tá quebrado e as escadas não ajudaram a ir mais rápido.
Nem tinha demorado tanto assim, Aleia pensou, Derek devia ter algum compromisso para estar naquela buzinação. Ela nem se apressou por isso, tinha dito que podia pegar um táxi, ou ir de ônibus, ele é que havia insistido em vir buscá-la. Aquele ali parecia fazer tudo por fora do viés, onde já se viu ficar servindo de motorista para ela? Apesar do vacilo em aceitar a proposta de emprego de Derek, sabia que ele era uma pessoa sossegada, e por sossegada entenda-se que ela quase não encontrava motivos para tomar raiva dele.
O diabo é que sempre ficava na casa do sem jeito para falar com Derek. Não sabia bem o que dizer, não tinha o costume de falar de coisas bestas, como o tempo ou a política, não sabia bem como jogar conversa fora. Assim, invariavelmente, perguntava sobre a saúde do rapaz. Entendia nada de nada dos detalhes dados sobre o andamento do tratamento, sabia só que não concordava muito com as escolhas que o rapaz vinha fazendo. Aquilo de manter segredo sobre o problema não entrava na sua cabeça. Quando expressou sua opinião sobre isso, como resposta recebeu o convite para trabalhar.
Por que foi visitá-lo no hospital aquele dia? Era folga, não tinha nada melhor pra fazer. Queria ver se ele estava melhor. Não. Não. Não era isso. Aleia queria SER uma pessoa melhor do que era. Estava cansada de evitar as pessoas para se proteger, sabia que isso já lhe protegera de muitos problemas, mas também já a havia privado de boas oportunidades. Pesou e peneirou as ideias, concluiu que uma visita a um doente não arrancaria pedaço, iria lhe fazer bem. E fez. Saiu do hospital naquele dia se sentindo a pessoa mais normal do mundo, boa quase. Só não percebeu que se sentia feliz por contraste com a desgraça de Derek, não naquela hora. Percebeu mais tarde, sem remorso, que encontrara alguém mais infeliz do que ela. E tentar ajudar aquela pessoa lhe dava uma sensação maravilhosa de superioridade.
E foi assim que aceitou o convite de trabalho, aceitou se mudar e se deu ao luxo de confiar.
- Não se prenda por mim não, se você tem muita pressa eu posso me arranjar.
Imagine o que o pessoal do antigo emprego ia dizer se a vissem com roupa domingueira no carro de um bacana aquela altura da noite. Diriam que ela estava comendo carne branca.

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14 Re: Apartamentos em Dom Set 22, 2013 8:36 pm

- Vou, e agora, o que você vai fazer? Chorar?

- Não.

Jason percebeu que ia morrer. Não foi apenas a resposta que teve. Quem queria matar não anunciava assim, momentos antes, apenas para dar a chance da vítima cometer uma loucura e tentar se salvar. Mas aquele cara ia realmente matá-lo, e Jason estava completamente sem saída. Estava cagando de medo, era verdade, mas nem por isso deixava de encarar seu provável algoz. Era daquele medo que tirava sua coragem. Era esse tipo de situação que separava os cagões dos fortes. Respondeu cada pergunta com a mesma palavra, olhando em seus olhos, não só para informar seu interlocutor, pois isso não parecia fazer diferença. Respondia para dizer a si mesmo que ainda estava ali, vivo, e podia reagir. Mesmo acuado, seminu no chão, sem arma alguma além de seus punhos.

– Vai rezar e implorar pra Ave Maria e os caralhos virem te salvar?

- Não!

Viu-se sem saída. Não era como estar na mira da arma de um policial casca grossa em um bar, onde haviam inúmeras possibilidades, sendo uma delas a prisão. A sua única opção era a morte. E a escolha que tinha de fazer era sobre como iria morrer. Em um momento como aquele a visão de seu falecido avô o atormentaria, mas o fantasma do velho índio havia abandonado Jason em sua última manifestação, e agora ele estava sozinho. Completamente sozinho.

- Ou será que você acredita em vida após la muerte, palhaço?

- NÃO!

Ele não respondeu sobre acreditar ou não em vida após a morte. Ele de fato acreditava, já que os espíritos de seus antepassados viviam naquela terra banhada com o sangue de seu povo. Se morresse naquela noite, juntar-se-ia a eles, e não teria descendentes para atormentar, como seu avô lhe fazia. A não ser que tivesse embuchado a stripper fogosa, seria um espírito inútil.

Respondeu para a situação que passava. Não iria morrer assim, sem tentar, acuado, cagando na calça. Ou melhor, na tanga. Seria uma morte ridícula, e definitivamente não queria isso.

– Será que você realmente não consegue adivinhar o que tem a ver com essa merda toda?

- NÃÃÃÃÃÃOOOO!!!!

Gritou e investiu contra aquele homem que podia sentir seu hálito. Cujo rosto amparava os perdigotos produzidos pelos gritos de negativa. Uma cabeçada, destinada a quebrar o nariz do rapaz, e um soco, para derrubá-lo de uma vez. Não pensou no que faria com o velho que estava mais atrás. Pensaria nisso depois. Poderia estar acelerando a sua morte, mas não morreria como um cagão. Nunca foi e nunca será um cagão. Pelo contrário. Se arriscava nas piores situações, e na maioria das vezes conseguia sair vivo delas. Era isso que o tornava conhecido e especial. Quando a coisa realmente apertava ele não fugia. Era temerário.

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