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Cajun Country Village

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1 Cajun Country Village em Sex Jun 17, 2011 6:41 am


Os cajun são os descendentes dos acadianos expulsos do Canadá e que se fixaram na Luisiana, ao sul dos Estados Unidos da América. Os acadianos, por sua vez, eram um povo simpático aos franceses e que buscaram um novo lar onde existisse aquela influência para que pudessem fixar residência. Essa cultura francesa que eles exibiam fez com que seus vizinhos passassem a chamá-los de “cadien”, forma simplificada do francês “acadien”, mais tarde adaptada para o inglês “cajun”. Eles possuem uma cultura própria, em especial uma variedade de música popular e de culinária que já ultrapassaram as fronteiras de seu 'novo' território. É um povo alegre, festivo, que tem no seu próprio estilo musical, o zydeco - à base de violino e acordeão -, a força motriz que embala suas constantes comemorações.

A culinária cajun tem como pratos típicos o gumbo (um tipo de ensopado de quiabo), a jambalaya (camarão com molho picante), a carne de jacaré, o peixe enegrecido (peixe frito a ponto de ficar enegrecido por fora) e vários tipos de lingüiça, sendo que o camarão é usado como símbolo tanto do estado de Louisiana quanto da cultura cajun.

A postura festiva diante da vida pode ser demonstrada pelo fato de que praticamente não se vê nenhuma reunião dos cajuns em que não haja comida, bebida e dança. A cultura cajun tem algo de carnavalesco, sendo muito apegada a fantasias, enfeites e folguedos. Não é de se admirar, portanto, que o mais típico e mais importante carnaval dos Estados Unidos seja o Mardi Gras de Nova Orleans, uma mistura das tradições cajun e creole.



Uma outra característica cultural cajun, em grande parte devida ao seu contato com a cultura creole, é o misticismo, a feitiçaria, a medicina alternativa, oriunda das crendices dos negros africanos (do Haiti, das Antilhas, da costa sudeste) em contato com a superstição própria dos habitantes da zona rural. Criou-se assim uma aura de misticismo em torno desse povo e de suas celebrações, e não são raros os boatos sobre sequestros de criança, sacrifícios e rituais de magia negra. De fato, os cajun possuem um canal vivo com o sobrenatural.

Eles possuem uma língua própria, assemelhada com o francês, sendo que algumas pessoas "de raiz" se comunicam apenas nesse idioma. Até mesmo os que se utilizam do inglês o fazem com muitas inserções de origem francesa em suas falas, como dizer “Bonne chance!” no lugar do inglês “Good luck!”.

Cajun Country é um grande pedaço de terra ao sul da Luisiana que é considerado extra-oficialmente o "país cajun". Nova Orleans está dentro do território desse "país", representada por inúmeros vilarejos puramente cajun na área próxima ao pântano. São construções bem antigas e rústicas de madeira, algumas na forma de palafitas erguidas sobre as traiçoeiras águas do pântano, onde quase em sua totalidade são casas - com um ou outro galpão para armazenar produtos e/ou fazerem festas em dias chuvosos. Os moradores não são receptíveis a todos os visitantes, principalmente os que não mostrarem respeito às suas tradições. Aqueles que são alvo de preconceito, ou que tenham descendência francesa, que conheçam a cultura ou que se mostrem com a cabeça aberta à cultura cajun - inclusive os rituais - são recebidos de braços abertos.

O povo é festivo e astuto, tendo o costume de pregar peças divertidas nos visitantes. Histórias sobre os monstros do pântano embalam noites inteiras ao redor da fogueira. As feiticeiras ostentam colares feitos de enormes presas incisivas, alegando terem sido retiradas de tais criaturas. Nos vilarejos cajun, o real se mistura ao fantasioso.


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2 Re: Cajun Country Village em Dom Abr 15, 2012 9:21 pm

Já estávamos durante quase um mês viajando e precisaríamos cruzar Nova Orleans. Se a cidade fosse receptiva, talvez nos demorássemos, ou talvez não, a depender do que teria a nos oferecer. Já havíamos sido, desde o início, avisados de que não havia nenhum outro par na cidade, seria tão mais fácil de nos acomodar. Mas isso não foi suficiente para desestimular nossa viagem.

Papai comunicou a todos que obteve informações importantes a respeito de um povo que há muito criou raízes na região e que se respeitássemos suas crenças eles seriam receptivos. Andamos mais um dia e meio até chegar no Cajun Country Village.

Para a alegria de todos, fora exatamente assim, permitiram nossa estadia em uma área próxima, além de nos exigirem respeito com suas tradições e nos alertarem com relação a periculosidade da região pantanosa, a fim de que evitássemos qualquer aproximação daquela localidade.

Papai ditou conselhos a mim e a minha irmã menor com relação ao respeito a esse povo que nos recebeu e que evitássemos criar qualquer problema, qualquer um, ele frisou bem, olhando-me nos olhos.

O povo cigano não se faz de rogado quando o assunto é relacionado a comemoração em torno da Lua Cheia, uma vez que este é o maior elo de ligação com o "sagrado", quando são realizados mensalmente os grandes festivais de consagração, imantação e reverencia à grande madrinha. Dali a dois dias viria o tão esperado dia e por isso a necessidade de nos acomodar tão urgentemente. Mal nos instalamos e os preparativos já começaram.

Eu estava muito excitada com a promessa que Nova Orleans tinha para mim e isso significava dizer que os frutos seriam transformados em dinheiro ou jóias valiosas que cintilariam o seu valor. Território inexplorado. Sou uma mulher de muitos truques e além de fazer a leitura de mãos, sou muito boa com as cartas.

Bem, não só nisso, mas tenho um dom, digamos, especial, em fazer desaparecer com frequência pulseiras e anéis, sendo mais divertido do que qualquer outra coisa...

Na verdade é como se fosse tomada por uma ansiedade inacreditável ao analisar na vítima em potencial a distração perfeita para que em poucos segundos levasse o cobiçado objeto, mas tentaria me controlar enquando estivesse no acampamento, evitaria ir para o lado das casas dos anfitriões, sabe como é, não teria a intenção, mas a facilidade faz a ocasião...

Para mim, tudo na vida está escrito nas estrelas, é maktub, por isso sou atenta observadora do céu e verdadeira adoradora dos astros. Pratico, assim como meu povo, a Astrologia da Mãe Terra respeitando e festejando seus ciclos naturais, através dos quais desenvolvemos poderes verdadeiramente mágicos.

Contudo, quando não tenho uma magia para aplicar, invento, sendo esse um método infalível. Os gajes quase sempre cedem, de uma forma ou de outra, quando encontro sua fraqueza.

Como estava se aproximando as comemorações em torno da grande madrinha, eu fiquei incumbida de pegar algumas ervas para a infusão que logo que nos instalamos foi colocada no fogo e que lá ficaria durante dois dias completos, quando, então, todo o acampamento tomará a bebida. As mulheres longe dos homens, já que não nos sentamos a mesma mesa.

A noite estava clara e antes de sair tive a bênção de uma tia conselheira, velha, sábia e respeitada no acampamento. Parti com a cesta em busca das ervas sagradas que em melhor energia se encontram durante a noite, levando um facão e um lampião para facilitar as buscas. Minha irmãzinha ainda estava na tenda e ao passar pelo lado de fora gritei que já estava indo, e que se ela quisesse me acompanhar deveria correr indo em direção a parte de trás da tenda e que se desejasse poderia ajudar as tias com a infusão.

Parti com a Grande Madrinha já no céu, ajudando a iluminar meus caminhos para que logo tivesse o igrediente para o culto em sua reverência.

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3 Re: Cajun Country Village em Dom Jun 10, 2012 3:03 pm

Valeu muito a pena ter saído noite passada, afinal, acabou conhecendo Lucy. Ficou conversando com a garota durante um bom tempo na cozinha até que ela fosse chamada por um mané qualquer para voltar ao trabalho. Gastaram uns 3 cigarros cada um. Boa garota. Ficaram de se encontrar outro dia e continuar o papo que fluiu bem entre os dois – muito mais pela cara de pau dele, porque ela ainda se mostrava preocupada demais com alguma coisa e se recusava a dizer o que era. Cliff deu o seu número particular de telefone e pediu que ela ligasse e marcassem algo, mas malandro como é, deu um jeito e conseguiu o número dela com algum funcionário antes de ir embora do Razzoo.

Ligou de sua casa logo no início da tarde seguinte. Sabia que ligar cedo era uma prova de que tinha gostado dela, mas também sabia que pelo menos até meio-dia ela estaria dormindo. Ele disse que queria conhecer mais da cultura local, dos cajuns, e que uns amigos recomendaram que visitasse umas vilas em específico no Cajun Country. Na verdade estava em seus planos rodar um filme em um daqueles casebres, visto que sua última “aquisição” é uma ninfetinha cajun de dezoito aninhos, recentemente desmamada. Era seu papel integrar aquela subcultura ao mundo lá fora. Saca?

Chegou em seu Camaro 63 roxo, super discreto. Ainda falava ao telefone quando saiu do veículo e ativou o alarme, começando uma caminhada até um grupo de crianças que brincava ao ar livre ali por perto. Cliff finalizava os últimos detalhes do contrato do ator que trabalhará no próximo filme. Desliga o aparelho e se aproxima das crianças. Sorrindo para elas por detrás dos óculos Rayban de vidro verde, ele se agacha e relaxa a mão entre as pernas.

_Olá, criançada. – na verdade estava rindo do fato de que odeia crianças _Será que vocês podem dizer ao titio aqui onde eu posso encontrar o chefe da tribo?

As crianças não entenderam nada, mas depois ele falou sério e elas acabaram indicando um caminho a seguir onde ele encontraria um adulto. Ele faz o caminho indicado pisando com suas botas de couro legítimo no chão de terra, chutando algumas pedrinhas sem querer. Leva as duas mãos à cintura, abrindo o casaco e exibindo a enorme fivela no cinto. Gira desse modo de um lado para o outro enquanto procurava por sinais de vida inteligente – ou seja, adultos. Ainda era de tarde, mas não tardaria a escurecer. Queria muito falar com alguém da vila antes que – e se – Lucy chegasse, evitando ter que improvisar ações e/ou desculpas. Vai que a chefe da tribo é uma velha bruxa com olhos de vidro cujo passatempo é rogar maldição em visitantes...

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4 Re: Cajun Country Village em Qui Jun 14, 2012 11:35 pm

A reclusão havia sido um mal necessário, algo que me fizera refletir pesadamente sobre os fatos da vida. O mundo estava mudando, eu podia sentir isso no ar, e eu precisava estar preparada para isso. O invisível me mostrara todo o necessário para que alguns pontos fossem garantidos.

Estou velha. Isso não é novidade e muito menos causa espanto. Meus ossos já não tem a vivacidade juvenil, a energia de outrora, mas minha mente e espirito estão cada vez mais alerta. Eu vejo e sei bem do que vejo. Eu ouço, sinto, e tudo em minhas mãos toma vida.

Sou conhecida por diversos nomes que pouco me importam. Bruxa, feiticeira, filha do diabo, arranca-almas, dentre todo tipo de insinuação estúpida. Mas nunca, nenhum ser estúpido tivera a péssima ideia de tentar me chamar de mentirosa ou farsante. Todos eles sabem do que sou capaz, conhecem o meu nome e o meu poder. Eu sou uma sacerdotisa, do que mais quiserem me chamar não mudará em absoluto meu status.

Permaneci sentada em frente ao oráculo durante todo o dia, e, sem surpresa alguma, levantei-me quando uma das crianças adentrou minha casa após bater à porta vigorosamente.


- Avó Belle, Avó Belle! Tem um homem esquisito pedindo para ver o chefe.


Apenas assenti com a cabeça e o segui, sabendo que o caminho me seria mostrado. Meus olhos podiam ser velhos, mas a cor exuberante e de péssimo gosto do veiculo do sujeito foi o suficiente para arrancar uma carranca de meu rosto. Conhecia o tipo e, principalmente, detestava o tipo.

- Quem é você? É melhor falar o que quer rápido porque eu tenho pouca paciência. – Abordei-o, não me atendo a detalhes quanto a sua aparência. Se ele fosse esperto, iria embora no minuto seguinte, mas se não o fosse, eu seria obrigada a lidar com sua pessoa. Um pensamento pouco agradável.

Mas tudo na vida tem uma razão e aquele homem, naquele lugar, não poderia ser mera inconveniência. Talvez ele tivesse um motivo para estar ali. Talvez ele pudesse me ser útil de alguma forma. Nem que seja para rogar uma praga que fosse.

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5 Re: Cajun Country Village em Sab Jun 16, 2012 12:43 am

Conhecer Cliff na noite anterior foi interessante. Estava tensa, e ele a ajudou de alguma maneira. A conversa dele a fez esquecer Gabriel por um longo tempo e rir como não fazia há muito tempo. Ele insistiu que ela ficasse com o telefone dele. Depois que ele foi embora, pensou melhor sobre aquilo e jogou o número fora. O último “cara interessante” que Lucy conheceu fez de sua vida uma prisão. Não devia arriscar conhecer esse. Entretanto, Cliff havia conseguido o número dela de alguma maneira. O passeio que ele propôs foi tão inusitado, que a guarda de Lucy baixou mais uma vez. Conhecer vilas dos cajuns??? Cultura local??? Ela se deu conta que morava naquela cidade há meses, mas não conhecia nada da cidade. Era uma ótima oportunidade, justamente no dia da folga no bar. Aceitou sem pensar.

Arrumou-se durante a tarde: fez as unhas, banho de creme no cabelo, depilou as pernas. Era só um momento de autoestima, dizia para si mesma. Quando terminou de se vestir, achou que estava perfeita para um passeio casual e tinha certeza que o convite de Cliff não tinha nada demais. Seria um ótimo passeio, faria um amigo, teriam ótimas conversas. Tudo daria certo. Foi com esse pensamento que Lucy entrou no táxi enviado por Cliff até a porta de sua casa.

Porém, assim que entrou no táxi começou a se perguntar por que diabos estava indo para aquele encontro. Cliff definitivamente parecia um cara legal, mas se havia algo que Lucy já tinha aprendido, é que todo cara parece legal no início. Aquilo era um erro, com certeza. Mesmo assim, estava ali, sentada no táxi que o homem enviou, toda arrumada, maquiada, usando um vestido. Nunca usava vestido! Ficava sempre mais confortável de jeans. O que estava querendo dizer com aquele vestido? Quando o escolheu, achou que não era um modelo particularmente sedutor. Era um vestido verde, estampado com pequenas e delicadas flores. Mas agora percebia que era acinturado demais, tomara que caia... Cliff poderia entender tudo errado. Além do mais, estava usando coturnos e agora eles pareciam não combinar com a roupa. O cabelo também não estava legal. Quando saiu de casa, até estava com tudo ajeitado. Mas o taxista parecia adorar vento e deixava as janelas do carro totalmente abertas, e o vento tinha transformado o cabelo de Lucy em algo bem diferente do que ela queria. É, estava tudo errado mesmo. O melhor era voltar para casa.

....E então o táxi chegou na vila. Lucy não pode deixar de se apaixonar pela paisagem que surgia pela janela do carro. Acha tudo tão diferente do que conhecia de Nova Orleans que sorri silenciosamente, olhando com carinho para as casas e pessoas que surgiam. Quando o táxi pára, Lucy abre a bolsa para tirar o dinheiro, mas é informada pelo taxista que Cliff já havia pagado a viagem. Aquilo a deixa insegura de novo e, quando sai do carro, está nervosa como se aquele fosse o primeiro encontro de sua vida.

Agradece ao motorista de táxi. Assim que sai do carro, vê Cliff próximo ao carro. Sente suas bochechas ficarem coradas de vergonha, e começa a tremer feito uma colegial. Anda até ele, sem conseguir nem olhar direito para frente, extremamente tímida. Por que não tinha ficado nos planos de sempre? O sorvete e o filminho eram muito mais seguros do que um passeio com aquele desconhecido em um lugar desconhecido. Quando se dá conta, já está ao lado de Cliff. Tenta esboçar um sorriso, cruzando os braços, sem jeito, tentando esconder o vestido e o corpo de alguma maneira. Era defitivamente terrível não ter lembrado de pegar uma jaqueta antes de sair da casa...

-..Er... oi, Cliff...

Percebe que algo acontecia antes dela chegar, e fica ainda mais sem jeito de ter interrompido uma conversa. Olha de relance para a senhora que parecia falar com Cliff, cumprimentando-a com um aceno sem graça e um "com licença" que quase não sai de sua garganta.

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6 Re: Cajun Country Village em Seg Jun 18, 2012 4:10 pm

Nenhum sinal do chefe da tribo nem da criança catarrenta. Talvez fosse melhor ter dito “leve-me ao seu líder’, porque daí não teria que ficar parado ali esperando com os mosquitos do pântano doidos para lhe devorarem o rosto; pelo menos as pernas estavam cobertas com o jeans...

Aperta o isqueiro e acende um cigarro fazendo uma concha com ambas as mãos. Depois de uma boa tragada, Cliff fica a fazer movimentos com o cigarro em mãos de um lado para o outro, achando que a fumaça tóxica do Marlboro poderia espantar aquelas pragas voadoras. Ele leva um grande susto quando se vira para um lado e vê a velha com cara de uva passa já bem perto. Foi inútil a tentativa de esconder o susto, ainda mais com a cara de poucos amigos que a uva fazia.

_ Caramba... – leva a mão ao peito e ri _ Você me deu um susto de verdade aqui, hein?

Ao invés de se desculpar ou tentar ser de alguma forma amigável, a senhora lhe corta com perguntas bem diretas sobre o que ele estaria fazendo ali. Péssimo início de negociação para Cliff. Ele oferece o maço para que ela tirasse um cigarro, pois suas unhas amareladas diziam que ela adorava fumar.

_ Eu pedi para aquela menina bonitinha que estava aqui chamar a senhora porque eu tenho uma proposta de negócio pra lhe mostrar. - falava meio embolado por ter que equilibrar o cigarro na boca enquanto guardava o maço de volta no casaco; tudo feito, ele encosta no ombro da mulher e começa uma caminhada pela vila _ Eu represento um estúdio de filmes, e como o produtor responsável, coube a mim vir aqui fazer uma proposta de locação do espaço para rodar algumas cenas. Vai levar apenas um dia, algumas horas na verdade, e pensamos em recompensá-los com uma boa oferta em dinheiro. Queríamos aproveitar o espaço naturalmente encantador de sua vila para transmitir o mesmo clima à cena do filme. – gesticulava com a outra mão, a que segurava o cigarro _ Não vai ter uma centena de cabos, explosões ou qualquer outra coisa que perturbe a fauna local ou descaracterize o que vocês já tem aqui. Precisamos apenas de um galpão, uma varanda ao ar livre, que poder ser aquela ali – aponta uma varanda perto – e uma casa com uma cama de casal. Bem larga.

Um barulho de carro atrai a atenção de Cliff. Ele se vira a tempo de ver a garota do dia anterior, Lucy Smith, descer do táxi como uma deusa da beleza e simplicidade e vir em sua direção com um andar mais sedutor que Krystal Steel em ”Hardballs vol. 4”.

- ..Er... oi, Cliff...

Ele solta a velha – caso ela mesma já não tenha se soltado antes – e abre os braços para dar um espalhafatoso abraço na garota.

_ Lucy! Caramba, você veio mesmo, garota... – abraça e esfrega suas costas com uma intimidade além da conta _ Você chegou cedo, né? Mas isso é bom, dá tempo para a senhora aqui (Belle) pensar na oferta que fiz para alugar uns espaços do Cajun Country.

Ficou verdadeiramente feliz por ter reencontrado Lucy, a garota que servia bebidas no Razzoo e com quem conversou de forma naturalíssima por horas na noite anterior; um roteiro bem diferente do que Cliff está acostumado. Ele não tira mais os olhos da garota, nem de suas roupas e curvas.

_ Tá bonitona, hein? Você se arrumou assim pra mim, é? Se eu soubesse teria colocado minha melhor roupa. – dá mais uma tragada no cigarro e joga a fumaça para o lado _ A gente pode dar uma voltinha agora pelo lugar e...

O velho e conhecido som da campainha da Nokia corta a conversa. Cliff mete a mão dentro do casaco e tira o aparelho desatualizado para os padrões atuais. Ele olha o número na tela e não reconhece.

_ Com licença, gente. Vou deixar as duas conversarem um pouquinho enquanto eu atendo esse telefonema. Vai ser coisa rápida.

Do outro lado da linha um homem se apresenta como Peter O’Connor.

- Alo! Cliff?... Boa tarde senhor Cliff. Meu nome Peter O’Connor. Fiquei sabendo que o senhor é produtor de filmes para adulto. Estou certo?... Gostaria de encontrá-lo hoje a tarde para lhe fazer uma oferta. Tenho interesse em financiar alguns filmes do gênero que você costuma produzir. Se tiver interesse me encontre no Arnaud's Restaurant. Até mais.

_ Espera aí, cara. Como você conseguiu meu número? Qualquer financiamento de filme tem que passar pelo estúdio. Dá uma ligada para o número que tá lá no site e agende uma reunião com a minha secretária. Não tem como eu te encontrar agora não, não dá mesmo. Ok? Liga pra ela e agende a reunião. Nós nos falamos outra hora, senhor O’Connor. E obrigado pela proposta.

Desliga o telefone resmungando algo sobre trocar de número. Ele retorna até a companhia de Lucy e da velha senhora com seu sorriso amigável no rosto.

_ E então, garotas?

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7 Re: Cajun Country Village em Qui Jun 28, 2012 10:07 pm

- E vê se come direito naquela cidade, menino, ‘cê parece só engordar quando tá aqui ca sua mama. - Dizia sua ilustríssima mãe, Olla Mae.

- Mama, fica tranquila. Semana que vem eu venho lhe trazer mais dinheiro. Vou tentar vender umas peças numa exposição de um grã-fino, acho que poderei levar a senhora para jantar num lugar bonito. - Respondia enquanto juntava suas coisas na mochila.

- Que lugar bonito! Num m’importo qu’essas chiquezas não, meu filho. Vendo você bem gordo e c’uma mulher decente pra me dar muito neto é o que me importa. - disse a velha enquanto saía da cozinha e se aproximava.

- A última mulher decente desse muito é a senhora. - Abaixou-se para que ela pudesse dar-lhe um beijo na testa. - Até semana que vem, mama.

- Até, e num’squece de ligar pr’essa sua velha mama. Num tenho aquele telefone maldito pra otra coisa!

Ele riu e saiu da casa deixando a porta aberta como a velha gostava, assim o vento encanava por toda a casinha e ela “ficava fresca”. Foi até o carro e largou a mochila no banco do passageiro, mas ao entrar percebeu um sujeito estranho seguindo para a casa de Vó Belle. Estranhou a pinta do sujeito. O Cajun, por mais que fosse tradicional, nos últimos tempos vinha se tornando lar de pessoas distintas do povo de sempre. Entretanto, não era incomum ver pessoas diferentes procurando pelos conselhos de Vó Belle. Ele mesmo aparecia de vez em quando para conversar. Por mais que não acreditasse em crendices e sabia que Vó Belle era pura crendice, ela tinha um jeito de compreender as coisas. Sua mama era cristã ao extremo, e discordava de Vó Belle em tudo que se relacionava com crença, mas mesmo dizendo que Vó Belle tinha coisa até com o coisa ruim, jamais perdia o respeito por ela. Por isso todo mundo do povoado buscava cuidar um pouco de Vó Belle, sabedoria como a dela não existia em lugar algum. Assim, ele ficou olhando quieto o sujeito.

Apertou os olhos tentando lembrar se o conhecia, pois sua cara não lhe parecia estranha. Apertou os miolos e não demorou muito até que associasse nome à figura, ou melhor, função, pois o nome não viera de imediato à mente. Aquele era um produtor de pornôs... Mas aquilo não respondeu o que ele fazia a falar com Vó Belle. Não que ela não pudesse por o sujeito para correr se quisesse mas a curiosidade o fazia perguntar-se qual o motivo de um cara da indústria pornô estar ali no Cajun... Talvez devesse deixar de ser preconceituoso e lembrar que antes de ser um cara da indústria pornô, era apenas um cara. E não cabia a ele ficar se metendo nos assuntos dos outros. Sua mama puxava sua orelha sempre que era pego bisbilhotando assuntos que não lhe diziam respeito. Porém, era uma fraqueza sua, descobrir histórias e narrativas diversas era o que compunha a maior parte de sua arte. Compor personagens era algo que ele achava fascinante, desde criança, e que lugar melhor para encontrar personagens se não a sua volta? Uma pessoa qualquer podia sempre se revelar uma personagem muito mais interessante do que na ficção, por mais ordinária que fosse. Portanto residia aí seu interesse em observar o sujeito a falar com Vó Belle....

- Oh, menino, ainda num saiu não? - Chamou a mãe da porta da casinha com um pano de prato a secar as mãos.

- Me distraí com algo, mama! Tô indo. - Respondeu.

- Vai cum Deus e que Deus te abençoe! - Disse ela enquanto ele adentrava seu carro. - Toma cuidado na estrada.

Acenou para ela e sem tirar os olhos do sujeito, deu a ignição. Olhou o relógio do som e viu que já estava em cima da hora para o encontro com o patrocinador da exposição onde pretendia tirar um dinheiro com a venda de alguns quadros. Depois de terem falado no telefone, ficou até mesmo na esperança de conseguir espaço para montar alguma instalação. Hora de trabalhar. Deixou seus devaneios de lado, manobrou o carro e partiu.

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8 Re: Cajun Country Village em Qui Jul 05, 2012 8:31 pm

Ouvir a resposta do sujeito descarado só fez com que uma carranca surgisse em meu rosto enrugado. Um grandíssimo desmiolado, sem qualquer noção de certo e errado, tentando colocar suas sujeiras dentro da vila como se fosse pura normalidade.

E como se eu, além de velha, fosse burra o suficiente para não entender que tipo de filme demanda uma casa e uma cama de casal. Ainda mais vinda de um sujeito com aquele ar.


- Pois ponha-te daqui pra fora, antes que eu mesma faça você sair, seu sem vergonha de caráter baixo. – Rosnei em sua direção, percebendo a aproximação de uma bela mocinha, que no mínimo o imbecil havia arrebanhado para suas armações.

A interrupção dela foi totalmente ignorada, pois eu queria mais é que ela soubesse com quem estava lidando; por sua expressão de timidez e pela reação dele, eu percebi que a jovem não fazia ideia do tipo de homem com que se metera.

- Não pense que vai colocar seus filmes nojentos nessa vila. Isso é um lugar de família, algo fora do seu nível. – Continuei, olhando-o de cima abaixo com o desgosto estampado em minha velha face. – E você, mocinha. Eu recomendo que fique longe desse cafetão, porque ele vai sumir da minha frente agora, mas com você eu gostaria de conversar.

Era verdade. Algo naquela jovem me atraíra a atenção e talvez houvesse uma resposta no oráculo para o motivo de sua chegada. Não existiam coincidências: o universo conspirava a favor de um objetivo certo e apenas os mais sábios tinham conhecimento para interpretar os sinais.

A visita da mocinha poderia ter sido mera infelicidade e viagem perdida de sua parte, pois aquele homem não duraria mais um minuto dentro da vila se ainda quisesse se manter são.

Mas não para mim. Os olhos dela tinham uma história e a vida dela parecia conter um propósito maior do que apenas se envolver com homens daquela índole.

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9 Re: Cajun Country Village em Sex Jul 20, 2012 6:31 pm

Se antes estava tímida, agora Lucy ultrapassou qualquer definição. Primeiro, veio aquele abraço de Cliff, enchendo-a de elogios. Sentiu as mãos do homem fazer um carinho leve em suas costas durante o breve contato em que tiveram e notou o quanto sentia falta de contato físico. Se afasta rapidamente do abraço quando percebe a vontade que sente de se aninhar naqueles braços. 

O pior era que ele havia notado o quanto estava arrumada. Havia realmente exagerado. Se estava procurando só um amigo naquela cidade, não precisava de vestir daquele jeito. Não sabia mais o que pensar. 

Então a velha que falava com Cliff interrompe toda aquela auto-analise fechando completamente a cara. A moça se assusta com as palavras da mulher, tão agressivas, mas não tem a menor idéia do que Cliff pediu a ela. Arregala os olhos, com as bochechas vermelhas, escutando. 

- Não pense que vai colocar seus filmes nojentos nessa vila. Isso é um lugar de família, algo fora do seu nível. 


Filmes nojentos....?? Lucy se arrepia com as palavras que saem da boca daquela mulher. Não apenas pelo conteúdo delas, mas com a maneira como ela fala, o tom de voz, o ar de sabedoria. Tudo o que ela dizia soava como verdade. 

– E você, mocinha. Eu recomendo que fique longe desse cafetão, porque ele vai sumir da minha frente agora, mas com você eu gostaria de conversar

Fica ainda mais impressionada. Cafetão???? Olha para Cliff e para a velha, e não consegue deixar de se sentir atraída com o convite da mulher. Queria ouvir mais do que ela tinha a dizer, e chega a abrir a boca para responder algo, mas acaba escolhendo o silencio. 

Sempre se aproximava dos caras errados. A possibilidade de Cliff ser de fato um cafetão não era nada absurda para Lucy. Seu destino parecia ser unido aqueles tipos de uma maneira extraordinária. E aí percebe o quanto queria saber mais sobre seu destino. 

- ... Conversar....Comigo?? Er... Eu... Hã... Cliff.. Pode me esperar?

Pede para Cliff, dando alguns passos para a entrada da casa da mulher. Conversar com aquela estranha lhe daria, no mínimo, um pouco mais de tempo para pensar sobre o que queria com Cliff, ainda mas depois do que foi dito pela velha. 

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10 Re: Cajun Country Village em Qui Jul 26, 2012 12:30 pm

Eu pensei em consultar o oráculo para aquela menina. Pensei em perguntar aos deuses e ao tempo sobre seu destino, ver o que o futuro lhe reservava. Aqueles olhos meigos e jovens, tão virgens ao mundo, acabaram por me convencer.

Guiei-a até a minha casa, lançando um olhar significativo ao cafetão que indicava o fim de nossa ‘conversa’ e que ele não deveria ousar tentar nos seguir. Ele não era bem vindo naquele lugar; não se eu tivesse algo a dizer sobre isso. E eu realmente tinha.

Minha moradia era simples: uma pequena sala, ligada à cozinha, um quarto e um banheiro. Era um lugar rústico, feito de madeira velha, porém, durável, e o cheiro de sândalo do incenso que eu deixara aceso anteriormente dava ao local um ar um pouco mais aconchegante.

Mandei que a mocinha se sentasse na pequena mesa da sala, que já estava arrumada com a peneira dos búzios. Olhei-a nos olhos intensamente, antes de sintonizar a minha energia com a dela, pegando as pedras nas mãos e as sacudindo. As rezas e preces foram murmuradas de forma inaudível, e logo em seguida arremessei-as na peneira.

Interessante.


- Seus caminhos estão abertos, garota. Não tem nada impedindo você de caminhar para frente. – Atestei, olhando-a novamente depois de observar a caída dos búzios com atenção.– Seu destino tem algo de brilhante, mas ao mesmo tempo, ofuscado. Ofuscado por você mesmo, pelo seu medo. Levante essa cabeça, menina. Corra atrás do que você acredita e quer, mas cuidado com os obstáculos.

Peguei novamente as pedras e as joguei, procurando respostas para o que não havia ficado claro anteriormente.

- O seu maior desafio é lidar com o seu medo, sua insegurança. Você tem medo de ousar, mas às vezes, a impulsividade a faz mais ousada e isso atormenta sua cabeça pelo ciclo de insegurança e falta de valor próprio que você se coloca. – Falei, com a voz grave.– Tem algo de muito bom em você, eu posso ver sem precisar de búzio nenhum. Você é inocente, menina. Seus olhos são límpidos, sua cabeça é boa. Então, muito cuidado onde você se enfia e com quem você se mete. Pessoas como você têm o dom de se colocar em situações pouco favoráveis por não se dar o devido valor, se metendo com gente que quer abusar dessa sua bondade, dessa luz que você tem. Cuidado. Sua luz, ao mesmo tempo que pode te fazer brilhar, pode te fazer cair. Pode te ofuscar.

Debrucei-me sobre a mesa, recolhendo os búzios e os deixando amontoados num canto da peneira.

- Vá. Vá viver a sua vida, vá brilhar. Mas não deixe que apaguem a sua luz e nem permita que você mesma a apague. Não dê valor demais a quem não te da, e aprenda a conhecer e reconhecer seu próprio valor, quem você realmente é. Agora vá. – Declarei.

Eu sinceramente esperava que aquela garota não acabasse por cumprir o destino que eu havia visto no jogo, um destino que eu me recusava a falar em voz alta. A vida, às vezes, é feita para ser desvendada aos poucos, e não dada de mão beijada. O destino era feito de escolhas, e nada era escrito em pedra. Cada escolha poderia mudar um caminho, e a única pessoa capaz de mudar o caminho daquela mocinha era ela mesma.

Eu já havia feito a minha parte.

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11 Re: Cajun Country Village em Qui Jul 26, 2012 8:27 pm

Eu poderia dizer que aquele princípio da noite estava esplêndido! Noite estrelada e sentia ser muito, mas muito inspiradora. É fato. Com certeza afirmo que mesmo que não estivesse desse modo particular, estaria com essa mesma sensação. Era o sentimento já conhecido por mim em outras oportunidades.

Ora, é simplesmente a sensação da mudança, do novo, do que promete ser bom e gostoso. Normalmente me sentia assim quando mudava os ares. Quando saía de um lugar para o outro. É interessante como acontece essas coisas conosco. Estamos há um tempo em algum lugar no mapa, de repente, sentimos como se uma brisa se tornasse violentamente forte, os cabelos fossem ao vento e nos chamasse, nos direcionasse, obrigando a todos nós sairmos da inércia cotidiana e nos conduzisse em uma vontade irresistível de mudar, ir para outro canto do mundo.

Não por nada, ou melhor, não por nada racionalmente explicável. O mais interessante que não acontecia somente comigo, era o todo. Todos nós simplesmente sabíamos, como se decidíssemos mentalmente, concomitantemente.

Ao caminhar, olhei para trás algumas vezes, esperando ver minha irmã correndo atrás de mim, mas logo concluí que ela resolveu ficar. Andei por um tempo, não muito, pois logo achei algumas ervas, não eram muitas, nem todas que eu precisava, mas a expectativa de ir próximo ao outro povo, tão receptivo, tão figurativamente diferente foi divertidamente crescendo em mim.

Nossa! Era expectativa demais para me conter com a promessa que fiz a mí papá. Facilmente me convenci com a idéia de que no outro dia seria um dia ensolarado, onde estaria melhor para procurar ervas para infusão e a noite já iria ao local exato. Mas sabe como é? Ana de La Cruz não deixaria passar a oportunidade de explorar um local novo, ainda mais a noite.

Ainda mais um ambiente como aquele, um tanto diferente dos outros. Era como se houvesse algo, um fluido, ao invés de ar! Fui me aproximando, do lado de fora, havia um homem, gajo. Em sua postura, parecia aqueles senhores de si, dono da razão, acham que enganam, mas são eles os enganados. Aliás, nem parecia ser dali. Mas, não me importei tanto com isso, queria fazer contato e pareceu interessante a idéia de me aproximar.

Talvez aquele início de noite, naquele peculiar lugar, já me propiciasse coisas interessantíssimas. No entanto, pesou a consciência de repente e, rabugentamente, lembrei que já de cara desobedeci meu pai vindo aqui logo agora. Aliás, prometi, nada de nada, nada de golpes nem enganações com esse povo.

Mas ele parecia tão, tão, que pelo menos sairia um "oi"! Afinal, não ficaria nesse dilema exaustivo à toa. Tudo bem, tudo bem, já me convenci. Quem sabe só uma conversa desinteressada com ele, para me ambientar nesse novo lugar?

Me aproximei, como sempre, rebolativa e com as mãos bem ocupadas, entre ervas, facão e lampião.

- Buenas noches, señor!
- Andei um pouco, poderias me arranjar um copo com água?
Abaixei o lampião e passei a mão na testa para retirar um suor inexistente.

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12 Re: Cajun Country Village em Seg Jul 30, 2012 6:39 pm

Ganhou uma resposta pra lá de azeda da índia velha assim que retornou para junto delas. Nada que intimide quem é da indústria há um bom tempo e já ouviu todo tipo de críticas sobre seu trabalho, sobre moral, religião, perversão e por aí vai. O problema não é esse; o problema é que a velha desbocada gritou as ofensas na frente da meiga Lucy. Justamente quando ele gosta de alguém e procura fazer tudo certo, surge uma bruxa para estragar tudo. É sempre assim. Mais do que criticar os canalhas, as pessoas agem de forma a mantê-los canalhas para sempre.

– E você, mocinha. Eu recomendo que fique longe desse cafetão, porque ele vai sumir da minha frente agora, mas com você eu gostaria de conversar.

Lucy parecia assustada com aquele escândalo repentino, mas seu jeito simpático a leva a aceitar a oferta da velha. Cliff abre os braços de leve.

_ Lucy... Ela nem me conhece, não sabe quem eu sou pra falar assim. Não acredita nisso não.

- Cliff.. Pode me esperar?

Pronto, estava tudo ferrado. A índia velha iria levar Lucy pra dentro de seu quartinho, rolar uns dados e dizer que ele não prestava, que tinha visto um homem melhor em seu futuro, que ela estava para ser enganada. Iria pintar a caveira do pornmaker só porque não goza mais e não quer que ninguém mais goze também. Mas essa era somente uma parte do problema, pois ele ainda deve encontrar uma locação no Cajun Country. Seguiria o plano B: conhecer alguém do lugar que alugue a própria casa.

Cliff joga o cigarro de lado e passa a andar de um lado para o outro com as mãos na cintura e a cabeça abaixada. Vez ou outra passava a mão no queixo, na costeleta e nos cabelos, no intuito de refrescar o pensamento e conseguir arrumar uma solução para a locação necessária. Foi desse jeito que acabou sendo interrompido por uma bela morena de longos cabelos pretos. Ela tem um corpo esguio e aparenta disposição física, visto o facão e as ervas nas mãos. Ele logo pensa que poderia ser uma moradora natural do Cajun Country. Pensa também que ela poderia muito bem se encaixar no tipo “caipira inocente” e conseguir uma casa para as filmagens em troca de um pagamento menor do que aquele que a velha receberia. Ótima chance de negócio.

- Buenas noches, señor! Andei um pouco, poderias me arranjar um copo com água?

_ Boinas nochas. diz em seu inábil espanhol; sabia apenas que se tratava de uma saudação, assim como “hasta la vista, baby” _ Olha, eu não sou daqui não, mas pensei que você pudesse ser.

Olhava para as ervas, o facão e o lampião nas mãos da mulher. Estava claro que ela era moradora da região – ou isso, ou era uma lunática que pegava o carro e dirigia por milhas só para arranncar um punhado de mato do pântano. O porquê ela pedira água é que incomoda Cliff. Flerte ou golpe? Por sorte não há ninguém mais experiente em mulheres nessa cidade – e em Baton Rouge – que o senhor Stevens.

_ Deixa pra lá. – dá um tapa no ar, gesticulando que havia falado algo que deveria ser desconsiderado _ Eu te arrumo um copo d’água. Vem comigo.

Um sorridente Cliff passa rente à mulher e toma a dianteira, considerando que seria seguido por ela. Olha para a frente e vê uma casa a uns 60 metros, e para lá começa a caminhar.

_ Eu me chamo Cliff, prazer. – estendeu a mão de lado para que ela pudesse cumprimentá-lo _ Tô tentando alugar qualquer cantinho aqui nessa vila pra rodarmos um filme, mas parece que os mais velhos ainda são bem resistentes na hora de se meterem com o mundo do pornô.

É isso. Falara sem cerimônia alguma. A mulher parecia madura o suficiente para não se corar ou levar a objetividade a mal. Cliff continua a caminhar e a distribuir suas verdades.

_ Tô disposto a colocar uma boa grana, mais do que pagariam normalmente por um aluguel aqui no Cajun Country. Preciso apenas de alguém esperto e que entenda o povo daqui, que os convença a aceitar a proposta. Mesmo que não gostem do que eu faço... Poxa, só iria durar um dia, sabe? Mas ainda acho que vou sair daqui com meu negócio fechado e com menos dinheiro no bolso.

Eles chegam na casa. Uma garota estava sentada sozinha na varanda, brincando com algumas bonecas pequenas de pano. Cliff é simpático com ela e consegue convencê-la a ir buscar um copo ‘dágua para a “dama ao seu lado”. Enquanto aguardam a criança, ele se debruça sobre a cerca de madeira da casa e mantém seu sorriso super simpático mirando a mulher.

_ E você? O que faz por aqui?

Fumaria novamente. Cutuca o bolso do casaco até encontrar isqueiro e cigarro. Acende e começa a fumar, tomando cuidado para jogar a fumaça para longe da mulher.

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13 Re: Cajun Country Village em Seg Jul 30, 2012 11:50 pm

Mas que coisa! Não é toda hora que a gente tenta causar algum tipo de impacto e é bem sucedida tão facilmente. Que o rapaz não era dali, para mim pareceu óbvio, mas causou-me espanto o fato de ele se prontificar a arrumar a água e ainda sair sorridente daquela forma, bem diferente do ar e julgamento primeiro.

Não sei por que ainda me causa estranheza, afinal, é maktub! Achei que ele era, no mínimo uma figura curiosa, característica, e engraçado, natural. Peguei as coisas e o segui, como ele intencionou.

- Señor, pode me chamar de Kassandra! Simples assim! Não me leve a mal não cumprimenta-lo apropriadamente, mas... faço menção com a cabeça no sentido de que estou com as mãos bem ocupadas.

- Desculpe-me, pornô!? O señor disse pornô? Sorri, aparentemente, despretensiosamente, enquanto ele continuava a falar.

Ora, é certo que aquilo ali que ele faz ou tenciona fazer, não condiz nada com as tradições em que fui criada, apesar de não obedecê-las tanto, aquilo tudo ia muito aquém. Afinal, de tudo, mantinha a madre intocável, apesar dos pesares. De resto, fugia de certas obrigações e discordava de diversas coisas, causando alguns transtornos para mi papá com relação a honra cigana. Sexo só para procriação, casamento obrigatório com quem a família decidisse eram algumas das coisas que criavam tensão e tinha que me abster de me manifestar constantemente.

- Bem meu amigo, tenho duas notícias para te dar, uma boa e uma ruim.

Ele disse a palavra certa, para a pessoa certa. Sabe como é, é como dizem, a oportunidade faz o homem, nesse caso, a mulher. Grana, esperteza e possibilidades, chave da porta que prometia se abrir.

- Eu não moro aqui, mas estou sempre nessa região, já faz um ano e meio que ando por todas essas bandas, estou por aqui com uma habitualidade, diria, r e l i g i o s a ... pode acreditar. E... pausa dramática. Lamento dizer, mas acho totalmente i m p o s s í v e l alguém daqui permitir que o señorr utilize uma dessas cabanas para a finalidade que buscas.
- Masssssss...
continuo, dando um suspense e uma pausa um tanto teatral, quando chegamos a próxima cabana e enquanto a menina buscava a água.
- Posso ajudar o senhor a sair com a situação resolvida como previu
(satisfeito e com menos dinheiro no bolso, se tudo desse certo, pensei).
- Obrigada criança, desci completamente todas as coisas no chão a medida que agradecia a água, tomando quase em um gole só e a outra mão na cintura. Devolvi o copo e me certificava que estávamos a sós, aproximei-me do rapaz pelo lado que não havia cigarro na mão, ouvindo, ao longe o correr da criança para dentro.

- Visualize, abracei-o no ombro com uma das mãos, enquanto a outra passeava no ar vagarosamente, como que com esse gesto, magicamente a imagem aparecesse a sua frente.

- Posso indicar um lugar, bem natural, ao ar livre como aqui, mas ao invés do estilo de vida cajun, posso ajudar com a panorâmica cigana, algo mais caliente! Se é que me entendes. Tenda e ajuda com dicas para parecer tudo muito realista, posso providenciar algumas coisas e a cama e outros materiais seria por sua conta, claro. Além do que, ninguem saberia de nada.

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14 Re: Cajun Country Village em Seg Ago 06, 2012 9:27 am

Manter a atenção em duas mulheres ao mesmo tempo é algo complicado. É um olho no gato e outro no peixe. A beleza mais selvagem da morena saltava aos olhos, e por mais que estivessem à primeira vista em um papo descompromissado, é certo que Lucy não iria aceitar desculpa alguma depois do que a índia velha difamou Cliff aos quatro cantos: se percebesse os dois de papo era GameOver. Por isso que ele gelou por dentro quando a morena se aproximou mais do que deveria. Prontamente já imaginou os dois na cama produzindo um belo material para uma de suas produções. Ele sabe que mulheres que falavam aquela língua estrangeira são mais calientes que as americanas.

Conversa vai, conversa vem e uma proposta é feita pela mulher. Algo natural, ao ar livre, estilo cigano. Opa, ela é cigana então. Uma ladrazinha sem vergonha que poderia acabar roubando a castidade de Cliff sem que ele a repreendesse por isso. “Foco, Cliff, foco”. Lucy estaria para reaparecer ao horizonte com seu rosto de anjo e sua bondade seduzente. A época de perder uma boa mulher porque acabou pensando com a cabeça errada já passou para Cliff. Ele joga o cigarro fora e logo pega outro. Afasta-se alguns passos da mulher cigana para que quando acendesse um novo cigarro a fumaça não fosse em direção à ela – mas na verdade era só para manter certa distância. Pronto, agora ele passaria a manter a distância para ela tal qual dois lutadores no ringue. Melhor prevenir do que remediar.

_ Hum... – diz com o cigarro atrapalhando sua dicção _É uma boa idéia mesmo. Pena que não faz parte do que já foi planejado. Sabe, infelizmente não é só dizer “vamos fazer diferente” e mudar o rumo das coisas. Foram feitas reuniões com o pessoal da grana, foram feitas promessas sobre uma produção CAJUN a ser vendida primeiramente aqui em Nova Orleans. – joga fumaça para longe, demonstrando que não poderia estar mais perto dela ou a encheria de câncer gasoso _Não tem como mudarmos agora.

Por alguns segundos Cliff dá a impressão de que iria continuar a falar, mas somente silêncio é feito. A situação perdure por mais algum tempo, até que ele torna a se pronunciar.

_Será que você não conhece ninguém em alguma outra vila além dessa? De repente lá eles podem ser mais amistosos, quem sabe.

A sugestão é acompanhada de uma bela ajeitada na parte da frente de sua calça apertada. Fizera com naturalidade, sem se importar por estar na frente de uma dama. Queria parecer desinteressante para aquela mulher, e nada melhor que agir que nem um ogro propositadamente.

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15 Re: Cajun Country Village em Ter Ago 07, 2012 2:15 pm

Observo o homem se afastar e espero para ouvir o que teria a me dizer. Um pouco incrédula, já que foi inicialmente tão natural e agora agia de forma preocupante, talvez, o meu coelho estivesse fugindo da minha cartola.

- Ora, ora, ora senhor Cliff! Observe! Não estou falando de qualquer coisa cigana, seria A produção. Não me recordo de nada assim anteriormente produzido, e o señoorr?

Aproximo-me mais rebolativa e com uma das mãos na cintura como uma gata manhosa, enquanto observo a sua ajeitada brusca. Estaria causando eu algum tipo de impacto? Deixo que ele me note olhar para seu membro e levanto os olhos vagarosamente para fitá-lo nos olhos. Ainda sentia uma grande relutância de sua parte, então, aproveitei alguns sinais que talvez fossem de nervosismo e continuei em meu plano inicial, como faria um pequeno demônio em torno de sua vítima.

Literalmente, em torno dele, fui examinando-o, enquanto falava até chegar por trás dele.

- Sabe, Cliiiff... me demoro adocicadamente em seu nome. Posso não ser tão experiente como o señorrr, mas até eu sei que não se promete nada que não se possa ser realizado. Tenho absoluta certeza que não consiguirá essa tal produção cajun, conheço toda a região!

Mentira deslavada, mas que talvez colasse, já que aos seus olhos poderia ser uma nativa.

Saio de trás dele, agora e contorno seu corpo, indo para sua frente. Não fiquei parada, logo fui em sua direção, de modo que recuasse.

- Mas, o que estou lhe propondo é algo único, espetacular, eu diria, gesticulo com as mão apontando para o céu.

Me coloco novamente ao seu lado, assim que não teve mais espaço, agora abraçando-o fortemente pela cintura, como se fôssemos velhos amigos, vou puxando-o a fim de caminhasse ao meu lado.

- Já ouviu um ditado popular que diz “melhor um pássaro nas mãos que dois voando”? Esse é o seu caso, é uma oportunidade única, señor. Aliás, é um hombre muito convincente, e a inteligência certamente é uma de suas muiiiitas qualidades, tenho certeza que facilmente resolveria esses pormenores e sabe que essa oportunidade é exclusiva.

Continuo metralhando aquele homem com minhas palavras, para que não tivesse tanto tempo para pensar e se deixasse convencer com minha teatralidade e meus argumentos.

-Creio, ainda, que será muito mais interessante a proposta que estou lhe fazendo. Observe!

Solto sua cintura e me afasto novamente dando um passo a frente e girando nos calcanhares a fim de que possa ficar a sua frente.

- O povo cigano...

Bailo com as mãos e dou uma jogada de cintura, é um povo que, assim como os cajuns, são tradicionais e não abrem sua cultura a gajos.

Coloco meu pé direito vagarosamente a minha frente e em seguida o outro, sedutoramente. Logo, viro de costas para ele, a fim de que possa sentir um pouco de vulnerabilidade em mim e continuo a falar.

- Os cajuns, ao contrário de nós, quase não são conhecidos, o que não despertaria tanto o interesse de um público quanto a produção que estou lhe propondo,
me viro, de proporções mundiais!Eu diria. Aliás, não encontrará depois outro cigano a ajudar em sua produção, somos todos muito castos, rígidos. Claro que eu posso ser uma exceção a todas as minhas próprias regras se souber como me ter, por isso, aconselho a ponderar melhor e me deixar ajudá-lo. Faria de coração. Coloco as duas mãos junto ao meu peito, onde esconderia muitas intenções ocultas.

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16 Re: Cajun Country Village em Seg Ago 13, 2012 8:43 am

Então a ciganinha ali gostava de meter...

Por mais que ela insistisse com Cliff, uma produção desse tipo não é o que o produtor quer no momento. Ciganos podem despertar fantasias eróticas em alguns caras, o que faz a idéia dela não ser algo tão absurdo. O problema é que ele não pode bancar o amador e mudar todo o planejamento em cima da hora; isso ferraria o pessoal da maquiagem, do figurino, os investidores, distribuidores e mais um monte de gente. Apesar de seu jeito excêntrico de ser, é um profissional do mundo pornô, devendo agir como tal.

Havia mais uma coisa que lhe causava certo desconforto. Aquela mulher girava demais, falava demais e se insinuava demais. Cliff já saiu com mais de trezentas mulheres, o suficiente para conhecer seus truques e sentir-se vacinado contra eles. Estava diante de uma que não se renderia, que não se daria por vencida. Ele decide curtir. Aproveitaria ao máximo a aproximação da mulher, sentiria seu perfume natural ou não. Quando ela o abraça pela cintura, Cliff também passa o braço pela cintura dela, passando o nariz o nariz pelo seu pescoço – sem encostá-lo – enquanto ela viajava ao olhar e falar para o céu. Cada mulher tem seu próprio cheiro de fêmea, e o dessa aqui exalava sensualidade. Ele passa a exibir um sorriso fraco para que não passasse a impressão de estar a ignorá-la.

A ciganinha o larga e passa a andar rebolativa à frente. Os movimentos do quadril são acompanhados com olhos de águia por Cliff em todos as suas subidas e descidas. Então o discurso acaba e a mulher se vira para colher os frutos de seu “convencimento fatal”.

_Você tem um perfume excitante, sabia? – diz com um sorriso nos lábios e um brilho no olhar _Suas idéias são realmente excelentes. Um “filme cigano” nunca esteve nos planos, mas ouvindo você falar dessa forma... – gesticula negativamente com a cabeça, de maneira bem lenta _... fica difícil resistir.

Agora Cliff sorria diretamente para os olhos da mulher. Sentiu toda a feminilidade que ela exalava, e por mais que ela esteja abertamente tentando convencê-lo, ainda sim sua presença é excitante. Aquela cinturinha fina e rebolativa poderia finalmente ter o tratamento que merecia; bastaria a dona aceitar o convite subliminar que lhe fora feito com os elogios e olhares. Na verdade, manter as coisas na subliminariedade poderia não ser o suficiente, motivo pelo qual ele acaba abraçando “Kassandra” pela cintura, assim como ela fizera antes.

_O orçamento desta produção já está fechado, mas tenho certeza que podemos colocar seu plano em prática. Na verdade, eu também tenho um plano. Um investidor acabou de me ligar, interessado em colocar dinheiro no próximo filme. Ele pode não ter ficado muito satisfeito em saber que estaria fora dessa jogada, da produção cajun – já que o orçamento está fechado -, então eu precisaria de alguém com uma boa capacidade de convencimento quando fosse encontrá-lo pessoalmente. Ele pode ser o cara a bancar nosso pequeno projeto, Kassandra. Pense nisso.

Por ser mais alto que a mulher, Cliff abaixa a cabeça para falar com ela, deixando sua boca bem próxima da orelha da mulher. Ele é um homem bem asseado, cheiroso e que sabe tocar uma mulher com a delicadeza e pegada exigidas.

_Eu vou estar numa festa esta noite. Será um baile de máscaras de ricaços, regado à bebida e belas mulheres. Você é minha convidada. – Cliff abre o casaco e procura dentro de todos os seus bolsos internos até achar um convite para o baile do tamanho de um cartão profissional _Toma. Aceita aí.

O convite fora feito. Seria uma bela oportunidade para ambos, e Cliff ficaria feliz em obter “ajuda especializada” em sua empreitada de colher patrocínios. Mas ele tem que se controlar no Cajun Country, afinal, sua bela Lucy ainda dará as caras depois do encontro com a índia velha...

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17 Re: Cajun Country Village em Sex Ago 24, 2012 7:17 pm

Lucy entra na casa da velha sem entender muito bem o que estava fazendo ali, sem acreditar que havia deixado de lado seu encontro para ouvir uma velha desconhecida. Mesmo assim, se sente bem e segura naquele momento. Algo lhe dizia que aquela mulher era muito sábia e escutá-la poderia ajudar. Estava tão sem rumo nos últimos meses...

Aquele cheiro da casa da velha, a simplicidade e a presença da mulher fizeram com que Lucy tivesse vontade de voltar ali sempre para escutar o que ela tivesse a dizer. Não tinha certeza se acreditava nesse tipo de coisa, mas estava bastante encantada por ela naquele momento. Senta-se na mesa, acompanhando os búzios sendo jogados, tensa durante todo o tempo em que a mulher faz a leitura. Ela diz para Lucy uma mensagem aberta, que ela fica repetindo para si mesma em sua própria mente. Caminhos abertos? Brilho ofuscado pelo medo? Ah, sim. Com certeza tinha muito medo. Tinha medo todos os dias, todas as horas. Abre a boca para explicar que não era um medo sem sentindo, mas a velha continua a falar.

- O seu maior desafio é lidar com o seu medo, sua insegurança. Você tem medo de ousar, mas às vezes, a impulsividade a faz mais ousada e isso atormenta sua cabeça pelo ciclo de insegurança e falta de valor próprio que você se coloca.

Hum. Insegurança. Hesita, pensando realmente naquilo. Talvez tivesse alguma razão naquilo. Mas acreditava que tinha bons motivos.

- Tem algo de muito bom em você, eu posso ver sem precisar de búzio nenhum. Você é inocente, menina. Seus olhos são límpidos, sua cabeça é boa. Então, muito cuidado onde você se enfia e com quem você se mete. Pessoas como você têm o dom de se colocar em situações pouco favoráveis por não se dar o devido valor, se metendo com gente que quer abusar dessa sua bondade, dessa luz que você tem. Cuidado. Sua luz, ao mesmo tempo que pode te fazer brilhar, pode te fazer cair. Pode te ofuscar.

Aquilo a faz corar. Não se considerava inocente, mas de fato, vivia se metendo com pessoas que não devia. Aliás, o medo que a atormentava todos os dias, que apertava sua garganta e a fazia querer chorar. E de repente, era isso que queria: chorar. As lágrimas afloram em seus olhos verdes e ela pisca diversas vezes, brigando para conte-las. Dá um sorriso suave, falando com a velha.

- ... você tem razão.. mas é que..

Sente tanta vontade de chorar que precisa parar de falar. Balança a cabeça, deixando a fala morrer no meio.

- Muito obrigada. A senhora também é boa, eu consigo sentir.

A senhora já queria que ela fosse embora. Escuta com atenção os conselhos que a velha dá, guardando aquelas palavras no fundo do coração. Não tinha muita certeza se a mulher tinha dito tudo o que tinha visto nos búzios. Ficou com a impressão de que algo não foi dito. Mas entende que era hora de ir, e Cliff ainda a esperava do lado de fora.

- Será que posso voltar para vê-la um outro dia?

Pergunta meio sem jeito, quando já está na porta. Escuta a resposta da mulher e se despede. Então seus olhos encontram Cliff e uma cigana, abraçados. Cliff sussurrava algo no ouvido da mulher. É. A velha tinha razão no final das contas. Respira fundo, com uma história que ela já conhecia totalmente passando diante de seus olhos. Já tinha passado por aquela situação. Já sabia como era, a havia vivido várias vezes. Sai de perto da casa da velha mas não vai até Cliff. Ele parecia já estar bem acompanhado.. e alguém que arranjava outra companhia em alguns minutos de espera não era o que Lucy precisava naquele momento. Vai para a rua, andando em direção a sua casa, como se não conhecesse o homem com a cigana.

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18 Re: Cajun Country Village em Sex Set 14, 2012 8:34 am

A mulher de belas curvas recebe o cartão-convite das mãos de Cliff. Ele troca mais uma ou outra palavra com ela e então se despede com um simples aceno de mão e um largo sorriso no rosto. Voltando-se para o lado em que Lucy havia ido, percebe ela caminhando em direção à saída. Pobre coitada, não sabia que estavam realmente afastados da civilização; táxis, ônibus ou ruas asfaltadas só seriam vistos a quilômetros dali. Até lá, muito mosquito e poeira da estrada de terra. Como ela não havia segurado o táxi, o carro de Cliff seria a único porta de saída dali. Sem perder mais tempo, ele acelera o passo em direção à ela.

_ Lucy! Lucy!!

Ela não respondia aos chamados, sequer desacelerava o passo. A caminhada rápida dele vira uma mini corrida atrás da morena de olhos seduzentes e meiguice extrema. Procura emparelhar com ela antes de diminuir o ritmo das passadas. Cliff passa a mão no pescoço e a cheira depois, para saber se havia ficado com o perfume da outra mulher. Bem, ficou sim. Isso não é nada bom para sua relação com Lucy, mas ele não resiste em sorrir ao lembrar de como era gostosa aquela morena cajun fake. Mas como não era hora para sorrisos, tira ele do rosto antes que Lucy pudesse ver e ficar mais chateada ainda.

_ Ei, você demorou pra cacete, hein? Aquela velha bruxa da aldeia não jogou nenhum vodu em você não, né?

Nem as brincadeiras, tampouco o tom descontraído de sua voz foram capazes de fazê-la pelo menos se virar para ele. É, estava puta de verdade. Ou a índia velha falou uma grande merda para ela ou então viu ele abraçado com a outra. Se pelo menos tivesse sido pego no flagra, com a coisa na coisa, entenderia a reação de Lucy. Mas sendo um sujeito carismático, boa pinta e acostumado com gestos afetivos dos mais diversos níveis, Cliff não consegue entender uma reação básica de ciúmes. Ainda poderia ter sido por causa de alguma coisa que a índia velha tenha dito, mas conhecendo as mulheres como ele conhece, provavelmente é ciúmes mesmo.

_ Ah, qual é, Lucy? Você acha que eu ia dar em cima de alguma mulher tendo você perto de mim? É, eu tava abraçado com ela e achei ela quente mesmo. Ô! – ajeita o cinto e estufa o peito _ Mas eu não tenho o mínimo respeito por ela. Nem um pingo em relação ao que eu tenho por você. Eu nunca faria algo que te magoasse, mas você tem que entender que é meu jeito de lidar com os outros. Com as outras, no caso.

Abre a jaqueta e tira a cartela de cigarros de um os bolsos internos. Pega um para ele e oferece um para ela. Acende o seu próprio com o isqueiro e passa a fumar enquanto andava ao lado dela.

_ Não fica chateada comigo não, vai. Eu te trouxe aqui pra gente se divertir um pouco e você tá indo embora sem fazermos nada. – Lucy continuava sem reação _ Deixa pelo menos eu te levar pra casa, vai. Aí você me xinga, pensa no que aconteceu aqui, em como é o meu jeito e me perdoa. Qual é?

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