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Razzoo Bar & Patio

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26 Re: Razzoo Bar & Patio em Seg Abr 09, 2012 7:24 pm

Marquei um ponto ao providenciar água para nós, pois ela bebia como se quisesse engolir o que eu acabei falar.

Olhei atentamente para Annabeth, e pude perceber uma leve cor avermelhada na sua face. Não sabia se aquilo era sinal se constrangimento pelos meus olhares ou por eu ter dito alguma palavra que pudesse tê-la irritado. Não demorou muito tempo para eu descobrir o que a deixava rubra.

Realmente eu devia ter falado a palavra “arcaico”, porque pelo jeito foi esta palavra que desestabilizou a jovem, mas realmente era arcaico o termo que devia ser usado, mas não com o entendimento que ela teve.

Não estava gostando de escutar o que ela estava falando, mas decidi escutar pacientemente cada palavra daquela senhorita, deixando-a falar tudo o que queria, sem demonstrar a menor das reações. Cessei até mesmo os meus olhares de desejo, pois eu queria que ela entendesse, pela minha postura que o que ela falava era ouvido e compreendido, bem como eu queria focar todas minhas atenções na resposta que eu daria a ela, demonstrando muito mais que o interesse financeiro que ela poderia imaginar que eu tivesse.

Realmente eu concordava com o que as primeiras alegações sobre o Garden District, porem eu via as coisas de uma maneira um pouco menos apaixonada que ela, eu via com os olhos de quem deseja algo maior e melhor, do que a beleza das casas.

Ela queria me atacar, usando o fato de eu morar no bairro das desapropriações e não ter minha residência na lista das mesmas. E pior deduzir inverdades ao meu respeito. Pobre criança, desesperada para que alguém a notasse.

As provocações dela chegaram ao ponto de utilizar as minhas próprias palavras: “uma teoria levemente lógica”

Aquela menina chata já estava começando a me aborrecer, enquanto tentava me colocar em xeque, duvidando da minha honestidade e da minha competência como advogado.

Em que momento eu havia oferecido alguma coisa desonesta para ela? Até parece que eu iria oferecer algum negócio desonesto a uma pessoa que eu não conheço.

Finalmente, depois dela falar, e me atacar com aquelas palavras injuriosas, ela se calou.

Eu, assim como ela fez antes e começar a falar, sorvi um pouco de água com o intuito de preparar-me para iniciar o meu contra ataque e tentar finalizar aquela ridícula tentativa de negociação.

No primeiro momento forcei um sorriso, sarcástico de perdurou somente até eu mencionar o nome daquela senhorita.

- Primeiramente quero formular todo o meu raciocino quanto as suas ultimas alegações Annabeth. – A firmeza tomou conta do meu tom de voz, entretanto eu me mantinha sereno e calmo, sem titubear em meias palavras. Agora era a hora de deixar claro meu descontentamento e as razões pelo que eu pensava ser o melhor para Nova Orleans, porem sem demonstrar qualquer sinal de irritação com a linda, porem intragável arquiteta. – A senhorita acaba de cometer duas injustiças contra minha pessoa. A primeira injustiça é que diferente da maioria dos advogados, eu tenho orgulho de ter ganhado a maioria dos meus processos sem ter me utilizado de um único ato desonesto. A segundo injustiça que a senhorita comete contra mim é ter imaginado, sequer por um momento, que eu teria proposto para que à senhorita forjasse pareceres arquitetônicos, com a finalidade de facilitar o processo de desocupação. Em momento algum disse isso, disse somente para senhorita me fornecer pareceres verdadeiros, sobre as modificações realizadas e também pareceres sobre as reformas realizadas. Quanto a avaliar se as modificações afetaram ou não a constituição do tombamento dos edifícios considerados patrimônio histórico que vai se encarregar de fazer isso sou eu, isto é se a senhorita estiver disposta a me ajudar.

- Percebi no seu falar, que a senhorita não gostou nem um pouco de eu ter mencionado que o Garden District é um local arcaico, bem como parece que não gostou da idéia de a Vestrue levar a modernidade para aquele local. Reitero o que eu disse é arcaico, mas deixe eu lhe falar o porquê penso que ele é arcaico. Ele é arcaico porque ele não esta ajudando a cidade como deveria ajudar. Primeiro deixe eu lhe dizer que nasci e cresci em Nova Orleans. Fui criado nessa cidade e pude vivenciar todos os eventos das últimas duas décadas e meia. Também meu pai cresceu aqui e assim como minha mãe, logo conheço algumas fabulosas histórias de nossa cidade, bem como outras perspectivas que as pessoas que estão chegando nessa cidade não tem.

-Há muito tempo o Garden District era o símbolo maior da cidade de Nova Orleans, e por ser esse símbolo, varias inovações tecnológicas do passado foram instaladas nela, como as primeiras lamparinas a gás do Estado de Luisiana, o primeiro bonde elétrico dos Estados Unidos, entre outras. As construções que a senhorita declamou com paixão como sendo construções antigas, eram na época as maravilhas da engenharia e da arquitetura moderna, e a idéia de ligar o Bairro Francês e ao Garden District com uma balsa para pedestres e carros, foi uma forma moderna de garantir o acesso dos turistas aquele belo bairro. Porem, bela senhorita, Nova Orleans precisa constantemente de modernidade, e não é diferente com o Garden District, sem modernidade a nossa cidade acabará em uma lagoa de água salgada.

-Quando, o lugar que foi considerado o berço da modernidade e do poder de Nova Orleans não fomenta a melhoria constante da cidade e de do seu povo, ela se torna uma região arcaica, que um dia desaparecera junto com a cidade que esta morrendo.

-Eu presumo que a senhorita saiba que desde os anos 60 a população da nossa cidade esta diminuindo e hoje moram aqui menos da metade das pessoas que moravam em 1960. O êxodo começou e ninguém mais segura, pois a nossa cidade não se moderniza em amplos aspectos, e assim ela está fadada a afundar ainda mais e virar uma grande lagoa. O turismo corresponde a 70% dos valores que giram no comercio da nossa cidade e este esta caindo, pois existem cidades com características históricas muito mais modernas. Com a redução dos habitantes da cidade, o e o não interesse em modernizar as regiões mais turísticas da cidade, Nova Orleans esta destinada a desaparecer.

-O governo de Luisiana e de Nova Orleans não tem interesse em recuperar a cidade, ou se tem, não tomaram nenhuma atitude para isso. E no momento crucial surge a Vestrue e começa a investir de maneira pesada na reconstrução e recuperação de todos os setores da cidade, e principalmente no carro chefe da economia local, o turismo.

-Os espaços desapropriados provavelmente irão provavelmente se transformar em pólo turístico, com auxílio de alta tecnologia as construções antigas poderão passar por um processo denominado retrofit. Em geral, isto tem sido feito em cidades como Paris, Barcelona e Buenos Aires que revitalizaram áreas urbanas estabelecendo novos usos, gerando trabalho e renda, integrando estes espaços a nova dinâmica sociocultural e econômica da cidade.

-Em todos os lugares em que essa política tem sido implementada, o bem estar da população e os interesses econômicos envolvidos têm gerado a busca de modelos eficazes de gestão territorial para a recuperação de áreas degradadas.

-Agora se a senhorita não consegue enxergar que a política que a Vestrue vem tomando em nossa cidade, e que provavelmente ira adotar com o Garden District, esta preservando toda a cidade fazendo com que ela tenha uma nova vida em vez de uma sobre vida, sinto muito não sei que a senhorita esta fazendo nesta cidade. Pra que restaurar algo que talvez nos próximos trinta anos sejam abandonados junto com toda a cidade?

Agora para finalizar, não, minha casa não esta na lista das desapropriações, mas se estivesse aceitaria de bom grado deixar ela, claro dentro dos tramites legais, para que a cidade tenha chance de sobreviver. Nova Orleans é responsável por eu ser quem sou, e para ajudar ela claro que deixarei os interesses pessoais de lado e colocarei as pessoas e a vida da cidade acima deles.

Acho que consegui esclarecer a senhorita dos meus pontos de vista.
– Olhando fixamente para os olhos dela - torno a lhe perguntar. Aceita me ajudar, ou quer ser mais uma das pessoas que desejam ver a cidade acabar, por simplesmente querer manter as coisas como estão em vez de modernizá-la?








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27 Re: Razzoo Bar & Patio em Qua Abr 11, 2012 2:22 pm

Ao escutar a enorme apresentação de Victor para Derek, Lucy se arrepia ainda mais, tendo ainda mais certeza de que definitivamente não queria se aproximar daquele homem. Escuta o pedio que ele faz: um martíni topázio. Fica surpresa e envergonhada quando ele a autoriza a sair para fumar. Sente-se mesmo um pouco irritada. Quem era ele para autorizá-la a fazer algo ou falar com Soraia em seu nome? Queria fazer algo escondido, fugir um pouco das regras e da correria do trabalho para fumar (coisa que não fazia há anos!)... e agora, aquele desconhecido havia colocado o seu pequeno ato de rebeldia nas regras. Está definitivamente brava com aquilo, mas dá um surriso leve para ele e para Soraia, com ar agradecido.

- Obrigada, senhor.

Abaixa-se e pega as duas águas para os seguranças de Victor, já as colocando sobre o balcão. Logo depois, separa a coqueteleira e dentro dela coloca a vodka, o xarope de violeta, o licor de avelã e fecha o recipiente. Apesar de saber preparar o drink, Lucy está tão tensa que não consegue evitar tremer. Olha para baixo o tempo inteiro, e então escuta a fala de Derek:

- Não me leve a mal Lucy, mas ou esse drink exige um sacolejo de corpo inteiro ou você não está muito bem. E olha que de passar mal eu entendo.

Fica muito vermelha quando percebe que seu nervosismo era tão óbvio. Não tem coragem de olhar para Derek, querendo apenas (e desesperadamente) que ele ficasse quieto, mas ele continua.

- Se precisar de alguma coisa, sair para respirar um pouco, pode falar. Não deixaria nossa bartender preferida na mão, ainda mais quando esta cuida dos clientes sofridos.

Impressionante como todos eles não paravam de propor um intervalo a ela. Como se todos os problemas que a perseguiam pudessem ser resolvidos em 5 minutos de cigarro. Devia realmente parecer estressada! Levanta a cabeça e olha Derek, pronta para dar uma resposta que desaparece quando vê o sorriso agradável que ele dirige a ela. Sorri de volta, sentindo-se melhor, balançando o drink dentro da coqueteleira. Escuta o comentário de Derek sobre os seguranças de Victor sem se intrometer, mas não deixa de sentir um frio na espinha com medo da reação do homem de terno. Lucy tinha consciência do quanto era irracional seu medo de Victor; mas isso não tornava a tremedeira mais fácil de controlar.

A chegada de Annabeth atrai totalmente a atenção de Victor. Lucy dá um sorriso educado para ela enquanto derrama cuidadosamente o drink na taça de martíni e acrescentando uma cereja para finalizá-lo, oferecendo-o ao advogado. O pedido da moça não vem e Lucy não tem certeza nem mesmo se Annabeth reparou que ela estava ali. Aproveita o momento ocioso para conferir se Cliff ainda estava por perto e o vê do lado do balcão, gesticulando para ela. Ri, fazendo sinal para ele esperar. Precisava pelo menos que alguém chegasse para substituí-la naqueles minutos.

Serve algumas pessoas próximas com batidas e drinks simples, mas com Cliff conquistando sua atenção do outro lado do bar. Ri quando ele leva bronca do garçom e acha ainda mais graça na reação infantil que ele tem. Quando o garçom passa por ela, Lucy pede que ele chame alguém para substituí-la, avisando que estava autorizada a ter um intervalo. Ele concorda, e Lucy espera distraída, abrindo garrafas de cerveja e smirnoff quase sem prestar atenção, achando os gestos de Cliff e sua pressa tão engraçados que esquece um pouco do quanto estava tensa.

Quando volta a ficar próxima de Victor é surpreendida com o dinheiro que ele dá para ela e a mudança de destino para a bebida justo para Derek, a quem Lucy estava tentando não embebedar. Mas o mais desconexo para Lucy foi a nota de 50 dólares praticamente jogada em cima dela. Fica se perguntando se Victor sabia que os drinks nunca eram pagos no balcão. Dinheiro nenhum passava por ela, nem mesmo uma nota, apenas pequenas gorjetas. Percebe que ele estava com pressa para sair dali e vê no olhar de Soraia que explicar isso a ele seria desnecessário. Suspira, enfiando a nota no bolso do avental. Mais tarde, pagaria aquele drink no caixa e tudo ficaria certo.

Era muito difícil sair de trás daquele balcão. Seu substituto demorava a chegar, e Lucy estava cada vez mais ansiosa para dar um tempo na correria. Até mesmo a música do Razzoo parecia diferente, mais ansiosa, mais nervosa. Só no final da apresentação de Fog é que olha para o palco e vê o rapaz que substituia o vocalista da banda. Lamenta não ter prestado mais atenção na música, no meio do barulho sem fim do balcão. Começava a achar que ninguém viria substituí-la, que aquele intervalo era uma encenação boba para agradar o homem rico, quando um dos garçons entra atrás do balcão pegando um avental de barman. Lucy sorri aliviada, dando um tapinha suave nas costas dele.

- Obrigada, Eddie.. Eu volto logo, tá bom?

Dá um beijo agradecido no rosto do colega e sorri para Cliff, finalmente saindo de trás do balcão para acompanhá-lo.

- Vamos sumir daqui, Cliff.

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28 Re: Razzoo Bar & Patio em Sex Abr 13, 2012 11:15 pm


Quanto mais conheço as pessoas, mais aprecio as pedras. Não apenas pela resistência e durabilidade, mas, principalmente, por sua constituição imutável. O mármore sempre será mármore, invariavelmente, independente das condições a que seja exposto, da pressão que sofra, do ambiente onde se instale ou da ação de agentes externos, o mármore jamais deixará de ser mármore, a menos, é claro, que deixe de existir. As pessoas não. O ser humano muda diante das situações, se mascara ao lidar com outras pessoas e disfarça suas fraquezas com mentiras. Uma pessoa é capaz de possuir tantas faces quanto um prisma e mesmo a sinceridade humana possui o seu lado inacessível, misterioso. No fim, as pessoas são falsas e frágeis enquanto as pedras são fortes e verdadeiras. É facil compreender por que prefiro as segundas.

O mais curioso é observar que algumas pessoas nem sequer são o que são, são apenas o que possuem. Victor Calarram é bom exemplo.

Retire o dinheiro, o status social herdado da família nobre e o diploma de advocacia comprado na faculdade, o que sobra? Um bom argumentador, um homem com alguma lábia, que é um mundo justo não seria muito mais do que um vendedor de enciclopedias.

- (…) desde os anos 60 a população da nossa cidade esta diminuindo e hoje moram aqui menos da metade das pessoas que moravam em 1960. O êxodo começou e ninguém mais segura, pois a nossa cidade não se moderniza em amplos aspectos, e assim ela está fadada a afundar ainda mais e virar uma grande lagoa. O turismo corresponde a 70% dos valores que giram no comercio da nossa cidade e este esta caindo, pois existem cidades com características históricas muito mais modernas (...)

Essa e muitas outras informações importantes a senhorita encontra nessa maravilhosa edição de luxo da American General Encyclopaedia que lhe ofereço por apenas $ 59,90.

Entretanto, não estamos em um mundo justo e, no atual sistema de coisas, o Sr. Calarram é um advogado conceituado em Nova Orleans, responsável pelo processo de desapropriação de Garden District. Sem muitas outras opções viáveis, cruzei os braços e deixei minhas costas cederem no encosto da cadeira enquanto ouvia o discurso, ou, definindo de uma maneira mais apropriada, a réplica do Dr. Calarram.

Devo admitir que, assim como muitos, não sou aquilo que aparento ser. Os olhos claros e os cachos loiros me dão um ar delicado e gentil, até um pouco angelical, o que não se aproxima, nem um pouco, de minha personalidade. É engraçado observar a frustração das pessoas quando veem suas primeiras impressões sobre mim se desfazerem em pó e mais ainda acompanhar as suas confusas reações imediatas ao se depararem com esse fato. Sou uma pessoa, mas me pareço muito com uma pedra de mármore. Talvez fruto da convivência, quem sabe?

Observo o Sr. Calarram mudar a postura, abandonar os olhares desejosos, mostrar-se aborrecido, ficar desconfortável no terreno que lhe era, ou pelo menos deveria ser, vantajoso. O vejo vestir a máscara de profissional honesto e preocupado com a sociedade. Ouço seu falatório com atenção, deixando que leves sorrisos se formem no canto de minha boca cada vez que percebo o quanto o advogado está confuso à meu respeito.

Na arquitetura um metro sempre tem a mesma medida, 2 mais 2 é igual a quatro, na advocacia não. Quando se lida com o material humano há tantas variáveis envolvidas que o resultado é impossível de ser previsto. Essa é a vantagem do concreto sobre o abstrato. Eu possuía quase meio quilometro quadrado de construções históricas para me apoiar, enquanto Victor possuía apenas as suas suposições.

Deixei uma risada suave escapar assim que as palavras de Victor chegaram ao fim. Inclinei o corpo para frente, apoiando os cotovelos sobre a mesa e enlaçando os dedos em volta da taça com água. Tombei, levemente, a cabeça para o lado e mantendo a expressão sorridente, falei:

- O altruísmo é uma filosofia bonita, na teoria, enquanto que na pratica é mera hipocrisia. Você é quase convincente, só precisa exagerar menos nas mentiras e ficará perfeito.

- Gostei da ideia da lagoa de água salgada, apesar de ter considerado exageradamente fatalista, principalmente vindo de um morador que sobreviveu à um furação.
- Falei, irônica, ajeitando a minha postura na cadeira. - Se o Katrina não foi o suficiente para transformar Nova Orleans nas ruínas de uma civilização inteligente, ou nem tanto assim. - Dei de ombros. - suponho que podemos viver algumas décadas sem nos preocupar com o aparecimento de lagoas naturais na St. Charles Avenue. Além disso, a arquitetura possui recursos e tecnologia suficientes, nos dias de hoje, para construir Atlântida ou cidades flutuantes, garanto que as construções de Garden District sobrevivem.

Voltei a me recostar na cadeira, cruzando os braços novamente.

- O seu problema é a sua incapacidade de perceber àquilo que realmente me interessa. Não me importo com a Vestrue ou com os interesses de seus acionistas em Garden District, não me importo com o seu escritório ou com o que você pode ganhar, ou perder, com este processo, tampouco me preocupo com a humilhação e o ultraje social que os moradores de Garden District vão sofrer se forem expulsos de suas casas.

- Sendo estupidamente grosseira, vocês poderiam, todos, se afogar em uma lagoa de água salgada que eu não me incomodaria.
- Dei um sorriso, para amenizar a arrogância sincera de minhas palavras.

- As pessoas convivem com a arquitetura o tempo todo e a maioria sequer se dá conta disso. Para vocês uma parede a uma vez é apenas um porção de tijolos empilhados e isto me incomoda. Estou preocupada com o bem estar das construções de Garden District, com a natureza das modificações que a Vestrue pretende realizar nesses imoveis.

- Os moradores de Garden District têm investido somas consideráveis na recuperação das mansões danificadas, respeitando a integridade histórica do bairro. Tenho duvidas, que aumentaram bastante durante a nossa conversa, da capacidade da Vestrue e de seus associados de fazerem o mesmo.


Fiz uma pausa, me servindo da água mineral com calma, enquanto percorria com os olhos a movimentação da área VIP do Razzoo. Minha mente funcionava em ritmo acelerado e a cada momento um novo ângulo daquela situação se desenhava diante dos meus olhos. Comecei a brincar com o dedo indicador na borda da taça, enquanto novos pensamentos tomavam a forma de palavras:

- Compreendo que desejam fazer algo de útil por Nova Orleans, o que está começando a me parecer confuso é o por que de Garden District? Se a Vestrue está, de fato, preocupada com o bem estar e a qualidade de vida das pessoas de Nova Orleans por que gastar milhões de dólares com um bairro histórico cujo os próprios moradores arcam, de bom grado, com a manutenção, em vez de investir essa mesma quantia na efetiva melhoria da qualidade de vida da cidade?

- Aqui mesmo em French Quarter, há um aglomerado insalubre de apartamentos que não oferece o minimo necessário para seus habitantes, por que não modernizar essa área, construindo apartamentos humanamente habitáveis?
- Dei de ombros novamente, aquilo não me preocupava no momento, mas era um fato a se ponderar no futuro. Talvez um novo projeto,uma nova direção, caso os meus projetos em Garden District se perdessem na ignôrancia de homens como Calarram. - Não lhe parece incrível que em menos de cinco minutos eu tenha criado um projeto de modernização de Nova Orleans mais eficiente que o seu? - Abri um sorriso largo e debochado.

- Começo a me perguntar qual o verdadeiro interesse da Vestrue naquele bairro. O seu, já percebi que é meramente financeiro. Se bem que, como eu disse, isso não me importa.

Respirei fundo, deixei a taça sobre a mesa e me levantei, caminhei devagar, parando de frente para o advogado.

- Trabalho naquilo que acredito e não acredito em você. Isso responde a sua pergunta?

- Vou fazer o que estiver ao meu alcance para impedir que o seu escritório e a Vestrue encostem um dedo sequer naquelas mansões. Acredite, vai enfrentar o processo mais difícil da sua carreira.


Inclinei o corpo para frente, curvando o tronco de modo a ficar com os meus olhos no mesmo nível dos olhos do advogado e com o rosto a poucos centímetros de distância.

- Será um prazer trabalhar contra você.

De agora em diante, era pessoal.

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29 Re: Razzoo Bar & Patio em Sab Abr 14, 2012 12:50 am

Raiva, surpresa, indignação, ameaça. Nenhum desses sentimentos se encaixa nesse momento, muito pelo contrario, o que eu sentia ao ouvir o que a jovem começava a falar era diferente. Com certeza ela não acreditou em minhas palavras e muito menos na minha pseudo preocupação com a cidade. A paixão existente nela ao defender uma causa que ela intitulava como nobre era uma coisa rara de se ver nos dias de hoje, paixão que eu já tive em algum momento, mas que a muito já tinha se esvaído. Uma paixão que transcendia a lógica comum. Mas lógica por lógica, todas as ações de um ser humano são lógicas. Só bastava ter o olhar clínico para encontrá-la. Não sei se eu tinha esse talento de encontrar lógica em tudo, mas naquele momento eu tinha conseguido retirar daquela pobre alma o sentimento que eu desejava. Ela mostrou o sentimento que eu queria. Pobre daqueles que não se envolvem nos prazeres fornecidos por um mundo aonde o dinheiro manda, pobre daqueles se apegam a coisas, pois coisas são exatamente isso coisas, nada mais nada menos. Coisas são algo que nós possuímos e que não devem nunca possuir agente.

Mesmo assim, a paixão que a jovem estava alegando ter pelas residências do Garden District era uma coisa que me fascinava, e que me dava muitas sensações e pensamentos prazerosos.

Tentando se armar para um contra ataque ela se desarmou. Levou para o lado pessoal, que besteira! E sendo assim o jogo já estava ganho, seja em um tribunal ou em uma guerra psicológica. Esse foi o maior dos erros cometidos por aquela menina fútil que deveria ter se formado em arquitetura há pouco tempo. Ela fez alegações e explanações totalmente verdadeiras e ilógicas. Porque razão, motivo ou circunstancia a Vestrue iria querer desapropriar aquelas propriedades no Garden District, sendo que poderia desapropriar até mesmo varias propriedades no Bairro Francês? Sinceramente, não me importava nem um pouco, eu queria a Vestrue na minha carteira de clientes era só isso e ela conseguia ver que era esse o meu real interesse, então por que mais joguetes se eu já a tinha na posição em que eu queria. Desestabilizada. Claro que Desestabilizada, pois ninguém toma para si uma causa dessa proporção e que não trará benefícios próprios, somente por uma paixão tola por prédios que um dia, por bem ou por mal irão ruir, sem estar desestabilizada. Muito menos enfrenta um advogado afirmando que tomou a causa para ela sem ter se estabilizado. Ora o que ela iria poder fazer contra um processo que ela nem mesmo como informante poderá atuar. Pobrezinha, não sabe nada do mundo jurídico, não sabe que quem leva o profissional para o pessoal não pode atuar em um processo judicial.

É claro que ela não sabia desse por menores, afinal o que uma arquiteta tão jovem quanto ela iria saber. Isso me deu mais prazer do que qualquer outra coisa. Meus olhos deveriam estar cintilando alegria naquele momento. Ela ali, a poucos centímetros de minha face. Podia sentir o cheiro delicioso de seu perfume. Não pude conter minha alegria e meu prazer ao terminar de ouvir aquelas palavras e ver aquelas ações.

Imediatamente abri um largo sorriso, e olha que incrível, era um sorriso de verdadeira satisfação, coisa que a muito temo eu não tinha. Estava certo que eu ganho muitos casos e muito dinheiro, mas nada que tivesse me satisfeito como aquela mulher tinha me satisfeito aquela noite.

Com o sorriso exposto uma ligeira e baixa gargalhada saiu de mim. Com ela ali quase face colada na minha face, a vontade que eu tinha era de beijá-la, pois aquela atitude apaixonada em defesa dos edifícios do Garden District era simplesmente demais.

– Só vou fazer alguns comentários, minha cara Annabeth. Primeiro o que eu falei sobre a situação da cidade e a mais pura verdade, a senhorita pode achar essas informações em qualquer site de busca ou enciclopédia eletrônica. – A primeira verdade já tinha sido dita. - Segundo, se a senhorita quer mesmo descobrir o por que da Vestrue ter interesse no local, então convido-lhe para me acompanhar na reunião que terei amanhã na Vestreu, pois é lá que eu saberei dos por menores. – O convite foi feito. - E terceiro... – Aproximando ainda mais minha face da dela, sem desviar o meu olhar do dela sem retirar o sorriso do meu rosto. – acho que me apaixonei por você.

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30 Re: Razzoo Bar & Patio em Seg Abr 16, 2012 7:57 pm


Ele não entenderia. Homens como Calarram jamais seriam capazes de compreender os motivos que me levaram à arquitetura, mesmo que eu desenhasse com lápis colorido, ele não entenderia.

Não pensava em poder, dinheiro ou status, talvez fosse jovem demais para sucumbir a tais tentações, ou talvez, simplesmente não fosse de minha natureza me inebriar por mesquinharias. Cultivo ideais inflamados, mais fortes que a riqueza e o sucesso profissional. Sob a máscara de arquiteta fria e determinada há uma mulher com um objetivo, um sonho e é isto que me motiva. E por mais ilógico que possam ser os meus objetivos comparados ao poder do dinheiro da Vestrue ou do Sr. Calarram, eu não pretendia abandoná-los. Em algum lugar em meio aquela conversa o motivo principal deixara de ser as construções em Garden District e passava a ser os meus próprios ideais. Cedia ao egoismo, mas quem poderia me condenar em circunstâncias que envolviam, claramente, interesses egoístas?

Senti o perfume do advogado, ouvi seu sorriso e suas palavras, que não escondiam sua satisfação com a minha aproximação. Percebi quando aproximou seu rosto ainda mais do meu e permaneci imóvel, fitando os olhos castanhos iluminados que se cruzavam com os meus. Aquela situação me incitava sentimentos diferentes, contraditórios, confusos.

- (...)Acho que me apaixonei por você.

Dei um sorriso involuntário, sinceramente involuntário. Se dependesse de minha vontade consciente os momentos seguintes se processariam de outra forma, mas depois que passara a encarar aquela conversa como algo pessoal, tudo pertencia a outra dimensão, onde os atos não estavam mais sob o governo do bom senso.

Senti minha face ruborizar, enquanto a aproximava ainda mais do rosto do advogado, o rubor era o delator da maioria de minhas emoções, mas naquele momento ninguém saberia precisar o que estava sentindo, nem mesmo eu, pouco importava também, duvidava muito que Victor estivesse prestando atenção no tom avermelhado de minhas bochechas.

Inclinei o corpo para frente e apoiei as mãos espalmadas sobre as pernas do advogado. Tão perto, tão errado, tão absurdo. Toquei seus lábios com os meus, devagar, como se pedisse permissão para seguir adiante e ao mesmo tempo implorasse para me impedisse de cometer tamanha asneira, senti seu hálito quente e percebi que era tarde demais para recuar, meus olhos corriam de seus olhos para a sua boca e então se fecharam.

Eu o beijei. Não sei porque, apenas fiz. E mesmo que vivesse o mesmo tempo que a mais antiga mansão de Garden District duvido que encontraria uma resposta plausível. Um beijo lento e intenso, e naquele breve momento as construções de Garden District não tinham a menor importância. E então acabou.

Ouvi o som de vidro sendo estilhaçado, não sei se em algum lugar de minha mente ou se em alguma mesa próxima, mas foi o suficiente para quebrar o encanto. Abri os olhos recobrando a consciência de onde estava e de com quem estava. Me ergui com um salto, a respiração ofegante e o coração acelerado. Fitei o homem sentado, em silêncio, por um tempo indefinido, um turbilhão de pensamentos e sentimentos me assolavam e senti como se estivesse no meio do furação Katrina no seu pior dia.

Dei as costas para Victor e caminhei com passos apressados em direção à saída da área VIP do Razzoo sem dizer uma única palavra sequer. Precisava sair daquele lugar ou perderia a batalha antes mesmo da guerra começar.

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31 Re: Razzoo Bar & Patio em Ter Abr 17, 2012 6:10 pm

A face dela estava a poucos centímetros do meu rosto. De repente seu rosto ficou corado e iniciou a aproximação final.

Sua mão tocou minha perna. O que vem agora.

O que foi que aconteceu? Um beijo? Realmente por essa reação eu não esperava. Quando eu falei para Annabeth que eu estava me apaixonando eu esperava receber em troca um belo tapa na cara, mas um beijo não estava dentro as reações que eu esperava daquela mulher.

Assim que seus lábios tocaram os meus, muitas coisas passaram em minha cabeça, mas rapidamente se diluíram em um sentimento sólido e consciente de paixão provocado por aquele toque. De todas as mulheres que eu já tive, estava ali a primeira mulher que realmente me fez me perder. O sabor doce de seu beijo me fez desligar todos os pensamentos negociais e financistas, fazendo minha mente se entregar inteiramente a ela.

Minha mão tocou a face dela, e assim pude sentir aquela pele suave, macia e quente. Assim que os olhos dela se fecharam fechei os meus. Pela primeira vez em toda minha existência eu estava por completo entregue a uma mulher.

Maldito barulho! Assim que o barulho de vidro quebrando atingiu nossos ouvidos, ambos parecíamos ter despertado do transe causado pelas nossas emoções. Minha cabeça imediatamente retornou aos pensamentos lógicos. Annabeth, com movimentos rápidos se levantou e sem falar uma única palavra saiu quase que correndo em direção a uma das saídas da área VIP.

Eu não podia deixar ela ir. Não agora que eu a tinha beijado. Naquele momento eu não pensava mais na Vestrue CO. e nem nas desapropriações, o que minha mente queria era aquela loira que a pouco tinha me beijado.

Levantei tão rápido quanto ela, e literalmente corri pela área VIP na direção dela. Assim que a alcancei, segurei a mão direita dela com minha mão esquerda fazendo ela não só parar, mas também fazendo ela se virar de frente para mim de maneira que eu pudesse olhar novamente para seus olhos, o qual transparecia todo o meu sentimento por aquela mulher de corpo belo e espírito sedutor.

- Annabeth! Por favor, espere!

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32 Re: Razzoo Bar & Patio em Sab Abr 21, 2012 2:32 pm



Fugir. Não era a atitude mais nobre nem a mais bonita para alguém que exibia a postura de arquiteta firme e decidida, mas era a atitude mais certa a se adotar naquela situação. O que estava acontecendo comigo, afinal?!

Meu corpo doía, como se o som de vidro quebrado tivesse vindo de algo dentro de mim. A cabeça, o estômago, o peito, todo o meu corpo reagia como se houvesse tomado um choque ou um golpe muito forte e isso nem era o pior.

A confusão. A indecisão. E a sensação de que todo o meu autocontrole estava escorrendo pelas minhas mãos como água corrente. Se fugir era a atitude certa por que algo na minha mente gritava para que eu não fosse embora, por que algo me dizia que eu devia voltar?

É fácil confrontar o outro. Um inimigo real, de carne e osso, que surge na sua frente pronto para ser desafiado, ter seus ideais rebatidos por raciocínio logico e convicções pessoais, ser insultado, ser humilhado. O que fazer, porém, quando o inimigo se ergue dentro de si mesmo? Uma imagem disforme e intocável que usa de suas fraquezas e abusa de seus temores para lhe derrotar. Agora era Annabeth contra Annabeth e não importava o que fizesse, eu seria derrotada de qualquer forma.

Eu o queria. Pelos deuses, com eu queria! Mas não era certo, não era adequado, simplesmente não era. Sabia que todo o mal estar e a confusão que sentia naquele momento passaria se eu o beijasse de novo, se me entregasse, mas apenas imaginar estar em seus braços, sentir o seu toque, fazia com que meu corpo doesse mais. Que inferno! Odeio a indecisão, os pontos de interrogação intermináveis que só servem para aumentar a minha confusão, a sensação de que emburreci de uma hora para outra. Eu tinha todas as respostas certas, mas agora não fazia a menor ideia de onde elas estavam guardadas.

Senti alguém segurar minha mão, forte o suficiente para interromper meus passos e me fazer virar, de encontro com o responsável por todas as minhas sensações confusas, pelo meu descontrole.

- Victor... - Falei, com a voz abafada.

Deixei que nossos corpos se aproximassem e fitei os olhos do advogado, procurando decifrar o que eles tentavam me dizer. Inútil. Se eu era incapaz de compreender os meus próprios sentimentos jamais conseguiria entender o que movia Victor a impedir a minha saída do Razzoo.

- Isso não muda nada. - Minha voz soou baixa, quase sussurrada, acompanhada pela respiração quente e entrecortada que saia de minha boca.- Não muda a minha opinião a seu respeito. Não muda os meus planos, nem os meus objetivos.

Segurei o braço de Victor com a mão que estava livre, aproximando ainda mais o meu corpo do seu. Só uma vez. E amanhã tudo voltaria a ser como era antes desse encontro.

Eu tinha perdido, completamente, o bom senso e pensar que seria apenas por esta noite fazia com que a ultimas rédeas do meu controle se soltassem, deixando as minhas atitudes à merce das minhas emoções. Eu queria e sequer sabia precisar como aquilo tudo havia começado, tampouco estava certa de como terminaria.

Aproximei o meu rosto do de Victor, o suficiente para que os meus lábios tocassem os seus.

- Diz o que você quer ou me deixa ir embora.

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33 Re: Razzoo Bar & Patio em Seg Abr 23, 2012 6:36 pm

Aqueles olhos me cativaram, aquele corpo me fascinou, aquela voz me arrebatou, aquele espírito me fez ter sentimentos, por fim aquela mulher fez eu me apaixonar. Naquele momento eu tinha que ter ela, mas não como se tem um objeto, mas como se tem uma mulher. Naquele segundo nada importava. Nunca antes tinha corrido em direção uma mulher, normalmente o que acontecia era exatamente o inverso, elas, interesseiras, é que vinham e se jogavam em mim e claro que me aproveitava da situação com cada uma, mas nenhuma me fez sentir o que aquela loira conseguiu em pouquíssimo tempo.

Paixão! Os poetas chamam esse sentimento de querer esquecer o mundo e se preocupar somente no momento que esta com uma pessoa, o sentimento que invade o pensamento fazendo nada mais ter importância além do ser por qual se este apaixonado.

Annabeth havia conseguido despertar em mim o doce e perigoso sentimento da paixão. Não sei por qual motivo, razão ou circunstância isto ocorreu, mas ocorreu e pronto.

Ao olhar os olhos da jovem, puder perceber que ela estava sentido o mesmo que eu, mas brigava com seus sentimentos. Parecia que ela colocava a lógica e a paixão arrebatadora que sei que ambos sentimos em um octógono para gradearem.

Ela estava ali na minha frente. Olhos nos meus olhos. Seu corpo se aproximando do meu enquanto sua mão segurou o meu braço. Pude sentir o calor do seu corpo, sentir seu perfume e escutar sua voz enquanto seus lábios estavam quase encostados aos meus. Por fim aquela frase:

- Diz o que você quer ou me deixa ir embora.

Nesse momento, com a outra mão enlacei a cintura dela, enquanto a mão que a segurava subiu até seu pescoço e a puxei, sutilmente em encontro ao meu corpo ao mesmo tempo poder beijá-la. Um beijo como nunca antes eu havia dado um beijo com paixão e volúpia.

Não sei precisar quanto tempo fiquei entregue aquele beijo, minutos, segundos ou frações de segundo, só sei que para mim foi um momento único e duradouro.

Ao termino do beijo, afastei poucos centímetros meus lábios dos dela e abri meus olhos buscando novamente olhar nos olhos dela.

-Annabeth, se este beijo não responde o que eu quero, digo com todas as palavras. Eu quero você. Não importa em que lado estamos, e quais são os seus ou os meus objetivos profissionais, para mim tudo o que importa nesse momento é você e nada mais.

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34 Re: Razzoo Bar & Patio em Ter Abr 24, 2012 12:28 pm

_Cacete de boate mais deprê. – filosofa Cliff encostado na entrada do balcão.

Há uns poucos anos atrás boates eram sinônimos de peitos, LSD e Dance Queen, mas agora são locais repletos de rapazes bêbados e diversas outras figurinhas chatas. Lucy e seu sorriso encantador eram o oasis em meio ao deserto de "beleza" nomeado Razzoo. Vê-la se esgueirar por dentre tantos obstáculos no pequeno espaço onde trabalhava faz Cliff pensar se aquela agilidade toda também poderia ser vista noutros lugares.

A bartender não pôde vir rapidamente por conta dos outros fregueses a quem atendia. E lá estava ela, rebolando as coqueteleiras de um lado ao outro, mostrando o rabo das garrafas para o alto ao derramar as bebidas e iniciar o preparo de novos drinks, rindo com os gestos espalhafatosos de Cliff. Mais alguns minutos de trocas de olhares e Lucy se aproxima saindo do balcão.

- Vamos sumir daqui, Cliff.

Ele pensa em responder alguma gracinha, mas desiste da idéia e fica apenas a observá-la se afastando alguns passos. Como funcionária da casa, deveria saber onde fica o fumódromo não oficial e se encarregaria de levá-lo até lá. Não, não hoje; ele faria as honras. Cliff aperta o passo e toma a frente, segurando no cotovelo de Lucy com delicadeza suficiente para guiá-la junto a si. A cozinha ficava literalmente atrás do balcão e é por lá que eles entram. Alguns chineses que lavavam pratos na pia industrial são os únicos a verem a dupla, que passa por eles e se dirige a uma porta dupla por onde entra um funcionário carregando um pesado caixote de verduras. Fim da linha. Normalmente os fundos de uma cozinha ficam repletos de restos de frutas, legumes e verduras largados pelo chão, possivelmente atraindo ratos e certamente produzindo mau cheiro. Seria melhor continuar na cozinha então; pelo menos o cheiro dos pratos sendo preparados não era tão ruim.

Cliff se aproveita da falta de um funcionário responsável na cozinha – ela estava repleta de ajudantes e auxiliares – e se acomoda sentado em cima de uma mesa de metal. Ele puxa o cigarro e o isqueiro do bolso novamente e estica o braço na direção da jovem para acender-lhe o fogo.

_Cacete... Finalmente, hein? – sorri e dá uma tragada, jogando a fumaça para o lado oposto _Então, Lucy... – esfrega a testa com as costas da mão que segurava o cigarro _... Você vai querer falar sobre o que te preocupa esta noite ou prefere apenas seguir por um bate-papo com um cara interessante e que possivelmente terminará em uma noite do mais puro sexo?

Novamente, a graça estava na naturalidade com que ele fala essas coisas, sem ser vulgar. Dá uma nova tragada em seguida, afinal, foi para isso que a pausa serviu oficialmente.

_Parece que alguém brigou com você hoje e te deixou assim meio... – franze a testa e aperta os olhos _ ... te deixou meio chateada. Notamos você toda preocupada quando aquele playboy chegou lá perto, sabe? Mas não é nada com ele não, disso tenho certeza. Sei que você não me conhece, mas eu lhe garanto que te ajudo a resolver seus problemas rapidinho.

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35 Re: Razzoo Bar & Patio em Sab Abr 28, 2012 6:16 pm


- (...) Eu quero você (…)

Sentia como se toda a minha vida deixasse de fazer sentido. Toda a logica que sempre guiava os meus passos estava paralisada diante de uma força avassaladora, um desejo irracional, imprudente. Não controlava mais meus pensamentos, meus sentimentos e até meu corpo não estava disposto a obedecer os comandos sensatos que ecoavam de algum lugar, ainda racional, da minha mente. Afastar-me. Ir embora. Mas eu também o queria, cada minuto com mais força, cada segundo mais voraz. Tudo era tão absurdamente incontrolável que não via outra alternativa a não ser me entregar de vez aquela estranha loucura.

Por fim, os últimos vestígios de sensatez da minha mente se foram e a Annabeth forte e fria, como uma pedra de mármore, se desfarelou dando lugar a uma Annabeth desconhecida, apaixonada, frágil e totalmente refém dos seus desejos.

Fazer o que? Eu poderia fugir de Victor, mas como eu conseguiria fugir de mim mesma? Do meu coração acelerado, do calor que percorria o meu corpo e tornava minha respiração afegante?

Fitei os olhos do advogado, deixando um sorriso delicado se desenhar nos meus lábios. Por mais que eu tentasse não conseguia compreender como havíamos chegado aquele ponto, aquela parte onde eu desejava os beijos e as caricias de um belíssimo babaca. Eu estava confusa, perdida, e por mais estranho que possa parecer, eu estava contente.

As Morias brincavam com o fio do meu destino. Um pensamento um tanto egoísta, talvez, mas sentia como se toda a história envolvendo a Vestrue e Garden District fosse apenas um embuste, uma armadilha do meu destino para me prender nos braços daquele homem, uma maneira arrebatadora de me mostrar que eu não era tão forte quanto acreditava ser.

Existem momentos na vida, para o bem ou para o mal, que trazem a forte sensação de que, dali em diante, não seremos mais as mesmas pessoas. Sentia isso enquanto os meus desejos mergulhavam no castanho dos olhos de Victor, que aquela noite nos mudaria para sempre. Talvez mais fortes, talvez mais fracos, mas nunca mais iguais ao que eramos no começo daquela noite. Beijei Victor de novo e senti o meu corpo tremer quando nossos lábios se encontraram. Estava feito, eu estava entregue aquele homem.

O esbarrão de um frequentador me fez ter consciência da situação em que estávamos: Abraçados, no meio da área VIP do Razzoo. Sem me desvencilhar dos braços de Victor percorri com os olhos o ambiente ao redor.

Os dois seguranças que acompanhavam o advogado permaneciam parados, como duas estatuas Moai, observando a cena, que começava a chamar a atenção dos demais frequentadores da área VIP. Dei um sorriso sem graça, sussurrando no ouvido de Victor.

- Me leva para outro lugar. Qualquer lugar, desde que seja só você e eu.

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36 Re: Razzoo Bar & Patio em Qua Maio 02, 2012 5:51 pm

- Me leva para outro lugar. Qualquer lugar, desde que seja só você e eu.

Aquela frase era tudo o que eu queria ouvir. Que se dane a Vestrue! Annabeth acabara se entregar a mim e não ia deixar aquela mulher escapar pelos meus dedos.

Em frações de segundos meu cérebro tratou de esquematizar todas as atitudes que eu tinha que tomar. Rapidamente meus olhos percorreram o salão e localizaram Demetre e Joe.

Levantei um pouco meu braço esquerdo apontando para Demetre, e em seguida girando um pouco meu pulso enquanto a ponta do dedo indicador se juntava com o dedo polegar, fazendo o sinal de ignição. Demetre saiu pela saída lateral da área VIP, saída essa que dava imediatamente para frente do Razzoo, sem ter que passar por toda aquela multidão que se aglomerava na área dos menos favorecidos. Joe também percebeu o sinal e se posicionou rapidamente próximo a saída da área vip.

Olhei nos olhos daquela linda mulher.

- Se é o que deseja isso já será providenciado. Agora por favor, me acompanhe.

Colocando minha mão direita próximo a sua cintura e com a mão esquerda apontei o caminho. Seguimos até a saída do Razzoo, sem inconvenientes.

Conforme andávamos, Joe se apressou a nossa frente, sem olhar para trás. No lado esterno Demetre já esperava com a limusine, posicionado ao lado da porta, e assim que nos aproximamos, Joe adentrou pela porta da frente do lado do passageiro, enquanto Demetre Abria a porta para que pudéssemos entrar.

Já dentro do carro, olhei para me certificar que o vidro da frente, que separa e oculta a parte traseira, onde eu e Annabeth, estava levantado.

Perfeito, realmente adoro a eficiência com que esses dois atuam.

Agora que estávamos longe da algazarra que o Razzoo ofertava, voltei minhas atenções exclusivamente para aquela loira linda e sensual por quem eu me apaixonava mais a cada minuto.

Minha mão subiu até próximo de seu rosto segurando levemente em seu queixo, fazendo aqueles olhos enxergarem em meus olhos a paixão ardente que naquele momento percorria todo meu ser. Meus lábios se aproximaram novamente dos teus, beijando-a apaixonadamente, assim que terminei aquele beijo, e nossos lábios descolaram o interfone do veiculo foi acionado e dele pode ser ouvido a voz de Demetre.

- Senhor, qual é nosso destino?

Rapidamente, pressionei o botão do interfone que encontrava no painel no teto do veículo.

- Hilton Hotel!

Olhei novamente para Annabeth, deixando meus lábios próximos aos teus.

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37 Re: Razzoo Bar & Patio em Qui Maio 03, 2012 8:18 pm


Sair do Razzoo foi mais fácil e confortável do que entrar, parte disso se devia, obviamente, ao fato de que havia chegado ao Razoo sozinha e tensa com a expectativa de uma conversa de negócios com o advogado da Vestrue e, agora, saia acompanhada, deixando que meus passos fossem guiados pelo homem que havia virado minha cabeça do avesso. O meu destino havia escolhido essa noite para testar meus limites e explorar as minhas fraquezas, me mostrando o quão imprevisível ele é capaz de ser. Aquele deveria ser um encontro de negócios e me lembro, bem, de ter dito que não serviria de diversão de fim de noite para ninguém, era uma contradição. Eu era a minha própria contradição.

Os seguranças de Victor reagiam a pequenos gestos das mãos e a postura do advogado, como autômatos que respondem a comandos pré-programados. Agiam com tamanha maestria que, conforme os observava, não pude evitar de pensar que, ou os homens haviam recebido um treinamento excepcional ou já estavam habituados a situações como aquela. Esse ultimo pensamento me fez sentir um gosto amargo na garganta, uma sensação quente, mas desconfortável, que se reunia a todas as outras sensações desconhecidas que me assolavam aquela noite. Tentei, mais uma vez, pensar a respeito, avaliar as coisas com racionalidade, apenas para perceber que cada pensamento logico que minha mente tentava tecer terminava emaranho em uma confusão de sentimentos.

Não sei descrever o trajeto que fizemos para sair do Razzoo, não seria capaz de, sequer, dizer qual era a cor da limousine de Victor, na qual me encontrava sentada no banco traseiro. Sabia apenas que os beijos de Victor se tornavam mais quentes, desejosos, e que seus olhares me faziam sentir que estava despida.

Deixei meu corpo ceder, reclinando as costas no encosto do banco. Meu peito arfava, meu coração permanecia acelerado mas em um ritmo que se tornava prazeroso. Começava a saborear aquelas sensações como quem prova um novo tempero. Nenhum homem havia me feito sentir nada disso antes, os poucos namorados do período de faculdade, que foram mais relacionamentos convenientes do que relações afetivas, me deixaram sem folego algumas vezes, mas nada tão forte, tão intenso, tão apaixonado. Afinal, eu era séria demais para me apaixonar, não era?

- Hilton Hotel!

Meus olhos seguiam seus gestos e seus menores movimentos, mesmo no breve instante em que Victor se distraiu com o motorista. Deixei um suspiro quente escapar pela minha boca quando senti seu rosto, se aproximando, novamente do meu. Longe da algazarra e da multidão que empesteava o Razzoo, eu abandonava, além da razão e da logica, já a muito perdidas no limbo, a decência e a compostura.

Puxei Victor pela lapela do paletó, trazendo o seu corpo para mais perto do meu. O beijei com lascividade, sem nenhum pudor, minhas mãos deslizavam por dentro do terno, amarrotando a camisa, até então, bem alinhada. Envolvi a lateral de seu pescoço com uma das mãos, deixando minhas unhas roçarem em sua nuca, enquanto meus lábios passeavam por seu rosto e seu pescoço.

Deixei um sussurro provocante escapar quando os meus lábios alcançaram a sua orelha:

- Victor...Eu devia odiá-lo, sabia?

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38 Re: Razzoo Bar & Patio em Seg Maio 21, 2012 10:03 am

Lucy não tinha a menor ideia de onde ficava o fumódromo. Há muitos anos resistia bravamente às tentações do cigarro, mas agora ele parecia uma companhia bem agradável. Fica aliviada quando Cliff toma a frente para levá-la para fora. Pensa naquela situação: sair com um homem de um bar. Há quanto tempo não fazia aquilo? De qualquer maneira, não era nada demais. Cliff era um cara simpático, eles iam acender um cigarro e bater um papo. Nada aconteceria. Talvez ele nem mesmo quisesse algo com ela. Talvez ele só estivesse tentando ser simpático com a bartender. Não seria nada demais, eles sairiam, acenderiam um cigarro, falariam uma ou outra gracinha e ela voltaria para a correria atrás do balcão bem mais calma e sem pensar em Gabriel e outras besteiras.
Apesar do que pensava, Lucy começa a perceber que era a única a ver as coisas desta maneira. Os chineses que lavavam pratos, as cozinheiras, o carregador de verduras.. Lucy via um olhar malicioso no rosto de cada um. Seu rosto fica vermelho e ela sente uma vontade quase incontrolável de explicar o que iam fazer, que era só um cigarro, que na verdade mal conhecia Cliff e que nada aconteceria. Consegue se controlar, dizendo a si mesma que logo estariam lá fora sem olhares de estranhos.. mas então Cliff se senta em um dos bancos da cozinha e acende um cigarro. Sério? Ele queria MESMO fumar ali dentro???
Lucy fica parada, olhando para Cliff de olhos arregalados, incrédula, por longos segundos. Quando percebe, fica ainda mais corada e sorri sem-graça, pegando o cigarro do bolso do avental e esticando o braço, para acendê-lo no isqueiro de Cliff. Fica olhando para o cigarro um tempo até se lembrar de que ele não acenderia sozinho. Se aproxima, tragando um pouco, se afastando assim que a chama fica mais viva na ponta do cigarro. Assim que acontece, encosta no balcão e traga profundamente, finalmente sendo invadida por uma onda de calma e tranquilidade. Ficha os olhos, curtindo a sensação, mas o momento é interrompido pelas palavras de Cliff.
-... Você vai querer falar sobre o que te preocupa esta noite ou prefere apenas seguir por um bate-papo com um cara interessante e que possivelmente terminará em uma noite do mais puro sexo?
Arregala os olhos e até engasga com a fumaça do cigarro, sem conseguir responder nada, ficando ainda mais corada e envergonhada do que antes. Ele continua falando, e agora fazendo uma pergunta sobre Victor e aqueles engravatados, sobre o que a havia deixado tão chateada... Em poucos segundos, Cliff tinha adivinhado exatamente tudo sobre o que Lucy NÃO queria, não podia e não sabia como falar.
Fica completamente engasgada, e tosse por um longo tempo, morrendo de vergonha. Vai até a pia, enche um copo de água e toma de uma vez, tentando conter aquele engasgo, com a fumaça se enrolando na garganta. Suspira, ainda vermelha, e sorri para Cliff, totalmente sem graça.
- ....acho que prefiro o bate-papo com um cara interessante.
Traga mais uma vez o cigarro, voltando para perto de Cliff e sentando com ele no balcão, sabendo que os funcionários se seguravam para não rir dela. Olha para baixo, mas sorri um pouco, achando a situação engraçada, tossindo um pouquinho de tempos em tempos. Estava morrendo de vergonha de toda aquela situação, mas Cliff era realmente um cara interessante. E a cozinha era um lugar seguro. Estava tudo bem. Mais uma vez suspira e leva o cigarro aos lábios.

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39 Re: Razzoo Bar & Patio em Qui Set 27, 2012 2:11 pm

Minha conversa com Rodrigo - em espanhol, como ele achava ser mais seguro, apesar de saber inglês - foi rápida. Ele disse que tava sem ice naquele momento, mas que podia me dar ecstasy. Eu acabei achando uma opção até melhor. Uma mistura de anfetaminas com alucinógenos devia ter o efeito tanto de me manter acordada quanto quisesse como também de... como é que diziam mesmo os porraloucas de antigamente? Ah, “abrir as portas da percepção”. Eu gostaria muito que essa iluminação acontecesse de novo na minha vida, mas tinha muita dúvida se uma simples droga faria o que ervas xamânicas e baseado de todo tipo não tinham conseguido. De todo jeito, avaliava que, no pior dos casos, poderia ter uma viagem divertida.

Comprei a pílula, mas não a engoli imediatamente. Entrei na boate, fui até o balcão e pedi um drinque à base de uísque. No HD, só tinha tomado cerveja e vodka, então achei melhor variar agora. Pus a pílula no balcão e lá fiquei um tempo olhando e mexendo nela com a ponta do indicador enquanto dava pequenos goles na bebida. Por algum motivo, agora que estava tudo OK para tomar o troço, não conseguia continuar.

Um sujeito qualquer chegou perto e começou a puxar papo. Mas eu não tava a fim de dançar. Ele não era tão desclassificado quanto os caras do HD, mas também não me empolgava nem um pouco. Eu parecia tá ficando saturada dos homens e suas cantadas de bar.

Nessa hora, o celular tocou e eu bufei de impaciência. Achava que era minha mãe me chamando pra casa. Só que, ao olhar o número da chamada, vi que era desconhecido. Pra minha total surpresa, era a Gia! Tinha muitas dúvidas se ela iria me ligar algum dia, ou mesmo se ia guardar o número que eu tinha dado; mas nem por sonho imaginei que faria contato naquela mesma noite!

É, ela tinha ficado praticamente muda enquanto eu tagarelava no carro, e foi a mesma coisa no hospital. E como eu saí rapidinho quando ela fez aquilo, achei que tinha deixado má impressão.

- GIA!? Como é que cê tá, menina? Melhorou?

- Cara, dá licença que a minha irmã tá no telefone, falando do hospital, e ela anda passando mal pra burro.


Falei aquilo pro paquera abelhudo enquanto tapava o fone com a mão e escutava a resposta da garota. Guardei o comprimido na bolsa ao perguntar pra mim mesma o que ela queria comigo. Talvez a noite acabasse sendo excitante mesmo sem aquilo, afinal de contas. Eu disse “excitante”?

Não era exatamente uma fã de celulares - ou de qualquer tipo de tecnologia. Sendo uma hippie de verdade, filha de pais hippies e acostumada a plantar pra comer, era estranho demais falar com alguém sem olhar nos olhos dessa pessoa. Principalmente se havia interesse sexual envolvido. Se é que havia. Claro, quem poderia resistir a seus doces olhos azuis? Quando Ann atendeu, pigarreou de leve e empostou levemente a voz.

- Ah, oi, er.. Ann. Estou ótima! Ótima mesmo. Só um pouco chapada, eu acho. Acabei de sair do hospital. E... bem, estava pensando... Nem tive chance de agradecer pela carona, e nossa despedida foi mesmo desagradável. - fez uma careta involuntária - Então achei seu telefone aqui, rê-rê-rê. Pensei que talvez poderíamos, sei lá, fazer alguma coisa.

Horrível. Patético. Se havia algum interesse sexual, o destruíra em apenas uma fala. Maravilha. Isso que é habilidade. Parabéns, Gia.


- Beleza! Eu tô sabendo de um Baile de Máscaras, mas não tenho namorado pra ir comigo. A gente podia ir amanhã. Podemos paquerar uns caras por lá, se você quiser. Mas eu bem que ando de saco cheio de azaração, pra falar a verdade... Talvez a gente possa ir pra dançar e conversar mais entre nós duas mesmo, nos conhecermos melhor. Que tal?

Me supreendi comigo mesma ao perceber que havia me oferecido pra uma garota! E se ela não curtisse isso? Mas não podia negar que eu já tinha tido algumas fantasias do tipo. E ela?

Não que estivesse realmente surpresa com o claro oferecimento de Ann, já que já tinha a impressão de que ela queria seu corpo nu desde o Heavy Duty (isso porque ela não estava no seu melhor lá no bar – com roupas limpas, um banho e uma rápida manutenção nos dreads e despertaria o desejo de todo porralouca que cruzasse seu caminho). Mas sorriu com prazer. Sempre bom se saber desejada.

- Eu realmente adoraria te conhecer melhor, Ann... Mas não sei, minha situação financeira não é das melhores e esse baile não é exatamente barato.


- Esquenta não, Gia! Eu posso pagar a sua entrada e até te arrumo uma máscara, se você não tiver.

- Bom, já que você insiste – “oh yeah!” – nos encontramos amanhã no baile. Mas não precisa se preocupar com esse lance da máscara, acho que eu tenho uma. Ou talvez eu faça uma, não sei.

- Ok, então. Te mando um torpedo depois pra dizer a hora e lugar. Ah, e só mais uma coisa: se em alguma hora da festa cê achar que eu tô falando feito uma matraca, pode fechar a minha boca... mas faz isso de um jeito que seja divertido, hein?

Eu disse aquilo logo depois de pagar minha conta e seguir pra saída do Razzoo, deixando o drinque pela metade. Disse pra mim mesma que, se aquela noite tinha sido uma droga, pelo menos a de amanhã prometia. Agora, era melhor ir pra casa descansar.

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