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Heavy Duty Beer Club

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1 Heavy Duty Beer Club em Sex Jun 08, 2012 11:53 pm



O Heavy Duty Beer Club é o ponto de encontro dos problemas. As dezenas de motocicletas emparelhadas formam uma bela exposição para os apreciadores dos veículos de duas rodas e dão o tom do que deve se esperar o lado de dentro. Os problemas começam na verdade quando o (des)avisado resolve entrar no lugar.

Se conseguir passar pelo gorila albino mal encarado na porta, que está ali mais como um primeiro aviso, se deparará com um ambiente escuro e claustrofóbico. A iluminação predominante é vermelha, e as sombras abrangem muitas mesas estrategicamente. O público que as ocupam são motoqueiros, membros de gangues, traficantes, ex-presidiários, e qualquer criatura que não se encaixe facilmente em um ambiente mais pacífico. Todos os risos ali dentro são produzidos pelo álcool, que também frequentemente produz barulho de vidro e ossos se quebrando. Brigas não são permitidas ali dentro, mas este é apenas mais um dos problemas. As gangues que frequentam o local são encorajadas a resolver suas diferenças na parte exterior do bar, o que é facilmente compreendido quando o barman aponta seu cano duplo para a direção da confusão. Mas como já é de se esperar, nem tudo ali está sob controle.





Este bar se assemelharia muito com um típico ponto de encontro de Bears, com homens barbudos em couro bebendo juntos, se não fossem pelas garçonetes de micro-shorts passeando com suas bandejas entre as mesas com grandes decotes e cabelos tingidos. Tatuagens em seus corpos são quase uma unanimidade, e é possível encontrar entre elas da mais magricela à mais favorecida adiposamente. As que não carregam bandejas e nem brigam por gorjetas estão ali para vender seus corpos, e prontamente encontram conforto no colo dos homens dispostos a encará-las em um momento mais íntimo. Se fossem as mais belas, certamente estariam trabalhando em um lugar mais apropriado no French Quarter. Por isso ninguém as chama de garotas de programa ou qualquer outro eufemismo para a profissão. Elas mesmas se auto-denominam como putas, já acostumadas a ouvir esse tratamento dos diversos clientes.

Apesar de ter um palco protegido por grades em um dos cantos, a música que preenche o ambiente vem de uma jukebox, cujo repertório é composto inteiramente de músicas com guitarras pessadas e batidas rápidas, incitando ainda mais a agressividade.

Os banheiros não possuem distinção alguma de sexo, facilitando a divulgação do material das putas e também o consumo de drogas. Apesar dos dizeres quase irreconhecíveis em meio a tantas pixações, "AQUI NÃO É CHEIRÓDROMO, PORRA!!!", muitas pessoas se drogam ali como se não soubessem ler o aviso. Ou realmente não o sabem.




______________Encha a cara até vomitar!____________________________Banheiros de primeira classe




GRUPO: NIGHSTALKERS

Os Nighstalkers têm no Heavy Duty o seu Centro de Operações. Por mais que diversos motoclubes e pequenas gangues frequentem o local, os donos do pedaço comandam todas as ações sem temeridade alguma, certos que o Círculo Interno da gangue conseguirá resolver qualquer problema. E se algum problema for grande o suficiente para resistir... Bem, sempre haverá Royce Gregor para tomar as rédeas.

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2 Re: Heavy Duty Beer Club em Qua Jun 20, 2012 2:55 pm

Ainda era tudo estranho, estranho demais para que sua mente processasse. Mas ela sabia, incomodamente, que tudo acontecera mesmo, e que era apenas uma questão de colocar os pensamentos em ordem par sentir efetivamente o peso da desgraça. Mas por hora, vagava. Ainda tropeçava em seus próprios pés, e cambaleava, e mantinha a mochila pendurada sobre o ombro bom. Estava fraca, e sentia a morte agarrada a seus pés, pesando, a impedindo de avançar, atormentando. Mas não queria pensar nisso agora. Não ia pensar nisso agora.

Já era noite de novo. Vertigem. Estava começando a ficar com fome, e a maconha acabara dois milênios atrás. Ela fumara mesmo aquela ponta suja de sangue putrefato de rato? Seu estômago embrulhou. Mas, de alguma maneira, foi daquilo que tirou forças. Forças para continuar rastejando, depois para seguir de gatinhas por espaços cada vez menores, para esquecer a dor e as imagens gravadas em fogo na sua mente. E depois, os passos cambaleantes sobre as folhas secas, o tempo longo de caminhada para voltar a Nova Orleans, tropeçando nos próprios pés, se apoiando no chão, caindo inúmeras vezes. Avançando com a morte a lhe morder os calcanhares.

Se olhou na vitrine vazia de uma loja qualquer. Estava horrível, suja de terra e sangue, com folhas presas entre os dreads e com os olhos arregalados por um medo permanente. Medo, sim, muito medo. Mas lidaria com aquilo. Sempre lidava. Nunca esperara viver muito tempo, de qualquer maneira. Sabia que morreria jovem, e sozinha. O resto...! Ah, o resto! Que importava? Ela viveria o máximo possível nos meses que lhe restavam. De certa maneira, não fazia mais sentido agora ir embora de Nova Orleans. Não queria morrer no colo dos pais. E não fazia sentido algum se desatrelar da cidade que selara seu destino. Agora, ela precisava era se alienar um pouco.

Seus passos secos no asfalto ainda eram lentos, mas agora ela sabia para onde ir. Humor, era disso que ela precisava. Humor e vertigem. Deixaria que isso a devorasse. E não havia lugar mais adequado, pensou, levantando os olhos com uma calma inexistente para a fachada do Heavy Duty. Ali, se alienar era a única certeza. Nunca entrar naquele lugar, mas tinha uma boa ideia do que encontraria ali. Pó para clarear a mente, whisky pra parar a dor e putas para niná-la, e assim poderia dormir. Quando a desgraça nos bate na bunda, só um colo de mulher pode nos acalmar. E então, quando acordasse para o dia de amanhã, estaria tudo bem, ela fumaria um baseado com muita calma e voltaria a planejar sua intervenção artística no manicômio. Afinal, já estava fodida mesmo, não havia porque desistir de suas ideias, tão boas. Só não sabia se as pessoas iriam querer ver a exposição quando estivesse pronta. Sorriu. Finalmente, havia algo de engraçado em tudo aquilo.

Entrou no bar com o coração suspenso. Sabia que, no fim, não seria tudo tão simples. Mas precisava beber, e cheirar, e trepar. Para se sentir viva.

Não olhou para os lados, focando no balcão sujo. O ambiente era quase agradável, e ela se permitiu um sorriso torto para o garçom. Acabava de perceber que não era a única pessoa suja de sangue naquele lugar. Era quase como se estivesse num ambiente familiar. Equilibrou-se com dificuldade no banco, se debruçou no balcão fedorento e jogou a mochila a seus pés, para só então perceber o quanto estava exausta. Não descansara desde... Bem.

- O whisky mais vagabundo que você tiver, por favor. E duplo. Não, triplo!... E sem gelo.

Disse quase gritando, pois sua voz estava tão absolutamente fraca que não conseguia se fazer ouvir. Quando o garçom se afastou para buscar a bebida, ela resmungou baixinho consigo mesma algumas palavras de apoio e deixou que seus olhos boiassem no ambiente sórdido. Ah, sim! Estava em sua nova casa.

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3 Re: Heavy Duty Beer Club em Qua Jun 27, 2012 9:17 pm

New Orleans a Meca dos vampiros. Imortalizada por Anne Rice e sua trupe de vampiros infames tornou-se mundialmente conhecida por Lestat e sua Assembleia dos Articulados dando origem ao que está sendo chamado hoje de a Era dos Vampiros Modernos, indo desde o consagrado Entrevista com o Vampiro até as bizarrices como True Blood e a saga Crepúsculo. Talvez eu devesse mudar meu nome para Buffy! Seria irônico se não fosse tão patético.

Desço do taxi e por um instante aprecio a fachada do Heavy Duty. “Não poderiam ter me recomendado algo melhor” penso comigo. Algumas motocicletas estavam estacionadas lado a lado e do outro lado próximo a entrada do bar havia uma roda de motoqueiros barbudos e barrigudos ostentando suas cervejas e conversando qualquer coisa sobre suas viagens.

“Rustico”. Dou uma ligeira olhada de canto de olho e assim que passo por eles percebo que o assunto agora era o meu traseiro.

O cheiro de cigarro se misturava ao cheiro de suor e gasolina que vinha dos quatro cantos do bar. Caminho até o balcão observando as pessoas ali dentro. Havia um grupo barulhento jogando qualquer tipo de jogo de azar em uma das mesas, alguns carrancudos bebendo suas cervejas direto das garrafas. As mulheres podiam ser contadas no dedo e agora eu entendia porque para onde quer que eu olhasse haviam olhos quase me devorando. Sorri.

- Um Whisky pra mim por favor – Ordeno ao barman.

Agora sim eu me sentia em casa novamente. Deixar New York e um passado para trás não foi fácil, mas foi necessário. Digamos que meu modo de vida não é muito apreciado entre a sociedade e que colecionei alguns inimigos que pagariam uma boa quantia por minha cabeça. Nem sempre é possível ganhar e pode ser que um dia a caça se torne o caçador. Não é fácil ser uma assassina de aluguel, mas matar pessoas, ah isso pra mim é muito fácil. A vida humana significa pra mim tanto quanto estão dispostos a pagar por ela e é o desapego aos sentimentos que me faz seguir em frente.

O barman retorna com meu pedido soltando um “cherry” no final. Confesso que ainda não me acostumei com o sotaque Cajun e muitas vezes chego a duvidar de sua naturalidade. Deixo meus dedos passearem pela borda do copo enquanto observo a garota que se esforçava para ficar sob o balcão. Mesmo com a pouca iluminação era possível perceber seu estado deplorável e o cheiro que vinha dela denunciava a falta de água.

Dou um belo gole em meu Whisky matando de uma vez a minha bebida e sem olhar para o lado ordeno mais uma vez que me sirva outra bebida, mas desta vez ordeno duas. Ele prontamente as coloca no balcão. Empurro a bebida em direção à garota sem me dar ao luxo de olhar para o lado. Agora meus cabelos caíam sobre meu rosto e eu podia ver o reflexo dos meus próprios olhos na bebida, tão amargos quanto o gosto do carvalho impregnado na bebida.

- Esta é por minha conta.

Eu não esperava um obrigado ou muito menos que ela aceitasse, mas contatos são sempre contatos.É, eu precisava renová-los.

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4 Re: Heavy Duty Beer Club em Qua Jun 27, 2012 10:42 pm

Continuação deste post.

No quarto nº 13 do Supai Motel


Jason acorda no meio da noite. Dormiu o tanto que podia, com a televisão ligada no canal de notícias. A escuridão da noite o fez pensar que perdeu o dia na cama. E realmente perdeu. Estava há várias horas sem dormir, depois de dirigir por treze e não dar sossego para Eve pelas outras tantas que fariam seu dia acordado completarem mais de vinte e quatro horas. Precisava mesmo daquele sono. A rápida olhada para a televisão mostrou que ainda não tinha sido notado pela mídia. Havia algo de estranho ali. Começou a achar que a máfia interferiu e acobertou o crime. Mas a troco de que? Imaginou homens de terno batendo à sua porta. Não seria legal. Tinha que fazer algo.

Tomou um banho rápido, que o fez lembrar-se imediatamente de Eve. As marcas das unhas dela ainda ardiam em sua pele, começando a cicatrizar. O sangue coagulado endurecia por curtos e longos riscos pelo seu corpo. Quem o visse agora o imaginaria entrando na jaula de um tigre para tosá-lo. O membro do homem ardeu ao lavá-lo. Estava vermelho. Isso o fez sorrir. Cada dor que sentia o fazia se lembrar do que deve com a stripper, e para ele eram troféus, que marcavam momentos da sua vida, assim como cada tatuagem e cicatriz em seu corpo. Por um minuto pensou no quanto aquela noite marcou sua vida. Tinha de voltar no Temptation. Mas antes, sobrevivência.

Vestiu a mesma jaqueta de couro, mas agora a fechou, sem querer chamar a atenção. Prendeu os cabelos molhados em um rabo de cavalo, vestiu seu jeans apertado e calçou as botas de cowboy texano. Separou uma jóia qualquer da bolsa, uma corrente, e a escondeu no bolso interno da jaqueta. Pegou três bolos de dinheiro e enfiou o resto na parte de cima do armário, atrás de cobertores. “Tenho que arrumar um esconderijo melhor... Um lugar melhor pra ficar.”, pensou, enquanto trancava a porta. Deixou as luzes e a televisão ligadas, dando a impressão de que estava ali ainda, sem deixar a chave na portaria. Foi até seu carro pelas sombras, tomando cuidado para não ser visto, e saiu.



No Heavy Duty Beer Club


Circulou algum tempo pelo French Quarter até encontrar o lugar que estava procurando. As motos na entrada indicaram o Heavy Duty como o local para os negócios que queria fazer. Queria uma daquelas motos para si, e hoje podia pagar o preço monetário que valiam. Estacionou seu carro suspeito ali perto, sem medo de policiais. Se aquele era o lugar que imaginava, os homens da lei tinham sérias restrições para cruzar aquela porta. E aqueles que entravam no bar sem fazer parte de uma tropa de choque com seus capacetes, escudos de corpo e bombas de gás deviam ter o rabo muito bem preso pra fazer algo contra algum dos clientes.

Cumprimentou o gorila albino com um movimento rápido de cabeça, fechando a cara, como se essa fosse uma senha para os homens dessa estirpe se reconhecerem. Era o “toque secreto”, mas sem frescuras. Passado o primeiro obstáculo deu de cara com o ambiente de luz baixa e avermelhada, tendo um pequeno déjà vu do lugar que esteve na noite anterior. Ele acabou assim que viu a clientela. E as putas. A mais bonita ali servia talvez como garçonete no lugar que freqüentou, e mesmo assim ganharia poucas gorjetas. Mesmo as que tinham um belo corpo ou até mesmo um rosto bem desenhado carregavam uma expressão forte, marcada pelo uso da droga, o que as deixava com uma imagem bem deplorável. E isso também deu a Jason um déjà vu .

Sentiu-se bem ali. Ninguém o notou, nem olhou torto. Era grande e mal encarado, mas ninguém se incomodou com ele. Ganhou o olhar de uma ou outra prostituta, mas as ignorou. Perdeu o apetite por aquelas mulheres. É como comer a melhor comida que já experimentou na vida durante a manhã, e a noite voltar para o “bandejão” carcerário. Era se embrulhar o estômago.

Chegou até o balcão no momento em que o atendente guardava a garrafa de uísque ao lado de tantas outras. Viu as garotas que acabavam de ser servidas. Uma delas lhe soou um tanto deslocada. A expressão lembrava as das prostitutas do lugar, mas a roupa não favorecia os atributos físicos da garota magricela. Não parecia querer vender seu corpo, e do jeito que olhava o “movimento”, imaginou que ela curtia a “mercadoria”. A outra se vestia como uma prostituta que queria se misturar, com sua jaqueta de couro que mostrava o umbigo e seus shorts justos exibindo um quadril arrebitado e convidativo, em conjunto com o par de pernas mal guardadas em uma meia-calça transparente, mas não tinha cara de puta. Não daquele lugar. E o jeito que oferecia bebida à outra mulher o fez pensar que ela estava dando em cima da magrela junkie. “Lésbicas. Talvez saibam do que eu preciso.”. O único problema que Jason tinha com lésbicas era que elas não queriam dar pra ele. Sabia que muitas delas eram ótimas motoqueiras. Sabia até que “motoqueira” era um tipo de lésbica, assim como as “caminhoneiras”.

- Me vê um desse, triplo, sem gelo. – Pediu ao barman colocando o dinheiro sobre o balcão. Enquanto era servido virou-se às garotas e as perguntou. – Com quem posso arrumar pra mim uma daquelas belezinhas estacionadas na porta?

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5 Re: Heavy Duty Beer Club em Qua Jun 27, 2012 11:52 pm

O primeiro gole de uísque a machucou como se estivesse bebendo cacos de vidro de um tamanho considerável. Talvez estivesse com algumas feridas internas, considerou. De qualquer maneira, nunca fora uma grande bebedora de uísque, mas supunha que num lugar como aquele e numa situação como aquele, era a bebida mais adequada. Cada pequena golada que ela dava na bebida ia se mais agradável, e logo ela pode se aventurar a dar goles maiores. Encostou-se ao balcão numa pretensa atitude descontraída, mas sabia que devia estar fazendo uma figura patética, apoiada quase inteiramente porque não conseguia aguentar o próprio peso. Não que alguém estivesse olhando, claro. E não que ela se importasse!

Olhou avaliativamente para o copo quase vazio e suspirou. Só agora lhe ocorria que provavelmente não tinha dinheiro para se embebedar. Isso ia ser um problema quando finalmente quisessem fechar o bar. Bom, quando esse momento chegasse, ela poderia pensar em algo. Uma fuga, ou qualquer coisa assim. Talvez batessem nela. Não seria de todo ruim, pensou amargamente, e bebeu numa golada o resto do conteúdo do copo, estremecendo logo em seguida. Nunca se acostumaria com aquilo. Passou o dedo pelo fundo do copo, pegando as gotinhas restantes e esfregou aquele tantinho de álcool contra o ferimento no ombro. Era quase dolorido, e ela sorriu para si mesma. Mataria os germes.

Virou-se para pedir outra dose e, mal abria a boca, foi surpreendida por uma mão que lhe empurrava um copo. Encarou a mulher francamente espantada, mas a outra nem se deu ao trabalho de virar os olhos para ela. Bem, não era de todo ruim. Não estava exatamente interessada em se engajar numa conversa, embora, supunha, quando uma pessoa oferecia uma bebida, esperava no mínimo dois dedos de prosa. Cheirou rapidamente o uísque, antes de se lembrar de que, mesmo se tivesse alguma coisa nele, ela não conseguiria descobrir pelo cheiro. Deu de ombros. De qualquer maneira, era uma mulher bonita, e ela se permitiu pousar os olhos avaliativamente sobre a outra. Não se importaria de pagar tão gentil oferecimento com seu corpo. Um sorriso fraco ameaçou subir a seus lábios.

- Obrigada. – tinha total consciência de que sua voz saiu com um tom de riso, mas, ah, que importava? O que ela poderia fazer?

Antes de voltar sua atenção integralmente para a bebida, um vulto monstruoso se voltou para ela e grunhiu algumas palavras que ela demorou a atinar com o significado, assustada que estava com o gorila que se dirigia a ela. Ele era tão igual a todos os outros caras no bar, que ela nem tinha notado sua existência, e ele surgia agora como uma montanha inesperada na sua frente, como uma falha geográfica imensa e ameaçadora. Mas a impressão durou por poucos segundos, suficientes para que a dor que sumira do ombro voltasse com intensidade e ela percebesse que, enfim, era só um cara e, perto de algumas criaturas que observara no bar, até consideravelmente simpático.

- ....Belezinhas?... Não... Quer dizer?... Ah! Você está se referindo às motos? – sua voz fraquejara. Não queria passar por covarde logo de cara, embora provavelmente já tivesse dado essa impressão. Tentou engrossar a voz um pouco. – Não sei, cara. Isso não é comigo.

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6 Re: Heavy Duty Beer Club em Sex Jun 29, 2012 8:31 pm

A garota demorou um pouco para perceber minha humilde oferta. Seus olhos quase possuíam inocência que chegava a ser doce e ela parecia espantada com a minha oferta. Me encarou por alguns instantes como se eu tivesse a obrigação de olhá-la nos olhos, como se ter pago uma dose daquele whisky barato não fosse o suficiente.

Seus dedos tocaram o copo e antes que seus lábios pudessem provar a bebida cheirou-a lançando-me um olhar desconfiado que me fez rir. O que ela estaria pensando? Que eu fosse qualquer tipo de fada madrinha esperando-lhe para lhe dar “boa noite”? A aprendiz de Cinderela ainda tinha muito o que aprender, a começar por degustar bebidas sem contorcer o rosto. Não costumo mandar recados e a brincadeira de dorme e acorda não é das minhas preferidas, se quisesse a garota morta seria mais fácil um tiro no meio de sua testa. Simples e prático. Crianças ...

- Obrigada. – Sua voz soou engraçada.

Levantei o copo até então pousado no balcão e estendi na direção da garota, brindando como fazem os homens só para então provar de minha bebida. Sentia meu corpo aquecendo enquanto a bebida deslizava suavemente pela minha garganta fazendo meu corpo arrepiar de levinho.

Com um movimento sutil eu jogo meus cabelos fazendo-os dançarem suavemente, deixando à mostra meu rosto. Só então percebi que alguém se aproximava do balcão onde estávamos. Pela primeira vez olhei para a garota diretamente e pelo reflexo dos seus olhos pude ver que era um homem. Calças apertadas, botas de cowboy e um rabo de cavalo. Parecia mais um gigolô que um cowboy. Viva a diversidade. Sorri.

- Me vê um desse, triplo, sem gelo. – Pediu ao barman colocando o dinheiro sobre o balcão. – Com quem posso arrumar pra mim uma daquelas belezinhas estacionadas na porta?
Sua voz era forte.

- ....Belezinhas?... Não... Quer dizer?... Ah! Você está se referindo às motos? – Disse a garota quase que sem voz, ficara intimidada? – Não sei, cara. Isso não é comigo.

Mais uma vez voltei minha atenção para o balcão e meu copo de whisky, mas o cara ainda parecia esperar uma resposta.

- Achei que isso aqui fosse um bar e não uma concessionária. – Eu disse firme e com a voz cheia de sarcasmo – Talvez alguns desses “ursos” barrigudos possam lhe dar uma ajuda. – Disse eu apontando com a ponta do meu nariz para os motoqueiros dispersos pelo bar.

Olhei para a garota que ainda parecia assustada com a presença do cara. Pra mim sua presença ali era indiferente. Mais um gole em minha bebida e mais uma vez a deliciosa sensação do álcool invadindo meu corpo. Movimentei –me de forma que meu braço direito ficasse apoiado no balcão segurando a bebida. Meu quadril virou-se de forma que agora eu estava quase voltada para ele, pernas cruzadas com elegância. Encarando-o com um olhar “vai ficar me encarando?”

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7 Re: Heavy Duty Beer Club em Seg Jul 02, 2012 10:21 pm

Aproveitou que as garotas respondiam para dar um generoso gole em sua bebida. Ao ouvir a primeira resposta percebeu o quanto a menor parecia assustada. Para ele soava abatida e paranoica. Tentou imaginar quantas coisas ela havia usado para chegar àquele estado, e não conseguiu definir a combinação de drogas. Agora regaria tudo aquilo com uísque. E a grosseria da outra veio em contra-partida à passividade da primeira, com uma dispensada clara e óbvia. Podia até supor quem comia quem ali. “Cê tá empatando a foda delas, Jason. Vaza.”. Depois desse pensamento sentiu um incômodo. Passou três anos ouvindo sua consciência na prisão, e isso o fez sobreviver. Agora estava livre e, bem, podia ser uma boa oportunidade para quebrar as regras, mesmo que fossem suas próprias. Não criaria prisões pra ele agora que saiu de uma delas.

- Hum...

Concordou com a cabeça em uma firmeza de franzir a testa e apertar os lábios. Olhou para trás por um segundo para ver alguns dos motoqueiros barrigudos aos quais a grosseira fazia referência. Todos eles estavam em bando, ou observavam o ambiente com alguma preocupação. Além disso, tinham necessariamente símbolos de gangues de motoqueiros costurados às suas jaquetas e coletes. Não queria saber de gangues. Não mais. Mesmo que fosse apenas para uma negociação breve, saberiam quem ele era, e iriam procurá-lo mais tarde. Não queria ninguém no pé dele implorando por um serviço ou outro. Não tão cedo. Voltou a insistir nas moças.

- Não to querendo atrapalhar a paquera das duas, mas... - Olhou mais uma vez com cuidado pra cada uma delas, então lançou sua pergunta, com certo tom de desconfiança. - Cês não são daqui não, né?

Não era uma pergunta qualquer para continuar a conversa, como algum distraído podia supor ao ver o homem papeando com as duas garotas. A reposta que seguiria daria a chance de chegar a outro lugar. A uma informação ainda mais importante do que era comprar uma moto. Mas isso apenas se elas não estivessem ali pra procurar putas ou encontrar um “carpete para lamber”. Elas não poderiam estar lá por acaso. Mesmo se estivessem, talvez ainda o ajudassem. Tinha mais esperança que a gracinha de umbigo de fora sabia do que ele precisava saber, mas seu olhar voltou-se para a mais drogada. Algo no olhar dela começou a instigá-lo. Reconheceu-o de algum lugar. Não conhecia a moça. Ela era nova demais para ter trombado com ele em alguma ocasião que podia ser associada com aquele olhar.

Voltou aos tempos em que ajudava o seu avô na “loja” dele. Todo o tipo de gente ia lá, mas pessoas com aquele olhar eram bem frequentes. E quando uma dessas entrava, logo o “pequeno” Jason (que aos 12 nos já tinha tamanho para dirigir sem ser incomodado) tratava de separar os ingredientes. Sua lembrança acabava aí. Não sabia mais dos ingredientes, e nem pelo que aquelas pessoas tinham passado. Deu mais um gole na bebida e forçou sua memória para descobrir o que tinha acontecido com a pobre garota assustada.

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8 Re: Heavy Duty Beer Club em Ter Jul 03, 2012 6:34 am

As pessoas se enganam muito facilmente com as aparências. Olhavam para seus doces olhos azuis, os lábios voltados para cima num sorriso quase permanente, os braços fracos – que, contudo, eram bastante fortes, de tanto bater tambor – e o seu ar assustadiço, e pronto! Lá vinha a comiseração! Supunham uma inocência, uma fragilidade que, pensava ela, não existia.

Tudo bem que ela não estava exatamente no seu ambiente. Devia ser a única pessoa naquele maldito bar que não estava usando couro ou alguma peça de roupa preta. De fato, não sabia beber uísque, pilotar motocicletas ou encher alguém de porrada. Mas, pensou, com um sorriso leve brincando em seus lábios e um breve lampejo de olhos, ela era obviamente muito corajosa... Era só ver de onde vinha e... Pra onde ia... E, de qualquer maneira, não estava lá debalde. Tinha um motivo bastante claro para entrar naquele bar. Sim, bastante óbvio. Muito além das drogas.

Chuê.

Tudo a seu tempo. Por hora, tinha que focar seus olhares na gostosa que talvez lhe pagasse outra bebida, e no brutamonte que provavelmente poderia lhe dar o que procurava. Aliás, os dois podiam lhe dar o que procurava. Lançou um olhar avaliativo aos dois. Sim, eles podiam mesmo. Mas se não desse certo, sempre poderia beber horrores e tentar ir embora sem pagar. O efeito seria o mesmo.

Bebeu de um gole só sua bebida e sentiu seus olhos lacrimejarem.

Definitivamente aquilo não era pra ela. A única coisa amarga que ela aceitava colocar na boca era ácido. O resto não valia a pena. Voltou-se no balcão e fez um gesto ao barman para que lhe colocasse outra dose. Como seria a sensação de se embebedar? Provavelmente descobriria hoje.

O brutamonte voltava a falar, ignorando as belas pernas cruzadas e o olhar inquisitivo da mulher de couro. Quando ele mencionou uma pretensa paquera entre elas, Gia não pode evitar uma gargalhada calorosa, grande, que lhe deformava o rosto, aguda e mais alta do que se podia esperar; saiu quase que sem permissão nenhuma, como um jorro involuntário de sangue numa ferida aberta, e estancou como se nunca tivesse existido. Seus olhos se arregalaram logo em seguida e ela olhou de um para o outro ansiosamente. Não que achassem que eles iam ligar. Afinal, ela tinha cara de drogada mesmo, e eles não podiam saber o que corria em seu sangue. Se soubessem o quanto estava sóbria!

Parou por alguns segundos antes de responder a pergunta que lhe fora dirigida. Sim, porque o gorila olhava para ela especificamente. Estava em dúvida de como agir agora, devia se mostrar agressiva? Devia continuar a parecer assustada? Mentir? Falar a verdade?... Sentiu calor nos ferimentos espalhados pelo corpo. Não... Não tinha razões para mentir, nem tempo para perder com esse tipo de besteira.

- Eu, de fato, não era daqui. – tentou parecer tranquila, mas sabia como sua garganta se fechava dolorosamente ao dizer tais palavras – Embora acredite que agora tenha que ser... Imagino... Mas não, eu... Eu sou do mundo.

Deu um sorriso leve para os dois, antes de beber um longo gole de uísque e fazer uma careta de desagrado. Que coisa horrível!

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9 Re: Heavy Duty Beer Club em Ter Jul 03, 2012 5:04 pm

Pouco mais de um ano atrás, eu jamais iria a um lugar como o Heavy Duty. Naquele tempo, eu ainda era tudo e tinha tudo. Ah, o que eu tinha... Estudava medicina na melhor universidade do mundo, Harvard, o que já era invejável. Era também uma das garotas mais desejadas do campus, líder de torcida e presidente de uma das fraternidades mais tradicionais. E o melhor de tudo: não pagava um centavo para estudar ali, pois havia sido agraciada com uma bolsa Robinson, numa disputa com 77 candidatos!

Não é pra qualquer um. Mesmo assim, fui deixando tudo isso em segundo plano para ser quem eu realmente estava destinada a ser. Só que acabei perdendo o rumo, por puro azar! O mundo é tão injusto! Às vezes acho que todos os mundos são injustos!

Não me animei a reconquistar o que perdi e não consigo voltar a ser quem eu era. Não é culpa minha. Mas, pelo menos, estou tentando competir menos e me divertir mais. Sorver um pouco das coisas que neguei a mim mesma tanto tempo. Só que a diversão não tem sido tão boa quanto devia. Então, vim atrás de novidade.

Já faz uma hora que estou enchendo a cara de cerveja e vodka e já levei umas quatro cantadas - não sei se classifico a última abordagem como cantada porque o sujeito foi tão grosso que talvez estivesse só querendo me insultar. De qualquer jeito, os caras eram uns tranqueiras! O mais bonito, se fizesse uma plástica, perderia para um camelo! Não encarava um deles nem que tivesse enxugado o dobro de copos.

Aí que o tédio fica pior que nunca. Será que eu experimento a coisa? Já fumei baseado hoje e estou alta com a bebida. Penso nisso encostada numa parede, fingindo não reparar num careca de óculos escuros que me olha do outro lado do bar com a mão no pau. Meus olhos procuram algo que destoe da gente daquele lugar. Olho um balcão, e vejo um grupinho que parece diferente. O ambiente escuro e esfumaçado, mais o álcool na minha cabeça, me obrigam a chegar mais perto pra dar uma conferida.

Me ponho em pé ao lado de uma loirinha com tranças no cabelo, enfeitadas num estilo que lembra o hippie. A roupa dela destoa do padrão da bodega, então deve estar aqui pela primeira vez. Também sou novata, mas assuntei por aí antes pra saber qual era o estilo.. Estou com botas de salto, calça preta de couro e uma camiseta preta com aquele “A” prá lá de manjado dos anarquistas. Não estava a fim de perder muito tempo escolhendo roupa pra procurar aventuras num buraco daqueles. Mas tomei o cuidado de usar peças justas o bastante pra valorizar o que gastei com lipo e silicone. Chamei um uísque quase ao mesmo tempo em que a loirinha deu um gole no drink dela. Enquanto ela vira a bebida e fica com os olhos lacrimejando um pouco, dou uma sacada nos outros dois do grupo. Um cara fortão com roupas bem no estilo do bar e uma cara de encreiqueiro igualmente de acordo, mesmo não usando barba muito comprida. Mas esse aí pelo menos é bonito e tem uma expressão simpática. Sentada meio de costas para mim está uma morena de cabelo liso, que parece conversar com fortão.

Vim aqui atrás de gente diferente, mas parece que agora estou querendo achar gente diferente da maioria dos que estão aqui. A mais diferente é a loirinha. Viro pra ela e falo.

- E aí, como vai? Meu nome é Ann. Sem querer me intrometer, mas já me intrometendo... ouvi você dar uma baita risada repentina e gostosa quando estava chegando aqui no balcão. Acho que perdi alguma boa piada ou um comentário engraçado. Sabe, estou meio entediada por aqui, então pensei se você não poderia me contar o que foi. E, quem sabe, me apresentar seus dois amigos.

O álcool desfoca um pouco minha visão, o que faz os olhos muito azuis da loirinha parecerem maiores. Essa visão até fez aparecer de novo aquela vontade de experimentar mais coisas diferentes.

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10 Re: Heavy Duty Beer Club em Ter Jul 03, 2012 8:26 pm

Homens, por que insistem em ser tão previsíveis? Vivem espelhando aos quatro cantos que as mulheres são incompreensíveis, mas não conseguem compreender a si mesmos. Talvez, se tivessem um pouquinho mais de tato conseguissem perceber coisas nos detalhes mais ínfimos. Preocupam-se tanto em nos decifrar quando não conseguem decifrar a si mesmos. Homens que trocaram a roupa feita de pele por tecidos bem cortados e barbas bem aparadas ( quer dizer, não aqui neste local ). Acordam todos os dias e ao cair da noite retornam para suas cavernas.

O cara pareceu surpreso com a minha resposta. Por um instante seus olhos pareciam ter se desligado do mundo para se perder em pensamentos só seus e então seus lábios se abriram quase que nada e o som que veio de sua garganta foi apenas um “hum” como se argumentasse consigo mesmo. Olhou para trás observando os marmanjos que se amontoavam nas mesas e voltou a olhar para nós. Talvez não tivesse coragem o suficiente para se meter com os rinocerontes do bar.

- Não to querendo atrapalhar a paquera das duas, mas... Cês não são daqui não, né?

Eu mal tive tempo de processar a insinuação do cara e a garota ao meu lado explodiu em riso. Sua risada encheu o ambiente atraindo olhares de todos os cantos do bar. Pela primeira vez pude sentir algo genuinamente sincero dela, algo que fosse realmente espontâneo.

A frase só confirmava algumas de minhas hipóteses. Uma delas é que ele não possuía tato nenhum para mulheres e a julgar pela ironia em sua resposta eu havia conseguido tocar, ainda que levemente seu ego. Ele poderia ter simplesmente dito um “obrigado”, virado as costas e ter saído, talvez até tenha tido a intenção mas pelo visto seu orgulho havia falado mais alto. Pra que deixar-se ser saboreado aos poucos se podemos nos entregar de bandeja?

- Eu, de fato, não era daqui. Embora acredite que agora tenha que ser... Imagino... Mas não, eu... Eu sou do mundo.

Voltei meu olhar para a garota mas não havia repreensão. Sua voz soava um pouco mais animada, porém parecia que o álcool estava começando a surtir algum efeito.

- O bebê ficou ofendido? Não vai chorar não é? – O sarcasmo escorria em cada sílaba que saía de meus lábios, sorri com o canto de um dos lábios – Prometo ser mais aveludada na próxima vez – Desfiz meu sorriso com a mesma velocidade com que ele surgiu em meus lábios.

- Quanto a atrapalhar, não há nada para atrapalhar – Desta vez meu olhar foi direcionado à garota ao nosso lado – Já que vamos entrar em uma conversa me responda uma coisa: Porque os homens insistem em querer firmar sua masculinidade e seu ego em todo lugar? Porque assim, se a mulher é meiga ela é “santa demais”, se topa uma conversa, “biscate”. Se possui personalidade é lésbica. Me diga, como vocês conseguem conviver com esse pensamento retrogrado? Se bem que eu já tenho um conceito formado: Todo homem não aceita que outro homem tenha o p** maior que o seu, ainda mais se esse p** for de uma mulher. É por isso que vocês dão aquela olhadinha para o parceiro do lado quando estão em algum mictótio?

Não me contive. Cheguei a soltar uma piscadinha para a garota mas ela nem percebeu . Já havia se engajado em uma conversa com uma ... meu Deus! É a Baby Spice?* !!! Eu estava quase pedindo um autógrafo e convidando-a para subir no balcão para cantarmos “stop right now, thank you very much”. Eu ri por dentro. Voltei meus olhos para o grandalhão a minha frente sem desgrudar o ouvido do que se passava ao meu lado.

- E aí, como vai? Meu nome é Ann. Sem querer me intrometer, mas já me intrometendo... ouvi você dar uma baita risada repentina e gostosa quando estava chegando aqui no balcão. Acho que perdi alguma boa piada ou um comentário engraçado. Sabe, estou meio entediada por aqui, então pensei se você não poderia me contar o que foi. E, quem sabe, me apresentar seus dois amigos.

Amigos? Não dá para negar: pessoas bêbadas possuem amigos em cada copo. Eu continuava a olhar o grandalhão. Estendo meu braço sem me voltar para o balcão.

- Traz mais dois whiskies, um para mim e outro para o bebê chorão aqui.

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Off: Para quem não sabe a Baby ou Babe Spice era uma das integrantes das Spice Girls, grupo de sucesso dos anos 90.

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11 Re: Heavy Duty Beer Club em Ter Jul 03, 2012 10:55 pm

Os pensamentos de Jason sobre seu passado não iam adiante. A risada da loirinha interrompeu seu raciocínio. Jason não era lá muito bom de prender-se a um longo raciocínio. Riu com ela, mesmo sem entender a própria piada. Ainda havia o uísque, e as pernas de Erin. Depois que seu olhar se acostumou à luz do lugar e ao nível das prostitutas, concluiu que era a coisa mais bela para se olhar ali. Até que tentou se esforçar em buscar uma relação entre a cara de zumbi da garota com seu passado, mas um novo fator colocou um ponto final em tudo.

Foi a aberração que surgiu perto deles. Uma garota que fez Jason jurar que não sabia o que estava fazendo ali, e certamente sobreviveu até agora por sorte. Não imaginava de onde surgiu aquela “Barbie Rockeira”, e ficou impressionado com o tanto que falava. Se queria passar despercebido, tinha que abdicar dessa vontade naquele momento. Ela tirou toda a sua concentração, e chamava a atenção de todos no bar. Tanto que do que a loirinha disse só guardou o “Eu sou do mundo.”. Era coisa de puta falar. E isso criou uma confusão ainda maior na cabeça de Jason. Foi então que veio a avalanche da durona. Primeiro o chama de chorão, depois lhe dá uma palestra sobre uma coisa que não entende muito bem. A única coisa que entende é algo sobre “paus”. Pau de homem, de mulher, e um olhando pro outro no mictório. Solta um riso, como se aquilo fosse uma piada engraçada que não queria ter perdido, e mata seu uísque, colocando o copo sobre o balcão. No fim ela ia pagar a ele uma bebida. Nada mal.

Deixou seu pensamento sobre a relação entre as duas de lado, e usou aquele argumento para “chegar” na garota. Pôs a mão em sua perna, e a puxou para o lado oposto ao das outras duas outras, fazendo-a girar no banco e ficar sentada de frente pra ele. Colocou-se no balcão e se aproximou de uma das orelhas da mulher para sussurrar algo. Quem via de fora tinha certeza de que Jason avançava para dar um beijo ou chamá-la para “um lugar mais calmo”. Mas não é bem isso que a voz dele manifesta.*

- Cara... Eu sei que você não é tira. Tá fazendo barulho demais prum tira. E com essa marra toda deve saber de algo. Preciso de alguém pra comprar minha mercadoria. Quero passar logo... Saca?

Na verdade não sabia se ela era não era mesmo uma policial. Estava arriscando. Às vezes precisava disso, e ainda assim não tinha medo. Se ela fosse, daria um jeito. Jason abre sua jaqueta de couro e exibe seu torço nu definido para a mulher. Além de trincado, estava cheio de cicatrizes. Mais uma vez, quem os via podia ter certeza de que Jason tentava seduzi-la. Mas a coisa mais uma vez não era bem assim. De forma a esconder o que fazia do resto do salão, começa a tirar um colar dourado do bolso interno da jaqueta, provocando um brilho nos olhos de quem o visse. Era ouro. Deixou para fora o suficiente para que mostrasse que era maior que uma pulseira.

- Tem muito mais de onde veio isso aqui.

E por último, a frase sai alta, e mais uma vez, quem ouvisse sem saber o que acontecia entre os dois, teria a certeza de que Jason falava de seu corpo.


_______________________________
* Ações pendentes de "aprovação" pelo(a) player da Erin, a sair em seu próximo post. Já a mão na perna foi uma ação simples para quem estava sentado ao lado. Cabe agora a Jason aguentar as consequências de seu ato!
Por Mestre de Jogo

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12 Re: Heavy Duty Beer Club em Qua Jul 04, 2012 12:46 am

Bastou uma simples ligação de Henry para o oficial O’Reilly deixar o Distrito Polical rumo ao bairro de Garden District. Ele pede que o parceiro diminua a velocidade do carro ao passarem em frente a mansão Longue Vue. Examina o local rapidamente de dentro da viatura e encontra a van que fazia as escutas a quase uma quadra dali. Troca algumas informações com o policial de plantão, ouvindo dele que algumas pessoas haviam chegado há pouco tempo. Manda que duplicassem a atenção na vigilância, conforme o seu senhor lhe solicitou. O’Reilly é facilmente ligado a Henry por quem tiver os contatos certos, não sendo uma boa idéia ficar por ali e pessoalmente investigar os mortos da Longue Vue. Ele liga para o seu senhor e faz o repasse das informações, com a descrições dos convidados da noite e tudo mais o que tem direito. De Henry, ouve que agora deveria procurar uma outra “pessoa” e descobrir a respeito de seus próximos passos.

De seu lugar no banco do carona, Kevin acompanha a modernidade pacífica do Garden District moldar-se em algo mais caótico. Estava entrando no Bairro Francês, com suas construções repletas de frescurices francesas. A única coisa que prestava naquele estilo de arquitetura são os terraços, tão úteis para acompanhar de forma privilegiada o desfilo de seios desnudos durante o Mardi Gras e mijar na cabeça dos negros lá de cima. De qualquer forma, as pessoas adoram o bairro, ficando a vagar pelas ruas e bares até altas horas da madrugada. Moças novas desfilam em roupas atraentes demais para que o oficial O’Reilly resista a não abaixar os vidros e mexer com uma ou outra.

Atravessam a Burbon Street ao som de uma música feita por um monte de velhos caquéticos já há muito tempo enterrados. Logo a trilha sonora e as garotas sensuais são trocadas por algo mais pesado. Uma aglomeração de homens barbudos vestindo couro e o som de Heavy Metal vêm ao encontro do carro policial. Hevy Duty, dizia o letreiro. É aqui que encontraria o tal de Royce Gregor.

A viatura chega com a sirene desligada, mas o giroflex (luzes) é ativado algumas vezes para que as pessas saíssem do caminho. Kevin desce do carro e bate a porta com força, jogando o quepe no banco pela janela aberta. "Me espera aqui fora, não vou demorar" foi sua única orientação ao parceiro policial.



Ele ajeita o cinto, estala o pescoço e segue sozinho até a porta do bar. Um gorila albino se demora a sair da frente, sendo grosseiramente empurrado no peito por Kevin, que não está com a mínima paciência esta noite. Uma vez dentro do Heavy Duty ele procura por algum funcionário. Avista somente o barman, decidindo ir ao seu encontro. Por onde passa recebe todos os olhares e maldições silenciosos, todas as conversas cessam e todas as atividades, como a sinuca, ficam suspensas. Representa a lei e ordem em um lugar que preza o crime e o caos. Provavelmente já levou mais de um que estava ali dentro agora para a cadeia. Nem mesmo estando em desvantagem e tendo vários inimigos ao seu redor, Kevin mostra um pingo de medo. Muito pelo contrário, fica excitado pela expectativa de alguém provocá-lo e lhe der motivos para ser "carinhoso".

Sua caminhada audaciosa o leva até o balcão, onde um pequeno grupo conversava. Ele foi ali para falar com Royce Gregor, mas acabou não conseguindo resistir aos seus sentidos naturais de policial experiente. Uma ação criminosa havia acabado de começar entre um sujeito típico do bar e uma mulher. Ao lado deles havia mais duas outras mulheres que não convenciam Kevin de que eram frequentadoras normais dessa pocilga. Alguma coisa estava acontecendo ali. Começaria então a resolver as coisas com o mais forte deles.



______
- Tem muito mais de onde veio isso aqui.


O que o sujeito pensava que estava fazendo, afinal? Tinha que ser muito burro em falar em com esse código e achar que se daria bem. Kevin se aproxima rapidamente por trás e empurra a cabeça do sujeito com o máximo de força contra o balcão visando arrebentar seu nariz com isso. Está na hora pôr as pessoas em seus devidos lugares, e o lugar de cada um que frequenta o Heavy Duty é a sarjeta - ou pior.



(Ação julgada AQUI. Seguindo post após o resultado da iniciativa...)


Os braços haviam se trançado naquela confusão breve que se formou enquanto Kevin tentava agarrar a cabeça do homem e Jason procurava se antecipar àquela ação. Por fim o brutamontes cabeludo foi mais rápido e se livrou da violência inicial com o instinto recuperado dos anos anteriores à prisão. Ele ergue os braços e coloca a mão na cabeça, mostrando que estava desarmado.


______
- Que isso, chapa???


Mas a truculência não parou por aí. Kevin aproveitou que o homem havia se levantado e erguido os braços e o empurra para trás, afastando-o alguns passos. Estava de frente para a mulher agora (Erin). O policial a segura com força pelo ombro e a coloca de pé à base da ignorância. Do coldre em sua cintura retira a pistola e a aponta para ambos, alternadamente.


______- Mãos na cabeça, os dois! - esbraveja mais alto do que a música ambiente.

Os olhos de Kevin percorrem os corpos dos dois à sua frente, em uma busca visual por armas de fogo. Acaba esbarrando olhares com as outras duas garotas que não pareciam ser do lugar, jurando que só estavam ali para comprar drogas. Pois bem, haviam escolhido uma péssima hora para irem às compras.


____________________________
OFF: Jason Stone participou do trecho pós-rolagens contido neste post, o que o valida por completo.

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13 Re: Heavy Duty Beer Club em Qua Jul 04, 2012 11:02 pm

A ousadia do gigolô excedia os limites de sua sensatez. Seu toque foi repudiado com um discreto cruzar de pernas que afastou sua mão para longe do meu corpo. Meu olhar desta vez foi feroz e não demonstrava o mínimo de amizade.

- Eu juro por Deus do céu, que se ousar me tocar novamente eu arranco seus dedos. – Sussurrei baixinho enquanto afastava meu corpo da íntima distancia que ele havia imposto entre nós.

O que ele estava pensando? Que eu era qualquer tipo de vagabunda barata que ele estava acostumado a pegar? Ele com certeza não fazia ideia da encrenca em que estaria se metendo se me tirasse do sério.

- Cara... Eu sei que você não é tira. Tá fazendo barulho demais prum tira. E com essa marra toda deve saber de algo. Preciso de alguém pra comprar minha mercadoria. Quero passar logo... Saca?

Quer dizer que além de gigolô o cara ainda é trambiqueiro. Eu estava imaginando que tipo de mercadoria esse cara comercializava quando ele simplesmente abre a jaqueta “discretamente” e exibe algo que parecia ser um colar ou uma pulseira... ouro. Olhei para seu rosto desacreditando de sua falta de cuidado. Ou ele era muito burro ou queria ser pego e não, esse não era meu negócio. Eu não tinha e nem tenho feeling para ser vendedora, meu negócio é apagar pessoas, fazê-las sumirem do mapa.

- Tem muito mais de onde veio isso aqui.

O gigolô trambiqueiro era corpulento e tampava parte de meu campo de visão e foi exatamente por este motivo que não percebi a aproximação do policial, na verdade só o percebi quando arrancou o cara da minha frente e o jogou contra o balcão tentando imobilizá-lo, porém o cara parecia ter alguma habilidade para briga e logo se desvencilhou do policial.

Por um instante achei que ele tivesse feito a primeira coisa inteligente da noite até ele levar as mãos à cabeça e permitir que o policial se sentisse o macho alfa do lugar.

- Que isso, chapa???

O policial não pensou duas vezes e antes de qualquer reação do gigolô o empurrou para trás de forma que ficassem a uma distancia saudável um do outro. Quando pensei que a palhaçada terminaria por ali o policial me segura pelo braço na altura do ombro me tirando de cima do banco. Senti meu sangue subir, meu corpo tremer e eu podia ver cada pedaço daquele policial espalhado por cada canto do bar. Minhas mãos se fecharam na intenção de soca-lo mas soca-lo muito, até ele perder a consciência, até ele se engasgar com o próprio sangue.

Com a mesma brutalidade que ele me tocou eu afastei suas mãos de mim com um baque repentino e encarei aquele pedaço de merda fardado de cima para baixo.

Assim que o policial aponta a arma para mim eu dou um passo para frente, diminuindo a distancia entre nossos corpos fazendo o cano da arma se aninhar entre os meus seios. Eu podia sentir a pressão da arma em meu peito por seu pulso firme.

- Já que é tão durão assim, porque não puxa o gatilho? As pessoas dessa cidade vão adorar saber que o policial O’Reilly ( li seu nome na identificação presa em seu uniforme ) estragou a surpresa de noivado esperada a tantos anos e ainda por cima derramou sangue inocente por não conseguir conter seu impulso. Olhe em volta policial, você é mais inteligente que isso! Tenho certeza que aqueles que colecionam amigos também carregam alguns inimigos e pelo jeito que algumas pessoas te olham posso até imaginar o que estão pensando. Bastariam algumas ligações anônimas ou depoimentos para acabar com sua reputação de bom policial.

Eu sentia o meu corpo esquentar e algumas gotas de suor se formando, mas eu mantinha meu olhar firme. Não era a primeira vez que eu me via em uma situação dessas e nessas horas temos que sustentar nossas mentiras. Uma mentira contada varias vezes se torna uma grande verdade.

- O que está esperando? Vai puxar este gatilho ou vai me acusar de que? De estar bebendo com o namorado no bar, comemorando o pedido de noivado? Ou meu noivo não pode me presentear com uma bela joia? – Sorrio – Um dos motivos que me levou a namorar com ele foi justamente sua família ser dona de algumas joalherias – Olhei para Jason.

- Agora, eu estou disposta a esquecer o que aconteceu aqui se você também estiver disposto a esquecer, a escolha é sua. Vou ter o prazer de observar lá do inferno a sua carreira de policial ruir por não conseguir discernir entre um crime de verdade e uma comemoração entre amantes.

Minha jogada era arriscada, mas eu acabava de colocar o policial e sua reputação em cheque. Eu sabia que o gigolô trambiqueiro possuía um orgulho a zelar e depois dessa ele ficaria me devendo um favor. Caso ele pensasse em não fazê-lo, eu mesma iria caçá-lo e faria questão de pendurar sua cabeça em praça pública. Agora, o policial teria o que merecia, não ali, não naquele lugar ... mas em breve.

- E então, como vai ser?

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14 Re: Heavy Duty Beer Club em Qui Jul 05, 2012 11:08 pm

Não era apenas de coisas boas que Jason estava longe quando ficou na prisão. Aliviou-se de um tanto de coisas ruins que até se esqueceu delas. Uma delas era a TPM. Jason tocou na perna dela um pouco, apenas para abordá-la, e ainda assim próximo ao joelho, e a vadia invocou Deus e o caralho para repreendê-lo. Isso o lembrou de que a mulher enlouquece em alguns dias do mês. De qualquer maneira, aquele toque não tinha pretensões. Era só um disfarce para o que viria a seguir. A reação da puta com rosto de boneca serviu pra provar também que aquela garota não estava lá atrás de grana pelo seu corpo, o que aumentava as possibilidades dela saber mais sobre os "negócios" que queria fazer. Mostrou pra ela seu material, e quando esperava uma resposta do umbigo à mostra, sentiu algo se aproximar.

A mão do policial fez um vento que fez sua nuca arrepiar, alertando-o a tempo de sair da direção do ataque. Mesmo com os esbarrões conseguiu se afastar, mas sem entender nada. Sabia que aquele bar não era um local pacífico, e achou que até demorou a acontecer uma confusão. Imaginou naquele milésimo de segundo que algum dos motoqueiros não gostou do que ele fazia com a moça que abordou, e resolveu ter uma "palavrinha" com ele.

- Que isso, chapa???

Foi quando viu o distintivo reluzir na luz fraca no meio da roupa preta do homem de barba feita e cabelos cortados demais para um motoqueiro que não era careca. Era a merda de um policial. Sua primeira reação foi colocar a mão na cabeça. A prisão havia mudado Jason. Antes disso ele faria qualquer outra coisa, menos recuar. Aqueles anos atrás das grades colocaram o grandalhão na linha de alguma maneira. Sentiu o empurrão no peito e uma fúria contida subiu por ele. O olhar do policial tinha uma raiva fora do comum. Achou até estranho por entender certo prazer naquela expressão. Só via esse tipo de coisa em malucos que saiam por aí atrás de uma boa briga.

Seu sangue gelou. "Me acharam. MERDA!". A única expressão de seu pensamento foi um apertar de lábios que fez os dentes morderem o inferior com força. E daí veio uma careta. Sua viagem havia chegado ao fim. Estava sozinho e desarmado no meio do nada, sem nem o produto do roubo em sua posse. Ao menos não a maior parte dele! Foi então que teve um estalo. Um flashback dos dias que antecederam sua prisão. Conheceu um advogado que lhe disse que "Sem arma do crime e sem o produto do crime, não há crime, rapaz!". Ainda se lembra do dente de ouro e dos pêlos que escapavam por entre um dos botões da camisa que acabaram por se abrir sem que ele reparasse. Coisas que tiravam boa parte da confiança que poderia ter naquele homem. E com razão, já que foi preso de um jeito ou de outro. Mas a informação que valia era que Jason ainda podia se livrar daquela situação, fingindo que não roubou nada e não sabia de nada. "Inocente até que se prove o contrário", dizia a voz do bigodudo advogado em sua mente.

Quando o policial avançou na mulher não entendeu muito bem o que ele queria. Estava sozinho nessa, tirando pelos comparsas que tirou da jogada. Claro que poderia considerá-la uma cúmplice, mas isso confundiu Jason mesmo assim. Não era de pensar tão longe. De qualquer maneira saberia tirá-la do problema. Afinal, para quem via, estava só tentando passar a mão nela. Ao menos era isso que a mente do brutamonte supôs, não reparando em quão desastrosa havia sido sua tentativa de disfarce por parte dos envolvidos.

A arma do policial estava apontada para ambos, e foi quando aquela mulher que ele nem sabia o nome colocou tudo a perder com sua tagarelice. Se pudesse corria até ela e tampava a boca da maldita, para que ela não o afundasse naquela lama. E faria isso se não fosse levar um tiro por qualquer movimento brusco que provocasse. "É só dizer que não sabe de nada, mulher burra!", pensou com força. Mas até aí ela já dizia que eram noivos, e que os pais de Jason eram dono de uma joalheria. Mal sabia ela que Jason era fichado, acabara de sair da prisão e era órfão de pai e filho da puta de mãe. Ela nem sabia a merda de seu nome, enquanto os policias sabiam até quanto pesava cada uma de suas bolas. A única certeza que conseguiu de ver a moça o protegendo com tanta força era o que ela realmente queria dar pra ele. Não pensou em nenhum outro motivo pra tanta preocupação além de arrepios na nuca da mulher ao conferir o que estava por dentro da jaqueta.

De qualquer maneira, a merda AINDA não estava no ventilador, e não era questionado em nada. A falação era toda da garota, então ela que se virasse com isso. Devolveu a ela um sorriso amarelo quando o olhou, e pediu em silêncio proteção ao espírito do búfalo branco. Não sabia mais o que fazer, a não ser partir pra cima. Mesmo de mãos erguidas na cabeça, preparou-se para isso, enrijecendo os músculos em alerta.

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15 Re: Heavy Duty Beer Club em Sex Jul 06, 2012 2:46 pm

A loirinha não tinha nem me respondido quando um policial chegou rápido e, interrompendo a cantada que o grandão jogava pra cima da morena, tentou socar a cabeça dele contra o balcão. Mas o cara foi safo - devia ser marginal experiente - se desvencilhou do empurrão e, já com as mãos pro alto, tentou acalmar as coisas.

“Fodeu!”, pensei na mesma hora. Com o susto, agarrei fortemente o ombro da loirinha, sem nem perceber o que estava fazendo(*). Mas saquei logo que um policial com aquela truculência toda num lugar daqueles não ia querer revistar só uma pessoa. Ia sobrar pra todo mundo. E, como a lei de Murphy é a única do universo que realmente funciona, isso só podia acontecer justo no dia em que eu resolvi comprar o cristal. Se eu ao menos já tivesse tomado, faria jus ao que gastei e só poderia ser flagrada depois de um exame. Mas, se achassem aquela droga de envelope no meu bolso, eu ia dançar na certa. Já estava até vendo a cara da minha mãe ao despejar aqueles lugares comuns: "E agora você ainda resolve se meter com drogas pesadas? O que você está querendo para sua vida, minha filha? Assim você me mata do coração! Onde você vai parar desse jeito? O que o seu pai acharia se estivesse vivo? Eu não aguento mais isso...". Que pé no saco!

Mas a reação da morena abriu espaço para eu me dar bem naquela hora. Por incrível que pareça, ela era menos diplomática do que o grandão; avisou que era noiva do sujeito, peitou o policial (com todas as letras, já que encostou os seios no cano da arma) e fez ameaças contra ele! Essa era a deixa de que eu precisava pra me livrar daquilo. Procurando ser discreta, mas rápida, coloquei dois dedos no bolso de trás da calça - nessa hora, gostaria que não estivesse tão apertada! - e tirei o minúsculo envelope comprometedor. Aí deixei cair por trás de mim, torcendo pra que o policial não reparasse.

O negócio agora era mostrar que eu não tinha nada a ver com a barraqueira e o noivo dela. Falei alto pra loirinha, como se a conhecesse:

- Xiii, não te falei que era melhor a gente ficar longe de estranhos? Eu vou lá pro fundo. Se quiser vir comigo...

Disse aquilo e comecei a me afastar caminhando normalmente. Eu até olharia para o teto e assobiaria, se isso não fosse forçar demais a encenação de calma. Por dentro, torcia pra loirinha vir atrás de mim, reforçando a desculpa que arranjei pra sair de perto do envelope jogado.

Agora, se isso tudo falhasse... bem, ter uma mãe advogada sempre ajuda a sair de encrencas. Só não sei se aguentar uma semana seguida de sermões de mãe não seria mais chato ainda do que ficar uns dias na cadeia.

Azar, azar, sempre azar! Eu só queria me divertir um pouco. Depois de tudo o que passei, eu merecia um pouco de divertimento! Não é minha culpa, não é mesmo!

- - - - - - - - - - -

(*) Sim, é o ombro machucado.

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16 Re: Heavy Duty Beer Club em Sab Jul 07, 2012 11:29 am

RESULTADO DAS AÇÕES AQUI.


Tópico liberado para postagens. O próximo a postar deve ser, obrigatoriamente, Kevin O'Reilly.

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17 Re: Heavy Duty Beer Club em Sab Jul 07, 2012 11:52 am

O mundo é mesmo um lugar muito cruel. Não tivesse o oficial O’Reilly recebido ordens de um vampiro estaria longe do Heavy Duty agora, Jason teria conseguido mais um dinheiro com a venda de jóias e Erin não receberia um tiro à queima-roupa de uma Pistola HK .45. Mas este é um mundo de trevas, onde a violência atinge a todos sem preconceito, transformando até mesmo uma cidade naturalmente festiva em um palco para tragédias. As noites em Nova Orleans são sempre em preto e branco, com toques de vermelho.

O policial O’Reilly é conhecido pelo seu pavio curto e temperamento explosivo. Infelizmente Erin não o conhecia para saber disso. Ela pode até mesmo ser mais durona que o tira, certamente mais corajosa – ou louca – por chamar pela morte em seu peito, mas dessa vez não é a assassina quem aperta o gatilho. Alheia ao clima extremamente tenso que se formou no bar, ela optou por desafiar o homem da lei como forma de ganhar a disputa psicológica da ação. Suas últimas palavras foram interrompidas por um estampido que silenciou o Heavy Duty pelo breve período em que ecoou pelo espaço ao redor.

O grosso calibre da pistola tem como principal função o impacto, ao contrário da perfuração que é a função dos calibres menores. Cumprindo seu papel, o disparo arremessou a mulher para trás como se fosse uma boneca de pano. O minúsculo orifício de entrada do projétil entre os seios de Erin transformava-se em um enorme buraco de saída em suas costas, de onde se projetou uma explosão de sangue. O corpo que havia erguido dois dedos do chão e viajado três metros para trás, cai por cima de uma mesa vazia, derrubando duas cadeiras ao redor.

Confusão no Heavy Duty. Os mais fracos de determinação correm em disparada em direção à saída; já aqueles mais corajosos encaram o policial com um misto de ódio e cautela. O’Reilly não tem tempo para pensar em seus atos – não que o fosse fazer de fato -, ele simplesmente mira a arma para Jason desta vez, alertando-o com uma voz firme, porém mais controlada que antes.



______- Mãos no balcão agora. Se tentar alguma gracinha eu faço você ser o próximo. – olha por um instante para Ann – Você e sua amiga também, patricinha. E é melhor rezar para que eu não ache nada com nenhuma das duas.


Foi assim mesmo que ele agiu: sem reflexões sobre o disparo contra a mulher. Simplesmente lhe é indiferente que tenha uma pessoa estirada no chão para morrer – se já não estava morta. Seus contatos entre o alto escalão da Polícia, do submundo e entre os vampiros lhe dão a segurança necessária para continuar a agir conforme seus próprios caprichos nesse mundo de trevas em que vive.

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18 Re: Heavy Duty Beer Club em Sab Jul 07, 2012 10:15 pm

São mais ou menos uma meia hora de bonde até a região onde moro, e durante todo o percurso fico pensando em como deve ter ficado (mais?) contente a malabarista do Prytania. Ela, com certeza, tirará mais proveito daquele ingresso que eu. Por que iria eu assistir a um filme se não teria com quem comentá-lo depois? Não conheço ninguém adepto aos filmes.

Não tenho o costume de usar esta linha, portanto desço quando a região me torna familiar, não sei dizer se este bonde segue até mais perto de meu lar e é melhor não arriscar, já basta desviar de meu caminho costumeiro uma vez na noite, não é? Olho ao redor para me localizar: “é, não estou longe, agora”.

Caminho por um tempo e passo diante do Heavy Duty. Uma sede se instala em minha garganta: “não poderia comprar uma cerveja no Prytania, mas aqui consigo. É entrar e sair, não vou arranjar encrenca, já bati em alguém hoje.”

Motos encostadas por todo canto, motoqueiros mal encarados também, ignoro os olhares. Adoram provocar uma encrenca e hoje eu não estou com a mínima disposição, quero apenas minha cerveja. Vou para a entrada e encontro o homem mais branco que já vi na vida. Pergunto se posso entrar, já esperando uma resposta negativa.

Para a minha sorte, o grandão me reconhece de umas lutas que assistiu e me deixou entrar, me fez prometer ensinar como eu dava aquele gancho de esquerda que parecia mais lento do que era. Uma outra hora, quem sabe, não sou bom professor.

Ao entrar no bar, a luz avermelhada do ambiente me turva a visão, e após algum tempo me acostumo a ela, bem no momento em que chego ao balcão. Como não quero encrenca, evito ao máximo olhar para a discussão entre três garotas, um grandalhão e um policial, que parece não ser muito bem-vindo no local. Peço uma cerveja ao barman.

Pago a ele e começo a beber da garrafa, e durante o primeiro gole, um estampido horrendo me assusta e deixo-a cair, perdi minha cerveja. Olho para o lado a tempo de ver a mulher que estava de pé à frente do policial voar por cima de umas cadeiras e mesas. Em seguida, o policial, que, pelo que pude perceber, foi o autor do disparo, vira-se para as outras pessoas do grupo e as ameaça:

- Mãos no balcão agora. Se tentar alguma gracinha eu faço você ser o próximo. – foi o que disse ao cabeludo, e para a que parece ser mais rica diz: “Você e sua amiga também, patricinha. E é melhor rezar para que eu não ache nada com nenhuma das duas”.

Afasto-me do balcão e sigo em direção à moça caída, ninguém fez nada a respeito! Nem o policial, que deveria ajudar, mesmo tendo atirado! Penso que possa ser alguma situação envolvendo corrupção, senão ele teria ajudado... Ligo para a ambulância, dou meu nome, o local onde me encontro, peço ajuda ao albino, para tirarmos a moça dali. Vamos esperar do lado de fora, aquele buraco nas costas dela me assusta, lembra um pouco meus dias de guerra em Kosovo.

Esperamos do lado de fora, pois não queria ficar lá para ver o policial atirar em mais ninguém, muito menos eu. Pouco tempo depois a ambulância chega. Como não há ninguém que pareça disposto a ajudá-la e os únicos que poderiam ter algum contato com ela estão com o policial, decido dar o meu nome como acompanhante para levá-la ao hospital, parece-me que o destino adora me pregar umas peças de vez em quando. Ajudei duas estranhas nessa noite. Vamos ver como isso se desenrola. Prometo que depois do hospital vou à igreja de tão santo que me sinto.



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EDIT do Mestre de Jogo: parágrafo sublinhado em suspensão por se tratar de um trecho que exige uma passagem maior de tempo; ele será desconsiderado até que haja outra rodada de postagens, e se ninguém fizer algo que o desminta, passará a valer.

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19 Re: Heavy Duty Beer Club em Seg Jul 09, 2012 7:10 pm

A vida é uma imensa roda gigante que segue seu ritmo cadente, encantando as pessoas e embalando os apaixonados que não percebem que hora ela te leva pra cima lhe arrancando um sorriso só para em seu ápice te levar para baixo. Eu nunca fui uma mulher meiga mas tenho minha vaidade, gosto de ser o misto de mulher fatal e a dama elegante. A viúva negra que encanta os homens com seu sorriso e que aguarda pacientemente o momento de tirar-lhe a vida traiçoeiramente. Sou a serpente que hipnotiza com as curvas sinuosas de meu corpo enquanto meto-lhe uma bala em sua cabeça. Mas a vida iniciou mais uma vez o seu ciclo cadencioso e quem estava em cima agora está embaixo e na brincadeira de cara ou coroa onde “cara eu ganho” e “coroa você perde” o destino mais uma vez me trai e a probabilidade quase nula se torna uma verdade absoluta: Nem cara e nem coroa, a moeda parou em pé sustentada pela milimétrica borda. Eu perdi a aposta.

As ultimas palavras estavam sendo vomitadas de minha boca quando sou silenciada pelo estrondoso barulho, como se uma bomba tivesse explodido em mim, de dentro para fora. Senti o impacto em meu peito rasgando meus órgãos, passando a poucos centímetros de minha coluna para explodir em minhas costas abrindo um buraco tão vazio quanto meu coração. Meus olhos se tornaram como cristais e a ultima lembrança que tenho é o olhar frio do policial. Aos poucos meu corpo foi cedendo à dor enquanto flutuava lentamente impulsionado para trás como se fosse feito de vento. A vida parecia um filme que passava em câmera lenta em cores com tom vermelho. A roda gigante começava a descer lenta e suavemente.

Minhas mãos tateiam o chão enquanto tento recobrar a consciência. A ardência no peito era como se a cada segundo um punhal me atravessasse de ponta a ponta. Aos poucos meus olhos cedem e no inicio as imagens são apenas um borrão. A luz ainda que fraca os machucam, o que faz com que eu leve uma das mãos ao meu resto, tentando amenizar a claridade. O bar já não estava tão escuro e aos poucos me acostumo com o ambiente. Era como acordar de manhã. Quando finalmente consegui abrir meus olhos minha primeira visão é o teto de madeira com seu ventilador, que mais parecia uma hélice de avião, girando quase que parando. O silencio era absoluto e eu não conseguia me lembrar com clareza do que havia acontecido. Onde estariam o gigolô e o policial mau encarado? Será que havia conseguido dar um flagrante nele? E a garota imunda que se pendurava no balcão? Haviam simplesmente deixado ela ali caída, jogada?

O esforço para tentar me levantar fez com que meu corpo arqueasse de dor. O peito queimava como brasa viva. Apertei as mãos na altura do coração como se isso fosse amenizá-la e só então percebi que meu peito estava molhado. Minhas mãos estavam lavadas de sangue! Tentei desesperadamente me levantar sem entender o que acontecia quando um pé é colocado no meu peito e me empurra violentamente contra o chão. Desta vez é minha garganta quem explode com uma saraivada de sangue. Ouço risadas por todo o lugar. Risadas que zombavam de mim e quando procuro olhar nos olhos do meu opressor eu quase tenho um surto. Um sussurro escapa dos meus lábios.

- Donovan...

Não podia ser. Aquilo era impossível! Eu mesmo havia degolado Donovan enquanto ele implorava por sua vida, com promessas de que pagaria o triplo do que haviam me pagado para pegá-lo. Donovan cujo a cabeça eu fiz o favor de entregar embrulhada em um papel de presente. Ele olhava para mim com um sorriso sombrio estampado nos lábios. As marcas da faca ainda estavam em seu pescoço. Eu estava horrorizada.

Tentei me desvencilhar de seu pé que me prendia. Tentei gritar mas não havia voz em minha garganta e então um a um eles foram aparecendo: Madame Langlois cujo o tiro na testa foi fatal. Tenente Richard que eu mesma estrangulara enquanto nos divertíamos em sua banheira em Baltmore. Meu doce e apaixonado Pierre cujo a língua eu arrancara por não suportar mais suas juras de amor. E uma série de outros rostos, cujo os nomes eu não lembrava mas por quem recebi uma boa quantia para matar. Todos estavam lá.

- Deixem-na levantar. – Soou uma voz que bradava como trovão, fazendo com que todos se afastassem, mas não tirou deles o olhar que clama por vingança. Quando consegui me colocar sentada eu quase caí de costas novamente. Sentado em minha frente em uma das cadeiras do bar que mais parecia um trono estava uma figura vestida de negro como se sua roupa tivesse sido tecida com o manto da noite. Sob o rosto caía lhe um capuz de onde se desprendiam longos fios de cabelo negro. Em uma de suas mãos havia uma enorme foice prateada que reluzia como fogo e de suas costas saiam um grande par de asas que chegavam a tocar o céu. A morte! Meus olhos se desesperaram.

- Quer dizer que estou morta?
- Ainda não, mas a julgar pelo buraco em suas costas acredito que estará em pouco tempo.

“Então ele atirou mesmo?”. Meus pensamentos referiam-se ao policial.

- Eu não posso acabar desse jeito.
- Ahhh pode minha doce Erin. Não só pode como vai. Só um milagre poderia lhe salvar agora e sei que você não acredita em milagres. E porque todo este espanto? Não vai me dizer que está assustada com minha presença, afinal, éramos parceiras inseparaveis, não? Firmávamos uma bela equipe. Na verdade você era um dos meus brinquedos preferidos, eu apontava o nome e você executava , me poupando todo o trabalho. Vai ser uma pena mas o mundo é cheio de outros soldados.

Pela primeira vez em muitos anos, meus olhos se encheram de lágrimas. Em tentava insistentemente levantar meu corpo. Eu queria desesperadamente fugir dali, mas algo me prendia.

- É inútil todo este esforço. Você não vai conseguir ir para lugar algum. Não enquanto seu corpo ainda pulsar. Você está morrendo doce Erin. E quando enfim você repousar eu estarei aqui. Eu e seus fãs, prontos para lhe conduzir para o inferno. Até então o que podemos fazer é esperar.

Um barulho começou a se formar e antes o que era apenas um sibilar de folhas como a brisa que passeia pelos campos foi se tornando cada vez mais forte, como uma escola de samba. Só então me dei conta que era o meu próprio coração batendo acelerado, bombeando a cada momento com mais facilidade o sangue que vazava de meu peito, costas e garganta. Então a escuridão voltou a se formar. A morte me olhava sentada e com sua mão livre seus dedos me davam um “tchauzinho” enquanto seus lábios desenhavam o que parecia ser um “até breve”. E então tudo se apagou. Eu estava sozinha.

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20 Re: Heavy Duty Beer Club em Ter Jul 10, 2012 3:32 pm


Fingi tão bem estar calma quando comecei a me afastar do balcão que, sinceramente, até consegui me acalmar um tanto de verdade. Mas um estampido da arma do tira me fez estacar de repente, encolher os ombros e erguer as mãos até a altura da cabeça, no maior susto. Me virei na mesma hora e, incrédula, pude ver ainda o corpo da morena sendo projetado pelo disparo da pistola!

Como é que o sujeito foi capaz de atirar à queima roupa numa mulher desarmada só por ela ter desafiado ele e ameaçado com a lei?! Quando a cidade foi devastada pelo furacão Katrina, vi na televisão, já que ainda não morava aqui, alguns desabrigados dizendo aos repórteres que se sentiam abandonados feito habitantes do Terceiro Mundo. Pelo que vi naquela hora, parece que os serviços públicos da boa e velha Nola têm ainda mais traços de subdesenvolvimento do que seria de se imaginar...

Mas talvez a coisa que me surpreendeu mais naquela hora tenha sido eu mesma. Daquele estado de olhos e boca muito abertos pelo espanto, resolvi passar depressa à ação. Corri na direção do corpo caído pronta pra usar os poucos conhecimentos que adquiri no curso de medicina. À primeira vista, isso deveria ser mais do que previsível. No entanto, a minha opção por esse curso nunca teve nada a ver com o desejo de salvar vidas. Eu sempre quis ser a melhor em tudo. Escolhi essa carreira pensando em virar uma pesquisadora apta a ganhar o prêmio Nobel ou então uma cirurgiã plástica que ficaria rica esticando as rugas de socialites e artistas em Beverly Hills. Pela primeira vez, e como que num instinto, eu corri a usar meus conhecimentos visando apenas ajudar outra pessoa, alguém que eu nem conhecia.

Uma atitude a ser premiada, com certeza. Só que os deuses parecem ter pensado de outro jeito, pois usaram um policial desequilibrado para cortar o meu barato e pôr a vida da mulher em risco ainda maior. Primeiro, o policial ameaçou o noivo pra que ele ficasse quieto. Depois, olhou pra mim bem na hora em que eu estava me curvando sobre o corpo e gritou:

- Você e sua amiga também, patricinha. E é melhor rezar para que eu não ache nada com nenhuma das duas.

Eu me virei pra ele e, tomada por uma raiva que me veio de repente, já que eu estava mesmo afobada pra ajudar a garota, respondi aos berros e de dedo em riste.

- Qual que é, seu guarda? Eu sou médica formada em Harvard! Cê atirou numa mulher desarmada, no meio de uma porrada de testemunhas, e quer me impedir de salvar ela? Cê já tá bem encrencado, e eu só vou te ajudar se não deixar ela morrer!

Enquanto eu dizia essas palavras, um sujeito que eu nem tinha notado naquele bar veio por trás de mim e se debruçou sobre o corpo da mulher. Ela estava viva, pois o cara chamou uma ambulância pelo celular e pediu ajuda pra socorrer ela. Eu, em vez de ir pra perto da minha “amiga”, afastei-me dela (e do envelope, óbvio). Pelo que o policial disse, ia nos revistar. Sinal de que não devia ter visto o que eu joguei no chão. Ainda bem.

Enquanto o corpo da morena era tirado do bar, virei pro policial e fiz uma tentativa de me livrar logo daquela situação. Agora, minhas palavras saíram mais calmas e, eu esperava, sem denotar o quanto eu já tinha bebido.

- Olha, cara, você impediu uma médica de prestar socorro pra vítima de um deslize seu e, pra piorar, eu sou filha da advogada Samanth Smith, que é sócia fundadora do Escritório Calarram! Pra que ficar arrumando mais encrenca pro seu lado? Pode me revistar que eu tô limpa.

Me virei de costas pra ele com os braços erguidos, aproveitando a deixa pra olhar pro teto com aquela cara de quem está de saco cheio de tudo.

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21 Re: Heavy Duty Beer Club em Qua Jul 11, 2012 10:00 pm

Os músculos de Jason agem rápido, assim que o tiro é ouvido. Suas mãos pegam uma cadeira próxima e arremessam em direção ao policial. Atinge-o bem na boca, quebrando alguns de seus dentes. Logo atrás vem Jason, voando para cima do homem fardado, enchendo-o de socos na cara. Isso faz com que os dois caiam no chão, mas os socos não param. As pernas de Jason prendem o corpo da vítima no chão, enquanto os ossos do seu rosto são quebrados pelos punhos ensangüentados do brutamonte. Apesar dos cortes ali, Jason não sentia dor alguma, então continuava. Foi quando o policial começou a lhe dar ordens.

- Mãos no balcão agora. Se tentar alguma gracinha eu faço você ser o próximo.

Despertando de sua fantasia, Jason percebe que ainda estava com as mãos na cabeça. Seu desejo era claro, mas não podia fazer nada do que queria. O sangue da mulher, com quem há poucos segundos conversava, havia respingado em seu rosto. Sentiu-se perto demais do cheiro do resultado da burrada dela. O corpo estava estendido no chão, com um buraco no peito, apenas pelo crime de falar demais. Até onde Jason sabia, é claro. Encarou policial, e em pensamento, expressou sua opinião. “Covarde”. Segurou-se muito para não mover os lábios. Não queria que esta fosse a última vez que os movia.

Aquele policial não era certo. Já viu muitos colegas de profissão com aquele olhar, aquele ódio. Mas em um policial era a primeira vez. Imaginou que o homem havia cheirado, e resolveu fazer uma batida para arrecadar mais algum. Lá parecia mesmo ser o lugar certo, a julgar pelo rosto das prostitutas. Aproveitou para olhar em volta, e percebeu o silêncio. Cada um quieto em seu canto. Desde o barman até as putas nos colos dos motoqueiros. Todos inertes. Não esperava aquilo do lugar. Imaginava outra reação daquelas pessoas ao ver um policial entrar daquele jeito ali. Era tudo uma grande mentira. “Bando de viado... O dono daqui deve ser uma bicha decoradora que adora dar o rabo pro policial em cima de uma moto!”, pensou Jason, forçando-se mais uma vez a não mover os lábios.

Não tinha chance alguma ali. Sozinho e desarmado, tinha que contar com a sorte. E imaginou já ter sorte o bastante pra desviar da investida inicial do policial quando ele chegou. O encarou o tempo todo. Estava atento a qualquer movimento daquele maluco. A voz da patricinha voltou a encher a sua mente, e nem quis ouvir o que ela dizia. Devia ser algo sobre ela ser filha de alguém, a velha história do “Você sabe com quem tá falando?”. Só que dessa vez não ia funcionar. “Você vai levar um tiro na testa, gracinha, e o papai só vai poder usar a grana dele pra pagar um belo funeral.”. O policial era louco, e Jason escolheu não morrer naquele dia.

Andou calmamente até o balcão, como se tivesse todo o tempo do mundo, e colocou as mãos ali. Acabou por encarar o barman por alguns segundos. Meneou a cabeça negativamente, expressando para ele sua decepção, e voltou o olhar para baixo. Aquela visão, a maneira com que pousou as mãos ali, o fez se lembrar na noite anterior, quando segurava os quadris de Eve e a penetrava por trás. Ainda tinha de voltar ao Temptation e conseguir o nome dela. O de verdade. Realmente, hoje não era um bom dia para morrer.

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22 Re: Heavy Duty Beer Club em Qui Jul 12, 2012 2:20 pm

Devia estar bêbada. Era a única explicação. Completamente bêbada. Ou talvez fosse mais um daqueles retornos da consciência dilatada do LSD que aconteciam de vez em quando, desde que tomara uma espécie de “porre” de ácido alguns anos atrás. Se bem que, da última vez que achara isso, bem... Tinha terminado como estava agora. Fodida, machucada e tão próxima da morte que sentia cheiro de sangue o tempo todo, e seu sabor em seus lábios. Ou seria...? Mas não era possível.

As coisas aconteceram muito rápido, e seus olhos mal tinham dado conta de acompanhar os movimentos à sua volta, imagine então se sua mente conseguiria processar tudo aquilo! O surgimento do meganha já tinha ares de alucinação, afinal, como alguém esperaria que uma criatura daquelas entrasse no Heavy Duty? Quer dizer, não que fosse totalmente impossível, mas era estupidez, e era ruim para o bar. Ninguém estava limpo naquele lugar. Quer dizer, ela estava... Talvez pelo efeito da bebida em um organismo já saturado de drogas, viu a luta toda em câmera lenta, quase sem despertar interesse, a despeito de ela própria ter quase sido jogada longe, devido à sua proximidade da cena. O falatório da gostosa, e então uma dor excruciante no ombro machucado.

Dor essa que ela não conseguiu identificar de onde vinha, e chegou a postular ser parte da vingança do... da coisa. Mas não teve muito tempo para pensar. O aperto no ombro escureceu sua vista a ponto de ela não ver nada, sentiu sua cabeça girando assustadoramente rápido e suas pernas fraquejarem. Seus joelhos bateram no chão com um som seco. O grito lhe subiu a garganta como uma onda de dor, mas ela não gritou. Não gritou, porque secundando o baque seco de seus joelhos contra o chão sujo, um som mais alto e mais terrível surgiu. Um tiro.

O silêncio que se seguiu machucava seus ouvidos como qualquer outra coisa cortante. Durou apenas alguns milésimos de segundo, antes de uma comoção geral no bar, e sua vista começou a voltar lentamente. Ainda com o ombro latejando dolorosamente e as imagens rodando, viu o corpo caído no chão.

O horror. O choque. O cheiro assustador de sangue. Sentiu seu corpo inteiro tremendo, e as diversas coisas que queria fazer naquele momento a transformavam numa panela de pressão de energia destrutiva. Enfiar seu canivete velho no pescoço daquele escroto e torcer. Matá-lo com requintes de crueldade. Mas não faria, e sabia disso muito bem. Não faria pois não podia, tinha medo , não tinha força, e não estava com o canivete.

Era verdade mesmo. Não estava tendo alucinações, infelizmente.

Demorou alguns segundos para compreender que ela era, supostamente, a amiga da patricinha que deveria colocar as mãos no balcão também. Mas não conseguia se mover de onde estava, tremendo de dor e de raiva. Nunca gostara de policiais, e isso piorara depois que soube que eles tinham prendido todo o Living Theatre por terem feito uma simples intervenção. Bom, agora as coisas pioravam. Além disso, não tinha mesmo como se mover, tinha a impressão de que algo acontecera com seus joelhos – que já estavam doloridos antes – na queda brusca. Apoiou a mão boa no chão e tentou se levantar. Bom, não conseguia. De qualquer maneira, não estava mesmo muito afim de por as mãos no balcão. Sabia que não morreria hoje, e isso dava um estranho conforto.

Pois bem, não faria nada. Se deixou apenas olhar com ódio para o policial. Era o suficiente.

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23 Re: Heavy Duty Beer Club em Sex Jul 13, 2012 3:47 pm

Dava pra notar pelas reações dos envolvidos que o cabeludo era o único entendido nas regras das ruas. Quando aparece alguém mais forte, especialmente se portar uma arma e estiver a serviço da lei, não há que se querer bancar o herói ou fazer contestações. Há de se obedecer. Abaixar a cabeça e obedecer, como um cãozinho de estimação faria. O mundo real é bem diferente do conto de fadas em que algumas pessoas parecem viver, e se você não aprender bem rápido suas regras poderá acabar com uma bala no meio dos peitos, estirado no chão de um bar repleto de desconhecidos.

A garota baleada não havia seguido o script corretamente. Em seu auxílio aparecem um monte de anjos da guarda predispostos a salvar a vida de uma total desconhecida que na verdade poderia ser qualquer coisa: uma puta doente, uma serial killer, assassina contratada, policial infiltrada, terrorista... É muito amadorismo na visão do tira. Se a pessoa não for da sua família, não confie nela – e mesmo em família tenha suas desconfianças saudáveis.

Apesar de ter sido permitido – pela inércia policial – que fizessem o primeiro atendimento, o corpo cravado com uma bala da arma do policial não sairia do Heavy Duty tão facilmente. O’Reilly faz outro disparo dentro do bar, silenciando a loirinha que falava merda sem parar e assustando a garota machucada e o cabeludo que já havia se rendido. Imediatamente após o disparo ele já tinha a arma apontando para o cabeludo outra vez.



______- Larguem ela ali agora mesmo. – grita para os dois homens que tentavam carregar a garota baleada para fora do bar (Kevin Garnier e o gorila albino) – Senão vocês dois vão sair daqui iguais à ela!


O oficial da lei gritou a última frase com histeria; era o sangue subindo à cabeça novamente, estimulando a mente a aplicar mais lições nas pessoas. Ele era só atenção ao pessoal do balcão depois que notou os dois homens saindo do Heavy Duty. Pronto, poderia se concentrar novamente nos marginais. Com passos decisivos e uma boca entortada pela raiva, O’Reilly se aproxima da garota machucada (Gia) e lhe aplica um violento tapa no rosto¹, digno de arrancar qualquer expressão ousada na mesma hora. Sua ação tencionava colocá-la mais para perto do balcão, para que pudesse ter uma última chance de se render, como o cabeludo fizera, antes de levar bala.

Sempre de olho no sujeito no balcão que aparentava ser o mais perigoso dentre a turma (Jason), o policial se apresenta para revistar a loirinha (Ann). Ele se aproxima por trás e pela lateral, precavido contra uma cabeçada, um chute nas partes íntimas ou alguma garrafada que a loirinha pudesse tentar. Sua primeira ação é dar um tapa seguido de uma apalpada na bunda da garota, retirando-a daquele pedestal de gente importante que pensava ser. Para O’Reilly, é apenas mais uma vadia, como qualquer outra mulher. Somente depois de sentir aquele pedaço gostoso de carne e gordura perfeitamente moldados é que o policial começa a revistá-la².

Terminado, ao invés de passar a revistar os outros dois, ele usa o rádio no ombro para se comunicar com o parceiro. Fala bem alto e claro, sem se incomodar se os frequentadores do HD o ouviriam ou não.



______- Prepare a viatura pra dois passageiros. A mulher tá assim meio baleada, parecendo cansadona. – diz com um sorriso no rosto.


O’Reilly se encontra afastado alguns passos dos três que estão no balcão, sem se descuidar em permanecer apontando a arma para eles. Um movimento ou palavrinha fora de ordem e atiraria.


______- Um movimento ou se falaram qualquer gracinha e eu mando vocês para o inferno. Que nem aquilo ali. Depois não digam que o titio aqui não avisa vocês antes.


Mesmo sem olhar para a garota no chão, era claro que o “aquilo” se referia à ela.


__________________________________________
¹ Requisição de teste para dar o tapa;
² Requisição de teste de revista pessoal;

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24 Re: Heavy Duty Beer Club em Sex Jul 13, 2012 11:52 pm

Enquanto eu e o gorila albino carregávamos a mulher para fora do Heavy Duty, um segundo disparo me pega desprevenido. Tenho a certeza de que algo perfurou meu corpo e sangue começa a escorrer de meu peito aberto pelo tiro do policial e isto me faz perder as forças. Cambaleio enquanto vejo de modo embaçado a imagem do corpo da mulher encharcada em sangue escorregar de minha mão e cair. Tudo acontece em câmera lenta, como quando a gente sofre um knock out, vejo o gorila nesse instante abandonando os outros membros da pobre criatura no ar, e pondo as mãos nos ouvidos para não escutar o estrondo que já havia acontecido, a careta que fez realmente o fez parecer com um gorila – as coisas que podemos pensar quando morremos podem ser bem engraçadas, se não fossem trágicas.

Ponho as mãos em meu peito para verificar o tamanho do estrago, para saber se vou me salvar dessa ou não. Se fosse uma luta eu saberia que não haveria problema algum, pois uma derrota apenas me faz trabalhar para me tornar melhor, mais rápido, mais forte, mas isso não é uma luta. Isso não é um esporte. Isso é o mundo real.

E o mundo real é trágico.

Uma derrota no mundo real pode lhe custar a vida. É a diferença entre viver novas glórias ou novas derrotas, e ainda saboreá-las com seus devidos acompanhamentos e deixar tudo isso para trás, e encarar o desconhecido.

Quem sabe não é melhor assim? Encontrarei meus velhos, poderei novamente ajudar meu pai em suas pescas. Poder novamente comer os cozidos de minha mãe. Sem Katrina para me atormentar em sonhos, sem os colegas de infância me atazanando a respeito do casamento de meus pais. Terei a vida que eu sempre quis, no fim desta.

Quando decido abraçar a crua realidade de meu fim, verifico minhas mãos e elas não estão mais ensanguentadas do que antes. “Estarei morto já? Isso foi rápido.” – Penso enquanto olho para o peito intacto e a vista voltando ao normal, ou no que pode ser normal na escuridão rubra do bar. Decido que estou, de fato, vivo quando ouço o policial falar:

- Larguem ela ali agora mesmo. Senão vocês dois vão sair daqui iguais a ela!

Faz tempo que alguém não me dá ordens simplesmente pelo prazer de fazê-lo. A última vez que me lembro, oficialmente, foi em Kosovo, quando me mandaram parar de bater num idiota que me conheceu quando éramos crianças. Não obedeci e fui excluído do grupo e das Forças Armadas logo em seguida, já que não acatei as ordens de não bater no sargento... como era o nome dele?

Naquele tempo só queria minha vida tranquila com meus pais, no mangue, sem preocupações. Um dia de cada vez, o sol aquecendo os pântanos, a umidade entrando pelas narinas e os caranguejos e camarões enchendo os cestos. Tudo tinha cor, sabor e aroma.

Agora as únicas cores são o preto e o vermelho, o sabor é de fumaça de cigarro e cerveja e o aroma é de morte. Me seguro para não fazer nenhuma besteira, um policial corrupto não é um pugilista, não devo dar o rosto para que ele abra a guarda ao meu jab. Os golpes dele são à distância: fisicamente, se falamos de sua arma, ou temporalmente, se tratamos de sua voz de prisão.

É... Realmente o mundo é uma merda. Por um segundo me faz desejar que o tiro tivesse me acertado. Apenas por um segundo, pois, por uma ironia estranha - alguns diriam que Deus, mas tenho minhas reservas sobre as suas intervenções – me veio à mente a imagem da malabarista que ajudei mais cedo.

Os olhos dela parados olhando para mim enquanto eu colocava o ingresso do cinema em suas mãos e a sensação de leveza que senti após esse ato tão bondoso de minha parte. Aquilo me fez bem. Assim como me fez bem tentar ajudar esta mulher!

Será que isso era para ter acontecido? Convenhamos: este policial não está no lugar certo. Esta mulher não estava no lugar certo. Eu não estou no lugar certo. Não estou no lugar certo assim como eu não estava no lugar certo em 2005. Por causa disso estou vivo e meus pais mortos. Eu estou vivo... Eles não... Esta moça não... E eu estou...

- Um movimento ou se falarem qualquer gracinha e eu mando vocês para o inferno. Que nem aquilo ali. Depois não digam que o titio aqui não avisa vocês antes.

Vivo enquanto permanecer calado. Penso novamente na mulher do Prytania. Eu permaneci calado. Se eu não tivesse me movido para ajudar essa pobre criatura aqui no bar, ela poderia ter sido salva. Não deveria ter me envolvido. Não deveria!

Que ótimo! Me sentia santo e agora me sinto como alguém que cometeu um crime capital. Ainda preciso ir à igreja, se eu sair vivo daqui.

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25 Re: Heavy Duty Beer Club em Dom Jul 15, 2012 12:13 pm

Eu realmente não tinha ideia de com quem estava lidando. Achei que o policial havia atirado num acesso de fúria e que, em seguida, cairia em si. Daí eu ter mencionado a minha mãe advogada, até exagerando - ela trabalha mesmo no Escritório Calarram, mas não é nem chefe de departamento, quanto mais sócia. Contudo, a reação daquele meganha de República de Banana às minhas palavras mostrou que ele devia ter as costas muito quentes, pois não sentia qualquer receio de ser punido pela corregedoria de polícia, nem por algum superior, nem por ninguém. O grandalhão é que foi safo, mais uma vez; percebeu logo que o melhor era ficar quieto, mesmo com a noiva alvejada.

Bem, mas o fato foi que o policial impediu que a moça fosse levada pra fora do bar (!) e atirou pro teto a fim de manter todo mundo atônito. Senti muita raiva. Mas, não satisfeito, o pulha me deu um tabefe bem humilhante, e ainda aproveitou pra bolinar a minha bunda antes de começar a revista propriamente dita, tudo isso enquanto a morena continuava sangrando ali, na frente de todos! Eu juro que, se ainda fizesse parte do Olho de Lilith, me vingaria daquele patife!

- Tudo bem, seu guarda..., respondi entre dentes, pra segurar a vontade de reagir. Eu prometo que vou ficar no balcão.

E assim me coloquei entre o grandão e a loirinha. Já o policial se afastou um pouco e chamou a viatura pra levar a morena (ufa!), mas sempre com a arma apontada pro grandão. Eu sabia que tinha de ser rápida, pois a paciência dele era curta... aliás, curtíssima!

- Quer saber? Eu vou dar uma examinada nela, sim!! Mas eu juro que já volto pro meu lugar...

A intenção foi a melhor possível. Acho que nunca fui tão altruísta na vida! Ela estava em estado de choque, é óbvio. Percebi que houve perfuração do externo e, quase com certeza, do esôfago. Difícil saber se a bala atravessou brônquios ou a lateral do pulmão direito. Vi que a bala havia saído pelas costas sem atingir nenhuma vértebra, de sorte que ela não ficaria paralítica, se sobrevivesse. Avaliei que o problema principal era a hemorragia - de fato, o sangue já ia formando uma grande poça ao lado do corpo. Não demoraria a entrar em choque hipovolêmico. Sem uma transfusão, já era. Mas como estancar hemorragias dos dois lados do tórax sem poder cauterizar nada? Se fosse num membro, seria fácil fazer um torniquete. Mas, sem equipamento...

Levantei-me com um forte sentimento de frustração. O sentimento que eu mais tenho sentido no último ano, aliás. Quietinha, voltei para o meu lugar no balcão. Depois, encostei a testa na madeira e suspirei com força, pensando: “por que o cafajeste me chamou de 'patricinha'? Ele nem me conhece, e eu estou vestida como os motoqueiros daqui... Ah, já sei! É por causa do meu cabelo bem tratado e da maquiagem; meus lábios e cílios estão chamativos como os da Megan Fox nos Transformers que ela fez. Porcaria!”

Eu odeio mesmo essa pecha de “patricinha” com que tenho convivido há anos. É injusta comigo. Afinal, patricinha é uma jovem rica, bonita, popular, burra, fútil e que gosta de organizar festinhas de caridade. Mas, tirando os atrativos físicos e a popularidade, nunca tive nada de patricinha. Pra começar, nunca fui rica! Estudei numa universidade cara, mas como bolsista. E a bolsa Robinson só é concedida pra gente com histórico acadêmico e extracurricular excepcionalmente bons. Geralmente, uns geeks que combinam a inteligência e conhecimento tecnológico dos nerds com espírito de liderança e de organização. Ou seja, pessoas com potencial para chegarem a ser um Steve Jobs ou um cientista “nobelizável”, por assim dizer. Eu não tenho QI extraordinário, mas cheguei nesse ponto porque, ao contrário das verdadeiras patricinhas, sacrifiquei muitos e muitos finais de semana e férias estudando, participando de projetos culturais e científicos extracurriculares, e também da vida comunitária de Kentwood, onde nasci. E, muito diferente da personagem tolinha de Reese Witherspoon no filmeco Legalmente loira, nunca precisei emular com homem nenhum pra descobrir meu potencial. Além disso, eu era popular porque tenho carisma e facilidade de trato social, mas nunca fui tão baladeira quanto seria de se imaginar. Foi só depois de perder o rumo, cair em depressão e fazer tratamento psiquiátrico que eu resolvi recuperar o tempo perdido e me divertir um pouco. Só que aí... olha só a espelunca em que fui me meter.

- Cara, me desculpa não ter conseguido ajudar a sua noiva.

O que mais eu poderia dizer naquela hora?

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