Você não está conectado. Conecte-se ou registre-se

Razzoo Bar & Patio

Ir à página : 1, 2  Seguinte

Ir em baixo  Mensagem [Página 1 de 2]

1 Razzoo Bar & Patio em Sex Jun 17, 2011 5:45 am

Localizado no coração da Bourbon Street, Razzoo é o lugar número 1 em diversão!

Todos os noites tem a famosa "3 por 1" com qualquer bebida ou drink, garantindo a animação de seus fregueses até a hora de fechar. O Furacão Bacardi, bebida mais popular de Nova Orleans, se encaixa na promoção. Precisa dizer mais? Sim!


DIVERSÃO!


Venha ver a melhor banda no Bourbon Street - The Band Aids -, com membros da Mojeaux, Groovy 7, e Karma. Eles tocam toda semana, de domingo a quinta-feira, a partir de 20:00. Rock, blues, soul, funk, pop, hip hop.

Sextas e sábados são uma festa de dança sem parar! Top 40 hits, dança de alta energia, rap, hip hop e rock dos anos 70, 80, 90 e 2000. Mantemos a festa com uma luz de ponta e show de laser, a melhor na Bourbon Street, e DJs incrível. Beba, suba no palco e se envolva com o show. É sempre uma festa na Razzoo!


O PÁTIO


Precisa de uma pausa com a diversão frenética e música alta? Quer relaxar com os amigos e desfrutar de alguns cocktails? Confira nosso pátio incrível! Com lugares para se sentar confortavelmente, um grande bar e uma fonte de fogo, o pátio da Razzoo é um dos mais famosos do mundo, é sempre uma experiência memorável.

A nossa simpática equipe está sempre disposta a tirar uma foto sua em frente ao chafariz em chamas. Tentando assistir o grande jogo? Sem problemas. Cinco televisores LCD cercam o pátio para o seu prazer. Beisebol, futebol, futebol, hóquei, basquete ou poker: sempre tem esportes para quem quiser ver e acompanhar. Peça para ver qualquer jogo que você queira, e, se for televisionado, vamos mostrá-lo.


VIP LOUNGE


Área VIP destinada aos clientes de maior prestígio e dinheiro. Lista de nomes na entrada.


Visite o site clicando AQUI.

Ver perfil do usuário http://nola.forumeiros.com

2 Re: Razzoo Bar & Patio em Seg Mar 05, 2012 3:17 pm

_ Quero ver todo mundo transando, vamos lá.

As palmas que acompanharam a ordem serviram para dar uma pausa nas filmagens. Os maquiadores se apressam em dar o retoque final nas estrelas e as câmeras são novamente ligadas. O rapaz recém contratado como estagiário tropeça em um dos fios e quase derruba um poste de iluminação, arrancando um olhar de reprovação de Cliff.

Em poucos segundos o set era novamente silêncio. Além do produtor, estavam presentes o diretor, assistente, maquiadores, técnicos, câmeras, fotógrafos e dois rapazes que haviam ganhado uma promoção que dava direito a assistir as gravações. Os atores, profissionais como sempre, aguardam a ordem de “filmagem” dada pelo assistente e partem para a ação.

Em pé próximo à porta de saída, Cliff assistia à cena de braços cruzados sem realmente prestar atenção. Os gemidos e gritos passam despercebidos pelos seus ouvidos, tudo ofuscado pelas preocupações com o a distribuição do filme. Seria uma produção de alto nível para os padrões do pornô gonzo, um feito alcançado após inúmeras reuniões com investidores, staff e elenco. Uma distribuição ruim poderia pôr todo o trabalho a perder.

Ele dá uma boa olhada em volta. Tudo parecia estar em ordem no set. Aproxima-se do diretor e lhe dá um tapa vigoroso no ombro.

_ Bom trabalho. Depois nos falamos.

Não havia mais o que fazer por ali. Também não havia alguém que pudesse ouvir seus problemas, a não ser, claro, a bebida. Cliff passa em seu carro para pegar a agenda no porta-luvas e vai até a rua chamar um táxi. Fica fazendo sinal por uns cinco minutos até um indiano parar o carro.

_ Boa noite, amigo.
_ Boa noite.
_ Para onde?
_ Ah, sei lá companheiro. Me leva pra beber.
_ Tudo bem.
_ Se você me apresentar um lugar bacana eu pago sua bebida.


O moreno barbado sorri pelo retrovisor.

_ Não posso. Eles caçariam minha licença.

Cliff alternava olhares através da janela com sorrisos amigáveis para o taxista.

_ Eles já devem encher o saco por você não ser daqui. Se te continuarem te perturbando, mande eles enfiarem a licença no rabo. Diga que fui eu quem mandou.

Algumas risadas depois Cliff acaba chegando ao Razzoo Bar & Patio. Paga a corrida e deixa o troco com o homem. Fica do lado de fora examinando o local com as mãos na cintura. E como o lugar estava movimentado... Uma leva de garotinhas em seus 18 a 25 anos na maioria, todas disputando a atenção visual dos homens com roupas provocativas. Algumas passam mexendo com o tiozinho parado em frente à entrada, e em troca recebem o sorriso mais amigável que jamais viram: dentes brancos, sobrancelhas levemente arqueadas e um olhar indiscreto em seus corpos. Muito futuro para seus filmes ali, certamente. Mas seu objetivo da noite não é esse, já chega de pornografia por hoje.


Ver perfil do usuário

3 Re: Razzoo Bar & Patio em Seg Mar 05, 2012 3:54 pm

Atrás do balcão, Lucy observava os clientes e as luzes coloridas que enfeitavam o salão. O bar estava lotado e, mesmo assim, sentia-se entediada, como se a mesma noite estivesse se repetindo infinitamente. Sabia fazer mais de duzentos drinks e umas quatrocentas manobras diferentes com a coqueteleira, mas ninguém se interessava por isso naquele momento. Todos só queriam uma dose de qualquer coisa para entorpecer os sentidos e dançar, transar ou fazer alguma coisa estúpida.

Nada daquilo a interessava naquela noite, nem nas passadas. Lucy tinha dúvida se algo ainda a interessava em toda a sua vida naquele último mês. Não conhecia ninguém naquela cidade, e na verdade, mal conhecia o bairro onde estava. Sempre foi uma garota sociável, cercada de amigos. Entretanto, havia descoberto dolorosamente para onde isso levava e não queria trilhar aquela estrada novamente. Queria ser diferente, mas não tinha a menor ideia do que isso significava ou de como evitar que acontecesse outra vez. No fim, era sempre Lucy e essa só atraía confusão.

A bartender limpa o balcão, sorrindo fracamente para alguns clientes e preparando um mojito com capricho para o senhor de cabelos grisalhos no canto do balcão. Sabia que o homem estava impaciente para pegar logo sua bebida, mas não se apressa, enfeitando o drink com as folhas de hortelã, como se nem ele e nem ela tivessem nada a fazer depois daquela bebida. O homem reclama da demora quando recebe a bebida e nem mesmo repara na beleza que Lucy entregou dentro daquele copo, nos detalhes e nem na maneira diferenciada de como a hortelã influenciaria o gosto do mojito mais que o normal. Ela encolhe os ombros. Era assim mesmo.
Hoje queria passar despercebida para os mais atrevidos e tentava ser desleixada. Usava uma camisa velha do Pink Floyd rasgada na gola, deixando um dos ombros a mostra e um jeans desbotado. Ainda assim era charmosa e dona de um belo corpo. Seus movimentos eram delicados, suaves como os de uma bailarina. No rosto, usava pouca maquiagem: apenas um lápis preto contornando os olhos verdes, tornando seu olhar ainda mais profundo. Acima de tudo, Lucy tentava não parecer consigo mesma, mas fracassava miseravelmente.

Enquanto esperava pelo próximo pedido de drink, serviu-se de uma dose de tequila com limão. Brinda encarando a própria imagem no espelho do armário de bebidas, dando um sorriso de lado antes de virar o copinho na boca. Hoje comemorava um mês em Nova Orleans, longe da violência e do caos de sua antiga vida. Comemorava o trigésimo dia em que Gabriel não a encontrava. O trigésimo dia sem apanhar, sem precisar fazer algo que não queria, sem chorar encolhida durante a madrugada. Deveria estar animada........ mas não estava. As lembranças estavam frescas, como se tudo tivesse acontecido no dia anterior.

Ainda sentia medo. Cada vez que a porta do bar era aberta com força, Lucy sentia uma corrente gelada subir por sua espinha, o pavor tomando conta de seu corpo. Imaginava Gabriel invadindo o lugar e tremia só de imaginar o que ele faria com ela quando a encontrasse.
A mão treme quando ela pega uma coqueteleira limpa para atender outro cliente, mas mal escuta o drink com a música alta. Precisa pedir que ele repita o pedido diversas vezes até finalmente entender e começar a preparar.

Esperava que a Tequila a deixasse mais alegre e mais animada, mas agora a única coisa que Lucy sente é terror, lembrando de cada dia que passou. Lembrava-se de cada detalhe dos últimos dois anos, de como Gabriel a violava e a machucava sem nenhum remorso, do ódio que crescia dentro dela a cada dia de convivência, as tentativas de fuga sempre frustradas. Um medo que não consegue controlar e faz com que sua mão trema muito ao pegar a garrafa de vodka. Os dedos fraquejam e a garrafa cai no chão, quebrando inteira e esparramando vodka para todos os lados e enchendo o bar com o cheiro agradável de bebida.

-... ah, droga..

Reclama, pegando um pano e jogando-o no chão para secar a bebida. Empurra o pano com o pé e abre outra garrafa, recomeçando o drink. Olha para a porta, para o balcão, para o pátio, um tanto paranóica. Sentia-se observada a cada instante e as lágrimas inundam seus olhos. Pisca várias vezes para conte-las. Olha de relance a garrafa de tequila, considerando se mais uma dose faria o efeito certo.

Ver perfil do usuário

4 Re: Razzoo Bar & Patio em Ter Mar 06, 2012 6:02 pm


A fachada da Razzoo até que era bem discreta para uma boate – isso se você não contasse os letreiros em neon verde, azul e vermelho. A aparência que causa estranheza em Cliff parece não assustar as levas de jovens que tumultuam a entrada já entorpecidos de bebida em sua maioria. Ele aguarda pacientemente na fila com ambas as mãos no bolso, evitando chamar muita atenção.

Depois de um tempo mais longo do que o desejado, finalmente ele adentra a boate. Para sua agradável surpresa, o interior se mostra muito grande, fazendo com ele se perguntasse se era o mesmo lugar que havia visto lá fora. Havia no fundo um palco que aparentava estar sendo preparado para alguma banda, o que não significa dizer que não havia música rolando; havia sim, e MUITO alta. Aquele bate-estaca incessante que ele nunca considerado como música de verdade ditava o ritmo das batidas de cabeça e corpos em movimento. Cada batida do grave soava uma porrada em seu peito. Pensa que talvez fosse melhor ter escolhido algo mais adequado à sua idade.

Conforme caminha em direção ao balcão – consequentemente, para longe do som – ele segue reparando na "carne" do local. Atesta com um sorriso na cara que a meninada de hoje em dia até pode ter suas limitações mentais, mas tem o corpo mais sarado que nunca. Cada uma que passa quebra o seu pescoço para um lado diferente. Ali poderia estar boa parte do futuro de seu negócio.

Uma ou outra que passam desacompanhadas de rapazes sorriem para o ‘tio’ com malícia. Ele apenas devolve o “cumprimento” sem desviar a trajetória.

O balcão estava razoavelmente cheio, isso graças ao seu tamanho e à quantidade de funcionários. Como em todo balcão cheio que se preste, parecia impossível chamar a atenção de um barman, bartender ou seja lá como se chama esse povo. A molecada se amontoava, colocava meio corpo para dentro do espaço interno na ânsia de chamar a atenção dos funcionários. Cliff fica ali na dele, e quando os moleques são atendidos e deixam o lugar ele se vê de cara com uma bartender. Bom sinal, afinal ela poderia ser uma daquelas que jogam bebida no corpo para ficarem sexy e coisa e tal.

Ele põe as duas mãos espalmadas no balcão e fica a olhando, esperando que lhe desse atenção, mas a garota parecia estar num clima muito diferente do restante da Razzoo. Cliff permanece um tempo observando as reações dela, em como parecia querer chorar e em como olhava de relance para a bebida.

- Ei, mocinha... Vai beber isso tudo sozinha aí não, hein.

Sorri com a cabeça meio de lado; ou era um piadista ou estava tentando conquistá-la com uma técnica um tanto antiga. Ou era apenas maluco mesmo.

- Porque você não pára de balançar esse treco aí que um mala deve ter pedido a você e a gente divide a tequila? É tudo por minha conta.

Talvez isso o ajudasse a ter prioridade no atendimento e conseguisse a garrafa de El Jimador que tanto se deslocou para conseguir. Mas no fundo... Deus, como é ruim para ele ver uma garota triste...

Ver perfil do usuário

5 Re: Razzoo Bar & Patio em Qua Mar 07, 2012 5:04 pm

Mal percorreu algumas mesas e foi logo recebido por um pequeno e parrudo homem. Mark Fraser podia não possuir grande estatura, mas sua expressão forte e seus grandes óculos já garantiam ao Editor, atenção suficiente. O rapaz foi acompanhado por uma secretária até sua sala, para garantir, como sempre, que nada lhe faltasse, mas nunca havia necessidade. A sala mesmo, parecia se mostrar mais organizada a cada vinda, apesar destas serem raras e rápidas. Ocasionalmente passava para resolver meras questões administrativas, ou simplesmente ter uma reunião direta junto ao Editor Chefe. Mas hoje, mesmo sem conhecer bem a rotina do Times-Picayune, identificou uma diferença. Não havia dúvidas, a edição do Jornal estava em um alvoroço anormal. E não era por menos. Um enorme evento estava para ser realizado nesta noite. Esse, promovido pelo principal Grupo Empresarial de Nova Orleans, reuniria a nata da Louisiana, e ainda como bônus havia a expectativas de novos investimentos serem anunciados pela Vestrue. Nada melhor para deixar todos os repórteres agitados.

Também não era por menos que Derek Ramsay deu o ar de sua graça no local. O Jornal não só cobriria o evento, como também seria representado nele. Afinal, era atualmente parte do principal Grupo de Comunicações em Nova Orleans. E se tornara quase assimilado a imagem da cidade após a cobertura do Katrina. Como representante do grupo no estado, era dever de Derek fazer com que tudo corresse bem. A Vestrue não possuía só um enorme poder econômico mais também político, e como toda imprensa livre, que de livre não tem nada, ter um parceiro de tão grande estima fazia toda diferença.

O rapaz tateava uma pequena escultura de cerâmica enquanto sentava despojadamente em sua cadeira, com os pés sobre a mesa, e esperava que o Editor Chefe finalmente aparecesse. O silêncio no lugar apenas aumentou a surpresa pelo toque do celular. Surpresa esta pelo novo número praticamente ser desconhecido a todos, menos para uma pessoa. A notícia recebida foi rápida e previsível, contudo, não deixou de causar desconforto. Após ter desligado o aparelho telefônico, permaneceu alguns instantes olhando para o nada e agradecendo por estar só. A informação parecia se materializar em um mal estar, beirando uma ânsia de vômito.

Não gostou nem um pouco quando foi obrigado a fazer novos exames, mas não tinha outra opção. Precisaria da receita para os remédios, estes cada vez mais fortes. E ao menos o Médico assumia o compromisso da confidencialidade, como o anterior de Nova York lhe falara ao recomenda-lo. Mesmo assim, lembrar-se de um problema como este nunca era agradável. E sem dúvida alguma deixaria qualquer um indisposto, ou quase isso. Logo a atenção foi voltada para entrada de Fraser e suas grandes lentes refletindo praticamente tudo no ambiente. Como não poderia deixar de ser, Derek o recebera com o tradicional sorriso, até por que gostava do velhinho. Este repassou todo o esquema para a cobertura do jantar enquanto Ramsay apenas ouvia e voltava a se distrair com a pequena escultura, até entrarem na questão do comparecimento.

- Bem, quanto ao Senhor, já arranjou alguma acompanhante? - O rapaz franziu a testa como se descobrisse algo novo no objeto e voltou o olhar para o velho - Hum... Surgiu um imprevisto, eu não vou - Se o velho não possuísse uma expressão tão rígida, provavelmente teria ficado de boca aberta, se é que não ficou, porém meio imperceptível - Ma-Mas como assim? Derek, a Vestrue é um conglomerado muito importante, você tem de estar presente! - Por mais que a indignação do homem beirasse o hilário, não poderia rir. Esse não estava cumprindo mais que sua obrigação - Eu sei de toda a importância desse jantar e não precisa me lembrar disso. Mesmo assim prefiro não ir - Não hoje. Na atual situação, não perderia sua noite em um lugar tão tedioso. Fora que não era lá tão necessário - Sei que não darão pela minha falta e com certeza você representará bem o grupo! - Como por várias vezes o fez, sempre que se mostrou necessário - Pensei que esse era o motivo de ter vindo para cá - A expressão séria do velho e as palavras um tanto ríspidas não agradaram em nada ao rapaz - Que seja. Está decido! Acho que não tenho mais o que fazer aqui. Boa festa Fraser - Ele saiu a passos largos do lugar. O velhote havia conseguido tirá-lo ainda mais do sério. Mas o último fato não deixava de ser verdade.

O Grupo Entertainment não se limitava a essa cidade. Sua sede, por exemplo, localizava-se em Nova York, aonde Derek chegou a ser CEO Nacional por pelo menos dois anos. Ser um dos herdeiros do Grupo sempre foi o motivo mais apontado pela maioria para ele ter chegado a tanto e tão cedo. Talvez por isso, quando se afastou do cargo há uns meses, mesmo gerando certa estranheza, não causou qualquer descontentamento. Ao contrário, alguns sentiram até certo prazer “quando os gatos se retiram, os ratos fazem a festa”. Acabou sendo obrigado a se reintegrar na administração por familiares. Veio então a segunda onda de estranheza, quando ele pedir o cargo de CEO Regional em Nova Orleans. Desde então, afastou-se aos poucos de todos os conhecidos, e permaneceu aqui, um tanto isolado. Nem é necessário dizer que pensar em tal fato é desagradável. Talvez por isso sempre está procurando alguma distração, e isso, essa cidade tem de sobra.

Trabalho hoje não era uma opção. Entrou em seu carro e dirigiu até o primeiro lugar que lhe viesse a cabeça. Acabou dando de cara com uma região colorida, animada e com uma iluminação já um tanto forte para o início da noite. Provavelmente havia chegado ao Bairro francês. Parou em frente a um lugar com uma fila considerável. A fachada não denunciava qualquer qualidade, porém o movimento era considerável. Enfim ao conseguir entrar, percebeu o porquê. A animação era literalmente palpável. Difícil inclusive de se deslocar. Mas após alguns sorrisos e até apertões finalmente alcançou o bar - Oi? - A Bartender infelizmente parecia um pouco distraída, e um cara parecia ajuda-la nessa tarefa. Somando isso ao barulho do lugar não havia outra maneira. Juntou dois dedos aos lábios e soltou um assobiou, para em seguida abrir um sorriso e dirigir com uma voz calma o suficiente para ser ouvida - Desculpe. Poderia me servir uma bebida? Forte? - Álcool puro por exemplo.

Ver perfil do usuário

6 Re: Razzoo Bar & Patio em Qui Mar 08, 2012 4:37 pm

Depois da queda da garrafa, Lucy volta a preparar o drink, agora mais rapidamente e sem firulas. Sabia que se caprichasse demais, o cliente poderia ficar bravo e reclamar dela e essa era a última coisa que queria. Entrega o drink pedindo desculpas pela demora, tentando sorrir, mas sem ânimo para conseguir qualquer resultado satisfatório.
Mesmo com tantas pessoas no balcão para atender, olha longamente para a garrafa de tequila, considerando a ideia de bebê-la inteira sozinha quando saísse dali, talvez fumar um maço de cigarro sentada nos fundos do bar. Odiava cigarros desde sempre, mas agora sua vida estava tão vazia que sentia vontade de preenche-la com qualquer coisa. Até mesmo um monte de fumaça fedorenta. Sua cabeça desloca-se para o fim da noite, para o gosto de tequila e fumaça no fundo da garganta quando escuta Cliff.
Sente-se invadida quando ele recomenda que ela não beba a garrafa de tequila sozinha. Será que o que ela pensava era tão óbvio? As bochechas de Lucy ficam coradas na hora, morrendo de vergonha de si mesma e do que pensava. Olha para baixo, pegando o whisky e reabastecendo o copo vazio de um cliente antigo da casa, esperando a vergonha diminuir para voltar-se para Cliff. Então, segundos depois, volta-se para ele, ignorando o convite feito para dividir a tequila e com as bochechas ainda um pouco vermelhas.

- O que o senhor deseja beber?

Ela enfatiza bem o “senhor”, como se quisesse deixar clara a diferença de idade entre os dois e marcar uma certa distância. Queria repelir qualquer investida amorosa, por mais idiota que fosse. Cantar a bartender para conseguir drinks grátis era o golpe mais velho do mundo, e Lucy raramente se deixava cair nele. Aquele cara era atraente e isso só poderia significar confusão. Homens com belos sorrisos e rostos amigáveis já tinham feito um estrago e tanto em sua vida. Pega uma nova coqueteleira para esperar o pedido, olhando-o com uma indiferença forçada.
Algo espontâneo, um magnetismo que fugia do controle de Lucy, se tornava forte pela enorme tristeza por trás daqueles grandes olhos verdes, marejados de lágrimas que ela visivelmente tentava conter. Ela realmente destoava completamente da animação frenética do Razzoo naquela noite, mas a melancolia a fazia bela, delicada e vulnerável.

- Uma tequila? É isso?

Pega a garrafa de tequila, colocando-a sobre o balcão, na frente de Cliff. Os olhos verdes o encaram por alguns segundos, de uma forma que poderia ser sedutora..mas era involuntária. Não percebe que fez isso por bastante tempo e nem que deixa aparecer uma raiva despropositada do desconhecido. Desvia o olhar quando escuta um “oi?” vindo do outro lado do balcão, “despertando” daquele transe e se dando conta do que fazia. Faz sinal para o outro cliente esperar um pouco, serve uma dose de tequila para Cliff e prepara um pratinho com fatias de limão e um pouco de sal, colocando ao lado da bebida.

- Divirta-se.

Dá um sorriso fraco e se afasta, rapidamente, indo até Derek, pegando um copo largo e fundo e colocando-o sobre o balcão.

- Whisky, vodka, tequila, rum, absinto..... posso fazer um drink com três dessas misturadas e um pouco de hortelã se preferir. Gosta de coisas simples ou elaboradas?

Lista as possibilidades e encolhe os ombros, dando um sorriso de lado. Torcia para um pedido diferente dessa vez, cansada de simplesmente despejar bebidas em copos. Talvez, se fizesse algo mais elaborado, esquecesse as lembranças que tanto a atormentavam por alguns segundos. Enquanto espera a escolha de Derek, atende um adolescente ou outro que pedia cerveja ou smirnoff sem muita atenção.

Ver perfil do usuário

7 Re: Razzoo Bar & Patio em Sex Mar 09, 2012 7:19 pm

Mal teve tempo para responder e a moça já seguiu atendendo os demais clientes. Por um lado foi bom, já que não poderia fazer muito com o que veio a seguir. Involuntariamente levou uma das mãos ao rosto e fechou os olhos pressionando-os enquanto uma dor, como de uma agulha perfurando-o, atravessava sua cabeça. Não havia muitas opções para ação, até mesmo pensar não estava entre as possibilidades. Quando reabriu os olhos, voltou a tomar ciência do ambiente. E pelo visto não havia se passado mais do que dois segundos, mesmo tendo assimilado esse período como a uma eternidade. Ao menos os efeitos piores foram rápidos. Tudo o que não precisava era uma crise logo ali em meio a uma dezena de pessoas. E por sorte, parecia que ninguém havia visto. A dor diminuiu de forma rápida, mas apesar de menor, manteve-se constante e incomoda. De algum modo até se acostumara após tantas vezes, entretanto, claro, isso não significava que ele gostava. Então, ao rever a moça, se lembrou do pedido.

- Elaborado, com certeza! O mais elaborado que conseguir. Me surpreenda - Bebida pode até não resolver os problemas, mas ajuda que é uma beleza. Ele pós um sorriso no rosto, mesmo que um pouco amarelo, e se recompôs - Melhor, faça dois. Assim poderá me acompanhar se quiser, claro. Ao que me disseram, beber só é meio deprimente, e isso é tudo o que menos se precisa em uma noite como essa - Em uma segunda olhada, a mulher era um tanto bonita e até mesmo possuía uma postura suave, apesar das roupas lhe esconderem isso. Mas logo sua atenção é voltada para o celular vibrando. Havia esquecido quanto a desligar esse maldito aparelho. Pela ausência de toque só poderia ser uma mensagem, e ainda que prometendo a si mesmo de se esquecer totalmente do trabalho por esta noite, saber qual seria a questão apenas causaria, no máximo, a morte de sua curiosidade.

Não demorou até ele estar com o aparelho em mãos e com os dedos deslizando sobre a tela, acionando funções nesta ao mesmo tempo em que também a manchava. A mensagem na verdade era uma notícia automática e rápida que lhe chegava online sobre o evento no Centro Empresarial. A Vestrue havia feito relatórios e avisos como já esperados, porém algo de longe lhe chamou a atenção, e pelo visto de todos os mais atentos. O desalojamento no Garden District. Se lembrava bem, este é um bairro rico de Nova Orleans. E se estiver certo, é realmente algo surpreendente. Muitas vezes, quando estes bairros são meramente perturbados, como com casas de shows, ou construções e reformas do governos, sempre resultam em uma revolução nos meios políticos, de imprensa e até sociais. Imagine então quando estamos falando em desalojamento. Qual o resultado? Uma guerra?

Não podia negar a coragem desse grupo em iniciar tal façanha e ainda leva-la a público tão naturalmente. Derek já estava até imaginando quais problemas lhe viriam infernizar a cabeça. Mas o rapaz foi à opção desligar e pós fim em tais questões, por hora. Não teria todo o tempo do mundo para ficar gastando com picuinhas alheias, e o jornal não encontraria grandes problemas em noticiar o básico, ou era isso o que esperava. Ele levou o aparelho de volta ao bolso, esfregou as mãos e as colocou sobre o balcão - E então? - A atenção estava de volta a bartender e se está já havia terminado a bebida, ou as bebidas.

Ver perfil do usuário

8 Re: Razzoo Bar & Patio em Sab Mar 10, 2012 1:25 pm


Ele se sentia sufocado. Ok, aquela mistura de fedores e barulhos realmente é uma coisa ruim e tal, mas o que tava pegando mesmo, melhor dizendo, sendo amassadas, eram suas bolas, e tudo graças ao jeans dois números menores que fazia parte do seu visual retrô. Diziam que o estilo anos 70 estava morto desde... bem, anos 70. Pelo menos era o que dizia o povo da TV em seus shows de “me transforme em uma vadia trinta anos mais nova”, ou “quero enxergar meu pau novamente”. Os programas de moda e de saúde. Justamente por isso que o sexo faz tanto sucesso na televisão, porque é verdadeiro. Os gritos, caras e gemidos podem ser fake, mas a coisa entrando nas coisas não. Mas bem, suas bolas ainda estavam sendo apertadas, e mesmo ele esticando uma perna enquanto relaxa a outra, alternando a ordem delas ao fazê-lo, nem assim consegue acabar com o incômodo. Teria que conviver com aquele sufocamento o restante da noite.

A bartender se mostra envergonhada para então exibir força ao chamá-lo de “senhor”. Mulheres... À Cliff não enganam. Ela estava num momento frágil e sendo obrigada a dar diversão a todos ali na forma de bebida. Deve ser um martírio do cão o qual ela passa. Já não havia simplesmente como sentar a bunda ali e beber sabendo que uma mulher estava se sentindo triste, de mau com a vida. A garrafa de El Jimador colocada à sua frente é uma tentação, rivalizando com o diabo tentando Jesus em sua peregrinação. Se fosse há uns vinte anos atrás ele não pensaria duas vezes em pegar e bebida e procurar outra mulher, afinal são mais de três bilhões delas no mundo. Mas não hoje em dia, não agora. O que fez com que ele alcançasse o sucesso tão grande que tem entre as fêmeas foi a preocupação que mostra com elas – seguido de perto por fatores menos nobres, por assim dizer.

Ia responder à jovem, tentar melhorar seu humor, mas um assovio estridente ao lado o interrompeu bonito. Cliff vira o tronco de lado e olha o rapaz de cima a baixo. Põe uma das mãos na cintura e empurra com o cotovelo parte do casaco marrom de couro para o lado, exibindo a camiseta branca que trazia por baixo e também a fivela de cowboy “totalmente-fora-de-contexto-visual” na cintura. Ele passa a língua no interior das bochechas com a boca entreaberta e faz um jogo de ping-pong com os olhos, mexendo somente eles, ora focando a bartender, ora o intruso. Veria até que hora iria aquela porra.

”Me surpreenda”. É sério que ele falou aquilo mesmo?

Agora tinha a mão na cintura, fivela e camisa à mostra, língua alisando as bochechas, olhares alternados e uma das sobrancelhas erguidas com a maior cara de “esse cara é inacreditável”. Pelo menos o rapaz havia chamado a atenção de Cliff para o quanto que o papo de oferecer bebida para mulheres é cafona (ele achando algo cafona!) e só faz você parecer um estuprador.

_ Escuta aqui, cara...

Falaria umas poucas e boas para o rapaz até que nota que ele não parecia estar muito bem. É isso, ele estava bêbado e prestes a vomitar. Cliff desfaz a pose em um segundo ao empurrar peito/ombro do rapaz para trás, para que ele se afastasse um pouco dali. O casaco de couro se estica quando ele alonga o braço no gesto brusco e desarruma a camiseta por debaixo.

_ Ôu, ôu... Vai vomitar aqui não. - o empurrão serviu mais para “acordar” o rapaz para a sua situação do que funcionar como violência física.

_ E você, minha senhora, não serve mais nada pra esse sujeito aqui não. – falava com a bartender ainda olhando e apontando para o rapaz, e só quando termina a frase é que se vira à ela com uma vontade matreira de rir com a pequena provocação _ Acho melhor que descanse um pouco do seu trabalho. Chega de bebidas por hoje, esse troço só está trazendo desgraça. Descanse um pouquinho que eu lhe ajudo aí.

Cliff tira um cigarro solitário de dentro do bolso interno do casaco e o põe na boca. Ele inutilmente alisa o cabelo e põe as duas mãos na madeira do balcão. Ele iria pular e ajudá-la de alguma forma. Já que não teria bebida, também não poderia ter uma linda mulher sozinha e infeliz sendo explorada.

Ver perfil do usuário

9 Re: Razzoo Bar & Patio em Dom Mar 11, 2012 3:22 am

O balcão parecia cada vez mais lotado, com pessoas que falam todas ao mesmo tempo e exigiam a atenção de Lucy. Geralmente dava conta daquela gente sem nenhum problema e adorava o movimento intenso. Hoje, porém, as lembranças do passado a assombravam e atrapalhavam sua concentração. Ocupada, não levantou a cabeça para Derek até que ele falasse com ela pedindo para ser surpreendido. Sorri um pouco, feliz por se ver ocupada com um drink interessante.

Apesar do convite de Derek para acompanhá-lo, a moça pega apenas uma taça grande. Mistura whisky, amarula, um pouco de tequila e, por cima, derrama cuidadosamente uma colher da famosa fada verde, criando uma bebida lindamente enfeitada por camadas. Pega uma cereja e coloca sobre a mistura, enfeitando o drink. Entretanto, quando vai entregar a bebida a Derek, Cliff chama sua atenção para a situação do homem e ela recolhe a taça. Empurra a taça para o lado, na pia. Começa a misturar outras coisas na coqueteleira com pressa, amassando frutas e balançando o recipiente por um tempo, dizendo para Derek.

- Espere um pouco...

Então Cliff – Deus, mas que homem intrometido! - a manda descansar. Ela balança a cabeça, murmurando “meu turno está apenas começando...”, distribuindo bebidas mecanicamente. Vê que ele tirou o cigarro do bolso e colocou entre os lábios.

- O senhor não pode fumar aqui.

Enfatiza novamente o senhor, mas dessa vez o faz com um sorriso pequeno, como se tivesse achado aquilo um pouquinho engraçado. Fala da proibição, mas sente uma vontade absurda de dividir aquele cigarro com ele, realmente ter aquele intervalo de que ele tanto falava. Melhor ainda se o intervalo não fosse apenas do bar, mas também de sua própria vida.

- E não preciso de ajuda. Obrigada.

Ela responde, tentando ser clara e seca com Cliff, mas já não é tão indiferente como antes. Não estava mais feliz, sua vida ainda era uma sucessão de decepções e comemorar um mês sem levar uma surra era um tanto deprimente. Mas de alguma maneira, Cliff havia conseguido diverti-la e isso é tão perigoso para Lucy que ela não consegue mais olhar na direção dele, ocupando-se com copos, vodka, whisky, cervejas e tequilas, tentando não prestar atenção naquele estranho charmoso e vestido de maneira tão bizarra.

Depois de diminuir o sufoco no balcão, volta à coqueteleira onde preparava a bebida para Derek. Serve a mistura colorida em um copo, uma bebida alaranjada, sem uma cor muito definida, mas cheia frutas espremidas que davam cores interessantes ao conteúdo do copo. A primeira vista, era possível distinguir pedaços de kiwi, morango, manga, e uma rodela de limão acomodados no fundo, acomodados como em um drink. Mas Lucy explica, enquanto coloca na frente de Derek a bebida e um canudinho.

- Suco de frutas. Acho que vai te fazer melhor do que um drink agora. Será o melhor que já tomou, prometo!

Ela dá um sorriso doce para Derek, preocupando-se com ele como se o conhecesse. Essa era Lucy. Há poucos minutos, as próprias lembranças e problemas ocupavam completamente a cabeça da moça. Mas ao perceber que alguém precisava de ajuda mais do que ela, simplesmente pôs de lado aquela expressão fechada que marcava seu rosto e tentou fazer o melhor que pode por ele. O álcool com certeza não o ajudaria naquele momento. Olha para ele por alguns segundos, ignorando toda a gritaria dos clientes, para ter certeza se que ele estava melhor. Quando percebe que ele está estável e que, inclusive, fixava a atenção no celular - provavelmente recebendo más notícias pela sua expressão – volta a dar atenção aos pedidos. De vez em quanto, olha com o canto do olho para espiar o que Cliff fazia.

Ver perfil do usuário

10 Re: Razzoo Bar & Patio em Seg Mar 12, 2012 2:03 pm

A situação estava ficando crítica, principalmente para quem precisava de álcool no sangue urgentemente - Mas eu estou bem - Fosse pelo susto do empurrão, ou pela própria dor de cabeça em si, a voz acabou saindo um pouco fraca, quase um sussurro. E considerando todo o barulho do local, não era de se impressionar que ninguém tivesse ouvido. Talvez fosse melhor assim. Piorar a imagem de bêbado, com uma dificuldade de fala, era de longe uma das piores opções para melhorar a noite. Não era incomum passar por tais situações, mas ainda assim continuava sendo um tanto desconfortante, principalmente quando lhe privavam a bebida.

Claro, ele não chegava a ser alcoólatra ou algo do tipo. Porém, ficar um pouco alcoolizado sempre lhe ajudava a esquecer dos problemas, como também a diminuir os efeitos destes. E não apenas a bebida entrava nessa lista de ajudas. Remédios, maconha, entre outras drogas também lhe serviam bem para esse propósito. Claro, algumas destas apenas em casos excepcionais. O fato é que, aos poucos, os remédios acabavam perdendo ou diminuindo os seus efeitos. Restava-lhe no fim, variar as demais alternativas o máximo possível. Infelizmente aqui, pelo visto, não teria essa opção. Quando vira a bebida nas mãos da mulher soube rapidamente. Ao ter a confirmação dela então, foi algo quase sombrio - Nenhuma gota? - Ele poderia muito bem ter ficado chateado ou até ter se retirado, porém, o olhar e o modo de falar concedido pela Bartender foram desconcertantes. Os malditos truques femininos e sua quase total eficácia. Apesar de esses modos serem um tanto doces para o esperado. Pelo visto não era só no rosto e no agir a peculiaridade.

De qualquer forma, sobrou para o rapaz apenas a cara de enterro, e bem, o suco - Ao menos não posso negar. O suco ficou muito bom - Sua situação devia estar realmente deprimente. Com cara de doente, sentado em um bar sozinho e tomando suco. Quem sabe, se houvesse usado um pouco de sua inteligência, teria unido sua situação trágica com uma expressão de cachorro pidão, e teria dobraria a moça para lhe servir um drink. Contudo, isso não colaria mais. E por culpa de quem? Claro. Do pulador de balcões com pinta de Cowboy. Este até lhe ajudara, arranjando a desculpa do “bêbado” e evitando assim possíveis constrangimentos futuros. Mais ainda sim o homem estava lhe devendo uma. Vendo-o próximo não pode segurar a língua, mas sem perder a fala agradável, ou quase - E então cara, além de ajudar garotas necessitadas - Pular balcões - e interromper porres alheios, o que faz na vida? - Prega castidade em boates e praças? Não que este tivesse um rostinho benevolente de Madre Tereza, mas vai saber.

Dirigindo o olhar agora para a moça, abriu um sorriso boa-praça e falou em um volume suficiente para ambos no balcão ouvirem, com o máximo de simpatia possível considerando a situação precária - Ah! E estão me devendo nomes, já que fui limitado a sucos - Pois é. Não possuía outra opção a não ser jogar conversa fora e tentar leva os demais a acompanhá-lo nesse fim. Pelo menos de uma coisa tinha certeza, a noite não começou nada bem, e qualquer mudança para melhorá-la já seria uma vitória. Pena que, como tudo no mundo, ainda poderia ficar pior. Mas de outra coisa também tinha bastante certeza. Pior do que a noite da galera despejada em Garden District não poderia ficar. Ou será que poderia?

Ver perfil do usuário

11 Re: Razzoo Bar & Patio em Ter Mar 13, 2012 10:54 pm

Iria pular aquele balcão se não o impedissem. Iria nada, fazia parte do jeito canastrão dele, jeito que começa a dar resultados através do sorriso mais simpático da mulher. E que gata... Ele poderia elencar pelo menos ‘treze’ motivos para ficar babando por ela caso ainda tivesse idade pra essas coisas.

Foi pego de surpresa com anúncio de que não poderia fumar ali dentro. É sério? Dentro de uma boate não posso fumar?” Mas ela havia falado com tanto açúcar nas palavras que melou o coração de Cliff.

_ Ok, então. Olha só o que vou fazer. – ele abre um lado do casaco e coloca o cigarro ainda apagado no bolso interno; feito isso, esfrega as mãos e depois as espalma frente à bartender, para que ela se convencese de que ele não estava mais com cigarro algum _ Prontinho.

A mulher parece ter se convencido, tanto que voltou aos seus afazeres profissionais. Cliff vira de frente para o público e de costas para Lucy. Coloca um dos cotovelos para trás, em cima do balcão, perigosamente próximo ao copo de um terceiro cliente. Seu pé com o sapato de couro de crocodilo é apoiado no balcão, deixando aquela odiada marca de sujeira. Olha para um traseiro que passa para lá, um par de seios que para cá e fica se distraindo olhando o movimento e dando um gelo na mulher. O barulho da coqueteleira é a senha que esperava. Distraída, a bartender não poderia ver seu truque. Ele retira o cigarro da manga do casaco, não do bolso interno, e o acende com um isqueiro que trazia no bolso da calça. Já era uma merda ficar sem beber, não ficaria também sem o seu câncer de cada dia.

O som daquela britadeira manual pára de repente. Cliff se apressa em jogar o bastão tóxico no chão e apagá-lo com o pé, virando-se de volta para seus dois parceiros de balcão. Resolve se sentar, tendo o cuidado de não juntar muito as pernas e acabar esmagando as bolas com a calça apertada. Abaixa a cabeça e a vira de lado, encarando Derek com um sorrisinho de um marmanjo que via uma criança tomando seu leitinho.

_ Tá gostoso aí, meu chapa?

Não foi ouvido, assim como uns comentários de derek também não chegaram claros aos seus ouvidos.

- Ao menos não posso negar. O suco ficou muito bom

Cliff concorda com a cabeça, sorrindo com maior veemência, sendo perguntado em seguida sobre sua profissão e seu nome.

_ Ah sai fora cara não vou te falar meu nome não. – dito em um único impulso sem respeito às pontuações _ Só se ela perguntar. – abre o seu melhor sorriso cafajeste e pisca como um conquistador barato para Lucy.

Então estava ali no Razzoo sem a bebida, sem pegar ninguém e sendo cantado por um cara. Ok, ele só estava tentando ser simpático, mas ainda sim é homem. Cliff não sorri ao falar com ele para que não houvesse dúvidas quanto à sua opção heterosexual.

_ Eu trabalho pra cacete. – infelizmente eles não poderiam curtir a felicidade de sua piada de duplo sentido _ Mexo com filmes. Provavelmente você já viu alguma produção minha por aí, mas deveria estar ocupado demais no momento para dar valor ao meu trabalho. E estou aqui sem beber nada até agora. – espalma as duas mãos para cima e franze as sobrancelhas _ O que estamos fazendo aqui? Terapia em grupo? Quer saber de uma coisa: ele já está melhor já. - aponta para Derek _ Desce aquela tequila pra mim.

Bate as duas mãos com força no balcão e no embalo se ajeita na cadeira. Pensou em perguntar o nome da bartender e se apresentar para ela, mas daí o outro cara também ficaria sabendo. Não... Deixaria para um momento mais oportuno.

Ver perfil do usuário

12 Re: Razzoo Bar & Patio em Sab Mar 17, 2012 4:09 pm

Lucy era uma garota simples. Uma curta conversa em um bar era o suficiente para que ela se importasse com a pessoa como se fossem amigos. No geral, esse fato trazia mais decepções e frustrações do que amizades, mas Lucy não conseguia evitar. As pessoas entravam em seu coração facilmente e, uma vez lá dentro, ganhavam para sempre seus sorrisos e cuidados em todas as ocasiões.

Envolver-se tão profundamente custava caro para Lucy. Tendia a entrar em relações unilaterais, nas quais era explorada ou maltratada. As pessoas costumavam a ter ciúmes de Lucy e seu carinho infinito, sufocando-a em inúmeras exigências e cobranças. Naquele dia, ela “comemorava” um mês livre do ciúme insano do ex-namorado, de seu olhar possessivo e da prisão que aquela relação se tornou para ela. Sabia de tudo isso e mesmo assim não consegue sentir-se completamente feliz. Sentia falta de cuidar e conversar com ele, das risadas e do Gabriel cativante que só ela enxergava.

O amor havia abandonado aquela relação há muito tempo. Lucy era uma espécie de brinquedo, exibida em algumas ocasiões e usada para entreter. Suas vontades foram sufocadas e esquecidas. A relação chegou a ficar doente a ponto de a moça temer que o namorado percebesse seus pensamentos e a castigasse por eles, como se nem mesmo isso lhe pertencesse mais. Queria fugir... mas não se atrevia.

A coragem só surgiu com uma descoberta e um acesso de raiva. Fez tudo sem pensar e agora temia as conseqüências de suas atitudes todos os dias. Sabia que estar longe dele era o melhor que podia fazer para os dois. Não se amavam mais e, embora ele insistisse em querer continuar, Lucy sabia que nada mais restava e que não tinham nenhum ponto em comum. Distante dele descobriu que estava mais frágil do que imaginava. Havia desaprendido a fazer amigos, se relacionar. Não sabia mais os próprios gostos e nem mesmo tinha certeza de suas vontades. Tinha medo de vestir roupas que mostravam mais de seu corpo. Medo de parecer bonita demais ou não agradar ninguém e morrer sozinha. Precisava se conhecer novamente, começar tudo de novo e assim foi parar em New Orleans, afogada nos próprios receios.

A confusão no balcão do Razzoo mantinha Lucy bastante ocupada. Ela precisa se afastar de Cliff e Derek por alguns segundos para atender clientes do outro lado do bar, mas não consegue ficar longe muito tempo. Estava intrigada com aqueles dois, e logo volta para perto deles, olhando para Derek com freqüência, tentando perceber se ele estava melhor.

Não consegue deixar de achar charmosa a maneira como Cliff faz com o cigarro. Tem vontade de rir quando o vê de costas para ela e sente o cheiro de fumaça enquanto se dedica a coqueteleira. Não se importa, mais preocupada em pegar o liquidificador e jogar alguns cubos de gelo, suco de morango e vodka. Suspira, olhando a quantidade de coqueteleiras sujas empilhadas na pia, lamentando a falta de tempo, mas logo a interação entre Derek e Cliff volta a chamar sua atenção. A reação de Cliff a pergunta de Derek a faz rir alto, balançando a cabeça enquanto liga o liquidificador. Quando termina de bater o drink, o serve em um copo e coloca um canudinho, entregando a bebida a uma moça. Responde a pergunta de Derek sorrindo para os dois, embora um pouco corada com o sorriso de Cliff.

- Tá certo..Eu me chamo o Lucy. E vocês?

Pega a garrafa de tequila e um copinho, servindo a dose de Cliff junto com o sal e o limão no pratinho. Afasta-se um pouco para lavar as coqueteleiras, mas continua a olhar os dois esperando as respostas, curiosa a respeito deles. Talvez estivesse na hora de deixar de temer o que aconteceu no passado. Talvez Gabriel já tivesse se esquecido dela e a deixasse em paz. Talvez estivesse pronta para conhecer novas pessoas. Nem tinha reparado que já gostava daqueles dois.

Ver perfil do usuário

13 Re: Razzoo Bar & Patio em Qua Mar 21, 2012 9:13 pm

“Finalmente cheguei”

Alem da minha casa e do meu escritório, meu lugar favorito em Nova Orleans era o Razzoo. Desde os tempos do colégio eu já freqüentava o Razzoo, já tinha acentos garantidos na área vip e por isso eu era um dos poucos clientes que não precisava ligar para Soraia e fazer minha reserva. Soraia era a linda e morena, de seios fartos e cintura corpo estilo violão, que sempre usava vestidos tipo tubo de cor vermelho cintilante coberto por paetês. Ela era a recepcionista dos VIP’s, logo ela tratava todos com a maior cordialidade, designando os responsáveis por servirem as pessoas que pagavam caro para estar na área mais disputada do Razzoo. Poucos eram os que ela mesma ciceroneava, e eu era um deles.

A limunise parou em frente a porta ao Razzoo. Quem olhasse e não o conhecesse veria uma simples fachada, com um letreiro de neon em cores vermelho e verde, com os dizeres: “RAZZOO, Bar & Pátio”. A única coisa que chamava a atenção do lado externo do Razzoo é a fila constante que se forma em sua porta. Olhando pela janela, fechada, do carro e pude perceber que a fila estava quilométrica.

Assim que o carro parou, Demetre e Joe se apressaram em descer do veiculo. Demetre se dirigiu até a porta do lado direito que dava para a calçada e abriu-a para eu descer.

Já de pé ao lado externo do veiculo, aprumei o meu terno e começamos a nos dirigir diretamente para a porta de entrada do estabelecimento. Demetre andava poucos metros a minha frente, enquanto Joe me acompanhava pelo lado esquerdo.

Assim que chegamos a porta, Alfredic, o segurança grandalhão abriu a porta falando me cumprimentando.

- Boa noite Senhor Calarram, quer que estacionemos o carro do senhor no estacionamento.

Me virando para ele:

-Boa noite Alfedric, providencie isso para mim. Obrigado!

Demetre prontamente entregou a chave da limusine para Alfedric e este chamou o manobrista.

Assim que adentramos no Razzoo, lá estava ela, a Linda Soraia, e como sempre no vestido tubo vermelho cintilante. Fiquei parado poucos passos da porta esperando que ela notasse minha cegada, e em poucos segundos ela começou a se dirigir até o local onde eu estava.

- Boa noite Victor! A mais de um mês que eu não o via aqui no Razzoo, achei que o senhor tinha arrumado uma casa melhor que a nossa para se divertir e negociar.

Realmente fazia mais de um mês que eu nem passava perto do Razzoo. Os negócios tinham tomado muito do meu tempo nos últimos dias, mas agora eu já podia pelomenos negociar em paz.

Olhei para ela como um amigo olha para o outro. Sabia que ela não só notara minha falta como também o dinheiro que eu deixava para ela quando eu saia.

Colocando minha mão direita por dentro do blazer, retirei uma nota de cem dólares, me aproximo dela e sussurro em seu ouvido e coloquei disfarçadamente no seu decote, e como disfarce:

- Boa noite Soraia. Por favor, me conduza ao bar, pois preciso de um drink.

Ao falar isto em seu ouvido, coloquei a nota em seu decote, como uma gorjeta adiantada.

Ela começou a me dirigir até o balcão e no caminho me fez um comentário sobre as novidades do estabelecimento.

- A propósito Victor, nós temos uma nova bartender, o seu nome é Lucy e faz uns drink’s maravilhosos.

Drinks maravilhosos era o que eu iria ver. Se ela soubesse fazer um digno Martini Topázio, realmente ela iria me mostra que era uma boa bartender.

Chegamos ao balcão e uma zona parecia formada por lá. Um sujeito fumando, outro com cara de que estava passando mal alem é claro da muvuca corriqueira. Por trás do balcão via-se uma bela, porem mal vestida, jovem lavando algumas coqueteleiras, devia ser essa a jovem que Soraia comentou a pouco, pois era a única cuja a fisionomia não reconhecia.

Demetre e Joe se encarregaram de abrir passagem, para eu e Soraia, até o balcão. Assim que chegamos, nela, me voltei para Soraia.

- Soraia, o meu drink será Martine Topázio, o meu predileto. E para o Joe e Demetre, água. Eles não bebem enquanto trabalham.

- Tudo bem Victor, mas por que você mesmo não pede para a nossa Lucy? Quem sabe ela o agrade!

Soraia se virou para a bartender que ainda estava um pouco atrapalhada e conversava com alguns sujeitos.

Enquanto esperava a jovem bartender se aproximar, fiquei ali com Soraia.

- Victor, afinal, o que lhe trás nosso ilustre convidado aqui esta noite?

O barulho da musica estava alto no momento da pergunta que ela me fez, mas justo no momento em que eu fui responder o som bruscamente se abaixou, o que me fez ser ouvido por todos ao meu redor.

- Alem de querer beber um Martini Topázio, negócios com a Vestrue Co. caríssima!

Soraia não me perguntou mais nada, ficou ali, somente me acompanhando.

Por mais que eu quisesse pensar nas estratégias da Vestrue Co. na minha mente só ficava um único pensamento naquele instante. “Será que a jovem vai acertar o meu drink quando me atender?”.

Ver perfil do usuário

14 Re: Razzoo Bar & Patio em Qua Mar 21, 2012 10:07 pm

A resposta do cara é aquele tipo de resposta previsível, que mesmo sendo esperada, ainda gera um cruzar de braços e um olhar de incredulidade. O cruzar de braços acabou acontecendo, já olhar foi substituído pelo arquear da sobrancelha direita. Mas a parte realmente irônica foi quanto ao trabalho. Havia algo um tanto estranho no tom levado pela frase do “cacete”. Aparentemente tinha algo mais ali, e provavelmente era sobre o trabalho. Em uma maquinação rápida só podia significar uma coisa, é um Michê. Ao menos na mente do rapaz a ideia ganhava lógica a partir que a história, e provável mentira, do filme era contada. E pelo menos, no fim, o possível prostituto tomou uma atitude sensata banindo a lei seca - Beleza então! - A simples menção que poderia finalmente ter sua bebida renovou o animo e a cara meio derrotada. Finalmente poderia afogar seus problemas em algo que não fosse água, suco ou coisas do tipo.

Ele voltou-se para a morena já com a intenção de fazer o pedido, quando está lhe disse o nome - Bem Lucy, me chamo Derek. É um prazer - Jogou um sorriso, um piscar de olho e toda a preparação necessária para o que vinha a seguir - Agradeço realmente pelo suco, sem dúvida alguma estava gostoso - Ele levanta o copo, que já estava pela metade do volume inicial - Mas será que, de alguma forma, nem que seja por uma negociação, alguma garrafa de Vodka podia acidentalmente escorregar em meu copo? - Ele apontada para a outra figura do balcão - O cara liberou, e bem, posso não ter mais tanto tempo para aproveitar outra dose. Sabe como é a vida - A piada poderia soar um tanto macabra, mas os últimos tempos haviam sido macabros.

Seus pensamentos transferidos para os dias de náuseas, dores infernais, perda de cabelo e aparência caquética não lhe deixavam nada interessante. Mas nenhum desses problemas, nenhum mesmo, se comparava a dependência para com alguém. Nunca gostara de ficar preso a uma cama doente, nem mesmo quando pequeno, agora então. Sua linha nada agradável de pensamento só lhe foi interrompida por uma pessoa fazendo sinal para a bartender em busca da atenção desta - Lucy alguém está te chamando ali - Ele aponta para a mulher de vermelho - Acho que minha bebida vai ter de esperar um pouco. Mas sem problemas, definitivamente hoje não foi o melhor dia escolhido para beber - Em meio à expressão agora desolada sai um sorriso. Mais uma tentativa de conforto para a moça, totalmente afogada em trabalho, do que qualquer outra coisa. Apesar de que, dificilmente algo tão melancólico confortaria alguém.

A mulher de vermelho em questão parecia agradar outros sujeitos. Ou um sujeito na verdade. Aquilo era quase uma comitiva ambulante, contudo, não deixava de ser fácil descobrir qual o manda chuva em meio a estes. Os dois grandalhões revirando as cabeças como predadores em busca de carne com certeza não seriam os chefes. A mulher com agrados e sorrisos exagerados tão pouco. Então sobrava o de cabelo lambido. A fala dele claramente ouvida em seguida, apenas confirmou a lógica. E não só pela parte da Vestrue.

O que diabos seria um Martine Topázio? Nunca tinha ouvido falar nisso e nem é preciso dizer que possui algum conhecimento na área. Provavelmente seria algum drink caro por ter difícil preparação ou caro apenas por conter algum xarope alterando a cor, deixando a bebida com um fino trato. No que envolvia Derek, isso poderia significar uma coisa, e nada agradável: “sua bebida agora, só daqui a algumas horas”. O pior de tudo era o fato de já ter visto este cara em algum lugar, mas não lembrava bem onde. Estava a pouquíssimo tempo em Nova Orleans ainda para conhecer a fichinhas carimbadas. No máximo poderia tê-lo encontrado em algum evento de negócios recente, ou simplesmente em uma foto de noticiário. Não daria para saber. Isso lhe deixou um tanto confuso e curioso. Então por quer não arriscar? - - Ele eleva a voz para tentar chamar a atenção do cara em meio a todo o barulho - Te conheço?

Ver perfil do usuário

15 Re: Razzoo Bar & Patio em Seg Mar 26, 2012 10:26 am


A coisa estava crescendo no balcão, e não era a de Cliff. A cada cinco segundos mais um’alma se juntava ao amontoado de pessoas que gritavam histericamente os seus pedidos. Lucy, a bonitinha por detrás do balcão, cachoalhava a coqueteleira sem parar, mas nem assim perdia o charme. O melhor da noite foi vê-la sorrindo com o desabafo em forma de piada. Com tantas pessoas diferentes todos os dias frequentando o Razzoo, algumas bem mais jovens e ricas que o senhor Stevens, fazer a bartender rir alto foi realmente um ponto positivo.

Enfim conseguiu sua tequila. O limão e o sal no pratinho são colocados de lado; a bebida é deixada repousando à sua frente. Beber é um mero detalhe quando há uma garota tão legal por perto. Até mesmo o bêbado do lado, o da terapia em grupo, não parece ser um cara chato; o chato é que ele é um cara.

Cliff fica sentado meio de lado no banco do balcão, com apenas uma banda do traseiro apoiada. Uma perna se apóia no ferro do próprio banco, a outra se estende relaxada tocando o chão com a ponta do pé. O braço esquerdo colocado sobre o balcão, aberto até demais, evita que novos chatos se aproximem muito e o sufoquem mais ainda. Ele ouve o rapaz dizer seu nome após Lucy, parecendo bem sóbrio ao fazê-lo, e também assiste o pedido quase implorado por vodka.

_ Prazer Lucy. – vira para Derek _ Você não é um prazer conhecer não, mas eu posso conviver com isso.

O jeito sério com que fala com Derek não disfarça tratar-se de uma brincadeira.

_ Bem... Eu sou o Cliff. – olha para um e depois para o outro _ Cliff Stevens. – sublinha o prenome e novamente olha para um e para o outro _ Qual é, gente? Nada? Ah, eu não esperava reconhecimento mesmo.

Pega sua bebida e é interrompido pelo pedido de Martini Topázio do engomadinho. Só podia ser, tava na cara que ele não ia pedir uma Budweiser. Pelo menos conseguiu atrair a atenção de Derek, deixando livre quem importava estar livre. Trocando a banda do traseiro a apoiar no banco, Cliff faz uma barreira natural com o corpo para que Derek e o engomadinho se isolassem da conversa. Olhava sorrindo para Lucy e sua desenvoltura, e também para os seus seios. Não que fosse tarado, é apenas uma mania adquirida em seu trabalho, tanto que o faz sem a menor questão de disfarçar.

_ Então, Lucy, você vem sempre aqui? – força as marcas de expressão com um sorriso largo.

Precisava de mais privacidade com a bartender. Cliff chega o corpo à frente e faz uma concha com a mão junto à boca, falando baixo, com uma expressão de quem vai dizer algo delicado.

_ Eu acho que esse Derek é psicopata. – aponta Derek com o dedão pro cima do ombro _ Ele tá dando em cima do cara ali, ó. Acho que nós dois deveríamos sair juntos, disfarçadamente, e nos refugiar lá na cozinha fugindo desses dois. – dito isso, relaxa o corpo e readquire a postura normal de sentado; puxa mais um cigarro, e depois um outro de dentro do bolso, deixando esse último no balcão em frente à Lucy _ Ou então só precisamos de uma pausa para fumar.

Coloca o seu cigarro no cantinho da boca. Ia ficar ali sem acendê-lo e encarando a mulher até receber uma resposta positiva.

Ver perfil do usuário

16 Re: Razzoo Bar & Patio em Qua Mar 28, 2012 10:47 am

A noite de Lucy ficava melhor com Derek e Cliff e aos poucos, as lembranças ruins a abandonavam. A postura de Cliff, um pouco de lado ocupando parte do balcão, impede que ainda mais clientes se aproximem dela. Fica um pouco aliviada e confortável com aquilo, apesar da correria. Termina de lavar as coqueteleiras, rindo da maneira como Cliff menospreza a apresentação de Derek e sorri para os dois. Abre a boca para dizer algo, mas perde o que ia falar, empalidecendo ao olhar para a porta e ver Victor entrando no bar.

Seu coração dispara no mesmo segundo, ao ver o homem cercado por aqueles capangas. Fica gelada, tentando entender como Gabriel poderia ter conseguido encontra-la. Começa a tremer antes mesmo de pensar logicamente. Olha Victor com mais atenção e percebe que, apesar da semelhança, não era Gabriel. Os guarda-costas que o rodeavam e o ar aristocrático aproximavam o homem do ex-namorado que tanto temia e era o suficiente para que Lucy querer ficar longe. Apoia-se no balcão e suspira, irritada por ter sentido tanto medo de um almofadinha desconhecido. Força-se a desviar o olhar do que acontecia na porta para os dois a sua frente, e retomar o sorriso que havia desmoronado.

- Muito prazer, Derek e Cliff.

Dá um sorriso pequeno quando Cliff reclama da falta de reconhecimento, encolhendo os ombros e inclinando o rosto com uma carinha de “sinto muito!”, mas logo depois volta a olhar o homem com guarda-costas. Estava tensa, torcendo para que os engravatados seguissem com Soraia para outra área e não passassem pelo bar. Mas não é o que acontece. Eles vão direto para onde ela estava. Sabia que era obrigada a atender os clientes de Soraia com prioridade, mas não o faz. O ignora enquanto pode, com as mãos trêmulas e os fantasmas do passado povoando sua mente. Não consegue deixar de reparar ainda mais na semelhança que Victor tinha com Gabriel agora que ele estava mais próximo.

A presença de Derek e Cliff agora era a coisa mais confortante que poderia imaginar, e agarra-se a ela desesperada. Derek pergunta alguma coisa, mas ela demora a responder, desconcentrada por aquela situação. Quando se dá conta que ele esperava uma resposta, olha em sua direção a tempo de ouvir:

- Lucy, alguém está te chamando ali. Acho que minha bebida vai ter de esperar um pouco. Mas sem problemas, definitivamente hoje não foi o melhor dia escolhido para beber.

Não pretendia dar álcool para Derek. Ele não parecia bem. Mas pega seu copo, olhando aquele sorriso triste que ele tem e aproveita para atrasar sua ida até os homens de terno. Coloca um pouco de vodka e mistura a bebida com um mexedor de drinks enfeitado na ponta pelo logo do Razzoo. Devolve a bebida, ainda tensa, mas dá um sorriso travesso para Derek, piscando como ele fez antes.

Do lado de Derek, Cliff puxa conversa e Lucy aproveita para mais uma vez fingir que não viu Soraia e Victor. Ele a faz corar com aquele olhar para os seios, mas ela finge que não percebe. Responde a Cliff, dando o máximo de si para manter o sorriso no rosto.

- Venho aqui todo dia...

A resposta sai vazia, distraída. Não conseguia mais se concentrar direito naquela situação, tudo o que queria era sair dali. Vê Cliff se aproximar dela e então ele sussurra aquela bobeira sobre o Derek. A tensão a abandona no mesmo momento, rindo baixo com a proposta de Cliff. Deixa escapar um suspiro profundo, pegando o cigarro deixado em cima do balcão, colocando-o no bolso do avental. Aproxima-se de Cliff para responder quase em seu ouvido.

- Definitivamente precisamos de uma pausa. Mas não pode ser agora.

O emprego dela dependia de atender bem engomados como Victor. Estava morrendo de medo dele e de seus guarda-costas, e só se sente segura o suficiente para se aproximar quando Derek começa a falar com ele. Era a hora certa para atendê-lo, com Derek por perto. Força um sorriso e diz para Cliff.

- ...sairemos em alguns minutos.

Vai rapidamente até Victor, prendendo o sorriso no rosto. Esforça-se para não parecer apavorada, mas treme segurando a coqueteleira, olhando os engravatados.

- Boa noite! Como posso servi-lo?

Pega a coqueteleira e algumas garrafas, mantendo as mãos ocupadas e aproveitando para desviar o olhar. Queria fazer logo aquele drink e se livrar daquela tarefa e deixar aquele homem com Soraia, que parecia tão alegre em recebê-lo. O cigarro em seu bolso a chama de uma maneira cada vez mais irresistível.

Ver perfil do usuário

17 Re: Razzoo Bar & Patio em Qua Mar 28, 2012 5:21 pm

Estava parado no balcão, enquanto era ciceroneado por Soraia a espera que a jovem bartender de nome Lucy, nome este me informado pela minha cicerone, me atendesse. Enquanto espero, meu desejo por apreciar o drink Martini Topázio só faz aumentar. Estava também a espera de meu mordomo, assessor e amigo Donavam, que traria consigo o Juiz Willian, outro grande amigo, com quem eu podia contar sempre que processos envolvendo a administração da cidade eram colocados em minhas mãos. Conversaria com os dois sobre algumas estratégias judiciais sobre o caso das desapropriações no Garden District.

Enquanto espero pelo atendimento, pude notar que Lucy me olhava com uma expressão que parecia lembrar medo. Era normal que os funcionários novos do Razzoo sentissem medo quando me viam chegar acompanhado por meus seguranças que possuíam a expressão de mafiosos. O rapaz com cara de não estar muito bem, logo ao lado de Soraia, chamou a atenção da bartender, e apontou para minha cicerone, que estava trajando um vestido vermelho com um decote que fazia os seios se destacarem.

A garota por sua vez, se aproximou do balcão, serviu uma bebida para aquele rapaz e trocou algumas palavras com um sujeito para trás dele. Não escutei o que eles conversaram, mas observei que ela queria fumar, pois aceitou um cigarro que o sujeito colocou sobre o balcão.

Troquei umas poucas palavras inaudíveis com Soraia sobre a bartender e o cigarro que ela acabara de colocar no avental.

Aquele rapaz com expressão ruim, após sinalizar para Soraia, o rapaz se voltou para mim com a voz perceptivelmente elevada, provavelmente para que eu o escutasse:

-Ai. Te conheço?

Não fazia idéia de quem tal sujeito era, mas pela maneira que estava vestido, deveria ser alguém de certa importância, sendo assim resolvi lhe dar alguma atenção do meu tempo enquanto esperava pela bartender e pelo Donavam.

- Se o senhor é de Nova Orleans já deve ter ouvido falar de mim, mas senão deixe me apresentar. Meu nome é Victor Calarram, sou dono do Escritório de Advocacia Calarram, um dos maiores escritórios do Estados Unidos...

Enquanto eu falava com o sujeito, a bartender se aproximou.

-Queira me dar um minuto Senhor – me voltei para Lucy.

-Boa noite senhorita Lucy! Por favor. Providencie para mim um Martini Topázio e para meus amigos aqui...– apontando para Joe e Demetre. – duas garrafas d’água. Depois de me servir, pode sair com seu amigo fumar o cigarro – apontando para o avental da garota - do seu avental. A minha amiga aqui – indicando Soraia – lhe concedeu um intervalo para arejar os pulmões com seu amigo.

Soraia sinalizou com a cabeça confirmando o que eu tinha falado.

Assim que terminei de fazer o pedido a bartender, comecei a me voltar para aquele rapaz, mas uma mão me tocou o ombro. Me virei para saber quem encostava em mim.
Finalmente ele havia chagado. Donavam era quem colocava as mão em meus ombros. Cumprimentei rapidamente com um aperto de mão.

- Donavam e o Willians, aonde está?

- Infelizmente, o Sr. Willian não pode se juntar a nós essa noite.

Fiquei chateado com a situação, mas ele era um juiz e decerto tinha coisas mais importantes para fazer.

Olhei para os olhos de Donavam e pude ver que ele queria me dizer alguma coisa em particular. Dei meu ouvido esquerdo para que ele me informa-se o que queria.

Enquanto ele fala, retirei meu celular do bolso e digitei uma sequência numérica pertencente a outro telefone.

Nesse momento pressionei a tecla de discagem e sinalizei com minha mão espalmada para o rapaz, aguardar mais um pouco que iria continuar falando com ele. Esperei algum tempo até ter minha ligação atendida. Tive que falar ligeiramente alto para que a pessoa do outro lado pudesse me ouvir.

- Boa noite!... Meu nome é Victor Calarram, e sou o advogado que esta assumindo o processo de desapropriação de algumas residências do Garden District a pedido da Vestrue. Fiquei sabendo pelo meu assessor que você gostaria de me encontrar. Se desejar pode se dirigir o Razzoo Bar&Pátio, localizado no French Quarter, e terei o maior prazer em conversar com você... Tudo bem eu lhe aguardo... Para me encontrar será fácil basta procurar na entrada uma senhorita de vestido vermelho, o seu nome é Soraia, basta se apresentar e ela, e ela lhe conduzira até a mim... Até logo.

Desliguei o celular e guardei no bolso novamente. Junto com esse movimento fiz meu corpo se aproximar ao corpo de Soraia e com meus lábios próximos ao seu ouvido dei-lhe as informações necessárias para reconhecer a pessoa com quem eu iria me encontrar, bem como informei que ela deveria conduzir tal pessoa até o local onde eu estivesse.

Com um simples sinal de cabeça ele se afastou rumo a entrada do estabelecimento.

Finalmente pude dar atenção aquele rezar que perguntara se me conhecia.

- Me desculpe por deixá-lo esperando, mas infelizmente os negócios me chamaram. – Agora que ele já sabia quem eu era, estava na vez de eu tentar saber quem ele era, para saber se assim eu continuaria estendendo minha atenção por mais algum tempo ou se iria até a mesa conversar com aqueles que me aguardavam. – Agora que já me apresentei, peço a gentileza que se apresente. Quem é o senhor?

Meu momento ali era de espera. Espera do meu drink, espera pela pessoa que iria me encontrar ali, espera pela resposta do rapaz. Por fim, só me restava esperar.

Ver perfil do usuário

18 Re: Razzoo Bar & Patio em Sab Mar 31, 2012 3:18 pm

Bem, ele tinha pedido uma apresentação, não poderia negar, mas também não estava esperando um currículo. Ficou apenas olhando para o homem, tentando evitar ao máximo uma expressão incrédula ou algo do tipo, por assim dizer. Deveria estar acostumado com esse tipo de comportamento. Frequentara a alta sociedade nova-iorquina tempo suficiente para enfrentar gente mais presunçosa e com motivos bem mais sólidos para isso. Mesmo assim ainda conseguia se impressionar ao recebe as famosas “carteiradas”. Não só pelo fato da surpresa em si, mas também por isso ser uma espécie de trunfo, e como tal, deveria ser guardada para um último caso. Fora que um nome conhecido tende a trazer problemas com a mesma frequência em que traz facilidades. Porém o que realmente lhe chamou a atenção foi a bartender ao se aproximar. Já havia reparado que esta parecia inquieta quando lhe devolvera a bebida. Achou que pudesse ser apenas o número de clientes, afinal, quem não ficaria com tanto barulho, pessoas te chamando e drinks para preparar. Mas agora havia algo de diferente.

Enquanto bebia um gole do copo batizado, observou a moça. Foi um pouco rápido, mas deu para perceber. Havia algum nervosismo nela. Scarface e sua trupe não pareciam ter percebido, já que se continuaram agindo normalmente. O chefão ia se entretendo com seu novo amigo e com o telefone. A loira aproveitara o novo amigo para variar na bajulada, e os armários, bem, faziam papéis de armários. Não sabia se o pulador de balcões também notara, mas não decidiu esperar para comprovar. Aproveitou a distração do grupo para tentar falar com a barmaid - Não me leve a mal Lucy, mas ou esse drink exige um sacolejo de corpo inteiro ou você não está muito bem. E olha que de passar mal eu entendo - A voz era alta o suficiente apenas para moça ouvir em meio a todo o barulho existente no lugar - Se precisar de alguma coisa, sair para respirar um pouco, pode falar. Não deixaria nossa bartender preferida na mão, ainda mais quando esta cuida dos clientes sofridos - Um sorriso ajudaria nessa situação? Normalmente sim, ao menos ele o fez. Não custava nada tentar.

Realmente queria ajudar de alguma forma. Uma possível maneira seria descobrir a origem do problema, mas não chegaria assim perguntando. Ele nem é tão descarado. Decidiu tentar o motivo mais provável, e só uma coisa ali se mostrava mais incomoda que o pulador de balcões. A comitiva do Senhor Calarram atraia olhares não só pelo tamanho, mas principalmente pelos dois “rottweilers” em busca de carne fresca que o cercavam. Se realmente fosse o caso, não seria de se impressionar o fato de Lucy estar nervosa. Derek mesmo quase se sentia no filme “Goodfellas”, e provavelmente boa parte do Razzoo estava esperando pela entrada de Robert De Niro a qualquer momento.

Ao menos esse era um assunto que poderia resolver, ou tentar. Não perdeu a oportunidade quando Victor lhe retornou a atenção - Sem problemas. Só uma coisa antes. É ótimo que seus seguranças sejam intimidadores, mas digamos que eles intimidam demais! - Ele aponta com a cabeça para algumas pessoas ao redor que olhavam e rapidamente retornavam aos seus assuntos. Tentava ser cordial no máximo que conseguia. O fato de precisar de um monstro de cada lado, não pode ser pelos melhores motivos - E não são só as outras pessoas do Razzoo que acabam se incomodando. Digamos que eles poderiam se misturar ao pessoal ou ir para um canto mais na parede, afinal, estamos aqui para nos divertir não é mesmo? Por sinal, sou Derek - O rapaz estende a mão para um comprimento.

Ver perfil do usuário

19 Re: Razzoo Bar & Patio em Sab Mar 31, 2012 3:57 pm

Post Anterior:
Mar 24, 2012 - Arnaud's Restaurant

O jantar estava excelente. A cozinha do Arnaud's fazia jus ao preços em seu cardápio e ao seu reconhecimento internacional. Não deixo de achar curioso um restaurante de culinária créole administrado por uma família italiana, mas sou obrigada a admitir que o “casamento” deu certo.

Saboreio a comida com calma, o baixo movimento no Arnaud's tornava a noite mais agradável. Jantava com tranquilidade, sem os típicos falatórios das mesas adjacentes e sem o incômodo do andar frenético dos garçons. Finalizava o meu jantar com um café brûlot quando ouvi o toque abafado de meu celular, de dentro da bolsa. Atendi sem olhar o numero no visor, deduzindo ser Claire com alguma novidade sobre a questão Vestrue.

- Alô.

- Boa noite!... Meu nome é Victor Calarram, e sou o advogado que esta assumindo o processo de desapropriação de algumas residências do Garden District a pedido da Vestrue. Fiquei sabendo pelo meu assessor que você gostaria de me encontrar. Se desejar pode se dirigir o Razzoo Bar & Pátio, localizado no French Quarter, e terei o maior prazer em conversar com você.

- Boa Noite, Sr. Callaram. Estou em um restaurante próximo do Razzoo, chego em 20 minutos.

- Tudo bem eu lhe aguardo... Para me encontrar será fácil basta procurar na entrada uma senhorita de vestido vermelho, o seu nome é Soraia, basta se apresentar e ela, e ela lhe conduzira até a mim... Até logo.

A ligação foi encerrada. Fitei o visor do meu celular por alguns instantes, calculando o trajeto que o meu numero de telefone havia feito até chegar as mãos do advogado da Vestrue. Claire era uma secretária eficiente, sem duvidas. Salvei o numero do Sr. Calarram em minha agenda pessoal e enviei um SMS para Claire, agradecendo a presteza em conseguir contato com o advogado.

Paguei a conta no Arnaud's, me despedi do garçom e do maitre que me atenderam durante o jantar e me dirigi ao Razzoo. A distância entre o Arnaud's e o Razzoo pode ser vencida a pé com facilidade, por isso, caminhei pelas calçadas devagar, me questionando por que um advogado de renome marcaria um encontro em um boteco.

Não gosto de bares, boates, danceterias ou qualquer outra coisa do gênero. Lugares desse tipo são tumultuados, barulhentos e abusam tanto de iluminação artificial que é difícil distinguir do que as paredes são feitas.

Parei do outro lado da rua, observando a movimentação na entrada do lugar, pela quantidade de gente do lado de fora, pude calcular que, por dentro, o Razzoo seria uma sucursal do inferno e, infelizmente, estava certa.

Barulho, que algumas pessoas insistem em chamar de música , gritaria, um cheiro de bebida tão forte que era possível se embriagar apenas respirando um pouco mais fundo e pessoas, muitas pessoas. Não chego ao ponto de ser agorafóbica, apenas odeio multidões. Havia tanta gente por metro quadrado no Razzoo que comecei a me perguntar como a estrutura daquela construção suportava o impacto, seria algo interessante para se analisar, se não houvessem assuntos mais importantes em pauta.

Seguindo informações de alguns frequentadores, consegui localizar Soraia no bar, após um breve dialogo, a mulher me guiou até o Sr. Calarram.

Resumidamente, era um homem novo, atraente, mas novo demais para ser um advogado de respeito, estava cercado por dois gorilas “a la macarrone” e conversava com um rapaz, aparentando ser ainda mais novo que ele. Do outro lado do balcão uma jovem se desdobrava para atender todos os alcoólatras pendurados no bar, enquanto um velho feio parecia flertar com ela.

Revirei os olhos, pedindo aos deuses que tudo fosse apenas uma primeira péssima impressão. Respirei fundo e me aproximei do advogado.

- Sr. Calarram, com licença. - Interrompi a conversa dele com o outro rapaz, com a voz firme, porém educada. - Boa noite, desculpe interromper.

- Boa noite. - Cumprimentei o rapaz com quem o Sr. Calarram conversava e voltando a atenção para o advogado, prossegui.

- Sou Annabeth Chase. Conversamos à pouco pelo telefone. Existe a possibilidade de conversamos em um lugar menos tumultuado?

Ver perfil do usuário

20 Re: Razzoo Bar & Patio em Ter Abr 03, 2012 7:35 pm

O Razzoo, na teoria, é um lugar onde as pessoas vão se divertir. Cliff se pergunta onde foi parar essa tal diversão. Já estava há um bom tempo em pé e seus únicos sorrisos foram aqueles lançados para Lucy cheios de segundas intenções, tentando animar a noite dela – e a sua também. Ele se pergunta se é realmente possível que exista uma bartender triste, ou uma que passe tamanha tristeza para todos à sua volta, porque a garota não está conseguindo disfarçar que está, no mínimo, desconfortável esta noite.

Mais uma tentativa fora feita com o cigarro. Já não esperava que viesse alguma resposta positiva, mas foi surpreendido pela aceitalçao do convite. Para ficar melhor, o rapaz bem vestido surge como um anjo e consegue uma folga para Lucy. Cacetes que foi a peituda que conseguiu...

Cliff vira os olhos todos para o lado do engravatado, sem girar a cabeça. Tentava ver com o rabicho dos olhos se o cara estava só brincando com eles e que tudo aquilo não passava de um monte de abobrinhas de um bêbado delirante. Parece estar falando sério. Os olhos se movem lentamente até encontrar com os de Lucy, e quando o fazem ele sorri. Era a expressão da vitória.

A bartender continuava a atender sua platéia e a coisa poderia demorar a fluir. Ele se vira para Derek e interrompe sua conversa com o salvador da noite tocando em seu ombro e fazendo uma pequena força para virá-lo e ficar ambos frente a frente.

_ Aí, Derek... Vou pegar um ar com a minha garota. – Cliff abre um sorriso muito devagar enquanto saculejava a cabeça afirmativamente _ Legal te conhecer, cara. – vira-se para Victor _ Foi bom te conhecer também. – repete o mesmo gesto, mas já com o sorriso aberto; antes de sair de perto dos dois ele dá dois tapas vigorosos no braço de Victor, cumprimentando-o de modo bem informal _ Belo terno.

Caminha até uma das extremidades do balcão. Apontava o mesmo caminho para Lucy, para que o acompanhasse naquele sentido. Na verdade não andou nem três metros até chegar naquela portinhola que separava as bebidas no lado de dentro dos biriteiros do lado de fora. Ele levanta a tampa e fica apontando para ela e para Lucy, dizendo que se ela não fosse até lá agora ele invadiria aquele local. Acaba sendo cortado por um garçom que teve que passar por ali e ganha um esporro gratuito por mexer em local inapropriado.

_ Ui! Não pode segurar a portinha qu ele fica brabo! – com o cigarro na boca Cliff levanta as mãos para o alto no mesmo gesto de quem diz “eu me rendo”.

Quando o sujeito vai embora ele novamente levanta a tampa do balcão. Fica olhando para Lucy diretamente. De longe, movimentava os lábios de forma caricata para que ela entendesse o que ele lhe dizia sem proferir som algum: “vamos, é só um cigarro.”

Ver perfil do usuário

21 Re: Razzoo Bar & Patio em Qui Abr 05, 2012 8:03 pm

Quando o Derek falou sobre meus seguranças, não sabia se ria. Poucas vezes fui até o Razzoo para me divertir. Quando eu era estudante e meus pais ainda viviam, eu me divertia ali, mas depois disso, passei a ir até o Razzoo para tratar de assuntos importantes e normalmente para tratar de alguns negócios. Pelo pouco que pude aprender nesses anos em que assumi os negócios da família foi que existem certos negócios que não bom tratar na solidão de um escritório, pois as pessoas tendem a não perceber aquilo que esta na frente delas, sendo que o inverso é igualmente verdadeiro, aquilo que não é mostrado aguça a curiosidade das pessoas.

Meus seguranças não tinham a fisionomia intimidadora por acaso e o objetivo não era agradar, por sinal, o objetivo era fazer as pessoas que se aproximassem pensar duas vezes antes de tentar algo contra minha pessoa.

O mundo sempre foi um local perigoso, e para os detentores do dinheiro e de um relativo poder, o mundo é historicamente mais perigoso.

Demetre e Joe me acompanhavam há muito tempo, e para mim eles eram mais que meus seguranças, eles eram quase como membros da minha família.

Donavam costumava a me acompanhar em quase todos os eventos em eu trataria de negócios, mas só ficava nos primeiros momentos, para se certificar que eu não precisaria de algo então em breve ele também partiria do Razzoo para minha casa, onde ele morava desde que meu pai o contratou.

Como não costumava ficar na pista e nem no bar do estabelecimento, realmente não era de se estranhar que as pessoas do Razzoo olhassem com estranheza um sujeito com seguranças intimidadores e um assessor, mas eu não estava preocupado, só estava ali esperando o meu drink, e dali partiria para o local que eu pertencia, iria para a área VIP do estabelecimento.

Após analisar mentalmente o comentário de Derek, estava pronto para engatar um longo dialogo com o mesmo, mas decidi somente fazer um comentário oportuno sobre a sua observação.

- Muito prazer senhor Derek. Em relação aos meus seguranças, não se preocupe, estou somente aguardando o meu drink e já irei me retirar para a área VIP. Garanto que lá eles não vão mais intimidar o senhor e nem aos demais...

No momento que eu fazia aquela curta explanação uma voz doce feminina, atingiu meus ouvidos. Parecia ser a mesma voz da mulher com quem eu conversei no telefone.

- Sr. Calarram, com licença.

Ao ouvir essas primeiras palavras me virei para ver quem era a figura que se dirigia a minha pessoa. Era uma jovem e bela mulher, com cabelos loiros. Aos meus olhos a beleza daquela jovem era exuberante.

- Boa noite, desculpe interromper.


Assim que ela cumprimentou Derek, levantei-me da careira em que estava acomodado junto ao balcão, para poder cumprimentá-la.

- Sou Annabeth Chase. Conversamos à pouco pelo telefone. Existe a possibilidade de conversamos em um lugar menos tumultuado?

Realmente era ela a mulher que eu tinha falado ao telefone.

- Boa noite senhorita Chase. É um prazer inenarrável conhecê-la. Com certeza posso providenciar que esse seu pedido seja atendido, mas me de um minuto por favor.

Realmente estava surpreendido em conhecer uma mulher tão jovem e bela se interessar por um negócio tão importante, mas eu tinha uma leve teoria sobre o que ela queria.

Conforme fui informado por Donavam quando ele falava em meu ouvido, Annabeth era m arquiteta e foi por esse atributo que eu a convidei a me encontrar, mas agora, vi que fiz muito bem em convidá-la, pois pude perceber que a mulher ali na minha frente possui muitos outros atributos.

Voltei-me para Derek enquanto colocava minhas mãos em um dos bolsos internos do meu blazer e de lá retirei um cartão branco com o logo, endereço e telefone do meu escritório.

-Senhor Derek, foi um prazer conhecê-lo, mas agora tenho que me retirar. – coloquei o cartão no balcão bem próximo a ele. – Se o senhor precisar de um advogado pode me contatar, aqui esta o cartão do meu escritório.

A vontade de beber aquele drink que eu tinha pedido para a bartender, havia sumido por completo, pois eu não poderia arriscar que os efeitos do álcool influenciasse meu raciocínio durante a conversa com aquela bela mulher, e muito menos poderia permitir que o meu instinto masculino sobressaltasse as atitudes racionais que iria adotar durante a conversa, sendo assim, coloquei a mão dentro do blazer novamente e retirei uma nota de 50 dólares e coloquei do lado de dentro do balcão, enquanto olhava para a bartender.

- Pode ficar com o troco Lucy. A propósito, entregue esta bebida para este senhor aqui. – apontando para o Derek.

Pronto já tinha feito todos os preparativos para rumar em direção a área VIP, com a senhorita Annabeth. Estava começando a me virar para ela, quando o sujeito que estava vestido de forma estranha atrás de Derek e que a pouco tinha ofertado o cigarro para Lucy falou olhando para mim.

- Foi bom te conhecer também.

Quem era aquele sujeito? Como assim foi bom me conhecer? Eu nem falei com ele. Sei lá. Deve ser um bêbado, que estava enchendo a cara. Deve ser um bêbado mesmo, quando cheguei ao bar ele estava até fumando em um ambiente proibido.

Voltei-me para Annabeth,

- Agora sim podemos ir para um local mais tranqüilo. Queira me acompanhar, por favor.

Assim que me preparei para dar o primeiro passo, aquele sujeito estranho se aproximou de mim, e deu umas tapinhas em meus ombros e seguindo esse gesto ele simplesmente falou.

- Belo terno.

Meu Deus do céu! Que homem louco era aquele. Os meus seguranças rapidamente olharam na direção dele, encarando por um curto espaço de tempo, pois o mesmo se dirigiu para uma portinhola no balcão. Realmente aquele sujeito deveria esta bêbado, ou pior drogado. Assim que ele começou a brincar com a porta do balcão, desviei minhas atenções para o que realmente me interessava, ou seja, levar aquela linda mulher para um local mais reservado para que pudéssemos conversar melhor.

Demetre, que era o maior e mais largo segurança partiu em minha frente, abrindo caminho, enquanto Joe e Donavam seguiam logo atrás da senhorita Annabeth.

Após uma pequena caminhada, por aquele local repleto de pessoas, finalmente chegamos à área dos mais seletos, chegamos à área vip. Dirigimo-nos até a mesa em nos acomodar-mos-ia, mesa essa que parecia ser permanentemente reservada para minha figura.

Ao nos aproximamo-nos dela, puxei uma cadeira e ofereci para que Annabeth se sentasse, enquanto me dirigia a ela.

- A senhorita aceita beber alguma coisa?






Ver perfil do usuário

22 Re: Razzoo Bar & Patio em Qui Abr 05, 2012 11:21 pm

(continuação de: Manicômio Abandonado)

Uma passada rápida em seu apartamento bastou para que pudesse esconder a Magnum e tomar um banho para tirar a mistura de suor, terra, sangue e fuligem que tinha no corpo. Não era a favor de se embonecar para sair, mas não podia ficar passeando pela cidade com aquela cara óbvia de quem tinha rolado no chão fugindo da polícia, muito menos tentar entrar em um bar carregando um revólver daquele calibre. Já tinha se arriscado demais por hoje.

Não demorou muito para o seu mau-humor desaparecer quando chegou ao bar lotado. Como um verdadeiro fã de uma boa bagunça, a agitação de pessoas conversando, bebendo e rindo logo despertou em si a vontade de curtir a noite também. Após uma ligeira análise pelo ambiente, desconfiou que o lugar fosse comportado demais para o seu gosto, mas se Jakob estava ali, então algo de bom tinha.

Avistou-o em uma mesa próxima do palco, onde havia dito estar, com outros dois caras que apesar de não ter amizade, pelo menos sabia quem eram. Por um milésimo de segundo, imaginou como seria legal chegar dando-lhe uma voadora na nuca. Só não o fez por que havia algumas garotas bonitas por perto, e isso certamente espantaria-as. Poderia se vingar um outro dia. Caminhou sério até eles, desviando-se das outras mesas com uma prática típica de quem frequenta muitos bares cheios.

- Se você pagar todas as minhas despesas hoje, eu prometo não te matar enquanto você dorme. - anunciou assim que sentou-se ao lado do amigo de cabelos artificialmente laranja, antes de cumprimentar os outros rapazes com um aceno de cabeça - Pode começar pedindo batata-frita e uma Heineken. - completou olhando o cardápio sem muito interesse.

- Ih bro, fica nervoso não... - respondeu Jakob, aproximando sua cadeira e envolvendo os ombros de Fog com um dos braços, sorrindo tranquilamente - Essas coisas aí é bom pra criar experiência de vida, saca?

- Vai pagar? - ignorou-o e insistiu, tirando o braço dele de cima de si e erguendo as sobrancelhas - Vai pagar? Vai pagar? - repetiu até que o amigo confirmasse e fizesse o pedido ao garçom mais próximo - Pode ir se acostumando, que você vai ser a minha puta pelo resto da noite.



Oito cervejas e duas doses de vodka circulavam pelo seu sangue algumas horas depois. Era como se a fuga patética e os minutos sinistros diante do que ainda acreditava ser uma fábrica abandonada, tivessem acontecido a dias atrás. O calor correndo pelos seu corpo deixava-o agitado e tagarela, agora tratando o amigo como se jamais tivesse passado pela sua mente dar-lhe uma surra. Já havia tirado a jaqueta que vestira, deixando seus braços tatuados à mostra na camiseta de mangas curtas, e com isso chamando a atenção das garotas que anteriormente notara. Engraçado que agora já não achava-as mais tão interessantes assim. Estava ocupado demais contando para todos, às gargalhadas, uma outra vez em que se enfiara em um enorme rolo com Jakob.

Por mais que reclamasse, Fog precisava admitir que não saberia viver se não fosse pra fazer uma merda ou outra de vez em quando. Não era resultado de uma má-criação de seus pais, pobrezinhos, já havia nascido assim. No passado não tão distante, espantava-se consigo mesmo por não ser adepto de drogas mais pesadas do que o álcool e o cigarro. Mas um dia chegou à básica conclusão de que não precisava de muita coisa para ir parar em outra dimensão. Se já havia pirado só ouvindo música, não existia motivo para querer usar um negócio que queimava seus preciosos neurônios. Quer dizer, mais do que a vodka queimava.

Quando voltou do banheiro pela vigésima vez, parou diante do palco baixo onde tocava uma banda do que acreditava ser Jazz. Não tinha reparado neles ali até o dado momento. Foi então que teve uma idéia, que soava maravilhosamente genial em sua cabeça. Esperou que eles chegassem à um intervalo entre as músicas e subiu no palco, um pouco cambaleante, indo até o vocalista negro e chamando-o em um cantinho.

- Moço, será que eu poderia cantar uma musiquinha?! - pediu à ele com extrema simpatia, tentando soar o mais sóbrio e profissional possível - Sou vocalista também! Minha banda se chama Subconscious Cruelty, já ouviu falar?

O homem riu e negou, parecendo meio reticente em deixá-lo cantar alterado, trocando olhares com os outros membros da banda antes de se afastar e ir cochichar com alguém atrás do palco.

- Tudo bem então, mas não vá desafinar, hein! - respondeu ele ao voltar, parecendo achar muita graça em Fog - Qual música você vai querer cantar?

Seu rosto se iluminou de alegria e suas bochechas já coradas de bebedeira ficaram ainda mais destacadas antes de respondê-lo. Tinha certeza de que eles saberiam tocar aquela música, era um clássico oldschool. Adiantou-se até o microfone com saltinhos discretos, seu coração já disparado com a ansiedade que sempre lhe acometia poucos instantes antes de cada show. O fato de não haver muita gente dando bola para o palco não diminuia nem um pouco a sua empolgação; faria os putos prestarem atenção de qualquer jeito.

- Oi? Oi! - testou enquanto arrumava adequadamente a altura do microfone - Oi, pessoal aqui no... - precisou olhar para as costas do cardápio na mão de uma mulher para se lembrar do nome do lugar - Razzoo! Meu nome é Nicholas Fog e eu vou cantar uma música, gentilmente cedida pelos... Pela... Banda da casa... - gesticulou na direção do baterista, sorrindo - Muito obrigado! Eu vou cantar Perfect Day, do Lou Reed, em homenagem ao meu amigo, meu melhor amigo, Jakob! - e esticou o braço na direção da platéia, rindo ao ver o amigo em questão quase se molhando de tanto rir - É aquele ali de cabelo laranja... Pelo nosso dia de hoje, que foi... Lindo! - afastou o rosto do microfone para fazer sinal à banda de que eles já podiam começar.


- Just a perfect daaay... Drink sangria in the paaark... And then later... When it gets dark, we go hooome... - sua voz saiu surpreendentemente mais afinada do que imaginou que sairia, deixando-o mais seguro - Just a perfect daaay... Feed animals in the zoo... Then later, a movie too... And then hooome... - o teclado ficou mais forte quando chegou o refrão, e Fog respirou fundo elevando a voz - Oh, it's such a perfect daaay! I'm glad I spent it with yooou! Oh, such a perfect daaay! You just keeeep meee hanging oooooon! You just keeeep meee haaaaanging oooooooon! - elevou o punho fechado no alto, dando ênfase e drama à letra antes de voltar ao estado calmo do começo - Just a perfect daaaay... Problems all left alooone... Weekenders on our own, it's suuuch fuuun... - balançava seu corpo de um lado para o outro, no embalo do ritmo - Just a perfect daaay... You made me forget myself... I thought I was someone else, someone gooood... - o refrão chegou novamente e dessa vez Fog fechou os olhos apertados, erguendo o punho ainda mais alto e entregando-se quase que comicamente - OOOH, iiiit's suuuch a perfect daaaaaay! I'm glad I spent it wiiiith yooou! OOOH, such a perfect daaaay! You just keeeep meee haaanging ooooooon! You just keeeep meee haaanging oooooooon! - e veio o solo instrumental, fazendo-o agachar-se um pouco, ainda agarrado ao microfone, franzindo o rosto em uma careta de quem está curtindo pra caralho - You're going to reeeaaap juuust whaaat you sooow... - voltou a suavizar a voz, desfazendo a careta mas mantendo os olhos fechados e o corpo balançante - You're going to reeeaaap juuust whaaat you sooow... You're going to reeeaaap juuust whaaat you sooow... You're going to reeeaaap juuust whaaat you sooow... - os instrumentos foram diminuindo até que enfim a música terminou.

Quando abriu os olhos e largou o pedestal, não imaginava receber tantos aplausos. Só podia atribuir o sucesso ao fato de todo mundo estar igualmente bêbado.

- Obrigado! Obrigado! Jakob, eu pago a próxima rodada, te amo cara! - declarou no microfone antes de soltá-lo de vez e ir cumprimentar e agradecer os membros da banda. Sentia-se radiante.


(nota: a voz do fog não soa nada como a do lou reed)

Ver perfil do usuário

23 Re: Razzoo Bar & Patio em Sab Abr 07, 2012 7:07 pm


De repente me senti inserida em uma cena moderna de O Poderoso Chefão. Se em algum momento de nossa conversa, o Sr. Calarram dissesse que seu sobrenome do meio era Corleone eu não me surpreenderia nem um pouco. O advogado falava com educação e elegância que combinavam com o seu status social mas destoavam do local onde estávamos e da idade que aparentava. Os dois seguranças pareciam mafiosos dispostos a liquidar qualquer pessoa que tentasse algo contra O Chefe. O Outro aparentava ser um secretário pronto para sacar um lenço de seda caso o Sr. Calarram espirasse. Eu estava em uma situação muito desconfortável.

Acompanhei o advogado até a área VIP sob os olhares de frequentadores curiosos, afinal, seguíamos no meio de um abre-alas e de duas escoltas. O Sr. Calarram agia como se aquilo fosse natural, enquanto eu lutava para não ficar constrangida com a situação, no fim não pude evitar ficar ruborizada. Respirei aliviada ao chegarmos à mesa na área VIP, um local mais tranquilo e confortável, onde a presença do Sr. Calarram parecia não chamar tanto a atenção.

- A senhorita aceita beber alguma coisa?

Sentei na cadeira que o Sr. Calarram me oferecia e agradeci com um sorriso gentil.

- Não, obrigada. - Dispensei a oferta de bebida. - Não consumo bebidas alcoólicas e duvido que o bar do Razzoo sirva algo que não tenha álcool.

Observei o Sr. Calarram e os homens que o acompanhavam e por alguma razão desconhecida a frase: "Um advogado com uma pasta pode roubar mais que 1000 homens armados." pareceu combinar perfeitamente com a situação. Acertei a minha postura na cadeira e dei inicio a conversa.

- Agradeço a sua atenção, Sr. Calarram. Me chame de Annabeth, por favor.

- Serei direta e pretendo ser breve. Imagino que esteja no Razzoo para se divertir e não para se ocupar com assuntos de trabalho, por isso prometo não tomar muito de seu tempo.
- Falei, mantendo o tom de voz sereno e um sorriso gentil. - Creio que já saiba que eu sou arquiteta e que estou interessada no processo de desapropriação de Garden District.

- O fato é que sou a arquiteta responsável pela maioria das restaurações, reformas e reconstruções realizadas nos últimos dois anos no bairro histórico. Inclusive, assinei os projetos de restauração de boa parte das residências que estão na listagem divulgada pela Vestrue C.O. Isso explica o meu interesse neste assunto.

- Eu gostaria de saber, a principio, em que termos transcorre esse processo de desapropriação, já que, pelo que me consta, essas construções são Patrimônio Histórico dos Estados Unidos. E qual será o destino dessas residências caso esse processo venha ser, de fato, executado?

Ver perfil do usuário

24 Re: Razzoo Bar & Patio em Dom Abr 08, 2012 6:17 pm

Primeiro equívoco daquela linda e sexy mulher. Para nós que possuímos dinheiro e estamos na área VIP, tudo existe. Bebida sem álcool era o que não faltava no Razzoo, desde um simples refrigerante até mesmo drinks fabulosos de frutas, feitos sem uma simples gota de produto etílico, mas não queria arriscar, e nada é tão neutro e bem vindo para uma pessoa que não tem o vicio da bebida do que o líquido mais puro e cristalino do qual todos os seres vivos são formados.

Enquanto me sentava, chamei com um aceno de mãos Donavam para perto, e este partiu pra o interior do local em que nos encontrávamos.

-Donavam, por favor, providencie duas águas para nós.

- Agradeço a sua atenção, Sr. Calarram. Me chame de Annabeth, por favor.

Assim que me acomodei na cadeira, sinalizei para que meus seguranças se afastassem um pouco. Assim que eles se encostaram em uma parede próxima, tratei de fixar meus ouvidos naquela loira, bem como meus olhos analisaram de forma sutil as suas curvas sensuais.

- Tudo bem, chamarei a senhorita como desejar, mas em troca me chame somente de Victor.

- Serei direta e pretendo ser breve. Imagino que esteja no Razzoo para se divertir e não para se ocupar com assuntos de trabalho, por isso prometo não tomar muito de seu tempo. - Falei, mantendo o tom de voz sereno e um sorriso gentil. - Creio que já saiba que eu sou arquiteta e que estou interessada no processo de desapropriação de Garden District.

Realmente aquela mulher sabia ir direto ao ponto. Em todas as conversas que tive com pessoas que queriam conversar sobre negócios, a maioria fazia rodeios intermináveis, sobre diversas coisas até que finalmente chegavam ao dito cujo. Era realmente bom encontrar pessoas que sabiam o que queriam e não tinham medo de se expor.

Escutei atentamente cada palavra pronunciada por aqueles lábios sedosos. Realmente estava interessado no que ela tinha a dizer, e a cada palavra eu me interessava mais nela.

Esperei o momento certo para interrompê-la. Assim que ela deu uma leve brecha em seu raciocínio falado, intervi de forma gentil e amena, para não parecer de forma alguma uma repreensão, ou querendo ser o chato da festa que fica corrigindo o raciocínio dos outros.

- Cara Annabeth, eu estou no Razzoo para tratar exatamente de negócios. Infelizmente meu convidado não pôde estar presente, e só fiquei aqui para esperar a senhorita. Nunca se perde tempo quando se está com uma senhorita tão bela, se o que você me falar não for de meu interesse, pelo menos passei este momento com uma jovem esplendorosa. E com a maior das certezas eu já sabia quem a senhorita era graças a sua secretária, e foi por causa da sua profissão que eu resolvi encontrá-la.

- O fato é que sou a arquiteta responsável pela maioria das restaurações, reformas e reconstruções realizadas nos últimos dois anos no bairro histórico. Inclusive, assinei os projetos de restauração de boa parte das residências que estão na listagem divulgada pelaVestrue C.O. Isso explica o meu interesse neste assunto.

- Eu gostaria de saber, a principio, em que termos transcorre esse processo de desapropriação, já que, pelo que me consta, essas construções são Patrimônio Histórico dos Estados Unidos. E qual será o destino dessas residências caso esse processo venha ser, de fato, executado?

Ela estava querendo entrar em um terreno que nem mesmo eu conhecia. Se o filho da puta do Willian tivesse vindo me encontrar, agora pelo menos eu saberia o que me esperava. Mas tinha que falar alguma coisa para ela, não podia eu, Victor Calarram, dono de um dos maiores escritórios de advocacia dos Estados Unidos, ficar sem o que dizer perante uma linda, porém simples arquiteta.

-Então, as desapropriações no Garden District, serão minha prioridade pessoal e também de todo o meu escritório assim que os termos financeiros com a Vestrue C.O. estiverem ajustados, coisa que deve acontecer amanhã.

Annabeth, infelizmente só posso teorizar em aspectos levemente lógicos o que a Vestrue pretende fazer. Como a maioria das pessoas deve ver, mas não perceber ou não querem perceber, a Vestrue é um grande investidor na nossa cidade, trazendo a modernidade para ela, bem como a preservando. Praticamente todos os grandes empreiteiros e construtores da cidade já se associaram a ela. Tenho para mim que a Vestrue irá sim levar modernidade para aquele lugar arcaico em que eu moro – como ela era arquiteta, fiz questão de informá-la que também morava em no Garden District, quem sabe ela não teria interesse em conhecê-la, sei que meu quarto é um local formidável para uma senhorita tão atraente como ela se deleitar - mas irá também preservar alguns pontos importantes, talvez os transformando em museus, salas de teatro ou coisas do gênero, pois como sabemos, a história de um povo deve andar lado a lado com seu futuro. O que sei é que com os constantes investimentos feitos por essa empresa, cada vez mais pessoas estão vindo para cá, e com isso mais cultura e dinheiro, passará por aqui. Mas como eu disse pra você Annabeth, isso é somente uma teoria levemente lógica.

Quanto a como desapropriar as propriedades histórias no Garden District eu sabia muito bem como proceder, isso é uma das primeiras coisas que um estudante aprende no terceiro ano de faculdade, nada mais nada menos do que trâmites processuais.

- Agora, quanto a como fazer para desapropriar essas residências, deixe isso comigo se realmente eu for o patrocinado pra essa causa, saberei muito bem como proceder.

Donavam, finalmente retornou de onde quer que ele tenha ido. Em sua mão direita havia duas garrafas de vidro de cor azul de água mineral, e na outra mão duas taças de cristal próprias para se consumir tal liquido. Ele colocou uma taça na minha frente e outra na frente de Annabeth, depois abriu as garrafas e nos serviu. Assim que ele terminou, deu um pequeno gole na água da minha taça. Com um simples gesticular da minha mão ele se aproximou e sem desviar meus olhos daquela mulher que estava sentada na minha frente lhe falei.

-Obrigado Donavam! Agora pode se retirar. Creio que não precisaremos mais de seus serviços esta noite.

A jovem arquiteta, já tinha falado o que ela pretendia saber de mim, agora estava na hora de eu falar o que eu pretendia com ela. É uma pena eu não poder falar o que eu realmente queria, pois tinha que me o assunto no âmbito profissional.

- Agora que eu já sanei o seu interesse, devo lhe dizer que eu tenho um interesse também na senhorita, interesse esse que aumentou com suas palavras. -eu estava interessado em mais coisas alem do lado profissional, eu tinha interesse também naquelas curvas - Como a senhorita foi a responsável por reformar, e também em restaurar alguns daqueles edifícios, quero saber se caso o meu escritório seja realmente patrocinado pela Vestrue, a senhorita estaria disposta a informar através de um parecer técnico, as alterações estabelecidas nas reformas, e se por um triste acaso do destino não houver o dito patrocínio, pergunto se a senhorita estaria disposta a falar se o que houve nos prédios foram simplesmente restaurações, assim mantendo o que foi alegado até agora pelos proprietários.

Chegou a hora de tentar convencê-la, e infelizmente, o dinheiro ou a sua promessa é algo que raramente não convence as pessoas, mas não podia colocar isso escancarado para ela, pois como dizia meu falecido pai, “todo mundo se vende, mas muitas pessoas se sentem ofendidas quando o que se oferece é dinheiro”, então eu tinha que deixar claro que ela teria muito que ganhar se associando a mim nesse empreendimento.

- Se a Vestrue nos patrocinar, meu escritório terá muito que ganhar, e quero dividir os louros com quem estiver disposto a colaborar comigo, caso contrario, quero ter minhas garantias de que não haverá risco de que eu não seja o advogado da Vestrue, e novamente saberei recompensar quem estiver ao meu lado.

Pronto já tinha falado o que queria inicialmente dela.

- Agora lhe faço a seguinte pergunta, aceita minha oferta?

Ver perfil do usuário

25 Re: Razzoo Bar & Patio em Dom Abr 08, 2012 8:55 pm


Babaca. A educação que recebi de minha avó e durante o tempo que permaneci em Maplebrook me impediam de formular qualquer palavra mais ofensiva, por isso tudo o que conseguia pensar era: Babaca.

Percebi os olhares pouco profissionais do Sr. Calarram poucos minutos depois de darmos inicio à conversa. Não que me incomodassem, de fato. Toda mulher, e não sou exceção, gosta de ser admirada, principalmente por um homem bonito, porém eu não estava no Razzoo para me divertir e muito menos para servir de diversão de fim de noite para ninguém.

Reagi com indiferença ao flerte e me mantive focada na parte prática de nossa conversa, apenas para constatar que as palavras podem destruir todo o charme de um homem. Victor Calarram era lindo, um belo babaca.

Acompanhei cada frase dita pelo advogado, em silêncio e com a atenção aguçada, pesando cada palavra, enquanto percebia que o meu próprio foco sobre a situação se alterava drasticamente. Se no inicio da noite eu ponderava a possibilidade de manter uma relação profissional com a Vestrue C.O e seus associados durante os trabalhos de “reformulação” em Garden District , agora, estava disposta a trabalhar para transformar a iniciativa da Vestrue C.O e o processo do Sr. Calarram em desafios titânicos.

Não que tudo o que o Sr. Calarram tenha tido seja absurdo ou idiota, devo admitir que o advogado falava com alguma propriedade, o fato é que não suporto a ideia de ter a dignidade do meu trabalho, da arquitetura, posta em xeque.

Diferente da horda de profissionais hipócritas que imundam todas as profissões, eu não trabalhava por dinheiro, não havia escolhido a arquitetura por ser uma profissão lucrativa, mas duvidava que alguém como Victor Calarram compreendesse o sentido de se trabalhar por um ideal maior do que uma conta bancária.

- Agora lhe faço a seguinte pergunta, aceita minha oferta? 

Respirei fundo e tomei um gole da água mineral que me fora servida pelo Outro, que agora eu sabia chamar-se Donovam. Encarei o Sr. Calarram enquanto ponderava as palavras adequadas para a minha resposta. Meu tom de voz, minha expressão, meu olhar, nada mudou quando comecei a falar, mas senti meu rosto queimar, um sinal de que estava ficando ruborizada, não por constrangimento dessa vez, mas por indignação.

- Não considero que arcaico seja o termo mais apropriado para classificar Garden District. É um bairro histórico, pode ser chamado de antiguado, talvez. Esqueci de mencionar que a minha especialidade é Arquitetura Antiga. - Frisei a palavra “antiga” propositalmente.

- Como morador de Garden District deve saber que a maioria das construções daquele local são do período Antebellum, que foram construidas muito antes da sua reputação como advogado, da minha como arquiteta ou da Vestrue como seja-la-o-que-for. Essas mansões assistiram e resistiram à episodios históricos importantes demais para, agora, serem tratadas como casas velhas que devem ser modernizadas ou transformadas em meros museus. Locais como Garden District devem ser tratados com respeito, Victor, exatamente por isso que são declarados como Patrimônio Histórico.

Fiz uma pausa, enquanto bebia mais um pouco da água na taça, deixando que as minhas palavras iniciais fossem digeridas pelo advogado.

- Me corrija se eu estiver errada, e duvido que esteja, mas a sua residência não está na listagem de imoveis a serem desocupados, está? - A pergunta saiu acompanhada de um leve sorriso.- Se estivesse, você aceitaria, pacificamente, que lhe expulsassem de sua casa e transformassem em sala de teatro o lugar onde algumas gerações da sua família viveu e morreu? Não creio que os moradores de Garden District, com o poder social e financeiro que possuem, acatem de braços cruzados esse processo de desapropriação. Mas, claro, que isso é apenas uma teoria levemente lógica de minha parte.

- Quanto sua oferta, o que posso dizer? - Abri um sorriso mais largo, que se fechou em seguida em uma expressão séria.- Posso garantir que em todos os projetos que assinei e em todos os outros que, apesar de não serem de minha autoria, acompanhei a execução, não foram realizadas modificações que invalidem o tombamento dessas construções, também sou capaz de garantir que nada nesse sentido foi feito antes de eu assumir os projetos. Como disse, sou especialista em Arquitetura Antiga e conseguiria identificar com certa facilidade qualquer mudança que prejudicasse a dignidade histórica daquelas mansões.

- Se é nesses termos que pretende basear o seu processo, sugiro que reveja o caso. Agora, se acredita que eu vá forjar laudos técnicos para atender a sua necessidade, sugiro que reveja os seus conceitos com relação a minha pessoa. Se deseja um laudo com a minha assinatura, terá um laudo integro, honesto.

- Isso é o suficiente para o seu escritório? Você é bom o bastante para vencer um processo dessa proporção com argumentos e documentos honestos?


Ver perfil do usuário

Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo  Mensagem [Página 1 de 2]

Ir à página : 1, 2  Seguinte

Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum