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Reserva Florestal

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1 Reserva Florestal em Sex Jun 17, 2011 6:31 am


Boa parte da vida selvagem de Nova Orleans é pautada na existência dos Pântanos, mas não somente eles que preenchem o ar com vida. A reserva florestal que faz fronteira com o quintal dos aligatores tem uma área pequena em relação a outras reservas pelos Estados Unidos, e o que tem de pequena tem de rica. Cervos, lobos, pássaros, garças, javalis... De tudo um pouco pode aqui ser encontrado.

Nas décadas passadas muitos trechos da reserva haviam sido explorados por aqueles que buscavam metais preciosos e a madeira da região. Hoje em dia a proteção contra depredadores é eficaz, deixando o lugar tão bonito que parece nucna ter sido tocado pelas mãos do homem. Um outro fator que coopera com isso é o fato de que em todas as noites a floresta é inundada por uma densa bruma que praticamente impossibilita a caminhada.

Um extenso rio cruza toda a área da reserva e desemboca numa cachoeira. O local onde a água da cachoeira choca contra o solo é conhecido como "quatro pontas", pois marca o encontro de três trilhas mais a entrada da maior caverna da região. Falando em cavernas, elas são muitas na área da reserva, todas repletas de morcegos. O número deles é tão grande que a cidade mantém um programa de controle de pragas o ano inteiro.


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2 Re: Reserva Florestal em Sab Set 21, 2013 10:07 pm


Desde o dia em que deixou a Catedral, não retornou mais. Ainda assim, manteve o hábito da leitura - e não estava lendo ficção alguma, mas, sim, a bíblia. Não sabia, ao certo, se o Padre rezava por ela - e por quem ela era -, mas sentia-se bem; ou, em todo o caso, melhor. Melhor do que nos últimos anos.

Usou o apartamento como passatempo; limpou, organizou, colocou o trabalho em dia e arrumou, até mesmo, tempo para decorar a sala - apenas a sala, por enquanto. Usou de cores um pouco mais fortes - as quais, para falar a verdade, não estava habituada -, mas imaginou que não fosse demorar a se sentir "em casa" novamente. A bíblia, ao contrário dos demais livros, estava longe da prateleira. Todas as noites, após "jantar", reunia-se aos salmos, como dito por Wallace, e refletia sobre o dia - apenas sobre o "presente". O passado, imaginou, teria de ficar para trás.

Uma reviravolta? Causada, por incrível que pareça, por uma bíblia? E, claro, pela intenção de querer mudar. Mas... De onde tinha vindo a "intenção" de querer mudar? Ainda não tinha se perguntado, porém... Uma série de acontecimentos a levou a acreditar que fosse possível: a visita cheia de descrença; descrença completa? Talvez. O acidente e, então, o livro esquecido para, enfim, recolher outro. A bíblia passada por Wallace. Suspirou. A noite pareceu se estender além dos ponteiros. Quando deu por si, tinha adormecido ali mesmo, na poltrona, com o livro sobre as coxas. O celular, este por sobre a mesinha de centro, vibrava sem melodia. Na tela, um chamado de Irwyn - um chamado urgente. Para Beatrice, Irwyn abusava da palavra "urgente" - nunca tinha sido algo importante o suficiente, em verdade.

Vestiu-se após banhar-se - jeans, blusa de algodão e casaco, além de saltos medianos -, e retirou-se do apartamento. A noite não pareceu amistosa e, mesmo assim, Beatrice deixou o edifício; a ausência de amigos causava a supervalorização dos que restavam. Seguiu, após deixar a cidade, por uma das pistas que intermediavam a mesma - o caminho mais rápido para chegar à casa da outra. Meio à viagem, enfrentou uma tempestade, tempestade a qual perdurou por um longo trajeto. No rádio, uma música indiferente ao gosto da mulher - o volume ameno. Embargada por "aquilo" - pelo som, pela chuva lá fora, pelo "rotineiro" -, Beatrice encontrou-se com o passado e, ainda que demorasse em notá-lo, ele estava ali. Seu filho - uma criança que ao menos chegou ao presente -, mostrou-se frente ao veículo.

O mundo desapareceu ao passo em que a mulher estalou os olhos. Ao despertar, desviou a direção e, em contrapartida, atingiu o acostamento para, depois, seguir por um longo caminho meio ao nada - entre árvores e mata rasteira. Poderia ter sido pior, mas o susto... O susto tinha sido o suficiente. Após desacelerar, estacionou o carro - sem saber como o tinha feito -, e retirou-se do mesmo - atordoada; pasma. Desesperada e com medo - medo de que o passado estivesse voltando para atormentá-la. E o que teria sido aquilo, afinal? Graças ao estado de transe, não conseguiu chorar - ou desabar de imediato. Apenas tremia - mãos e lábios. Os olhos, àquela altura, estavam arregalados e, agora, a chuva encharcava o corpo e as roupas. Caso voltasse ao veículo, perceberia o não funcionamento do motor e, então, deixaria o mesmo. Para onde? Até onde? Não sabia. Talvez tentasse voltar à estrada para pedir uma carona - sob tempestade e pavor; quem cederia uma ajuda à ela, afinal?

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