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Supai Motel

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1 Supai Motel em Sex Jun 08, 2012 10:38 pm



Lakefront é um território tão selvagem que até as partes urbanas são selvagens. Com a Rota 68 avançando pela escuridão do bairro, são poucos os lugares onde você encontrará algum tipo de civilização e/ou ajuda em meio a quilômetros e quilômetros de asfalto. O Supai Motel é a única parada no trecho de estrada que liga a fronteira de Nova Orleans à cidade em si, incorporando aquela expressão "parada obrigatória" como nenhum outro lugar.

Por ser justamente a única opção na área, o motel recebe desde famílias com crianças à prostitutas e seus garanhões, cada qual em seu quartinho isolado - tão isolados quanto às frágeis paredes de madeira permitem. A única checagem/segurança que o local fornece é o livrinho com o nome dos hóspedes que o funcionário de plantão mantém na entrada. A pessoa fornece um nome, uma identidade (ok, nem sempre o funcionário pede), paga adiantado e recebe a chave do quarto. Simples assim.





O Supai Motel conta com quartos com duas camas de solteiro ou com uma cama de casal. Em todos eles há um sistema de aquecimento que teoricamente funciona bem, um frigobar, chuveiro, mesa com duas cadeiras, um sofá, e a especialidade da casa: TV a cores! Do lado externo há um amplo estacionamento, uma lixeira industrial, uma máquina de Coca-cola, telefone público e uma única e mísera bomba de gasolina (que também teoricamente deveria funcionar). Na Recepção, onde trabalha o funcionário que registra os hóspedes, há uma cafeteria bem pequena e interiorana, com uma senhora loira de mei-idade vestindo um avental branco e azul anotando os pedidos dos - sempre raros - fregueses. Também há uma máquina com barras de chocolates da Hershey. É ou não é um luxo?

A despeito de sua imensa utilidade e importância para os viajantes, o motel constantemente é lugar onde são feitas transações de drogas e também funciona como ponto de prostituição disfarçada, fora os assassinatos esporádicos a qual todo estabelecimento de beira de estrada está exposto.

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2 Re: Supai Motel em Dom Jun 24, 2012 11:54 am

Continuação deste post.

Nas ruas do French Quarter


Jason sentia-se como se tivesse acabado de sair de uma anestesia. Fome, sono, e um formigar pelo seu corpo proveniente das incisões que sofrera. As marcas de Eve ainda estavam nele, e ardiam deliciosamente em contato com o couro de sua jaqueta. Andou pelo French Quarter naquela manhã procurando seu carro, mas não conseguia pensar sem algo na barriga. Não se lembrava da última vez que colocou algo na barriga. Todos os seus últimos desejos se limitavam a ter Eve mais uma vez.

Entrou no primeiro fast-food que encontrou e foi até o balcão. Aquele cheiro de gordura foi até seu cérebro, e o trouxe lembranças de comidas que não comia há mais de três anos. E hambúrgueres estavam na lista. Dentre todos os lanches que se lembrava, tinha suas preferências. Os números um, quatro, sete e onze. Todos com adição de bacon. Até lembrava-se dos números! Jason não era uma pessoa muito boa com números. Perdia a paciência até para contar o dinheiro que estava na maleta. Preferia gastá-lo até que acabasse, e então tivesse que conseguir mais. Mas esses números apareceram em sua mente como mágica, sem nem precisar encarar o painel luminoso com preços e fotos utópicas dos lanches.

- Qual é o seu pedido, senhor? - Disse a adolescente de aparelhos com uma felicidade exagerada que fez Jason pensar que ela tinha algum problema.

- Quero o um, o quatro, o sete e o onze.

- Pois não, senhor... Ah! Me desculpe, senhor, mas estamos servindo ainda o cardápio do café da manhã.

O sorriso da menina que forçava simpatia o incomodou, principalmente pelo reflexo da luz do sol no aparelho da garota. Isso fez Jason fechar a cara, como se estivesse realmente bravo com aquele fato, e deixar cair sua mala de ginástica repleta de jóias e com suas armas. Aquilo fez um barulho que chamou a atenção de todos da loja, que o olharam. Grandes mães com suas crianças obesas, trabalhadores de terno barato, adolescentes que, como Jason, ainda não haviam dormido. Todos ficaram em silêncio, tensos e assustados com a figura do brutamonte. A atendente ficou tensa. Ela já tinha visto aquele filme. "Dia de Fúria", onde um homem maluco com uma mala EXATAMENTE igual aquela, cheia de armas, fica descontente com o fato do seu pedido não poder ser servido naquele horário, e destrói a loja. E pelo visto, todos ali haviam visto o filme, pois se comportavam exatamente como os figurantes no momento em que Michael Douglas tirava a arma da sacola. Um silêncio tumular.

- Com licença, senhor. Vou ver o que posso fazer, senhor.

A garota saiu apressada para falar com seu gerente. Jason deu de ombros, percebeu a tensão que havia causado na menina, mas não queria assustá-la. Só queria que ela parasse de sorrir e jogasse aquele "ar" na cara dele. Ele não queria confusão, não queria problema algum. Era um fugitivo de um assalto, e estava COM o produto do roubo ali. E ele também adorava bacon com ovos. Poderia comer quilos disso naquela hora.

O gerente olhou para seu distinto cliente, sorriu nervosamente, e parecia ter vontade de ir ao banheiro pelo jeito que se movia e juntava as pernas. Suas mãos tremiam quando ele passou um cartão no caixa para desbloquear as opções que ele desejava, enquanto a menina corria para a chapa para orientar a linha de produção calórica sobre o pedido atípico do homem. Jason estava prestes a trocar seu pedido quando o gerente começou a digitar na máquina, falando alto.

- C-confirmando seu p-pedido, s-senhor... Um... Quatro... Sete e onze. Correto senhor?

Jason deu mais uma vez de ombros, feliz por poder comer os hambúrgueres que queria. Mas o bacon e ovos já estavam em sua mente.

- Sim. E... O especial de café da manhã com ovos e bacon.

- Size ou super size, senhor? - Perguntou o gerente, ainda nervoso, se referindo ao tamanho das batatas e refrigerante.

- Super size! - Respondeu Jason, agora finalmente sorrindo, se sentindo uma criança obesa por ouvir aquela pergunta e ficar animado com ela. Precisa comer, e muito! E rápido!

- São cinqüenta e três dólares e vinte e cinco centavos, senhor. - Disse o gerente, aliviado, correspondendo o sorriso de Jason como se tivesse acabado de fazer suas necessidades, ali mesmo. O resto do salão também se aliviou, e aos poucos voltaram a comer e a fazer barulho.

Mal pagou e todo o seu pedido já estava ali. Acabaram dando pra ele o brinde do lanche de criança que encarou pelo tempo em que esperou pelas batatas que acabavam de fritar. Era um Hott Wheels da série "Pilotos de Fuga". Achou aquilo irônico e engraçado.

Debulhou sua comida, como um animal. Lamentou por ter se esquecido de pedir bacon também nos lanches, e acabou colocando neles o café da manhã especial, para compensar. Sua barriga chegou a doer quando terminou, mas sua mente voltou a funcionar. Saindo dali, achou seu carro, e foi embora o mais rápido que pode. Acabou passando na frente do Temptation em seu caminho, e suspirou, imaginando se por acaso veria Eve, ou seja qual for o nome dela, saindo dali. Talvez em seus sonhos. Agora precisava dormir mais do que qualquer outra coisa.

No Supai Motel


Jason havia guardado a localização do Supai Motel quando passou por ele ao chegar em NOLA. Aquele motel de beira de estrada era o lugar ideal para que passasse um tempo até se decidir o que fazer, onde ficar, e criar contatos consistentes na cidade. Se pudesse, ficaria na cama de Eve no Temptation, mas isso certamente acabaria com todo o conteúdo de sua mochila de ginástica rapidamente. Estacionou seu carro na melhor sombra que encontrou, e foi para a recepção.

- Quero um quarto.

- Pagamento adiantado.

A adolescente entediada não olhou para Jason, totalmente entretida pela revista de fofocas e pelo chiclete que já havia vencido há algumas horas. Era melhor assim. Não seria reconhecido caso a polícia mostrasse uma foto ou o descrevesse. Deixou o dinheiro que pagaria por uma semana, de acordo com a tabela de preços.

- Documentos.

“Merda.”, pensou. Estava fácil demais. Agora teria que dar um jeito. Não sabia se o haviam identificado no tiroteio na joalheria em Miami. Torceu para que não. Fez de tudo para que não o vissem. Mesmo assim não podia arriscar. Colocou na frente dela uma nota de cem dólares.

- Não quero ser incomodado. Entendeu, garota?

A moça pegou a nota e então olhou para ele, para agradecer com um sorriso. Essa atitude, de deixar um dinheiro para ter alguma privacidade, era normalmente usada por homens que iam até lá para trair suas esposas com alguma outra companhia. Mas Jason estava sozinho, e não parecia do tipo que tem uma esposa para trair. “Deve ser bicha”, pensou a garota, ao fitar os músculos e a roupa de couro do homem. Já viu tipos como ele entrar aos pares em um daqueles quartos, e às vezes em maior número, para uma pequena festa. O olhar malicioso da garota fez Jason pensar que ela o queria. Depois da noite que teve no Temptation, qualquer mulher o queria, mesmo que não quisessem. Estava de volta à ativa.

Ganhou a chave do quarto 13, normalmente dispensada pelos clientes mais comuns e supersticiosos. Jason não ligava para esse tipo de coisa. Não quando envolvia números. Deixou seu carro estacionado onde estava, deixando vazia a vaga na frente do seu quarto. Isso podia ajudar em alguma emergência, caso procurassem onde estava hospedado o dono daquele carro com buracos de bala na lataria. Deitou-se na cama e ligou a tevê no noticiário. Nada sobre ele. E então dormiu, voltando para o quarto no Temptation em seus sonhos. Voltando para os braços de Eve.

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3 Re: Supai Motel em Sex Jun 29, 2012 11:15 pm

Agora são 07h00min da manhã, acabei de chegar em casa e tomar um banho para relaxar, estou cansada, nossa, como essa noite foi puxada. Todas as noites faço ponto nos arredores do Supai Motel, por saber que é o pouco de civilização em um lugar completamente isolado do mundo. É onde os homens param para descansar depois de uma longa viagem.

Me considero uma profissional bem versátil, costumo atender os desejos e fantasias sexuais de meus cliente, mas meu último cliente deu trabalho! Não só por ser exigente com relação aos meus ”serviços”, coisa que compreendo muito bem, mas porque ele era tão sádico que chegou ao ponto de eu ter que ameaça-lo com meu canivete para não acabar sendo morta ali. Sadismo tem limite né!

Meu dia geralmente é sempre do mesmo jeito: chego em casa pela manhã, me livro das roupas de “guerra” e tomo um banho quente e bem demorado, procuro alguma comida na geladeira e na dispensa para matar a fome e vou para a cama, onde durmo do sono dos justos para recarregar as energias. Quando levanto trato logo de ir arrumando a casa. Após terminar saio para fazer compras e pagar contas. No começo da noite, faço o que eu mais gosto, me arrumar para “sair”. Sempre procuro usar uma roupa bem sedutora. Agora por exemplo acabo de colocar uma minissaia jeans, top de lantejoula preto, que por sinal destaca bem meus fartos seios e um salto alto vermelho, costumo fazer também maquiagens poderosas. Quando finalmente olho no espelho e vejo que estou pronta, saio para fazer o que eu mais gosto, “trabalhar”.

Muitas mulheres, colegas de “profissão”, reclamam porque não gostam da vida que levam, de ter um homem por noite para se divertir. Mas eu, pelo contrário, adoro porque assim não tem aquela baboseira de amor e muito sem aquelas frescuras, simplesmente, prazer e orgasmos. Também gosto desse estilo de vida, porque cada dia que passa parece que tenho uma vida nova, e se não parecer assim, pelo menos estou com um cara novo no meio das pernas. É divertido! Claro que às vezes aparecem algumas caras sem dinheiro querendo “brincar” ou pior, caras sem noção como o de ontem à noite, mas a maioria é gente boa.

Sinto no ar que esta noite promete!

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4 Re: Supai Motel em Sex Jul 06, 2012 11:57 am

Do Texas até Nova Orleans


Demorou uma semana para se planejar e sentir-se realmente pronto para sair de Mariachi. Sairia na sexta, depois de confessar-se ao Padre Terrence. Não podia ir embora sem despedir-se dele. Durante a semana toda o sonho continuou nítido em sua mente.

No dia da viagem, sexta, saiu de casa às 5h da manhã, ajeitou suas coisas em uma mala de mão e uma mochila. Não se despediu de ninguém. Tinha uma economias, mas nada que o fosse levar muito longe e nem que conseguisse viver por muitas semanas sem trabalho... Mas Deus certamente o ajudaria nessa nova jornada.

Cruzou Mariachi e Rangerville até a pequena capela. Notou, pela primeira vez, como ambos os vilarejos ficavam bonitos naquele silêncio, sem pessoas acordadas, enquanto todos dormiam.

A Capela San Benito de Rangerville era pequena e simples. Tinha grandes rachaduras nas paredes e no teto. Era inteiramente pintada de uma tinta esverdeada sem muita qualidade - uma possível mistura de verde com cal, para fazer render. O chão era de um piso vermelho opaco, sem vida. As janelas eram altas e sujas, sem vitrais, exceto as que compunham as costas do pequeno altar. Não devia ter mais que 5 x 5 metros. Era dia de confissão e Padre Terrence sabia que a menina viria, talvez não imaginasse que fosse tão cedo. A igreja já estava aberta às 6h, afinal "Deus ajuda quem cedo madruga". E talvez fosse por isso que ambos os vilarejos fossem tão miseráveis - Mariachi e Rangerville só viviam depois das 10h.

Padre Terrence varria a capela arrastando a batina encardida no chão. Michael sempre se perguntou como o padre conseguia vestir aquela roupa naquele calor do Texas.

- Caiu da cama hoje, menina? - Era um padre careca e bem idoso. Tinha olhos grandes, bem redondos e negros e que lhe davam um toque fraterno. Michael gostava da companhia do padre, embora não fosse de seu agrado a forma como o padre lhe chamava constantemente: menina, garota, criança e o pior de todos, Marrie.

- Mais ou menos, senhor.

O padre observou a menina com a mala e a mochila nas costas, mas não fez alarde, continuou varrendo a capela. Juntou toda poeira e sujeira em um canto e Michael ajudou-lhe com a pequena pá de lixo.

- ...Obrigado, menina. Você quer se confessar hoje, criança?

- Sim, senhor. - Michael ficou um tanto inquieto. Esperava sempre o convite do padre ao confessionário. De alguma forma estranha, não conseguia se abrir longe daquela caixa, por mais próximo que fosse do padre e por mais que soubesse que a cidade inteira dormia.

- Certo. Vamos lá então. - Guardou a vassoura atrás da porta e caminhou lentamente até o confessionário. Fechou a porta da pequena saletinha e abriu a janela . Conseguia ver o rosto da garota pelos pequenos furos na madeira. Lembrou-se de como havia reclamado quando ela havia cortado o cabelo como um garoto, já tinha mais de dez anos. Mas ainda lembrava-se da garota com cara de problema que entrou na igreja em uma tarde chuvosa. Usava roupas de menino, estava suja e chorava dizendo que "Deus havia cometido um engano". Pobre alma.

- Padre, Deus me mandou uma mensagem. - Ainda que estivesse protegida dentro do confessionário, sentia uma necessidade absurda de cochichar. Falava baixo, de modo calmo embora fosse possível sentir uma certa tensão em sua voz, como se estivesse com medo de ser repreendida de alguma forma.

- Hm. E como foi isso, Marrie?

Michael contou o sonho (*) e todo significado que tomou para si dessa experiência. O padre se calou por um bom tempo. Fez-se um silêncio constrangedor e Michael ficou imaginando o que o Padre estaria pensando. Terrence pensou em muitas coisas para dizer para a menina, milhares de coisas sobre usar o nome de Deus, sobre colocar suas vontades e assinar em nome de Deus... E só depois de um tempo, olhou para aquele rosto angelical de menina ou menino e teve uma certeza: "Você é boa demais para essa vida miserável, criança".

- ...Eu acho, Michael, que Deus está guardando algo muito melhor para você em outro lugar, criança. Está na hora de você deixar o Texas.

Foi a primeira vez que Michael ouviu seu nome de verdade ser pronunciado em toda a sua vida. Sentiu uma coisa muito quente no peito e quase chorou, mas já havia chorado por tanta coisa ruim que achou que não valia a pena chorar naquele momento. Sorriu emocionado, mas não derramou uma lágrima.

- Não vamos nos despedir, sim, criança? Vamos fazer de conta que eu o verei de novo na próxima sexta. Vamos fazer de conta que eu vou voltar a vê-lo, Michael.

- Tudo bem. Obrigado, padre.

- Deus abençoe, criança.

Era a primeira vez que se despedia de alguém. Nunca havia se despedido de ninguém, pelo menos ninguém que amava tanto. E só ali descobriu que amava alguém além de Deus, porque sentiu um aperto enorme ao deixar a igreja.

Foi dali para a Rota 77 e ficou no sol por muito tempo pedindo carona. Quase não acreditou quando um caminhão parou. Carregava feno na traseira e dois homens gordos, tatuados e suados na frente. O sujeito que dirigia disse que estava vindo do norte do México e faria a entrega de todo feno em uma fazenda de Greenville, Alabama. Cruzaria Louisiana e o sul do Alabama e podia levá-lo até onde desejasse pelo caminho, mas deveria ir escondido na traseira. Michael não se importou, pareceu perfeito.

Era uma vida nova agora. Marrie estava sendo enterrada a cada passo que dava e Michael finalmente estava nascendo para o mundo e para si mesmo.

Na traseira de feno, deitou-se e recordou da mãe. Lembrou vagamente de sua vida com ela quando era pequeno, antes de Buck, antes do álcool, antes da cocaína. Lembrou que ela costumava cantar uma canção do ABBA enquanto penteava os cabelos da filha. Não se lembrava muito bem da música, mas dizia algo como "Escorregando pelos meus dedos eu tento capturar cada minuto com ela" (**)... Respirou fundo e fez uma oração pela mãe.

A viagem durou 2 dias sem paradas. O motorista trocava de lugar com o companheiro algumas vezes e pararam poucas vezes para urinar ou comer. Na segunda noite, Michael viu um motel aconchegante e soube que já estavam em Nova Orleans. Pediu para descer e os caras o deixaram na entrada do motel. Enquanto o caminhão ia embora, Michael ficou olhando ele partir e fez uma nova prece.

No Supai Motel


Caminhou até a recepção um pouco nervoso. Seria a primeira vez que iria se apresentar como Michael, sem que alguém soubesse sobre o seu passado de Marrie. Em sua cabeça, parecia um tanto convincente, mas a realidade é que era um tanto andrógino. Deixava as pessoas em dúvida, ou as mais perspicazes notavam que só podia ser uma estranha mulher.

A adolescente da recepção lia uma revista chamada "Fame Gossip!" e mascava chiclete.

- Boa noite, senhorita. Preciso de um quarto.

- Ok. - Respondeu a jovem sem tirar os olhos da notícia sobre o fim do casamento de Tom Cruise e Katie Holmes, apenas pegou uma chave do painel e entregou ao indivíduo. - O pagamento é adiantado. Documento de identidade, por favor.

Pronto. Aparentemente Marrie Clemorent lutava para continuar viva. Michael tirou o RG com uma expressão de decepção, era agora mesmo que voltaria a ser uma aberração. O RG tinha a foto e o nome de de uma garota de cabelos longos que não o representava. Ali só existia agora Michael, de rosto fino, cabelo curto, um garoto alto e desajeitado trajando vestes surradas e masculinas. Tirou algumas notas e várias moedas do bolso.

A possível atenção ao RG foi desviada pela quantidade de moedas que o rapaz jogou no balcão. Anotou o nome de "Marrie" no caderno de controle e bufou espontaneamente - pronto, teria que contar todas aquelas moedas. Devolveu o rg e ficou contando as moedas com uma expressão nada animadora. O trabalho parecia mecânico - não olhou nenhuma vez para o rosto de Michael.

- Tenha uma boa estadia, Marrie.

- Hm. Obrigado. Boa noite.

Michael saiu rapidamente da recepção com a chave nas mãos. Estava gelado e tenso... Tanto que não se lembrava de ter escutado a moça dizer-lhe o número do quarto. Olhou na chave e também não havia marcação alguma. Na sua cabeça, tinha quase certeza que ouviu ela dizer 26, mas não estava muito certo. Ao mesmo tempo, sentia-se envergonhado em ir até lá incomodar a moça novamente.

Foi até a porta do 26, enfiou a chave e girou com força. Não era a chave do quarto, mas agora era tarde demais, tinha quebrado a chave dentro da maçaneta do quarto de um estranho.

(*) O Sonho de Michael: [http://nola.forumeiros.com/t106-ficha-de-personagem-michael-comache]
(**) Música do Abba: Slipping Through My Fingers.

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5 Re: Supai Motel em Dom Jul 08, 2012 9:51 pm

O cliente da noite anterior me deixou irritada. Quando eu ia para cima dele para começar o serviço ele se levantava querendo me esbofetear e me humilhar. Claro que um pouco de sadismo é até bom para a brincadeira ficar boa, mas ele passou dos limites. Por sorte sempre ando com meu canivete na bolsa. Retirei-o e ameacei o cliente, para ele parar com aqueles tapas desmedidos. Peguei o dinheiro de sua carteira e saí. Mas ele não tinha muita coisa.

Agora estou novamente no meu ponto de costume, em frente ao motel Supai. Estava esperando que surgisse um novo cliente. Demorou um pouco, mas finalmente surgiu um homem que pudesse satisfazer meu desejo por sexo, e também pagar por ele. Fomos até a recepção, e pegamos a chave do quarto. Era o numero 26. Entramos e ele rapidamente tirou a roupa. Como de costume, informei que o pagamento era adiantado e que custava cem dólares. Ele achou caro, mas ali pelado e com o pau duro, louco de tesão deu o dinheiro. Coloquei-o na bolsa e retirei uma camisinha. Ajoelhei-me, vesti o instrumento do cliente e comecei um gostoso e molhado boquete. Ele começou a delirar de prazer, enquanto eu lambia suas bolas peludas. Levantei-me e retirei a parte de cima das minhas roupas deixando meus belos seios amostra enquanto ele se distanciava para ver a mercadoria. Quando ameacei tirar a parte de baixo o cara pulou na cama. Já pelada, me deitei por cima dele e iniciei uma deliciosa cavalgada, subindo e descendo, em um ritmo frenético, para que ele gozasse o mais rápido possível. Vendo que ele não estava no ponto de gozar, fiquei de quatro e ele veio me possuir. Após alguns minutos o homem começou a passar o seu polegar no meu rabo. Quando foi tentar colocar o cacete, falei que era mais cem dólares para eu liberar o produto. Sem pensar ele pulou da cama até a calça e tirou da cadeira mais duas notas de cinquenta. Ofereci o que ele queria, e assim que ele começou a cravar a coisinha dele aonde queria, começou a gozar. Quando terminou o bicho deitou de lado e rapidamente apagou, roncando como porco. Fui para o banheiro tomar uma ducha e me preparar para o próximo trabalho da noite.

Lavei bem minhas partes, deixando tudo bem limpo. É um nojo uma mina que não se limpa. Sei disso, pois às vezes atendo mulheres e casais. E vez ou outra pego uma que meu Deus do céu, ninguém merece. Assim que me visto, pego a chave para abrir a porta, sem me despedir.

No exato momento em que coloco a chave na fechada, escuto um barulho, alguém colou a chave do lado de fora. Giro a minha, mas ela não vira. Ouço um outro barulho como se algo quebrasse. A porta não abre. Alguma coisa está acontecendo. Bato na porta e falo alto o suficiente para quem está do lado de fora escutar e para não acordar o cliente, que babava em seu terceiro sono.

- Tem alguém ai? A porta esta travada! Se tiver alguém ai, por favor, me ajuda a sair daqui.

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6 Re: Supai Motel em Seg Jul 09, 2012 6:05 pm

Estava exausto. Uma cama com lençóis limpos era o seu maior desejo de momento, mas agora parecia um sonho cada vez mais distante. Se fosse de praguejar, teria soltado alguns palavrões, mas quando virou a chave e quebrou-a na maçaneta, a única coisa que achou “apropriada” foi bater a cabeça contra a porta e dar um suspiro cansado. Rezou para não ter ninguém no quarto, mas já começava a imaginar com que cara chegaria até a recepcionista e a incomodaria mais uma vez, desta vez dizendo que “acidentalmente” quebrou a chave que havia lhe dado e que “acidentalmente” tinha emperrado uma porta. Odiava incomodar as pessoas e constantemente se sentia um incômodo.

No Texas, Michael costumava pensar que tinha três mães: a mamãe, que o deixou quando tinha 10 anos, a mãe bêbada que chegou em seu lugar e a mãe depressiva que aparecia sempre que a mãe bêbada deixava o trailer. A mamãe não deixou muitas lembranças, só uma saudade de um carinho que Michael não conhecia mais. A mãe bêbada sempre disse com frequência que Michael havia sido um erro, uma diversão de uma única noite com um “zé ninguém”. Dizia que devia ter abortado e praguejava contra Jesus pela “aberração” que pariu. A mãe depressiva não dizia nada, chorava com frequência e dizia, nas poucas aparições que fazia naquele trailer, que Michael deveria se cuidar, “tomar jeito e parar de importunar os outros”. Michael nunca soube exatamente no que ele importunava, mas pelo jeito como era tratado pela população de Mariachi e Rangerville, sabia que deveria mesmo ser um incômodo. Diziam que era uma moça doente, uma má influência. Ninguém queria pegar a “gayzisse”. Embora soubesse que não era doente, tinha convicção de que era um incômodo.

Ficou parado por alguns segundos com a testa contra a porta e as mãos na maçaneta, ainda segurando a chave. Tinha dedos longos, pálidos e gelados, proporcionais ao seu 1,80 de altura. Fechou os olhos e ficou ensaiando mentalmente como resolveria a situação. Se não fosse o suficiente, ouviu um ronco seguido por um assobio agudo: tinha alguém lá dentro. Se afastou um pouco da porta tentando ter certeza e aguçando os ouvidos. Não demorou em ouvir:

- Tem alguém aí? A porta está travada! Se tiver alguém aí, por favor, me ajude a sair daqui.

- S...Si...Sim! – Respondeu hesitante. Como se não bastasse atrapalhar a recepcionista, agora atrapalhava uma pobre coitada que estava em paz no seu quarto. – Moça, eu acho que acidentalmente eu acabei quebrando a minha chave na sua porta... – Falou cochichando contra a parede.

Ficou de joelhos e analisou por alguns segundos a situação da chave na maçaneta. A iluminação da sacada dos quartos não ajudava muito, mas conseguiu ter certeza de que não havia muito o que fazer. Não era do tipo que trazia um alicate ou uma pinça no bolso e muito menos do tipo que arrombaria a porta de um quarto estranho. Por um súbito de consciência, levantou-se e foi até a janela do quarto, que estava fechada, sem qualquer vestígio de luz e com as cortinas estendidas.

- Acho que você pode sair por aqui, senhorita. Vamos resolver essa situação. – Falou cochichando e batendo levemente na janela na esperança de que a garota o escutasse.

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7 Re: Supai Motel em Sab Jul 14, 2012 11:21 pm

Participação de Michael Comache (em vermelho)



Enquanto estava ainda com as mãos na maçaneta da porta e na chave, para tentar abrir, ouço alguém dizer:

- S...Si...Sim! Moça, eu acho que acidentalmente acabei quebrando a minha chave na sua porta... – Falou cochichando contra a parede.

A voz que estava do outro lado era uma voz fina, porém indefinível, fiquei na dúvida se a pessoa que vinha me ajudar era homem ou mulher. De repente fez-se silêncio por algum tempo, perguntei:

- Olá, você ainda está aí??

Demorou um pouco, mas pude ouvir batidas na janela e uma resposta:

- Acho que você pode sair por aqui, senhorita. Vamos resolver essa situação.

Não havia pensado na possiblidade de sair pela janela, até porque eu nem tinha me tocado que tinha uma janela ali. Era uma janela grande, fácil de passar, era de correr, cinza e de alumínio. Estava um pouco dura de abrir, enquanto eu tentava respondi:


- Que bom que você respondeu, estou saindo já, um minuto!


Quando consegui abrir a janela sem acordar meu cliente, que roncava demais, fui conferir se ele realmente estava dormindo, e é claro que aproveitei para olhar a carteira que ele guardou o bolso de trás da calça que estava no chão. Fazendo o maior silêncio peguei todo o dinheiro que eu vi, em torno de 200 dólares, e saí pé ante pé.

Ao sair, fechei a janela novamente e levei um susto ao me deparar com a pessoa que me ajudou. Assustei porque não consegui decifrar se era homem ou mulher, mesmo assim, falei:

- Oi moço, ou moça, quer dizer, olá pessoa! Enfim, vamos ao que interessa, obrigada por ter me ajudado, sem você eu não teria visto a janela! Prazer, meu nome é Cindy, e o seu?

- Olá... - Na cabeça de Michael, era certo que ele deveria ter uma outra visão de si mesmo. Imaginava que agora, em Nova Orleans, certamente poderia enterrar Marrie de uma vez e apresentar-se como Michael. Tomava para si a conclusão de que no Texas as pessoas não enxergavam Michael porque já tinham conhecido Marrie um dia, já o tinham visto criança, como uma menina. Se aquela jovem ficou na dúvida, por mais que tivesse ficado minimamente aborrecido, descobriria através dela como poderia ficar mais Michael! - Sou Michael, prazer, senhorita Cindy. - Não sabia exatamente como tratar uma mulher, não tinha boas referências, mas achou que sendo ele mesmo serviria. Ficou um tempo parado na frente da janela enquanto aquela mulher inquieta e cheia de vida falava animada. Reparou em seus traços, era muito bonita. A percepção fez com que Michael corasse. Baixou o rosto e ficou mexendo o chaveiro da chave quebrada nas mãos, de um modo inquieto e sem jeito.

- Estou no meu horário de descanso, o que acha de tomar um café comigo?


- ...De-desculpe... Não entendi. O que disse? - Tinha entendido. Por dentro, deu um grande e belo sorriso bobo, mas por fora estava vermelho. Seus grandes olhos esverdeados focaram o chão da sacada do quarto. Estava certo desde o começo: As pessoas de Nova Orleans eram diferentes, Deus estava ali, olhando por ele e colocando gente boa em seu caminho.


Michael parecia estar um pouco receoso quanto ao meu convite. Olhei para seus olhos por um tempo, tentando entender o que estava acontecendo em sua cabeça. Sorri para ele, demonstrando que não precisava ter medo algum. Resolvi refazer o convite, dessa vez de uma maneira que ele não recusasse. Queria mostrar para ele que não o culpava por me trancar no quarto, e também agradecer por me ajudar a sair daquela encrenca. Preparei minha voz, para que quando eu falasse ela saísse de maneira suave e amigável.

- Vamos tomar um café comigo ali na lanchonete? – Abri mais o sorriso. Segurei Michael pelo braço, como se quisesse puxar ele comigo. - É por minha conta!

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8 Re: Supai Motel em Sab Jul 21, 2012 9:12 am

Participação de Cindy Tyler (em itálico e violeta)


"Ela...Ela está segurando o meu braço." Michael estava completamente sem reação. Tinha uma mulher animada, que cheirava a sabão e "mundo proibido", segurando seu braço e o levando para uma pequena lanchonete dentro da recepção. Assim que passaram pela recepcionista teenager, ela largou os olhos da revista de fofocas e fez uma cara para Michael que ele não compreendia, mas talvez Cindy soubesse interpretar: insinuava que Michael “chegou chegando”. E realmente havia chegado – quebrando portas, encontrando donzelas e ajudando-as a sair pela torre.

Na lanchonete, Michael sentou-se no pequeno balcão nervoso. Quanto tempo vai levar para que ela me ache um saco?, pensava enquanto suava frio e ficava ainda mais pálido.

- Então... Senhorita Cindy. Você é de Nova Orleans? – a língua de Michael parecia estar enrolada. Batia o pé esquerdo contra o chão numa espécie de tique nervoso.

Michael pareceu muito sem graça quando peguei sua mão e comecei a praticamente arrastá-lo para a lanchonete da recepção do motel, mas nem dei bola e continuei andando, porque no fim das contas tinha ido com a cara dele. Ao passarmos pela recepção, a recepcionista olhou para a cara dele espantada por Michael ter chegado “com tudo” no motel, afinal nunca acontecia nada de interessante por lá.

Na lanchonete, vi que ele estava ficando mais nervoso, até começou a balançar a perna esquerda sem parar, eu fiquei nervosa só de olhar.

Fiquei feliz com a pergunta, pois Michael conseguiu puxar conversa mesmo estando tão nervoso, então assim que ele terminou de falar, logo respondi:


- Sou sim Michael, na verdade moro aqui perto, em Cajun. Mas antes da gente começar a conversar, fique calmo e não precisa me chamar de senhorita, apenas de você, afinal eu não vou fazer nada de mal com você, sabe que eu fui com a sua cara?! Acho que podemos ser amigos. Mas e você Michael, o que te traz aqui? De onde você é? – Falei com um sorriso no rosto, querendo conhecer mais sobre o forasteiro e na esperança de ter encontrado um rapaz legal que pudesse ser meu amigo.

Sentiu as bochechas queimarem quando a jovem disse que tinha "ido com a sua cara". De fato não era um "sentimento" que despertava naturalmente nas pessoas, sabia disso. Ficou sem jeito e olhava para Cindy de relance. Era uma rapaz bem ingênuo. Gostava ainda mais dela agora, que tinha a certeza que ela era uma enviada do Senhor. Uma recepção tão calorosa logo agora que tinha acabado de chegar em Nova Orleans, com certeza ela era uma enviada de Deus. Era tão bonita e tinha um sorriso encantador. Michael ficou imaginando se ela não era um anjo e não conseguia chamar um anjo apenas de "Cindy".

- Ehm. Cajun? Onde fica? Eu... Eu vim do Texas, na verdade, senhorita. Digo, perdão, Cindy. Praticamente acabei de chegar. Ainda não sei onde vou ficar ou o que vou fazer... O que você faz? Você sabe onde fica a igreja?

A velha garçonete ficou encarando aqueles dois por algum tempo, achando a situação engraçada. Quando Michael perguntou se Cindy sabia onde era a igreja, a velha não pôde deixar de rir e fingir rapidamente que estava tossindo.

Fiquei prestando o máximo de atenção no que Michael me dizia, e percebi uma inocência no seu jeito de olhar e de falar. Inocencia que não via há muito tempo e que me encantava.

Logo que aquela velha deu risada, olhei para ela encarando e me perguntando: Porque essa velha vadia ria de uma coisa tão besta? Afinal, ele tinha me feito uma pergunta simples e séria. Em seguida não tive escolha, a não ser chamar a única garçonete daquela espelunca para me atender, e pedi dois cafés e algumas rosquinhas, pois me cansei demais com meu ultimo cliente e, tenho que admitir, veio uma larica daquelas.

Enquanto a garçonete, ou melhor, o dragão foi buscar meu pedido, virei para Michael e disse:


- Primeiro! – buscando segurar a mão dele para passar confiança. – Cajun é um conjunto de vilarejos perto daqui. Segundo, a única igreja que eu me lembro é a St. Louis Cathedral, que é a catedral de Nova Orleans e fica no bairro mais rico da cidade, o Garden District. Terceiro! – Retiro minhas mãos das dele e tento penetrar meu olhar nos olhos de Michael. – Lugar para ficar não é problema, pois minha casa é aqui perto, é grande e eu moro sozinha, se quiser pode ficar lá, mas só peço que não me julgue, pois sou... – Nesse momento retirei o sorriso do rosto e falei mais séria. – Sou... digamos... uma profissional do sexo, uma prostituta. Se isso não te assustar, pode ficar em casa. – Depois de falar, voltei a encarar Michael de maneira amigável, sorrindo para ele.

Michael ficou um tanto confuso. Sempre tinha imaginado prostitutas como mulheres estúpidas, sujas e mal encaradas. Pelo menos era assim que a mãe chamava as garotas da vizinhança e eram assim que elas eram. Aqui, ele via uma mulher bonita, simpática e com um sorriso angelical. Ficou pensando que tipo de missão Deus tinha dado para esse anjo. E, por alguns segundos, imaginou Buck, seu padrasto, tocando nela e sentiu uma dor forte no peito, uma raiva, uma angústia. Michael não gostava de sexo, achava algo sujo, impuro e doloroso - pelo menos esse era o único tipo de experiência que tivera. Tinha várias perguntas para fazer, mas ficou com receio de ofender a moça ou de ser, de alguma forma, incomodo. Ao mesmo tempo, não queria perdê-la de vista. Deus a colocou em seu caminho para isso, para ajudá-lo, certamente.

- Olha, senhorita, não vou dizer que o convite para sua casa não me atrai, mas acho que eu seria um incômodo... Se me deixasse passar alguns dias, pelo menos até eu encontrar um trabalho, seria de grande ajuda...

Depois que eu falei, me passou pela cabeça se eu estaria sendo precipitada de chamar ele para ficar na minha casa, mas também eu já tinha falado, agora era esperar uma resposta e torcer para que fosse boa, afinal eu tinha gostado do Michael logo de cara.

Quando ele falou que seria um incômodo, senti nele uma certa preocupação, receio em atrapalhar. Por outro lado, fiquei aliviada quando percebi que ser prostituta não o afastava de mim, como já aconteceu antes com outras pessoas. Então, falei da maneira mais amigável possível.

- Imagina Michael, não seria incômodo nenhum. – falei com um sorriso no rosto e olhando nos olhos dele. – Até porque eu moro sozinha, e como a casa é grande, me sinto mal às vezes. Vai ser bom ter companhia, mesmo que seja apenas por um tempo. – pensando em ajudar meu mais novo amigo, continuei. – E se precisar, posso te ajudar a procurar um emprego. O que você acha de passear comigo em Garden District? Assim, a gente pode ir na Igreja, procurar emprego para você, e ainda fazer um tour pela cidade.

Michael tomou o café animado. As coisas finalmente estavam se ajeitando e não fazia nem um dia que tinha pisado naquela nova cidade. Precisava agradecer por todas essas bençãos e a igreja pareceu um lugar excelente. Estava realmente com vontade de conhecer a igreja, apesar do horário. Em Mariachi, Padre Terrence costumava deixar a porta da igreja fechada, mas não trancada durante a noite - "A Casa de Deus deve estar sempre aberta para seus filhos"... Mesmo que a St. Louis Cathedral estivesse de portas fechadas, já saberia onde ela ficava.

- Seria um prazer imenso se me acompanhasse até a Igreja, senhorita Cindy. Eu... Eu sou muito devoto... - Deu um sorriso sincero de cabeça baixa. Tirou do bolso algumas moedas e pagou pelos cafés e as rosquinhas que mal foram tocadas. Era estranho para Michael a "eletricidade" que ele e Cindy tinham juntos, mas a simpatia deveria ser coisa de Nova Orleans.

Quando saíram pela porta da frente, Michael mal percebeu o sorriso bobo que estava em seu rosto - há anos não sorria inconscientemente.

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