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St. Louis Cathedral

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26 Re: St. Louis Cathedral em Sex Set 21, 2012 1:58 pm

- Igrejas? São interessantes. Impressionantes para falar a verdade, mas não fazem muito meu estilo - Não via muitos motivos para ir ou gostar de uma. Um local feito para adoração não parece fazer muito sentido para alguém que não deseja adorar tal ser não é mesmo? Não que ela não acreditasse em tal existência, já vira o suficiente para acreditar em quase tudo, mas tinha seus motivos. Em uma noite de sua juventude, quando olhara nos próprios olhos do demônio e pedira a “ele” para que a ajudasse, “ele” não pareceu muito disposto a fazer algum esforço nesse sentido. Então não, ela nunca vira muitos motivos para retribuir alguma coisa, e não seria um prédio de alguns milhões, com diversos objetos de arte dentro, que mudariam sua opinião - Seu amigo parece ser bem religioso - Ao subir um pouco, a sobrancelha acabou por franzir a testa da garota - Não é para qualquer um vir a uma Igreja por essa hora - Não pode controlar o sorriso matreiro - Realmente deve ser alguém um tanto curioso de ser conhecer.

Não havia como negar, a mudança na própria atitude refletia isso. De fato Cassy estava bem curiosa para saber como seria esse rapaz com tanta disposição religiosa, mas ao olhar para aquela porta... Deveria? A claridade dentro daquele lugar era tão forte que chegava a latejar seus olhos. Aquele maldito prédio parecia ser ainda mais iluminado dentro, do que em suas torres. O efeito fora pode até ser atraente, mas tudo demais é desagradável, será que eles não sabem disso?! - Cindy, tenho uma ideia que talvez goste. Por que não saímos para outro lugar? Podemos ir lá dentro saber se seu amigo já terminou. Michael é o nome dele não é mesmo? Quem sabe ele também não queira ir - Ela jogou o cigarro no chão, deu a tradicional pisada para apagá-lo e começou a andar em direção ao lugar. A cada passo sentia o efeito da transição entre a escuridão da rua e aquele excesso de luz que irritava seus olhos. O que diabos eles querem? Cegar os fiéis? Mesmo assim ela continuou aparentando entusiasmo com a ideia - Andar sozinha a noite pode ser ótimo para esvaziar a cabeça, mas ainda prefiro me divertir acompanhada - Ela para, apoia a mão na borda da porta, e volta novamente seus olhos em busca dos de Cindy - E sei que acabei de te conhecer, mas se ele for tão divertido quanto você, adoraria sair com os dois - Agora praticamente já estava dentro do lugar e começou a observar bem o que a esperaria - Quem sabe poderíamos até comer algo no fim - Realmente esperava que Cindy a estivesse seguindo, pois não olharia para trás novamente até de fato encontrar alguém dentro daquele lugar.

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27 Re: St. Louis Cathedral em Sex Set 28, 2012 1:50 pm

Quando perguntei para Cassy se ela gostava de igreja, eu já podia imaginar a resposta, ela não tinha cara de quem gostava dessas coisas. Enquanto ela confirmava esse meu pensamento, fiquei aliviada, porque eu soube ali que teria uma nova amiga. Mas logo depois Cassy disse:

- Seu amigo parece ser bem religioso - Ao subir um pouco, a sobrancelha acabou por franzir a testa da garota - Não é para qualquer um vir a uma Igreja por essa hora - Não pode controlar o sorriso matreiro - Realmente deve ser alguém um tanto curioso de ser conhecer.

- Realmente Cassy, ele é um tanto curioso quando a gente vê ele pela primeira vez, mas Michael é um cara super legal, você vai gostar dele. –falei com um sorriso, tragando meu cigarro e levantando um pouco a sobrancelha. - Tudo bem, ele tem esse gosto esquisito por igrejas, mas vocês vão se dar bem, acho que ele vai gostar de você.

Logo depois de ter falado pensei: “Espero que eles se gostem mesmo, porque senão vou ficar dividida....gostei tanto dos dois!”. Foi então que Cassy me surpreendeu:

- Cindy, tenho uma ideia que talvez goste. Por que não saímos para outro lugar? Podemos ir lá dentro saber se seu amigo já terminou. Michael é o nome dele não é mesmo? Quem sabe ele também não queira ir - Ela jogou o cigarro no chão, deu a tradicional pisada para apagá-lo e começou a andar em direção ao lugar.

Eu gostei da idéia, até porque Michael estava demorando demais, já tinha se passado mais de uma hora. Mas antes de eu responder qualquer coisa, ela apagou o cigarro e saiu andando em direção a igreja. Eu não tive outra opção, senão apagar meu cigarro, sair atrás dela e falar:

- Cassy, eu vou com você, me espera! – falei isso andando rápido, até alcançar ela.

Então ela parou, apoiou as mãos na borda da porta e disse:

- E sei que acabei de te conhecer, mas se ele for tão divertido quanto você, adoraria sair com os dois - Agora praticamente já estava dentro do lugar e começou a observar bem o que a esperaria - Quem sabe poderíamos até comer algo no fim.

Fiquei aliviada ao ver que Cassy me esperava para entrar, e respondi:

- Ele é super divertido, vocês vão ficar amigos! Vamos sair e comer sim, nós três!

Bom, depois disso a gente entrou na igreja e viu Michael e o padre conversando perto do altar. Meio cegas com aquela claridade toda, chegamos mais perto deles e eu disse:

- Olá senhores, a conversa está boa?? Michael, você ainda vai demorar muito? Faz um tempão que você está aqui, eu estou com fome. Ah, essa é Cassy, uma nova amiga que eu conheci lá fora, vocês vão adorar se conhecer!! Padre, foi mal aí, mas é que essa conversa tá indo longe demais, eu tinha combinado uma hora com ele, e já faz mais que isso que vocês estão conversando. E aí Michael, vamos dar uma volta, comer alguma coisa??

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28 Re: St. Louis Cathedral em Qui Nov 01, 2012 11:13 pm

Ação feita em conjunto com Michael.

A expressão de Michael era magnífica aos olhos do padre. Ele conhecia aquele olhar. Já o vira nascendo em outros rostos tementes a Deus, e depois dele sempre aparecia a manifestação de uma Fé forte e verdadeira. Para Wallace, aquele era um dia de recomeço. O primeiro dia da luta contra os demônios de Nova Orleans. Primeiro um deles surge, em um vestido que cobria um corpo magro e oscilante. Em seguida uma mulher em desespero, à procura de esperança em sua vida. E então, Michael, o primeiro candidato à Ordem de São Miguel. O primeiro das fileiras do exército do glorioso general alado, o flagelo de Deus. Em seguida viu Michael caindo de joelhos. Como se não bastassem provas da devoção do garoto, ele se entregava a Deus em pose de oração. E então aceitava o convite, sem pestanejar. Para ele não haviam mais dúvidas. Restava apenas o teste prático, e este aconteceria naquela noite.

Faz um sinal com as mãos para o vigia na porta da igreja, ordenando a fechasse, sendo prontamente atendido. Não queria que mais ninguém entrasse ali. Já estava tarde, e Padre Wallace tinha assuntos mais importantes para resolver. Estendeu a mão a Michael e o chamou.

- Venha, garoto. Temos que nos apressar com os preparativos.

As coisas ficaram um tanto fora de foco. A mente de Michael girava em torno de uma música de ciranda que costumava brincar sozinho quando pequeno, mas a letra era diferente. Tinha versos que não conhecia e milhares de crianças sussurravam em sua cabeça aquele mesmo som. As frases "Sim, eu aceito" e "Venha, garoto" faziam parte da música. Tudo rodava, rodava, rodava. "Venha, garoto". "Venha, garoto", "Venha, garoto". Um segundo mais tarde, ao som da melodia angelical da ciranda e da voz do padre guiando-o para uma luz forte, sentia como quando se sonha que se está caindo, rápido, rápido e rápido até que, quando está prestes a bater com o corpo em pleno chão, você acorda de súbito. "Venha, garoto". "Venha, garoto". "VENHA, GAROTO!". Foi assim que "despertou" com o chamado do padre. Chacoalhou os ombros e as pernas ao levantar o olhar. Não havia mais ninguém além do padre e do segurança à porta. No teto e no vitral de toda igreja, cada personagem bíblico permanecia estático em seu devido lugar, assim como Cristo na cruz, logo no altar. Estava apertado para ir ao banheiro, sentia os olhos úmidos de choro e a boca seca. O topo da cabeça estava queimando, trazendo à tona algumas pequenas gotículas de suor.

Michael se levantou com dificuldade, as pernas bamboleavam em uma pequena tremedeira de insegurança. Não sabia bem o que Wallace faria, mas a idéia de fazer algum tipo de serviço em nome de Deus encheu seu peito de um sentimento novo... Uma espécie de "reconhecimento".

- Onde vamos, padre?

O padre ajudou Michael a se estabelecer em pé, o segurando pelos ombros, quase o abraçando de lado. Começava a guiá-lo para o canto esquerdo da nave principal, onde havia uma porta. A mesma que usou para entrar ali mais cedo.

- Vamos te preparar, Michael. Logo vai saber.

Duas mulheres se aproximavam assim que decidiu sair dali. O vigia, já idoso, não conseguiu fechar a porta antes que as mulheres entrassem. Wallace soltou um longo suspiro, ansioso e impaciente. Queria tirar logo o garoto dali, mas tinha que resolver esse detalhe agora. Olhou para Cindy e a reconheceu de mais cedo. Olhou para a outra, e sorriu nervosamente para ela. Continuou segurando Michael pelos ombros, que estava visivelmente mal e disperso. O padre tentou falar ao fim de cada frase que Cindy dizia, e quando ela finalmente terminou sua tortuosa fala, Wallace despejou um pouco de grosseria nas moças.

- Já está tarde, não estão vendo? Deus tem uns assuntos a tratar com Michael, então devem sair. Deixem-no aqui. Se quiserem falar com ele, voltem amanhã cedo, na hora da missa. E vistam algo apropriado. – Depois de mais uma olhada na vestimenta da dupla, com uma expressão fechada, ele refaz a frase. - Ou melhor, vistam algo! Com licença.

Wallace olha enfurecido para o vigia, ergue o braço e o agita como uma bronca silenciosa. Dá as costas às moças e continua o caminho que fazia antes de ser interrompido por elas. Sussurra para Michael, já a alguns passos das duas.

- Me desculpe, garoto. Não podemos dar atenção a elas agora. Nosso tempo é muito precioso.

O vigia aborda as mulheres, e pede educadamente para elas se retirarem, pois precisava fechar a igreja.Qualquer discussão que as moças resolvam ter com o vigia é o tempo que o padre tem de sumir pela porta lateral.

Wallace carrega Michael apressadamente, o levando agora por um corredor largo, até uma nova porta, e então por uma escada de pedra que desce em espiral. Depois de uma volta completa, entram em um corredor mais estreito, com uma iluminação mais precária. A diferença de luz é mais gritante para a mente enevoada de Michael. Quando ele percebe, é colocado em uma cadeira. Vê-se sentado em uma sala, ainda de iluminação baixa. A impressão de qualquer um que estivesse no lugar de Michael era a de estar prestes a ser interrogado quando Wallace acende uma luz bem sobre sua cabeça. Isso o impedia ainda mais de perceber o resto da sala escura.

- Coma isso.

O padre entrega a Michael um sanduíche com carne de frango e vários tipos de vegetais, parecido com o de uma rede de lanchonetes que serve lanches naturais feitos em uma linha de produção, mas este era caseiro, e estava frio. Então abre armários e gavetas, empilhando pequenas caixas próximas a Michael. Assim que termina de procurar o que queria, coloca uma cadeira à frente dele, e depois de sentar-se nela, começa a explicar.

- Muito bem, Michael. Prepare-se para o que vou lhe dizer agora. Preste MUITA atenção, pois não temos muito tempo. – O tom de Wallace agora era o de professor. Era algo natural nele, sendo uma coisa que sabia fazer muito melhor do que ser padre. Wallace fala rápido, sem dar tempo para que Michael fale. Imaginou que o sanduíche somado à fome do rapaz era uma boa forma de fazê-lo ficar calado, sem interromper. – Existem demônios entre nós, Michael. Demônios que caminham entre nós, vindos do inferno, para trazer o pecado para os homens. Eles vestem o corpo de pessoas normais, que foram vítimas de seus pecados, passando a maldição adiante. E nós, a Ordem de São Miguel Arcanjo, o exército de Deus contra os demônios, caçamos essas criaturas. Nós a mandamos para o lugar onde pertencem. As mandamos direto para o inferno. – O padre olha para Michael por um momento apenas para respirar, e captar a percepção do rapaz sobre tudo o que disse apressadamente. Antes que ele possa dizer qualquer coisa, continua com um argumento que usaria caso Michael pirasse com o que acabou de saber, para então atribuir a importante tarefa. – Deus o trouxe até aqui garoto. Para onde Nosso Pai gostaria que você estivesse. Somado às fileiras deste exército. E agora você vai conhecer sua primeira missão. Você vai para uma festa em um clube chamado Masquerade. Este clube é de um demônio que ainda não conhecemos. Acreditamos que ali trabalha um outro demônio, em forma de mulher, mas não sabemos o nome dela também. Talvez esse demônio seja o dono do lugar, mas isso também nós não sabemos. O que precisamos é conhecer o lugar, e descobrir o maior número de informações sobre ele, principalmente sobre os demônios, certo? Estes são chamados casualmente, e entre eles mesmos, de “vampiros”. Mas não se deixe enganar por isso. A maioria das coisas que acreditamos ferir vampiros não os fere, então prefiro classificá-los como demônios. Eles têm a pele pálida e olhos estranhos. EVITE ENCARÁ-LOS! Pode custar a sua vida. – Wallace tenta falar da maneira mais simples o possível, introduzindo conceitos básicos, sem entrar muito em detalhes. Queria que Michael entendesse o máximo possível o mais rápido possível, para ao menos sobreviver à sua primeira missão. – Eles se alimentam de sangue. É a única coisa que os sacia. Fique bem atento à isso! – Wallace pega uma das caixas pequenas, e dela tira um Blackberry como o seu. – Este aqui é seu. Fique atento a ele. Tem meu número aqui. Aperte esse botão e fale meu nome e ligará direto para mim. Mas só faça isso se estiver em perigo. Ah, ele tem um GPS, e enquanto estiver ligado, vou conseguir te acompanhar. Então NÃO DESLIGUE! Quando estiver chegando lá eu vou te mandar um convite que você vai apresentar para entrar no lugar. É uma festa à fantasia, um baile de máscaras. – Pega uma outra caixa pequena, e tira de lá uma máscara simples, toda branca e andrógena, sem definição clara de traços masculinos ou femininos, soando como um anjo. – Vai ter que usar isso, o tempo inteiro. Não a tire, certo? Use também essa capa. – Pega uma caixa um pouco maior, onde estava uma túnica preta com capuz. – Isso vai esconder sua roupa, e traços menos óbvios do seu corpo. Tente ser bem discreto, e passar despercebido. Isso faz parte da missão! – De outra caixa tira um maço de notas bem gordo, contendo em torno de trezentos dólares. – E isso aqui é para uma emergência, ou eventuais gastos. É importante que se lembre de tudo o que gastou, e me traga todo o troco. Use com sabedoria, mas se precisar, USE! É o dinheiro para a missão. Ah, use para pagar o taxi que vai usar para chegar até o local. Peça para o motorista te levar até o Harra’s Casino. Harra’s Casino, entendeu? Tem alguma dúvida? – O padre finalmente termina de despejar informações em Michael, encostando-se na cadeira, com os olhos ainda agitados, pensando se havia se esquecido de alguma coisa.

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29 Re: St. Louis Cathedral em Seg Dez 03, 2012 6:30 pm

As vezes a gente brinca de gira-gira, naqueles brinquedos que nos rodam e rodam por horas e horas sem parar. Queremos girar mais forte mas, ao mesmo tempo que estamos com medo, nossos pés nos ajudam a rodopiar cada vez mais rápido. Dando mais impulso. Girando, girando, girando. Tudo fica muito rápido. Em cerca de segundos, o monótono parece desvanecer e um mundo novo e rápido começa a nos cercar. Girando, Girando, Girando. Michael Comache estava ali em uma sala fechado, comendo um sanduíche sem fome, ouvindo coisas que jamais imaginou que ouviria, conhecendo histórias e criaturas que jamais achou que o cercava. Girando, girando, girando. Mentira, eram demônios. Demônios existiam, sempre soube, mesmo que lá no fundo. Pessoas más existiam em todos os cantos, em todas as esquinas, dentro da nossa casa, dentro do nosso quarto, entrando dentro da gente – sujo, nojento, sem que a gente queira. Girando, girando, girando. O estômago embrulhava. Girando, girando, girando. “Você gosta disso, cadela”. “Você gosta do meu pau entrando em você, vai fala, vadia!”, “Vamos ver se você não é mesmo uma mulher...”. Girando, girando, girando. “Demônios caminham entre nós, vindos do inferno, para trazer o pecado para os homens... Eles vestem o corpo de pessoas normais“. Girando, girando, girando. Eu sei, Senhor. Eu sei. De olhos fechados na cadeira, o sanduíche balançava em suas mãos geladas, apenas uma mordida tinha sido dada. A cabeça girava. Girando, girando, girando. Com os olhos fechados, descobriu que já sabia a oração:

- São Miguel Arcanjo, protegei-nos no combate. Cobri-nos com o vosso escudo contra os embustes e ciladas do demônio. Subjugue-o Deus instantemente o pedimos e vós príncipe da milícia celeste, pelos divinos poderes, precipitai no inferno a satanás e a outros espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas.

Caiu de joelhos no chão da pequena sala de Padre Wallace. Sussurrava algumas palavras com os olhos marejados. Seu olhar estava perdido. Não estava naquela sala. Estava em todos os momentos da sua vida. Estava no escuro sendo estuprado pelo padrasto. Estava em casa sendo ofendido pela mãe. Estava na sala do velho trailer assistindo a mãe apanhar do padrasto. Estava nas ruas levando pequenas pedradas e olhares de desaprovação. Estava em todos os testes, estava em todas as esquinas, em todo deserto do Texas, estava ali, na sua provação de toda a vida. Todos aqueles momento o levaram até ali, tudo agora fazia sentido. Tudo.

- Senhor, perdoe-me. Perdão pela minha falta de esperança que tantas vezes levou-me a atropelar os teus planos para comigo. Perdão por tantas vezes que eu não soube perdoar e conservei em mim o ódio e o rancor que tanto me afastam de ti. Quero hoje reparar todas as maldades que cometi contra o Teu Sagrado Corpo, maldades estas que te abriram de tão profundas chagas. Senhor Jesus, pelas tuas Santas Chagas, ensinai-me o Caminho da Santidade. Amém.

O vômito era translúcido. Não tinha muito o que vomitar, mas o corpo quis encontrar um jeito de expelir tudo aquilo. Levantou a cabeça, limpou as lágrimas, limpou a boca e colocou-se em pé. Pegou o celular e o dinheiro, enfiou no bolso e repassou as instruções mentalmente. Olhou para Wallace com olhos agradecidos, crentes, fiéis. Saiu da Igreja disposto a cumprir aquilo que sempre esteve escrito em sua história. Colocou a máscara branca e andrógina no rosto e então caminhou até a sua missão, sua nova vida.

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30 Re: St. Louis Cathedral em Seg Dez 03, 2012 11:05 pm


Medical Center of Louisiana


Por mais que eu queira inferir a mim o mesmo sentimento daquela noite (da noite em que perdi meu filho), eu já não consigo mais. Isso é bom? Bom para mim? Eu não sei. Ainda que eu tenha me lembrado da sensação terrível de perda e solidão, algo fez com que eu saísse da margem despedaçada em que vivo em mim mesma. Esse "algo" foi uma visita e um ramalhete de flores; foi Victor Calarram.

- Senhorita Beatrice? - chamou uma enfermeira de nome Cátia, tal que ostentava uma prancheta na mão esquerda e uma caneta de cor azul na direita. Desde quando começara a reparar nos detalhes? Coçou os olhos com uma das mãos a fim de se livrar da sensação de sonolência, olhando-a pouco depois. - ...sim? - retorquiu ao chamado da outra, semicerrando os olhos vagarosamente para encará-la. - Você acaba de receber alta, ok? Basta assinar aqui e - demorou em completar, sendo que teve de virar algumas folhas para fazê-lo - aqui. - o acidente não tinha sido tão trágico assim, sendo que a liberação da secretária tinha se dado de forma breve e mais rápida do que nem ela mesma tinha imaginado. Bom, não iria contestar, certo? - Suas roupas estão naquela cadeira. Tenha um bom dia, senhorita. - Cátia era melhor do que Clarisse e isso era notável (aliás, a enfermeira Clarisse).

- Ei, espere... - pediu Beatrice, sentando-se na cama. Cátia se voltou para a acidentada, olhando-a apreensivamente. - Não encontraram nenhum outro objeto comigo? Um livro...? - a enfermeira apenas remexeu a cabeça em sinal negativo e disse que não foi reportada sobre nada do gênero, retirando-se em seguida. A ideia de que o livro tinha sido deixado na Catedral surgiu tão de repente quanto a falta pelo tal exemplar - com certeza estava lá.

As flores entregues por Victor murcharam em uma só noite, não tardando em serem acolhidas pelos dedos finos e longos da empregada. Cativou-as por um instante e desviou o olhar logo em seguida, encolhendo os ombros brancos e delicados. Caminhou pelo quarto após uma série de dores agudas e, em verdade, persistentes, aproximando-se do amontoado de roupas. Alguém as tinha lavado, mas não costurado alguns dos rasgos da calça de moletom. Livrou-se da bata e vestiu-se com certa dificuldade, apoiando-se na parede após um fraco desequilíbrio oriundo de um enjoo. Aquilo era normal e viria a se repetir pelos próximos dias. Deixou o hospital e, diferente de outrora, não o deixou para ser recebida pelos braços nada acolhedores de sua mãe e nem mesmo o olhar mórbido e acomodado de seu pai - deixou o hospital para seguir até outro lugar.


St. Louis Cathedral


O interior das portas abertas revelou um ou outro "cliente", sendo que Beatrice - ainda que receosa - tornou-se parte dos números. Avançou alguns passos e, evitando olhar adiante (para a imagem de Jesus), virou-se para o último banco da fileira da esquerda - o banco em que tinha chorado suas "dores" para um homem que, agora, enxergava como um perfeito desconhecido. Inspirou pesadamente, quase como se buscasse "fôlego" para continuar, dando mais alguns passos adiante. O padre não estava? Não ali, observou, sendo que parou de avançar pouco antes de ultrapassar a segunda fileira - de trás para frente - de cadeiras. "Todo" aquele esforço por um livro? Um livro velho e... Enfim, um livro. O traje "esportivo" estava pouco pior do que na noite anterior, tal que continha uma falha no joelho esquerdo e um corte transversal na mesma perna. A parte superior pareceu intacta, a não ser por uma bolha de sangue seco próximo ao ombro esquerdo - produto algum conseguiria removê-lo, ao certo. No rosto, arranhões, assim como na parte visível das mãos. Por quanto mais tempo iria "esperá-lo"?

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31 Re: St. Louis Cathedral em Ter Dez 04, 2012 11:43 am

Uma lágrima escorreu do rosto do padre quando a oração de São Miguel Arcanjo foi recitada em voz alta por Michael. O garoto já a sabia, como se antes mesmo estivesse treinando para este momento. Wallace não conseguiu conter sua emoção, deixando lágrimas escorrerem pelo seu rosto, enquanto acompanhava seu recente pupilo com uma voz mais baixa que a dele. Normalmente, antes de cada missão, era feita a oração. Michael já o fez mesmo sem a instrução de Wallace. Para o padre, era Deus quem iluminava a mente de Michael, por intermédio do anjo patrono da Ordem. Nada mais precisava ser provado. Após a missão Michel seria iniciado de fato. Isso se o rapaz sobrevivesse, e Wallace tinha Fé nisso.

Na manhã seguinte Wallace estava de pé antes de todos, mesmo que tenha ido dormir mais tarde. A ansiedade por notícias de Michael tirava-lhe o sono. Preferiu meditar em orações a descansar seu corpo deitado na cama, fazendo-o orar até o alvorecer. Após o breve desjejum, pôs-se a preparar a missa da manhã, mas não deixava de conferir seu Blackberry a cada cinco minutos. Até então nenhuma noticia. Isso poderia significar que não houve urgência alguma que fizesse com que Michael o acionasse. Mas também que não houve tempo para o rapaz pedir ajuda. Preferiu colocar sua dúvida nas mãos de Deus, ou então teria muitas dificuldades em servi-lo em suas obrigações.

Quando a missa começou a nave principal da igreja estava razoavelmente cheia. Os olhos de Wallace logo vasculharam cada rosto daquela multidão, como de costume, procurando centelhas de Fé nas expressões amarguradas e abatidas. Nesse olhar, enquanto se dirigia para o altar, avisou Beatrice com suas roupas de ginástica, aparentemente. Aquelas não eram roupas de igreja, fazendo-o pensar que a mulher voltou para a igreja por acaso, ao passar por ela em sua caminhada matinal. De onde estava não conseguia notar as escoriações do acidente de carro, então não havia motivos para se preocupar. Deu um sorriso com o canto da boca, para não interferir em seu semblante respeitoso para o ritual, e continuou a cerimônia.

Após a missa, tirou a túnica branca, ficando apenas com o traje negro comum de padre, e se fez ser visto mais uma vez por Beatrice, dando um aceno leve de cabeça para ela. Lembrou-se de pegar o livro que da mulher quando se trocou, com a intenção de devolvê-lo ao falar com ela. Pegou também um embrulho, um pouco menor, mas mais grosso que o livro, envolto em papel de presente. Entrou no confessionário e esperou que Beatrice entrasse ali também para conversar com ele. Talvez até se confessasse.

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32 Re: St. Louis Cathedral em Ter Dez 04, 2012 7:07 pm



Ponderou por um ou dois minutos, acabando por se voltar para a saída da catedral. Já tinha esperado o suficiente, não é? Talvez. Quando pensou em sair, viu a quantidade de pessoas que se aproximavam das portas abertas - escancaradas. Estes se aproximavam e se aglomeravam para mais uma missa. A "pequena" multidão tomou espaço, acomodando-se em longos bancos de madeira - bancos brilhantes e desconfortáveis. Alguns estranhavam seu comportamento, tal que se resumia em permanecer em pé e de costas para a imagem de Jesus. Sentiu-se paralisada e, meio a isso, ouviu o tom de voz rouco e delicado - ainda delicado - de uma senhora. - Não vai se sentar, meu bem? - a pergunta fez com que a secretária franzisse o cenho, não tardando em virar o rosto para encará-la. - Desculpe. - disse, apenas, abrindo espaço para que a velhinha se acomodasse e, com isso, sentando-se no mesmo banco em que a outra tinha se sentado. Por qual motivo tinha permanecido? Será mesmo que a multidão na entrada a tinha feito desistir de sua "deixa"? Ou era outra coisa? Sua teimosia a deixava confusa - o seu "não querer" também.

Agnes, a velhinha que tido pedido por licença, notou o semblante pesado e, como diria, "enevoado" de sua vizinha, arqueando o rosto adiante para encará-la. - Às vezes precisamos dar uma chance a ele. - apontou ela (para as tantas imagens bíblicas que se estendiam pelo local, mas talvez Beatrice soubesse, e bem, de quem ela realmente estava falando), abrindo um sorriso vago e, ainda assim, agradável. Os olhos de Beatrice se curvaram rente ao rosto envelhecido, sendo que nada disse. A missa se seguiu, não sendo de total surpresa a presença do Padre. Ao término do "show", Beau manteve-se sentada e, já sozinha em seu banco, acompanhou a movimentação de Wallace. Por mais que ela tivesse a certeza de que o Padre sabia o motivo de sua presença, ele tinha se afastado ao invés de acompanhá-la. Levantou-se, enfim, caminhando até o confessionário. O interior apertado lhe trouxe insatisfação, mas não estava lá para comentar sobre seu "desconforto", ou estava? Ainda que não conseguisse vê-lo do outro lado, sabia que ele estava ali e, talvez mal-educada, foi direto ao assunto. - Padre Wallace... Eu acho que acabei esquecendo o meu livro aqui. Estou certa? - não sabia para onde olhar, até porque não tinha para onde olhar. Acabou por escolher as próprias mãos como "ponto de partida", mantendo-se quieta após se pronunciar. Não tinha o que dizer sobre a missa e nem mesmo sobre o número enorme de fiéis que parecia acompanhá-lo todas as vezes.

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33 Re: St. Louis Cathedral em Sab Set 21, 2013 11:15 am

- Sim, está.

O Padre sorriu e devolveu o livro à Beatrice, e junto com ele aquilo que poderia ser a salvação daquela mulher. A Bíblia. As palavras que o guiaram por toda a sua vida, e o tiraram da depressão nos piores momentos. E nos dias que se seguiram àquela conversa foi essa abordagem que tentou com Beatrice. Mostrar as partes do livro sagrado que tanto o ajudaram nas outras ocasiões que se encontraram.

Entre elas estavam Matheus 11:28, o Salmo 23 - com a famosa frase “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra e da morte (...)” -, Filipenses 4:13, e haveriam muitas outras se Beatrice aparecesse com mais frequência. Ela era uma pessoa difícil de alcançar, de tocar, e por isso a tomou como uma missão pessoal. Estava decidido a tirar as trevas daquela moça açoitada pela vida. Nunca soube muitos detalhes de sua vida, pois ela preferia ouvir do que falar. Ao menos sabia que ela via algum conforto em suas palavras.

Não era como um exorcismo, onde o demônio era óbvio. Ele agia sutilmente em Beatrice, de maneira que nem um homem de Deus experiente conseguia detectar com clareza. Então era assim que precisava agir, sutilmente. Acabou por indicar que lesse todos os Salmos. Começou a rezar por ela, e para que aparecesse mais vezes.

A sua outra missão, o garoto Michael, não havia se saído como ele esperava. Na verdade ele se saiu bem, pois não se envolveu em problemas. Porém não houveram problemas, sendo assim não houve o desafio. Ele ainda não havia tido sua provação. E só conseguiria inicia-lo após essa prova. Depois que Michael voltou da festa os dias que se seguiram foram tranquilos. No mês que passou não teve mais pistas do demônio que o visitou na porta da igreja, e nem de nenhuma outra criatura de natureza semelhante. Tudo calmo e abençoado demais, e isso deixou o padre muito preocupado.

Abrigou Michael em um dos alojamentos de funcionários na igreja até que ele encontrasse um lugar melhor para ficar, e o manteve como jardineiro. Captou a bondade do rapaz na prática, e também o seu drama. O preconceito veio daqueles que menos deviam erguer-se contra aquela pobre alma. Daqueles que comiam, bebiam e respiravam as palavras de amor de generosidade do Senhor Jesus Cristo. Era um preconceito velado e tímido, que podia ser imperceptível pelo alvo, mas Wallace o notava. E por todos eles orava. Não era a toa que não manifestavam a verdadeira Fé, capaz de mover montanhas e destruir demônios.

Ao notar que os dias de Michael dentro dos alojamentos da igreja poderiam estar contados, resolveu acelerar o processo. Buscou pela cidade locais onde o sobrenatural poderia se manifestar. Jean Wallace tinha um olho bom para esse tipo de coisa, o que fazia dele um bom caçador. Sempre espreitando, buscando não ser notado, já que o Inimigo conhecia seu rosto. Evitou até mesmo a inocente população, que poderia reconhecê-lo das missas e chamar atenção para si. O excesso de cuidado pode ter atrapalhado sua busca, pois não encontrou nada. A única coisa que percebeu foi uma estranha movimentação no setor imobiliário, principalmente se tratando de prédios antigos. Não era algo sobrenatural, mas isso não cheirava muito bem.

Mas Deus observava, e mais uma vez lhe mostrou o caminho. O padre foi chamado ao necrotério para um caso de “John Doe”. Quando algum indigente morria, e sua família não pudesse ser localizada, um padre era chamado para que seu enterro não fosse completamente impessoal. O trabalho era simples. Guiar a pobre alma aos braços de Deus recitando as passagens tradicionais do livro sagrado para estas ocasiões. Nestes casos Jean fazia questão de saber mais sobre aquela pessoa, mesmo que fosse apenas a causa de sua morte, para conseguir falar algo sobre ela enquanto era colocada em um buraco no chão. Isso também ajudava a perceber mortes incomuns, o que era frequente quando haviam demônios envolvidos.

O cadáver era de um homem que morreu pelos males da bebida, e seu corpo havia sido encontrado no antigo manicômio da cidade, já em decomposição. O lugar ficava um pouco afastado da cidade, e assim também ficou em relação à lembrança do padre durante a procura. Mas ele sabia que ali havia algo perigoso, ideal para a provação de seu pupilo. Talvez até ideal demais.

Incumbiu-o de auxiliar os necessitados daqueles que usavam a construção incendiada e abandonada como abrigo, dando a Michael cobertores, latas de sopa e garrafas d’água. Ah, e claro, uma Bíblia, para que pudesse usá-la para transmitir palavras de paz e conforto. Ou então para que Michael pudesse se defender.

[...]

Michael ainda não havia retornado, e o padre começava a se preocupar com o rapaz. O lugar para onde o enviou era mesmo perigoso, e podia acontecer a ele uma série de coisas. Uma delas era a própria morte. Mas isso apenas se o Senhor assim desejasse, e o Padre Wallace sabia que um futuro lhe era reservado. Ele sentiu isso. Deixou suas preocupações se esvaírem em uma oração, enquanto observava o movimento dos carros na porta da igreja, aguardando o horário da próxima missa. Não notou, mas ficava apreensivo a cada carro que virava a esquina, ou a cada pessoa que surgisse no parque com características levemente semelhantes.

Foi então que apareceu um cão, e sentou-se à sua frente. Era o cachorro que Michael trouxe da ida ao baile de máscaras, e desde então o rapaz cuidava dele e o alimentava. As orelhas do animal se ergueram, como se perguntasse sobre seu companheiro. Se ele estava bem, ou a que horas ele voltaria. Wallace não entendeu como percebeu aquela pergunta, e nem porque a respondeu, mas as palavras preocupadas saíram de sua boca para serem ouvidas pelo cão.

- Eu não sei, meu amigo. Não sei...

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