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Heavy Duty Beer Club

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26 Re: Heavy Duty Beer Club em Seg Jul 16, 2012 2:16 pm

O avô de Jason havia lhe contato uma história uma vez. Sobre uma espécie de macacos. Na ocasião o velho estava entorpecido pelas ervas de seu cachimbo, o qual Jason era novo demais para tragar. Isso podia explicar por que aquelas palavras saíram de um homem que normalmente era tão sério. Segundo a história, tais macacos impressionavam as fêmeas de sua raça pelo tamanho de seu pinto. Sim, isso mesmo. Aqueles macacos que tinham o maior pinto conseguiam conquistar a fêmea. E o que faziam então aqueles de pinto pequeno? Barulho! Chegavam fazendo um escândalo, gritando, se debatendo e urrando, para assustar os machos bem dotados e ficar com a fêmea para ele. E às vezes dava certo. Era um pouco diferente do que acontecia com as mulheres, dizia ele, mas a história podia se aplicar aos homens. Ao menos ao que pensavam um dos outros.

O que via agora o lembrou do conto. O policial que chegava batendo, atirando, gritando e esbravejando ordens para todos certamente tinha problemas genitais. Até acabava de dar um tiro para o alto! Isso botava em questão a suposta passividade do dono do lugar. Ele podia ser ativo, afinal. Mas ainda assim, uma bicha afrescalhada e sem moral. O tapa que o tira tentou dar na mocinha drogada confirmou sua teoria. Então ele não gostava de mulheres. “É porque ela tem uma buceta e você não, né não, otário?”. Um sorriso jocoso nasceu no canto de sua boca.

Não se comoveu pela passada de mão que deu na patricinha. É claro que ele tinha que fazer uma cena. Teve até impressão de que a vadiazinha tinha gostado. Às vezes os macacos de pinto pequeno conseguiam o que queriam. E Jason sabia que o que o fardado realmente queria era apalpá-lo. Muitos queriam isso na prisão, mas nenhum deles tentou fazê-lo com uma arma apontada pra sua cabeça. Teria que deixar dessa vez. Pelo menos não conseguiria tirar ESSA frustração do policial, depois de desviar de sua covarde aproximação por trás e não dar um fio de briga para ele.

O chamado pelo rádio acabou por frustrar os próprios pensamentos de Jason. Não que estivesse desapontado por não ver o policial realizar suas fantasias com um musculoso de couro rendido por sua arma. Mas pela coisa não seguir o que tinha em mente. Agora ele seria preso sem revista alguma. Poderia aproveitar a aproximação do policial para desmaiá-lo com uma cotovelada bem dada no meio daquele queixo de vidro. Ou então mostrar que não tinha nada com ele além de suas “economias”. Não podia ser preso apenas por carregar aquela quantia de dinheiro e um colar de ouro, sem arma alguma. Ao menos era isso que imaginava. Ainda esperava por uma oportunidade de escapar, de dar seu jeito. Mesmo que parecesse uma possibilidade remota, distante. Tinha toda a paciência do mundo, coisa que ganhou nos anos preso. E gastou toda a sua ansiedade na noite anterior com Eve. Não tinha motivos pra se precipitar. Não tinha um pavio curto como o do policial, se é que me entendem.

Deu de ombros quando a fã de novela mexicana lhe disse em tom de responsabilidade o que já era óbvio. “E o que você esperava fazer? Passar batom nela?”, provocou com seus pensamentos. Por mais que tivesse mil coisas para dizer, não o faria. Falar demais era burrice, e a sua “noiva” descobriu isso de um jeito muito ruim. Tirava ainda mais créditos da garota fantasiada de roqueira por ela insistir que o cadáver estendido no chão era algo seu. E tiraria de qualquer um que acreditasse naquela história bizarra. Preferiu até que aquela mulher morresse. Se ela pudesse falar mais, levaria Jason junto com ela. E o homem não gostava de pagar o preço da estupidez alheia. Já tinha problemas demais lidando com a própria. A sua burrada mais recente era ter entrado naquela merda de lugar. Continuava tentando ser esperto mantendo ambas as mãos coladas no balcão.

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27 Re: Heavy Duty Beer Club em Ter Jul 17, 2012 2:25 am

O barulho do disparo a sobressaltou levemente, mesmo considerando que ela acompanhava os movimentos do policial com atenção redobrada. Sabia que não morreria naquela noite, mas, de qualquer maneira, era bom não facilitar. Afinal, o livre arbítrio nada mais é do que a mudança inconsciente do destino e, deuses, ela não se esquecia. Os pais sempre lhe disseram que cada encontro é uma interferência no destino. E que encontros naquela noite! Mudava o destino de muita gente, certamente. Por alguns segundos, quase via o rosto sorridente da mãe sobre as cartas de tarô, a lhe prever aventuras. Teria ela alguma ideia do que aconteceria? E, depois que morresse, será que poderia voltar para casa, e pedir desculpas por ter sido tão tola?

Sim, essa era a palavra. Era tola, tolinha, boba como uma criança, e não se preocupava com a infantilidade que as próprias palavras sugeriam. Ela sabia perfeitamente. Era só que aquilo nunca fora realmente um problema. Mas Nova Orleans não me perdoou, pensou com azedume. Ah, não, aquele lugar exigia toda a pretensa maturidade da sociedade contemporânea, o que significava se entregar, se render, se acomodar. E pensar que acreditara na possibilidade libertária daquele lugar, hah! Chegava a ser quase engraçado.

Acompanhou os passos do policial em sua direção quase em câmera lenta. Sentia o tempo diminuindo de velocidade enquanto ele se aproximava com uma cara feia e atitude desagradável, enquanto sua cabeça começava a entrar em parafuso. O que ele faria? Ia bater nela. Talvez lhe desse um chute, era o mais fácil a ser fazer com alguém caído no chão. Por alguns milésimos de segundo, a ideia de que ele talvez acertasse alguma das áreas machucadas de seu corpo a encheu de pavor. Não tinha certeza de que aguentaria algo do tipo. Podia quase sentir o úmero deslocando-se alguns centímetros para trás da clavícula, saindo pela pele fina, despontando como um pedaço de algo que nunca deveria ser descoberto. Imaginava seu ato reflexo, que lhe forçaria a reagir a partir da coluna, também machucada pela queda no manicômio, e o som de suas costas travando, o estalido seco da paralisia.

Mas não. Ele não puxou a perna num impulso para lhe dar um chute que a deixaria caída no chão, encolhida em posição fetal, chorando pelas desgraças de sua vida. Porque ele era um idiota. Quem, em sã consciência, tenta acertar um tapa na cara de alguém que está num nível diferente, digamos assim, ela num nível baixo e ele num nível alto. Quando viu ele levantando a mão, quase teve ganas de rir. Até ela, que nada entendia de brigas, conseguia compreender as dificuldades físicas que ele mesmo se impusera. Um chute ou uma joelhada seriam fatais e tinham quase setenta e oito vírgula três por cento de chance de acerto. Um tapa, bem...

Ela não precisou fazer muita coisa. Abaixou levemente a cabeça e sentiu o deslocamento de ar da mão que passava bruscamente por cima de sua cabeça, relando de leve em seus dreads. Quase teve vontade de rir, mas segurou os músculos faciais. Se o policial percebesse que ela achava simplesmente hilária sua histeria, sua vida estaria muito mais próxima do fim. Mas não era o momento de pensar nisso.

De algo servira a tentativa infrutífera do policial. Servia para lembrar-lhe que as coisas não estavam completamente fechadas. Ainda tinha medo, tanto do sofrimento terreno quanto do que, agora sabia bem, a esperava depois da morte. Sentiu a dor irracional em seu coração ao lembrar. Definitivamente, não queria acelerar seu mísero destino. E ainda tinha que aproveitar a vida, ou melhor, o pouco que ainda lhe restava dela. Com muitas dificuldades, gemidos e resfolegares de dor, se levantou e se apoiou no balcão, numa atitude que dizia claramente que se entregara.

Afinal, não tinha drogas com ela hoje, nada incriminador, e de nada lhe servia um orgulho vazio. Só queria se livrar logo daquilo e ir para um hospital. Afinal, já era hora de se cuidar um pouco.

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28 Re: Heavy Duty Beer Club em Qua Jul 18, 2012 1:13 pm

Ações de Jason
Ações de Ann
Fala do parceiro policial de Kevin O'Reilly


Não importava quantos tiros fossem disparados dentro do bar, não importava o quão ultrajante estava sendo a conduta do oficial O’Reilly; Royce simplesmente não aparecia. Ele não apareceria se o policial simplesmente chegasse ali perguntando sobre sua pessoa, mas depois de toda essa confusão criada, era para o Brujah pintar por ali querendo bancar o gostosão. Os dois conversariam um pouco e O’Reilly arrancaria uma ou outra coisa que pudesse interessar a Freeman. Pois é, mas merda acontece, mostrando que até mesmo os Brujahs têm suas noites de covardia.

Enquanto o dono do pedaço não dava o ar de sua graça, o policial deveria continuar concentrado em suas ações no Heavy Duty. Ele mantém o cabeludo o tempo todo sob a mira de sua arma, ainda aquecida pelo último disparo. A esquiva da garota caída não o irritou além da conta, e logo ela era apenas um adorno do bar na visão do tira. Ele lança um último olhar em volta na tentativa de achar quem procurava, mas não havia um membro sequer dos Nightstalkers presente. Hora de procurar mais a fundo no bar.

O’Reilly segura Jason pela gola de trás do casaco e o “joga” na direção oposta ao balcão, virado para a saída. Mantinha a arma empunhada no alto, mirada e com o gatilho preparado, especialmente apontada para a nuca de Jason.


- Você vai comigo. E vocês... – aponta com o queixo para Ann e Gia – Peguem ela do chão e tragam aqui para fora, já que desejam tanto ajudar.

Jason anda até a porta calmamente, sem fazer movimentos bruscos. O sorriso jocoso não sai de seu rosto. Não só pelas suas conclusões sobre o caso do tira com o dono do lugar, mas também por ele ter errado o tapa na garota drogada. Imaginou o que seria daquele cara sem uma arma. Devia brigar como uma moça. Ah, se tivesse a oportunidade! Sai do bar sem nem olhar para trás. Não voltaria àquele lugar. Realmente não era um local seguro para seus negócios. Mesmo que a prisão fosse seu futuro mais óbvio, não se preocupava por isso. A maioria estaria cagando de medo por estar indo para lá. Mas Jason já sabia o que esperar. Só não sabia o que havia na terceira margem do rio, de onde não podia voltar. Não com seu próprio corpo.

Psiquiatria não era a área em que eu pretendia me especializar quando ainda achava que ser médica seria a maior realização da minha vida. Mas, se eu fosse psiquiatra, diagnosticaria esse policial como psicopata. Pô, se ele impediu que um voluntário levasse a mulher baleada dali e, pouco depois, mandou outras pessoas carregarem ela pra fora do muquifo, só há uma explicação racional pra isso: o cara tem um desejo compulsivo de exercer controle sobre os outros, impor sua vontade pela força, fazer com que todos ajam como ele quer, mesmo que seja apenas pra satisfazer um capricho. Ou então ele queria ter controle de como e por quem ela seria atendida, a fim de não correr o risco de ser punido pelo que fez a ela. Ah, deve ser as duas coisas: o que não falta a um psicopata é frieza pra se precaver.

Bom, mas pelo menos agora ele estava tomando providências para que a vítima fosse socorrida. Minhas mãos já estavam sujas com o sangue dela, então eu fui logo levantando o corpo pelos ombros, deixando as pernas pra loirinha segurar. No caminho, mais sangue ia escorrendo, ora deixando um rastro no chão, ora sujando as minhas calças (ainda bem que eram de couro). Mas a missão foi cumprida. Logo a coitada estava estendida na calçada, em frente ao Heavy Duty.


Com os envolvidos na confusão reunidos do lado de fora, O’Reilly e o parceiro se encontram próximos à viatura parada à entrada do Heavy Duty. A conversa é em alto e bom som.

- Coloque o cabeludo e a mulher baleada na viatura. As outras duas mulheres você pode dispensar junto com os outros curiosos. – ele se vira para as pessoas que enchiam a frente do bar após serem expulsas a tiros – Todo mundo pra casa que o show já acabou.

As pessoas começam a se dispersar. O policial se aproxima das duas garotas que trouxeram a baleada.

- Ajudem a colocá-la dentro da viatura e depois vão embora daqui. Não quero nunca mais ver as duas de novo, entenderam? Nem aqui e nem num maldito tribunal de algum juiz amigo meu.

Depois que o oficial O’Reilly entrou novamente no Heavy Duty, seu parceiro se aproximou de Jason com as mãos na cintura, abrindo a frente do casaco que vestia e mostrando que tinha uma arma.

- Você ouviu ele. Pra dentro do carro, agora.

Ann, Gia e Jason estão na calçada, com Erin estirada no chão aos seus pés. O policial está a um passo de Jason, com as mãos na cintura. O’Reilly entrou no bar e sumiu a vista de todos.

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29 Re: Heavy Duty Beer Club em Dom Jul 22, 2012 8:41 pm

Falas , Pensamentos

Após perceber que não tinha levado um tiro, decido acompanhar o gorila albino porta afora desse lugar. Não sei por que o policial não me deixou ajudar a pobre moça, mas a ambulância já está a caminho, portanto, vou esperar por ela e informar o que houve.

Ao chegar do lado de fora, sinto o ar frio da noite em meu rosto. Alguns barbados que se mostram tão durões quando em suas motos ou com suas cervejas à mão agora demonstram certa dose de terror nos olhos. Aposto que nem eles, que são os “donos do pedaço” esperavam por essa. Alguns grupos falam baixo entre seus integrantes, outros gritam xingamentos, alguns inclusive quiseram depredar a viatura do lado de fora, mas perceberam a presença de outro “tira” dentro dela e decidiram não fazê-lo, uma vez que era parceiro do sangue quente lá dentro.

O gorila albino também sentia desespero, sem permanecer quieto por um instante sequer. Entendo sua agonia: deve ser até uma tarefa fácil cuidar desse lugar, já que os próprios frequentadores expulsam os que não se encaixam no perfil do lugar, e compram briga com qualquer pessoa que queira se elevar sobre os outros daqui. Mas o policial realmente não parece ser qualquer pessoa, pois, se fosse, teria saído à francesa sem causar algum problema maior.

Agora temos uma mulher praticamente morta lá dentro, e outras três pessoas que podem ter o mesmo destino! Me pego pedindo a Deus por um raio de misericórdia e que deixe ao menos eles saírem vivos de lá.
Parece que Ele me atendeu, pois vejo após alguns minutos o policial levando-os até a viatura e falando qualquer coisa para o parceiro, que fica de pé como um policial de série de TV qualquer, olhando para o cabeludo, com as mãos na cintura e um sorriso do tipo “você não escapará de mim tão facilmente” e, então, vejo o sangue quente voltar para dentro. A mulher baleada foi trazida pelas duas amigas dela, tento me aproximar para ver o que vai acontecer, esse policial parece mais razoável.

Ao me aproximar, dirijo-me ao policial de forma bem preocupada. “Policial, chamei uma ambulância mais cedo! Deve chegar a qualquer momento e ela precisa de cuidados!” - Digo a ele, intercalando o olhar entre ele e a moça ensanguentada. Não presto muita atenção ao cabeludo. Procuro um aceno de aceitação das amigas dela.

“É claro que ela vai morrer, estúpido!” Penso. “Vai acontecer a mesma coisa que aconteceu com seus pais! Ninguém irá salvá-la a tempo!” Tento ignorar meus pensamentos, mas eles continuam a aparecer: “Provavelmente ela está em pior estado que deveriam estar seus pais... já perdeu muito sangue... veja como está branca...”

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30 Re: Heavy Duty Beer Club em Ter Jul 24, 2012 7:06 pm

TUDO CORRIGIDO, POSTAGENS LLIBERADAS.

ESTIPULO UM PRAZO DE MAIS TRÊS RODADAS COMPLETAS DE POSTAGENS ANTES DE A AMBULÂNCIA CHEGAR. ISSO É MAIS TEMPO DO QUE ERIN TEM, O QUE DIFICULTARÁ UM FUTURO TESTE DE MEDICINA (MAS TAMBÉM NÃO O IMPEDIRÁ).

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31 Re: Heavy Duty Beer Club em Qua Jul 25, 2012 11:19 pm

Oportunidades. Era isso que fazia o ladrão, afinal. A ocasião. No Heavy Duty teve a grande oportunidade de ficar calado e obedecer. Mas agora o jogo virava, e o mundo lhe sorria. Estava na frente de um policial que não havia sacado sua arma, ainda com as mãos na cintura. O coitado não seguiu a cautela do seu parceiro do pavio curto, e subestimou Jason. Como se não bastasse uma guarda baixa e uma cara limpa, o coitado que tentava levar a “noiva” de Jason para o hospital resolveu argumentar com o tira. Estava aí a sua oportunidade.

Assim que o policial olhou para o bom samaritano nanico, deu um soco de direita em cheio no meio da cara dele. Queria derrubar o policial de uma vez, ou ao menos retardá-lo, mas não esperou para ver o que aconteceu. Assim que seu braço voltou para perto do corpo, botou-se a correr. Passou bem ao lado da viatura e atravessou a rua movimentada. Esquivou dos carros, que já passavam devagar para satisfazer a curiosidade de seus passageiros sobre o pequeno show que acontecia ali. Estrelando Jason e a sua noiva cadáver. E bem, como mocinho, tinha que se dar bem no final. Na calçada do outro lado da rua já estava misturado demais às pessoas para se preocupar com tiros vindos do policial recomposto.

Correu para a esquina mais próxima. As pessoas saiam do seu caminho, temendo serem atropeladas. Algumas não foram tão rápidas com seu pensamento, e acabaram por cair assim que Jason trombou nelas. Não queria machucá-las, mas tinha de salvar sua pele. Era uma grande pena que não saíam da frente.

No fim das contas, Jason fugiu. Não satisfez seu desejo de quebrar a cara do policial que deu um tiro na “noiva”. Também não temia o parceiro dele. O problema era a falta de controle do primeiro. A vantagem dos bandidos em relação aos mocinhos é que estes se importavam com a vida das pessoas, e tinham a missão de defendê-la. O tira esquentadinho não parecia nada com um mocinho, pouco se lixando com a vida de quem estava na mira de sua arma. Sabendo disso, nunca fugiria do jeito que fez se fosse a putinha do dono do bar que ordenasse sua entrada na viatura. Já teria levado um tiro faz tempo. Era desse policial que fugia. Do que não tinha freio nenhum. Do bandido fardado.

E tudo isso porque Jason sabia a hora em que podia agir. Sabia quando era o caçador, e também quando era a caça. O pouco de consciência que tinha vinha do seu finado avô. Um dia o pequeno Jason chegou em casa todo arrebentado. Uns dois dentes (de leite) não estavam mais em sua boca, deixando um veio de sangue escorrendo pelo canto dos lábios. Um olho estava mais roxo que o outro, não conseguindo ver por um deles, de tão inchado. Ainda mancava, e não tirava a mão de uma das costelas. “Quantos?”, perguntou o avô, e o pequeno Jason respondeu “Dez! Não... Doze! ”, cheio de orgulho. Não é só por ser ruim de conta que não sabia falar bem o número exato. Havia ficado completamente atordoado durante o espancamento. Então o avô lhe deu um tapa em seu ouvido, fazendo-o zunir. Quase chorando, o pequeno Jason pergunta por que ele havia feito aquilo. Com a cara fechada, emoldurada pelos lisos cabelos grisalhos presos em tranças laterais indígenas, ele disse “Pra você não ser tão burro. Não precisa só saber caçar. Tem que saber ser caça. Agora vai pegar as caixas lá na porta e leva pro fundo da loja. Chegou muita encomenda hoje.”. Foi assim que o pequeno Jason aprendeu a diferença entre coragem e burrice.

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32 Re: Heavy Duty Beer Club em Qui Jul 26, 2012 2:45 pm

Quando alguma coisa é proibida, aí mesmo é que dá vontade de experimentar. O deus judaico-cristão - que nem é dos meus favoritos - devia saber disso muito bem; foi só avisar que tinha um fruto proibido no Éden pra começar o cortejo de tragédias que chamamos de História.

Sendo essa a natureza humana, acontecia agora a mesma coisa. Eu não tinha a menor vontade de retornar àquele boteco, mas foi só o policial cuspidor de fogo me proibir de voltar que já me deu uma vontadezinha de desobedecer. Talvez eu voltasse ali algum dia, sim, especialmente se fosse pra retomar a conversa que eu tentei começar com a loirinha.

Mas minha atenção foi logo desviada, já que o sujeito simpático que tentou socorrer a garota veio pra convencer o policial a deixar a ambulância fazer o resgate. Ele não se vestia no mesmo estilo daqueles motoqueiros, o que já indicava ter outra têmpera. Quando ele falou “ela precisa de cuidados”, fui logo emendando com palavras meio afoitas:

- Sim!, eu sou doutora, examinei ela e, olha só, se não socorrer logo, ela vai morrer! Trabalho no Medical Center e, se quer saber...

Só podia ser o álcool que tava soltando minha língua daquele jeito. Não fosse o ataque do cara com rabo de cavalo, não sei quantas mentiras mais eu ia despejar por minuto. O soco dele acertou a cara do policial bem na hora em que eu falava pelos cotovelos. Dei um passo pra trás com o susto e levei as mãos à boca, segurando um grito. O cara atravessou a rua em segundos e, até o policial se levantar, já era.

Eu até devia ter ficado feliz com a fuga, pois isso deixaria aquele bolinador fulo de raiva. Rá, rá, rá! O incompetente rendeu o cara, mas não se deu ao trabalho de pôr algemas e foi embora sem esperar que ele estivesse na viatura; muito gosto em atirar, pouco cérebro. Mas, como sempre dizia meu pai, “dois erros não fazem um acerto”: ao fugir, o tipo deu mais uma prova de que era marginal tarimbado, e policial bandido não transforma bandido em herói. Além do mais, que homem era aquele que abandonava a noiva assim, sem nem olhar pra trás? Duvidei até que fossem noivos mesmo...

O policial xingava e esfregava o nariz ensanguentado com a manga da camisa, mas agora as coisas finalmente começavam a se acalmar. De um jeito ou de outro, a morena seria atendida. Olhei de frente pra loirinha enquanto fazia minha respiração desacelerar. Ela tava suja de terra, exibia um corte com sangue coagulado na testa e, conforme eu descobri sem querer, tinha um ombro bem machucado. Ainda assim, ao invés de ir a um pronto-socorro, ficou bebendo num bar barra pesada. Positivamente, ela não era tão frágil quanto a meiguice daqueles olhos azuis sugeriam.

- Acho que você e eu não temos mais nada que fazer aqui, né? Viu, me desculpe ter te machucado lá no bar, mas é que eu tomei um susto com a chegada do brucutu e nem me toquei do que tava fazendo.

Eu disse aquilo enquanto sorria um tanto sem graça.

- Pra cair de joelhos com tanta dor, seu ombro deve tá bem ferido, provavelmente deslocado. Cê devia ir prum hospital, se não se importa que eu diga. Sabe, se cê tiver sem carro, eu posso te dar uma carona até o Medical Center. A gente podia conversar um pouco no caminho. Que tal?

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33 Re: Heavy Duty Beer Club em Sex Jul 27, 2012 11:58 am

Voltar para a noite, deixando o bar sujo e pesado para trás, foi quase um alívio. Contudo, seu corpo inteiro latejava desagradavelmente pelo esforço em carregar o peso morto da “morta” e, como se não bastasse todo seu próprio sangue, já seco, que sujava suas roupas, tinha agora o sangue de outra pessoa nas mãos e na camiseta e em quase todo o braço bom, já que tivera que apoiar as pernas do cadáver no antebraço. Definitivamente seu ombro não estava bem. Mas agora, a situação toda começava a se organizar, e ela ia sair impune dessa, ao que tudo indicava. Restava agora descobrir onde era o hospital e cumprir essa caminhada. Ou talvez devesse procurar algo para comer? Se não fosse o policial escroto, entraria no bar de novo e terminaria de se embebedar, mas não tinha realmente do que reclamar. Afinal, toda aquela confusão servira pra livrá-la de pagar tudo o que consumira. Era tranquilizador.

Ficou parada por alguns segundos, observando a cena em que se encontrava, embora não se sentisse participante ativa dela. O som de vozes amenas entrava em seu cérebro sem que ela processasse, as pessoas a sua volta pareciam sinistras e ao mesmo tempo, patéticas; e a morta... Ela olhou para ela com algum pesar, balançando levemente a cabeça. O que era a vida afinal? Para acabar de uma maneira tão idiota! Não tivera sorte nenhuma, mas supunha que o que a esperava depois da passagem era melhor do que o que tinha reservado pra si própria. Portanto, não podia se sentir penalizada pela morta. Parecia que estava sem sorte. O Cosmos não conspirava a seu favor, ou melhor, não andava conspirando. Respirou fundo e sentiu sua cabeça girar. Precisava fumar. Procurou na mochila por algum cigarro perdido. Infelizmente a maconha tinha acabado então o tabaco teria que servir. Mal tinha colocado o cigarro amassado e torto no meio da boca quando veio a revolução. Não viu o golpe que o brutamontes deu no policial, mas viu a queda, e sentiu o corpanzil passando do seu lado com velocidade, muito próximo, a ponto de esbarrar no cigarro e mandá-lo longe.

Praguejando, ela mancou até o cigarro a alguma distância, só pra descobrir que tinha sido pisado pelo maldito, que já tinha desaparecido. O empurrou com o pé para a sarjeta. Entendia que o grandão quisesse fugir. Mas destruir o último cigarro de uma pessoa inocente era uma maldade sem precedentes. Abriu novamente a mochila e começou a procurar vigorosamente por alguma coisa pra fumar. Finalmente achou, embaixo de várias camadas de entulho, roupas sujas e pedaços murchos de bolacha, metade de um cigarro de palha. Ergueu-o das profundezas da mochila com felicidade genuína, e deu de cara com os olhos da loira que lhe ferrara o ombro voltados para si. Se colocou séria, fechando o zíper da mochila rapidamente para esconder a bagunça.

Deu um sorriso ante a preocupação da garota. Era definitivamente uma pessoa boa, e isso era quase risível. Bom, acreditava no ser humano, ainda.

- Ah, eu estou bem... Já doeu mais! – deu uma risadinha, tentando ignorar que todo seu corpo doía com o esforço de fazer isso – Mas você tem razão, é claro. Vou aceitar sua carona!...

Acendeu o cigarro de palha e tragou com calma. Não era tão prazeroso, cheiroso e saboroso quanto esperava, mas cumpria seu objetivo. Mas não podia ficar muito mais tempo sem maconha ou ia surtar. Muito.

- Acha que eles vendem comida e cigarros no hospital?

Procurou com o olhar o carro dela. Não devia estar muito longe, e naquela rua cheia de motos... Sentia que deviam sair dali o quanto antes.

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34 Re: Heavy Duty Beer Club em Dom Jul 29, 2012 2:13 pm

AÇÕES LIBERADAS NOVAMENTE. PLAYERS, VISUALIZEM O RESULTADO DO GOLPE DE JASON AQUI.

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35 Re: Heavy Duty Beer Club em Dom Jul 29, 2012 9:09 pm

Alguma coisa nessa noite está fazendo com que tudo deixe de funcionar no devido tempo. Mal me viro para cuidar da pobre mulher caída, e a loirinha que parecia não se encaixar muito na cena veio falando que era médica, ouvi o que ela disse sem levantar qualquer dúvida sobre o óbvio. Pelo que percebi, ela também tentou salvá-la lá dentro e foi impedida pelo brucutu.

- Você é médica? A ambulância logo mais estará aqui! Você poderia acompanhá-la? – É o que eu iria perguntar quando um som surdo, já velho conhecido meu, corta o ar, me fazendo virar para o policial que “cuidava” do grandalhão. O pobre defensor da lei estava em queda, enquanto o cabeludo se punha a correr, sem pensar direito, por entre os carros na rua, nem reparando que quase é pego pelo bonde. “Este aí deve ter, sim, um bom motivo para não ser pego.” Penso. “Mas não vou deixá-lo ser pego por alguém que atira primeiro e pergunta depois.”

O policial praticamente apagou ali na calçada. Este não vai incomodar mais as moças e nem a mim, tento dar uns tapinhas no rosto da moribunda, num gesto inútil de fazê-la acordar. Sinto que a perco cada vez mais, minuto a minuto. E a médica parece mais estudante de medicina que médica de verdade... Largou a mulher indefesa e foi cuidar da junkie. Aquele jeito de procurar loucamente por algo na bolsa é coisa de drogado. Disso eu sei! Conheci muitos drogados por aí: gente sem importância e importante, sem dinheiro e podre de rico... Mas meus pais me criaram direito. Que Deus “(que Deus?)” os tenha. Tenho valores, e sei como estas coisas podem destruir você. Já fui alcoólatra e, se não fosse o boxe, ainda o seria...

Enquanto relembro meu triste passado, vejo as duas últimas sair dali, provavelmente a médica vai levar a outra para o hospital, ignorando a ambulância que chegará em breve. Agora estou sozinho aqui com a única vítima grave do ocorrido e com um tira louco do lado de dentro do bar e um policial se recuperando, provavelmente furioso aqui fora. Posso imaginar a próxima cena sendo eu dentro daquela viatura a prestar depoimento e ficando à mercê do brucutu.

Chamo o gorila albino, novamente. É claro que ele não está muito à vontade com toda essa situação, mas ele cuida da segurança do lugar e sabe por que o chamo. Peço a ele para aguardar a ambulância por mim. Dou a ele meu nome e celular para o caso de os paramédicos precisarem entrar em contato. Peço desculpas por tê-lo metido nisso e digo a ele me chamar caso queira assistir a alguma luta um dia. Dou a ele o endereço da academia onde treino para ele ver com os próprios olhos meu jab lento, o que arranca um leve sorriso dele. Despeço-me e vou embora dali, antes que o policial ignorante apareça de novo.

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36 Re: Heavy Duty Beer Club em Ter Jul 31, 2012 5:15 pm

Helena estava bem louca se achava que depois de me dispensar daquela forma, eu iria correndo encontrar o palhaço para ela. Ele que se fodesse, ela que se fodesse, e aquela pirralha que se fodesse ainda mais! Se tem uma coisa que eu odeio é aquele sorrisinho falsamente cortês que a piveta mandou para mim enquanto me dispensava do Elísio com as palhaçadas de Helena. Ainda fedendo a mijo e ainda por cima cheia de marra. Ela que não se cuidasse para ver o que ia acontecer.

Era uma pena a dona Sforza ter se recusado a ver a cara do Príncipe. Eu com certeza pretendia dar uma boa olhada no idiota, mas, naquele momento, eu queria distância absurda da maluca e de sua turma de imbecis.

Caminhando com uma direção certa, ajeitei minha jaqueta dos Nightstalkers e retirei a chave do bolso, indo até minha moto e a ligando após montar. O ronco do motor foi algo que trouxe uma expressão de prazer absoluto ao meu rosto depois daquela porcaria de noite irritante.

Era hora de mandar tudo à merda e partir para meu lugar de origem, de onde eu não deveria ter saído.

A viagem entre os polos opostos da cidade fora feita em pouquíssimos minutos. A mudança de paisagem era algo quase chocante, mas renovador aos meus olhos. Sair daquele amontoado de frescura que era Garden District era um alívio sem precedentes. A péssima distribuição de renda de Nova Orleans, que Helena-Maluca clamava ser totalmente perfeita, permitia que o local variasse da pura riqueza para a decadência absurda, que era claramente vista na entrada do bairro Francês.

Bêbados e mendigos jogados pelas calçadas, casas caindo aos pedaços, pedintes, crianças abandonadas e tudo do bom e do melhor. Mas eu estava pouco me fodendo. Eu era um filho da decadência e aquele era exatamente o meu lugar.

Aproximei-me aos poucos do Heavy Duty com certa ansiedade, mas meu cenho se franziu ao ver uma viatura simplesmente estacionar do lado de fora do bar como se fosse a coisa mais normal do mundo. As pessoas pareciam estar debandando dali, inclusive com gente desmaiada e ensanguentada, estirada na calçada.

Mas que merda é essa?!

Acelerei a moto e estacionei diante do local, descendo da mesma com o sangue, que deveria estar obviamente frio, fervendo. Entrei no bar a passos largos, olhando ao redor e me deparando com uma cena simplesmente caótica.

Não que o Duty fosse um lugar de família e bem frequentado. Mas existia uma diferença enorme entre quando está tudo normal, com saudáveis brigas entre motoqueiros bêbados aqui e ali, e quando a coisa deu ruim.

E aquilo ali, na minha humilde opinião, tinha dado péssimo.

- O que foi que aconteceu nessa porra?! – Bradei, alto o suficiente para que os ainda presentes no recinto pudessem me ouvir. Eu queria descobrir quem foi o filho da puta que esculhambou o meu bar. Porque isso não ia ficar assim, mas nem fodendo.

Aquela noite, definitivamente, não havia sido a minha.

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37 Re: Heavy Duty Beer Club em Sex Ago 03, 2012 10:12 pm

Quando o oficial O’Reilly deixou seu parceiro a cuidar da situação do lado de fora, estava claro que ele não dava importância alguma àqueles três estranhos – quatro, se contarmos com a mulher baleada. Fazia questão de uma coisa apenas: ficar com o corpo para dar sumiço nele, encobrindo assim as provas de um novo crime seu. Na verdade também não se importava muito com isso, já que a “investigação” provavelmente cairia no colo de algum contato dele. O real objetivo da noite era tirar o vampirinho de seu casulo, lançando uma leve provocação naquilo que ele chamava de bar.

Do lado de dentro havia uma ou outra cadeira virada, uma ou outra garrafa quebrada e um ou outro funcionário mais durão que optou por não sair correndo feito uma mulherzinha. O’Reilly se detém à porta olhando para o interior bagunçado do Heavy Duty. Um sorriso de canto de boca vai se abrindo aos poucos, mostrando dentes brancos perfeitamente alinhados. Perderia um ou outro dente até o fim da noite (possivelmente), o que não o impede de curtir assim mesmo o seu momento de glória. Fazendo movimentos afirmativos leves e lentos com a cabeça – como se estivesse dizendo para si mesmo que fora muito durão por ter feito aquilo tudo no bar -, o policial avança pisando em cacos de vidros até alcançar o balcão. Procura sentar-se de lado no banco e depois gira o corpo para ficar de frente com o barman. Com os pés apoiados na base metálica do banco e os braços estirados na madeira arrebentada do balcão, faz um pedido ao barman como se nada tivesse acontecido.


- Aê... Desce uma cerveja. É “por conta da casa”. – diz debochadamente.

Atrás de O’Reilly a porta se abre. Alguém entra a vigorosos passos e logo se denuncia pela voz.

- O que foi que aconteceu nessa porra?!

De costas para Royce o policial ria muito, mas sem produzir nenhum tipo de som. Ele dá uma boa golada na cerveja que fora colocada à sua frente como se fosse sua última, e gira o banquinho para ficar de frente com o Brujah. Enfim estava cara-a-cara com Royce Gregor, o temível líder dos Nightstalkers. A gangue de status lendário desde há muito é objeto de investigação pela polícia de NOLA, mas nunca foram condenados pesadamente. Todos os tiras conhecem o grupo, apesar de nem todos saberem de Gregor. O’Reilly o conhece muito bem. Alguns Nighstalkers também conhecem o policial, e ele finalmente poderá matar sua maior curiosidade: já teria o Brujah ouvido falar do policial mais durão dos Estados Unidos? Seria este o único vampiro na cidade a desconhecer a ligação de Kevin com os Ventrue? Que seja... O’Reilly conversaria com ele como se os dois já se conhecessem.

- Pensei que você não viria mais. – levanta-se e começa uma caminhada a passos lentos na direção do vampiro; olha para o teto por um momento – Tava pensando até em redecorar o lugar.

O’Reilly dá uma “fungada” tão forte que poderia muito bem ter arrebentado seu nariz. Ele finalmente estava mais sério e olhando diretamente para o dono do Heavy Duty;o momento de fazer piadinha para descontrair o clima já se foi.

- Eu sei que você foi encarregado de um trabalho especial. Tenho certeza que posso lhe ajudar nessa, no que quer que seja - desde que você me prometa segurar a onda de seus “filhotes” por umas duas semanas. O pessoal tá em cima de mim direto. Não tem como segurar as pontas por muito mais tempo se vocês não derem um tempo agora.

Com uma outra bela”fungada” de nariz, O’Reilly termina de falar com Royce. Ofereceu toda a ajuda que os meios policiais lhe permitem, e em troca pediu que Royce e seus comandados pegassem leve nos roubos, assassinatos e demais outras atividades imputadas aos Nightstalkers.

“Um belo acordo”, é o que diria se lhe fosse perguntado.



Última edição por Kevin O'Reilly em Sex Ago 03, 2012 10:19 pm, editado 2 vez(es) (Razão : Ortografia)

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38 Re: Heavy Duty Beer Club em Sab Ago 04, 2012 4:03 am

Mas eu tive que olhar para a cara do palhaço como se ele fosse retardado. Aliás, eu não me surpreenderia nem um pouco se ele fosse.

Que tipo de imbecil entra assim na minha área e tem a audácia de olhar na minha cara, como se estivesse tudo na maior normalidade do universo? Bebendo da minha cerveja, ainda por cima! Filho da mãe.

Ah, sim, claro. O grandíssimo Kevin OhReally. Babaca de primeira categoria, e um babaca extremamente burro, porque além de ter feito merda de graça onde não deveria, ele me pegou na pior noite que poderia.

Vou ser sincero e deixar bem claro que eu estava pouco me fodendo para o acordo de bosta que ele me propôs. Eu já havia decidido que se fosse – e isso era um grande se – atrás do Don Catarrão, advogado do merdinha do Henry, eu iria sozinho. E se tem uma coisa que um sangue-suga esperto como eu não faz é meter o nariz com paga-pau de Ventrue.

OhReally era exatamente isso. Um paga-pau/pau-mandado de engomadinho. E ele poderia ir ao inferno e beijar o capiroto, por tudo o que eu me importava. Na verdade, eu poderia até dar uma ajudinha para que essa situação ocorresse.

Caminhei em direção ao palhaço com um olhar que gritava fúria. Segurei-o pela gola e o ergui do chão, meu rosto tão próximo ao seu que tenho certeza absoluta que ele sentiu a minha falta de respiração. Era bom que sentisse. Era bom que soubesse com quem estava lidando.

- E o que você acha de eu redecorar a sua cara? – Sibilei, arremessando-o do outro lado do balcão e ouvindo o delicioso som de vidro se quebrando.

Pulei o balcão com ferocidade, colocando-me acima de seu corpo e voltando a segurar sua gola com uma das mãos. Eu pouco me fodia se o estava sufocando; seria até agradável se isso ocorresse de fato, facilitaria meu trabalho. Um de meus punhos acertou seu maxilar em cheio, e, mesmo não usando toda a minha força disponível, até porque eu queria que o babaca vivesse por tempo o suficiente, eu ouvi o osso estalar.

Agora sim a brincadeira tinha começado. E o melhor de tudo era que OhReally ia ter grandes dificuldades de voltar a profanar aquele monte de palhaçada aos meus sensíveis ouvidos.

- Me ouve direito, filho da puta. Mas me ouve bem porque eu quero você mande o recado direitinho se sair daqui hoje. – Falei entre os dentes, olhando-o nos olhos intensamente. – Eu quero que você e Henry vão à rameira que vos pariu, os dois juntinhos e de mãos dadas. E se ele tiver um problema com isso, mande ele mesmo vir aqui e falar na minha cara. Eu não tenho medo dele, muito menos dos seus, e sei bem que os meus tem colhões. Você fodeu com o sangue-suga errado, na noite errada, filhão. E pode ter a certeza que se você não for parar naquele caixote hoje, sua redecoração facial fará mais sucesso do que essa porra que você arrumou no meu bar.

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*Disposto a acatar com todos os testes necessários.

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39 Re: Heavy Duty Beer Club em Sex Set 06, 2013 6:52 pm

O tempo, oh o tempo. Dádiva dos Deuses. Maldição dos seres vivos.

O que movia a vida.

Travis achava que o tempo era algo bastante poético, mas não tinha lá muita paciência para ficar filosofando sobre. Mesmo que este o deixasse bastante estupefato vez ou outra.

Em um mês, apenas um mísero mês, o Heavy Duty estava de volta à sua glória anterior. Se pudesse dizer algo sincero, diria até que o bar parecia brilhar mais que antes, mas talvez fosse o fato de que realmente estava limpo. Uma grande mudança, em sua opinião.

Esperava que os copos estivessem também em tal situação pristina, já que resolvera pedir um drink naquela noite. Algo raro, porém, sentia-se inspirado o suficiente. Não que Travis fosse fresco, oh não, que jamais pensassem isso dele. Na verdade, apenas gostava das coisas boas e estava cansado de beber cerveja na garrafa.

Olhou para os arredores, reparando que Royce não estava presente àquela noite. Uma pena, em sua opinião, já que tinha uma oferta interessante a fazer ao líder do Nightstalkers. Deixaria para a próxima.

Não poderia prever o que a noite o reservava, por isso, deixou-se sorrir, ouvindo a música agradável do lugar enquanto testemunhava mais uma saudável discussão entre motoqueiros.

Ah, o bom e velho Heavy Duty. Ainda apostava um valor alto de que aquela discussão viraria uma boa briga de punhos em poucos minutos. Talvez até segundos.

- Mojito pronto, porra! – O barman (se é que o ogro atrás do balcão poderia ser chamado por tal título) berrou, atraindo sua atenção para o drink anunciado e que, por acaso, era o seu.

Sentira realmente falta daquele lugar e sua extrema finesse...

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