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Heavy Duty Beer Club

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11Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Ter Jul 03, 2012 10:55 pm

Os pensamentos de Jason sobre seu passado não iam adiante. A risada da loirinha interrompeu seu raciocínio. Jason não era lá muito bom de prender-se a um longo raciocínio. Riu com ela, mesmo sem entender a própria piada. Ainda havia o uísque, e as pernas de Erin. Depois que seu olhar se acostumou à luz do lugar e ao nível das prostitutas, concluiu que era a coisa mais bela para se olhar ali. Até que tentou se esforçar em buscar uma relação entre a cara de zumbi da garota com seu passado, mas um novo fator colocou um ponto final em tudo.

Foi a aberração que surgiu perto deles. Uma garota que fez Jason jurar que não sabia o que estava fazendo ali, e certamente sobreviveu até agora por sorte. Não imaginava de onde surgiu aquela “Barbie Rockeira”, e ficou impressionado com o tanto que falava. Se queria passar despercebido, tinha que abdicar dessa vontade naquele momento. Ela tirou toda a sua concentração, e chamava a atenção de todos no bar. Tanto que do que a loirinha disse só guardou o “Eu sou do mundo.”. Era coisa de puta falar. E isso criou uma confusão ainda maior na cabeça de Jason. Foi então que veio a avalanche da durona. Primeiro o chama de chorão, depois lhe dá uma palestra sobre uma coisa que não entende muito bem. A única coisa que entende é algo sobre “paus”. Pau de homem, de mulher, e um olhando pro outro no mictório. Solta um riso, como se aquilo fosse uma piada engraçada que não queria ter perdido, e mata seu uísque, colocando o copo sobre o balcão. No fim ela ia pagar a ele uma bebida. Nada mal.

Deixou seu pensamento sobre a relação entre as duas de lado, e usou aquele argumento para “chegar” na garota. Pôs a mão em sua perna, e a puxou para o lado oposto ao das outras duas outras, fazendo-a girar no banco e ficar sentada de frente pra ele. Colocou-se no balcão e se aproximou de uma das orelhas da mulher para sussurrar algo. Quem via de fora tinha certeza de que Jason avançava para dar um beijo ou chamá-la para “um lugar mais calmo”. Mas não é bem isso que a voz dele manifesta.*

- Cara... Eu sei que você não é tira. Tá fazendo barulho demais prum tira. E com essa marra toda deve saber de algo. Preciso de alguém pra comprar minha mercadoria. Quero passar logo... Saca?

Na verdade não sabia se ela era não era mesmo uma policial. Estava arriscando. Às vezes precisava disso, e ainda assim não tinha medo. Se ela fosse, daria um jeito. Jason abre sua jaqueta de couro e exibe seu torço nu definido para a mulher. Além de trincado, estava cheio de cicatrizes. Mais uma vez, quem os via podia ter certeza de que Jason tentava seduzi-la. Mas a coisa mais uma vez não era bem assim. De forma a esconder o que fazia do resto do salão, começa a tirar um colar dourado do bolso interno da jaqueta, provocando um brilho nos olhos de quem o visse. Era ouro. Deixou para fora o suficiente para que mostrasse que era maior que uma pulseira.

- Tem muito mais de onde veio isso aqui.

E por último, a frase sai alta, e mais uma vez, quem ouvisse sem saber o que acontecia entre os dois, teria a certeza de que Jason falava de seu corpo.


_______________________________
* Ações pendentes de "aprovação" pelo(a) player da Erin, a sair em seu próximo post. Já a mão na perna foi uma ação simples para quem estava sentado ao lado. Cabe agora a Jason aguentar as consequências de seu ato!
Por Mestre de Jogo

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12Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Qua Jul 04, 2012 12:46 am

Bastou uma simples ligação de Henry para o oficial O’Reilly deixar o Distrito Polical rumo ao bairro de Garden District. Ele pede que o parceiro diminua a velocidade do carro ao passarem em frente a mansão Longue Vue. Examina o local rapidamente de dentro da viatura e encontra a van que fazia as escutas a quase uma quadra dali. Troca algumas informações com o policial de plantão, ouvindo dele que algumas pessoas haviam chegado há pouco tempo. Manda que duplicassem a atenção na vigilância, conforme o seu senhor lhe solicitou. O’Reilly é facilmente ligado a Henry por quem tiver os contatos certos, não sendo uma boa idéia ficar por ali e pessoalmente investigar os mortos da Longue Vue. Ele liga para o seu senhor e faz o repasse das informações, com a descrições dos convidados da noite e tudo mais o que tem direito. De Henry, ouve que agora deveria procurar uma outra “pessoa” e descobrir a respeito de seus próximos passos.

De seu lugar no banco do carona, Kevin acompanha a modernidade pacífica do Garden District moldar-se em algo mais caótico. Estava entrando no Bairro Francês, com suas construções repletas de frescurices francesas. A única coisa que prestava naquele estilo de arquitetura são os terraços, tão úteis para acompanhar de forma privilegiada o desfilo de seios desnudos durante o Mardi Gras e mijar na cabeça dos negros lá de cima. De qualquer forma, as pessoas adoram o bairro, ficando a vagar pelas ruas e bares até altas horas da madrugada. Moças novas desfilam em roupas atraentes demais para que o oficial O’Reilly resista a não abaixar os vidros e mexer com uma ou outra.

Atravessam a Burbon Street ao som de uma música feita por um monte de velhos caquéticos já há muito tempo enterrados. Logo a trilha sonora e as garotas sensuais são trocadas por algo mais pesado. Uma aglomeração de homens barbudos vestindo couro e o som de Heavy Metal vêm ao encontro do carro policial. Hevy Duty, dizia o letreiro. É aqui que encontraria o tal de Royce Gregor.

A viatura chega com a sirene desligada, mas o giroflex (luzes) é ativado algumas vezes para que as pessas saíssem do caminho. Kevin desce do carro e bate a porta com força, jogando o quepe no banco pela janela aberta. "Me espera aqui fora, não vou demorar" foi sua única orientação ao parceiro policial.



Ele ajeita o cinto, estala o pescoço e segue sozinho até a porta do bar. Um gorila albino se demora a sair da frente, sendo grosseiramente empurrado no peito por Kevin, que não está com a mínima paciência esta noite. Uma vez dentro do Heavy Duty ele procura por algum funcionário. Avista somente o barman, decidindo ir ao seu encontro. Por onde passa recebe todos os olhares e maldições silenciosos, todas as conversas cessam e todas as atividades, como a sinuca, ficam suspensas. Representa a lei e ordem em um lugar que preza o crime e o caos. Provavelmente já levou mais de um que estava ali dentro agora para a cadeia. Nem mesmo estando em desvantagem e tendo vários inimigos ao seu redor, Kevin mostra um pingo de medo. Muito pelo contrário, fica excitado pela expectativa de alguém provocá-lo e lhe der motivos para ser "carinhoso".

Sua caminhada audaciosa o leva até o balcão, onde um pequeno grupo conversava. Ele foi ali para falar com Royce Gregor, mas acabou não conseguindo resistir aos seus sentidos naturais de policial experiente. Uma ação criminosa havia acabado de começar entre um sujeito típico do bar e uma mulher. Ao lado deles havia mais duas outras mulheres que não convenciam Kevin de que eram frequentadoras normais dessa pocilga. Alguma coisa estava acontecendo ali. Começaria então a resolver as coisas com o mais forte deles.



______
- Tem muito mais de onde veio isso aqui.


O que o sujeito pensava que estava fazendo, afinal? Tinha que ser muito burro em falar em com esse código e achar que se daria bem. Kevin se aproxima rapidamente por trás e empurra a cabeça do sujeito com o máximo de força contra o balcão visando arrebentar seu nariz com isso. Está na hora pôr as pessoas em seus devidos lugares, e o lugar de cada um que frequenta o Heavy Duty é a sarjeta - ou pior.



(Ação julgada AQUI. Seguindo post após o resultado da iniciativa...)


Os braços haviam se trançado naquela confusão breve que se formou enquanto Kevin tentava agarrar a cabeça do homem e Jason procurava se antecipar àquela ação. Por fim o brutamontes cabeludo foi mais rápido e se livrou da violência inicial com o instinto recuperado dos anos anteriores à prisão. Ele ergue os braços e coloca a mão na cabeça, mostrando que estava desarmado.


______
- Que isso, chapa???


Mas a truculência não parou por aí. Kevin aproveitou que o homem havia se levantado e erguido os braços e o empurra para trás, afastando-o alguns passos. Estava de frente para a mulher agora (Erin). O policial a segura com força pelo ombro e a coloca de pé à base da ignorância. Do coldre em sua cintura retira a pistola e a aponta para ambos, alternadamente.


______- Mãos na cabeça, os dois! - esbraveja mais alto do que a música ambiente.

Os olhos de Kevin percorrem os corpos dos dois à sua frente, em uma busca visual por armas de fogo. Acaba esbarrando olhares com as outras duas garotas que não pareciam ser do lugar, jurando que só estavam ali para comprar drogas. Pois bem, haviam escolhido uma péssima hora para irem às compras.


____________________________
OFF: Jason Stone participou do trecho pós-rolagens contido neste post, o que o valida por completo.

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13Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Qua Jul 04, 2012 11:02 pm

A ousadia do gigolô excedia os limites de sua sensatez. Seu toque foi repudiado com um discreto cruzar de pernas que afastou sua mão para longe do meu corpo. Meu olhar desta vez foi feroz e não demonstrava o mínimo de amizade.

- Eu juro por Deus do céu, que se ousar me tocar novamente eu arranco seus dedos. – Sussurrei baixinho enquanto afastava meu corpo da íntima distancia que ele havia imposto entre nós.

O que ele estava pensando? Que eu era qualquer tipo de vagabunda barata que ele estava acostumado a pegar? Ele com certeza não fazia ideia da encrenca em que estaria se metendo se me tirasse do sério.

- Cara... Eu sei que você não é tira. Tá fazendo barulho demais prum tira. E com essa marra toda deve saber de algo. Preciso de alguém pra comprar minha mercadoria. Quero passar logo... Saca?

Quer dizer que além de gigolô o cara ainda é trambiqueiro. Eu estava imaginando que tipo de mercadoria esse cara comercializava quando ele simplesmente abre a jaqueta “discretamente” e exibe algo que parecia ser um colar ou uma pulseira... ouro. Olhei para seu rosto desacreditando de sua falta de cuidado. Ou ele era muito burro ou queria ser pego e não, esse não era meu negócio. Eu não tinha e nem tenho feeling para ser vendedora, meu negócio é apagar pessoas, fazê-las sumirem do mapa.

- Tem muito mais de onde veio isso aqui.

O gigolô trambiqueiro era corpulento e tampava parte de meu campo de visão e foi exatamente por este motivo que não percebi a aproximação do policial, na verdade só o percebi quando arrancou o cara da minha frente e o jogou contra o balcão tentando imobilizá-lo, porém o cara parecia ter alguma habilidade para briga e logo se desvencilhou do policial.

Por um instante achei que ele tivesse feito a primeira coisa inteligente da noite até ele levar as mãos à cabeça e permitir que o policial se sentisse o macho alfa do lugar.

- Que isso, chapa???

O policial não pensou duas vezes e antes de qualquer reação do gigolô o empurrou para trás de forma que ficassem a uma distancia saudável um do outro. Quando pensei que a palhaçada terminaria por ali o policial me segura pelo braço na altura do ombro me tirando de cima do banco. Senti meu sangue subir, meu corpo tremer e eu podia ver cada pedaço daquele policial espalhado por cada canto do bar. Minhas mãos se fecharam na intenção de soca-lo mas soca-lo muito, até ele perder a consciência, até ele se engasgar com o próprio sangue.

Com a mesma brutalidade que ele me tocou eu afastei suas mãos de mim com um baque repentino e encarei aquele pedaço de merda fardado de cima para baixo.

Assim que o policial aponta a arma para mim eu dou um passo para frente, diminuindo a distancia entre nossos corpos fazendo o cano da arma se aninhar entre os meus seios. Eu podia sentir a pressão da arma em meu peito por seu pulso firme.

- Já que é tão durão assim, porque não puxa o gatilho? As pessoas dessa cidade vão adorar saber que o policial O’Reilly ( li seu nome na identificação presa em seu uniforme ) estragou a surpresa de noivado esperada a tantos anos e ainda por cima derramou sangue inocente por não conseguir conter seu impulso. Olhe em volta policial, você é mais inteligente que isso! Tenho certeza que aqueles que colecionam amigos também carregam alguns inimigos e pelo jeito que algumas pessoas te olham posso até imaginar o que estão pensando. Bastariam algumas ligações anônimas ou depoimentos para acabar com sua reputação de bom policial.

Eu sentia o meu corpo esquentar e algumas gotas de suor se formando, mas eu mantinha meu olhar firme. Não era a primeira vez que eu me via em uma situação dessas e nessas horas temos que sustentar nossas mentiras. Uma mentira contada varias vezes se torna uma grande verdade.

- O que está esperando? Vai puxar este gatilho ou vai me acusar de que? De estar bebendo com o namorado no bar, comemorando o pedido de noivado? Ou meu noivo não pode me presentear com uma bela joia? – Sorrio – Um dos motivos que me levou a namorar com ele foi justamente sua família ser dona de algumas joalherias – Olhei para Jason.

- Agora, eu estou disposta a esquecer o que aconteceu aqui se você também estiver disposto a esquecer, a escolha é sua. Vou ter o prazer de observar lá do inferno a sua carreira de policial ruir por não conseguir discernir entre um crime de verdade e uma comemoração entre amantes.

Minha jogada era arriscada, mas eu acabava de colocar o policial e sua reputação em cheque. Eu sabia que o gigolô trambiqueiro possuía um orgulho a zelar e depois dessa ele ficaria me devendo um favor. Caso ele pensasse em não fazê-lo, eu mesma iria caçá-lo e faria questão de pendurar sua cabeça em praça pública. Agora, o policial teria o que merecia, não ali, não naquele lugar ... mas em breve.

- E então, como vai ser?

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14Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Qui Jul 05, 2012 11:08 pm

Não era apenas de coisas boas que Jason estava longe quando ficou na prisão. Aliviou-se de um tanto de coisas ruins que até se esqueceu delas. Uma delas era a TPM. Jason tocou na perna dela um pouco, apenas para abordá-la, e ainda assim próximo ao joelho, e a vadia invocou Deus e o caralho para repreendê-lo. Isso o lembrou de que a mulher enlouquece em alguns dias do mês. De qualquer maneira, aquele toque não tinha pretensões. Era só um disfarce para o que viria a seguir. A reação da puta com rosto de boneca serviu pra provar também que aquela garota não estava lá atrás de grana pelo seu corpo, o que aumentava as possibilidades dela saber mais sobre os "negócios" que queria fazer. Mostrou pra ela seu material, e quando esperava uma resposta do umbigo à mostra, sentiu algo se aproximar.

A mão do policial fez um vento que fez sua nuca arrepiar, alertando-o a tempo de sair da direção do ataque. Mesmo com os esbarrões conseguiu se afastar, mas sem entender nada. Sabia que aquele bar não era um local pacífico, e achou que até demorou a acontecer uma confusão. Imaginou naquele milésimo de segundo que algum dos motoqueiros não gostou do que ele fazia com a moça que abordou, e resolveu ter uma "palavrinha" com ele.

- Que isso, chapa???

Foi quando viu o distintivo reluzir na luz fraca no meio da roupa preta do homem de barba feita e cabelos cortados demais para um motoqueiro que não era careca. Era a merda de um policial. Sua primeira reação foi colocar a mão na cabeça. A prisão havia mudado Jason. Antes disso ele faria qualquer outra coisa, menos recuar. Aqueles anos atrás das grades colocaram o grandalhão na linha de alguma maneira. Sentiu o empurrão no peito e uma fúria contida subiu por ele. O olhar do policial tinha uma raiva fora do comum. Achou até estranho por entender certo prazer naquela expressão. Só via esse tipo de coisa em malucos que saiam por aí atrás de uma boa briga.

Seu sangue gelou. "Me acharam. MERDA!". A única expressão de seu pensamento foi um apertar de lábios que fez os dentes morderem o inferior com força. E daí veio uma careta. Sua viagem havia chegado ao fim. Estava sozinho e desarmado no meio do nada, sem nem o produto do roubo em sua posse. Ao menos não a maior parte dele! Foi então que teve um estalo. Um flashback dos dias que antecederam sua prisão. Conheceu um advogado que lhe disse que "Sem arma do crime e sem o produto do crime, não há crime, rapaz!". Ainda se lembra do dente de ouro e dos pêlos que escapavam por entre um dos botões da camisa que acabaram por se abrir sem que ele reparasse. Coisas que tiravam boa parte da confiança que poderia ter naquele homem. E com razão, já que foi preso de um jeito ou de outro. Mas a informação que valia era que Jason ainda podia se livrar daquela situação, fingindo que não roubou nada e não sabia de nada. "Inocente até que se prove o contrário", dizia a voz do bigodudo advogado em sua mente.

Quando o policial avançou na mulher não entendeu muito bem o que ele queria. Estava sozinho nessa, tirando pelos comparsas que tirou da jogada. Claro que poderia considerá-la uma cúmplice, mas isso confundiu Jason mesmo assim. Não era de pensar tão longe. De qualquer maneira saberia tirá-la do problema. Afinal, para quem via, estava só tentando passar a mão nela. Ao menos era isso que a mente do brutamonte supôs, não reparando em quão desastrosa havia sido sua tentativa de disfarce por parte dos envolvidos.

A arma do policial estava apontada para ambos, e foi quando aquela mulher que ele nem sabia o nome colocou tudo a perder com sua tagarelice. Se pudesse corria até ela e tampava a boca da maldita, para que ela não o afundasse naquela lama. E faria isso se não fosse levar um tiro por qualquer movimento brusco que provocasse. "É só dizer que não sabe de nada, mulher burra!", pensou com força. Mas até aí ela já dizia que eram noivos, e que os pais de Jason eram dono de uma joalheria. Mal sabia ela que Jason era fichado, acabara de sair da prisão e era órfão de pai e filho da puta de mãe. Ela nem sabia a merda de seu nome, enquanto os policias sabiam até quanto pesava cada uma de suas bolas. A única certeza que conseguiu de ver a moça o protegendo com tanta força era o que ela realmente queria dar pra ele. Não pensou em nenhum outro motivo pra tanta preocupação além de arrepios na nuca da mulher ao conferir o que estava por dentro da jaqueta.

De qualquer maneira, a merda AINDA não estava no ventilador, e não era questionado em nada. A falação era toda da garota, então ela que se virasse com isso. Devolveu a ela um sorriso amarelo quando o olhou, e pediu em silêncio proteção ao espírito do búfalo branco. Não sabia mais o que fazer, a não ser partir pra cima. Mesmo de mãos erguidas na cabeça, preparou-se para isso, enrijecendo os músculos em alerta.

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15Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Sex Jul 06, 2012 2:46 pm

A loirinha não tinha nem me respondido quando um policial chegou rápido e, interrompendo a cantada que o grandão jogava pra cima da morena, tentou socar a cabeça dele contra o balcão. Mas o cara foi safo - devia ser marginal experiente - se desvencilhou do empurrão e, já com as mãos pro alto, tentou acalmar as coisas.

“Fodeu!”, pensei na mesma hora. Com o susto, agarrei fortemente o ombro da loirinha, sem nem perceber o que estava fazendo(*). Mas saquei logo que um policial com aquela truculência toda num lugar daqueles não ia querer revistar só uma pessoa. Ia sobrar pra todo mundo. E, como a lei de Murphy é a única do universo que realmente funciona, isso só podia acontecer justo no dia em que eu resolvi comprar o cristal. Se eu ao menos já tivesse tomado, faria jus ao que gastei e só poderia ser flagrada depois de um exame. Mas, se achassem aquela droga de envelope no meu bolso, eu ia dançar na certa. Já estava até vendo a cara da minha mãe ao despejar aqueles lugares comuns: "E agora você ainda resolve se meter com drogas pesadas? O que você está querendo para sua vida, minha filha? Assim você me mata do coração! Onde você vai parar desse jeito? O que o seu pai acharia se estivesse vivo? Eu não aguento mais isso...". Que pé no saco!

Mas a reação da morena abriu espaço para eu me dar bem naquela hora. Por incrível que pareça, ela era menos diplomática do que o grandão; avisou que era noiva do sujeito, peitou o policial (com todas as letras, já que encostou os seios no cano da arma) e fez ameaças contra ele! Essa era a deixa de que eu precisava pra me livrar daquilo. Procurando ser discreta, mas rápida, coloquei dois dedos no bolso de trás da calça - nessa hora, gostaria que não estivesse tão apertada! - e tirei o minúsculo envelope comprometedor. Aí deixei cair por trás de mim, torcendo pra que o policial não reparasse.

O negócio agora era mostrar que eu não tinha nada a ver com a barraqueira e o noivo dela. Falei alto pra loirinha, como se a conhecesse:

- Xiii, não te falei que era melhor a gente ficar longe de estranhos? Eu vou lá pro fundo. Se quiser vir comigo...

Disse aquilo e comecei a me afastar caminhando normalmente. Eu até olharia para o teto e assobiaria, se isso não fosse forçar demais a encenação de calma. Por dentro, torcia pra loirinha vir atrás de mim, reforçando a desculpa que arranjei pra sair de perto do envelope jogado.

Agora, se isso tudo falhasse... bem, ter uma mãe advogada sempre ajuda a sair de encrencas. Só não sei se aguentar uma semana seguida de sermões de mãe não seria mais chato ainda do que ficar uns dias na cadeia.

Azar, azar, sempre azar! Eu só queria me divertir um pouco. Depois de tudo o que passei, eu merecia um pouco de divertimento! Não é minha culpa, não é mesmo!

- - - - - - - - - - -

(*) Sim, é o ombro machucado.

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16Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Sab Jul 07, 2012 11:29 am

RESULTADO DAS AÇÕES AQUI.


Tópico liberado para postagens. O próximo a postar deve ser, obrigatoriamente, Kevin O'Reilly.

Ver perfil do usuário http://nola.forumeiros.com

17Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Sab Jul 07, 2012 11:52 am

O mundo é mesmo um lugar muito cruel. Não tivesse o oficial O’Reilly recebido ordens de um vampiro estaria longe do Heavy Duty agora, Jason teria conseguido mais um dinheiro com a venda de jóias e Erin não receberia um tiro à queima-roupa de uma Pistola HK .45. Mas este é um mundo de trevas, onde a violência atinge a todos sem preconceito, transformando até mesmo uma cidade naturalmente festiva em um palco para tragédias. As noites em Nova Orleans são sempre em preto e branco, com toques de vermelho.

O policial O’Reilly é conhecido pelo seu pavio curto e temperamento explosivo. Infelizmente Erin não o conhecia para saber disso. Ela pode até mesmo ser mais durona que o tira, certamente mais corajosa – ou louca – por chamar pela morte em seu peito, mas dessa vez não é a assassina quem aperta o gatilho. Alheia ao clima extremamente tenso que se formou no bar, ela optou por desafiar o homem da lei como forma de ganhar a disputa psicológica da ação. Suas últimas palavras foram interrompidas por um estampido que silenciou o Heavy Duty pelo breve período em que ecoou pelo espaço ao redor.

O grosso calibre da pistola tem como principal função o impacto, ao contrário da perfuração que é a função dos calibres menores. Cumprindo seu papel, o disparo arremessou a mulher para trás como se fosse uma boneca de pano. O minúsculo orifício de entrada do projétil entre os seios de Erin transformava-se em um enorme buraco de saída em suas costas, de onde se projetou uma explosão de sangue. O corpo que havia erguido dois dedos do chão e viajado três metros para trás, cai por cima de uma mesa vazia, derrubando duas cadeiras ao redor.

Confusão no Heavy Duty. Os mais fracos de determinação correm em disparada em direção à saída; já aqueles mais corajosos encaram o policial com um misto de ódio e cautela. O’Reilly não tem tempo para pensar em seus atos – não que o fosse fazer de fato -, ele simplesmente mira a arma para Jason desta vez, alertando-o com uma voz firme, porém mais controlada que antes.



______- Mãos no balcão agora. Se tentar alguma gracinha eu faço você ser o próximo. – olha por um instante para Ann – Você e sua amiga também, patricinha. E é melhor rezar para que eu não ache nada com nenhuma das duas.


Foi assim mesmo que ele agiu: sem reflexões sobre o disparo contra a mulher. Simplesmente lhe é indiferente que tenha uma pessoa estirada no chão para morrer – se já não estava morta. Seus contatos entre o alto escalão da Polícia, do submundo e entre os vampiros lhe dão a segurança necessária para continuar a agir conforme seus próprios caprichos nesse mundo de trevas em que vive.

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18Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Sab Jul 07, 2012 10:15 pm

São mais ou menos uma meia hora de bonde até a região onde moro, e durante todo o percurso fico pensando em como deve ter ficado (mais?) contente a malabarista do Prytania. Ela, com certeza, tirará mais proveito daquele ingresso que eu. Por que iria eu assistir a um filme se não teria com quem comentá-lo depois? Não conheço ninguém adepto aos filmes.

Não tenho o costume de usar esta linha, portanto desço quando a região me torna familiar, não sei dizer se este bonde segue até mais perto de meu lar e é melhor não arriscar, já basta desviar de meu caminho costumeiro uma vez na noite, não é? Olho ao redor para me localizar: “é, não estou longe, agora”.

Caminho por um tempo e passo diante do Heavy Duty. Uma sede se instala em minha garganta: “não poderia comprar uma cerveja no Prytania, mas aqui consigo. É entrar e sair, não vou arranjar encrenca, já bati em alguém hoje.”

Motos encostadas por todo canto, motoqueiros mal encarados também, ignoro os olhares. Adoram provocar uma encrenca e hoje eu não estou com a mínima disposição, quero apenas minha cerveja. Vou para a entrada e encontro o homem mais branco que já vi na vida. Pergunto se posso entrar, já esperando uma resposta negativa.

Para a minha sorte, o grandão me reconhece de umas lutas que assistiu e me deixou entrar, me fez prometer ensinar como eu dava aquele gancho de esquerda que parecia mais lento do que era. Uma outra hora, quem sabe, não sou bom professor.

Ao entrar no bar, a luz avermelhada do ambiente me turva a visão, e após algum tempo me acostumo a ela, bem no momento em que chego ao balcão. Como não quero encrenca, evito ao máximo olhar para a discussão entre três garotas, um grandalhão e um policial, que parece não ser muito bem-vindo no local. Peço uma cerveja ao barman.

Pago a ele e começo a beber da garrafa, e durante o primeiro gole, um estampido horrendo me assusta e deixo-a cair, perdi minha cerveja. Olho para o lado a tempo de ver a mulher que estava de pé à frente do policial voar por cima de umas cadeiras e mesas. Em seguida, o policial, que, pelo que pude perceber, foi o autor do disparo, vira-se para as outras pessoas do grupo e as ameaça:

- Mãos no balcão agora. Se tentar alguma gracinha eu faço você ser o próximo. – foi o que disse ao cabeludo, e para a que parece ser mais rica diz: “Você e sua amiga também, patricinha. E é melhor rezar para que eu não ache nada com nenhuma das duas”.

Afasto-me do balcão e sigo em direção à moça caída, ninguém fez nada a respeito! Nem o policial, que deveria ajudar, mesmo tendo atirado! Penso que possa ser alguma situação envolvendo corrupção, senão ele teria ajudado... Ligo para a ambulância, dou meu nome, o local onde me encontro, peço ajuda ao albino, para tirarmos a moça dali. Vamos esperar do lado de fora, aquele buraco nas costas dela me assusta, lembra um pouco meus dias de guerra em Kosovo.

Esperamos do lado de fora, pois não queria ficar lá para ver o policial atirar em mais ninguém, muito menos eu. Pouco tempo depois a ambulância chega. Como não há ninguém que pareça disposto a ajudá-la e os únicos que poderiam ter algum contato com ela estão com o policial, decido dar o meu nome como acompanhante para levá-la ao hospital, parece-me que o destino adora me pregar umas peças de vez em quando. Ajudei duas estranhas nessa noite. Vamos ver como isso se desenrola. Prometo que depois do hospital vou à igreja de tão santo que me sinto.



__________________________________
EDIT do Mestre de Jogo: parágrafo sublinhado em suspensão por se tratar de um trecho que exige uma passagem maior de tempo; ele será desconsiderado até que haja outra rodada de postagens, e se ninguém fizer algo que o desminta, passará a valer.

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19Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Seg Jul 09, 2012 7:10 pm

A vida é uma imensa roda gigante que segue seu ritmo cadente, encantando as pessoas e embalando os apaixonados que não percebem que hora ela te leva pra cima lhe arrancando um sorriso só para em seu ápice te levar para baixo. Eu nunca fui uma mulher meiga mas tenho minha vaidade, gosto de ser o misto de mulher fatal e a dama elegante. A viúva negra que encanta os homens com seu sorriso e que aguarda pacientemente o momento de tirar-lhe a vida traiçoeiramente. Sou a serpente que hipnotiza com as curvas sinuosas de meu corpo enquanto meto-lhe uma bala em sua cabeça. Mas a vida iniciou mais uma vez o seu ciclo cadencioso e quem estava em cima agora está embaixo e na brincadeira de cara ou coroa onde “cara eu ganho” e “coroa você perde” o destino mais uma vez me trai e a probabilidade quase nula se torna uma verdade absoluta: Nem cara e nem coroa, a moeda parou em pé sustentada pela milimétrica borda. Eu perdi a aposta.

As ultimas palavras estavam sendo vomitadas de minha boca quando sou silenciada pelo estrondoso barulho, como se uma bomba tivesse explodido em mim, de dentro para fora. Senti o impacto em meu peito rasgando meus órgãos, passando a poucos centímetros de minha coluna para explodir em minhas costas abrindo um buraco tão vazio quanto meu coração. Meus olhos se tornaram como cristais e a ultima lembrança que tenho é o olhar frio do policial. Aos poucos meu corpo foi cedendo à dor enquanto flutuava lentamente impulsionado para trás como se fosse feito de vento. A vida parecia um filme que passava em câmera lenta em cores com tom vermelho. A roda gigante começava a descer lenta e suavemente.

Minhas mãos tateiam o chão enquanto tento recobrar a consciência. A ardência no peito era como se a cada segundo um punhal me atravessasse de ponta a ponta. Aos poucos meus olhos cedem e no inicio as imagens são apenas um borrão. A luz ainda que fraca os machucam, o que faz com que eu leve uma das mãos ao meu resto, tentando amenizar a claridade. O bar já não estava tão escuro e aos poucos me acostumo com o ambiente. Era como acordar de manhã. Quando finalmente consegui abrir meus olhos minha primeira visão é o teto de madeira com seu ventilador, que mais parecia uma hélice de avião, girando quase que parando. O silencio era absoluto e eu não conseguia me lembrar com clareza do que havia acontecido. Onde estariam o gigolô e o policial mau encarado? Será que havia conseguido dar um flagrante nele? E a garota imunda que se pendurava no balcão? Haviam simplesmente deixado ela ali caída, jogada?

O esforço para tentar me levantar fez com que meu corpo arqueasse de dor. O peito queimava como brasa viva. Apertei as mãos na altura do coração como se isso fosse amenizá-la e só então percebi que meu peito estava molhado. Minhas mãos estavam lavadas de sangue! Tentei desesperadamente me levantar sem entender o que acontecia quando um pé é colocado no meu peito e me empurra violentamente contra o chão. Desta vez é minha garganta quem explode com uma saraivada de sangue. Ouço risadas por todo o lugar. Risadas que zombavam de mim e quando procuro olhar nos olhos do meu opressor eu quase tenho um surto. Um sussurro escapa dos meus lábios.

- Donovan...

Não podia ser. Aquilo era impossível! Eu mesmo havia degolado Donovan enquanto ele implorava por sua vida, com promessas de que pagaria o triplo do que haviam me pagado para pegá-lo. Donovan cujo a cabeça eu fiz o favor de entregar embrulhada em um papel de presente. Ele olhava para mim com um sorriso sombrio estampado nos lábios. As marcas da faca ainda estavam em seu pescoço. Eu estava horrorizada.

Tentei me desvencilhar de seu pé que me prendia. Tentei gritar mas não havia voz em minha garganta e então um a um eles foram aparecendo: Madame Langlois cujo o tiro na testa foi fatal. Tenente Richard que eu mesma estrangulara enquanto nos divertíamos em sua banheira em Baltmore. Meu doce e apaixonado Pierre cujo a língua eu arrancara por não suportar mais suas juras de amor. E uma série de outros rostos, cujo os nomes eu não lembrava mas por quem recebi uma boa quantia para matar. Todos estavam lá.

- Deixem-na levantar. – Soou uma voz que bradava como trovão, fazendo com que todos se afastassem, mas não tirou deles o olhar que clama por vingança. Quando consegui me colocar sentada eu quase caí de costas novamente. Sentado em minha frente em uma das cadeiras do bar que mais parecia um trono estava uma figura vestida de negro como se sua roupa tivesse sido tecida com o manto da noite. Sob o rosto caía lhe um capuz de onde se desprendiam longos fios de cabelo negro. Em uma de suas mãos havia uma enorme foice prateada que reluzia como fogo e de suas costas saiam um grande par de asas que chegavam a tocar o céu. A morte! Meus olhos se desesperaram.

- Quer dizer que estou morta?
- Ainda não, mas a julgar pelo buraco em suas costas acredito que estará em pouco tempo.

“Então ele atirou mesmo?”. Meus pensamentos referiam-se ao policial.

- Eu não posso acabar desse jeito.
- Ahhh pode minha doce Erin. Não só pode como vai. Só um milagre poderia lhe salvar agora e sei que você não acredita em milagres. E porque todo este espanto? Não vai me dizer que está assustada com minha presença, afinal, éramos parceiras inseparaveis, não? Firmávamos uma bela equipe. Na verdade você era um dos meus brinquedos preferidos, eu apontava o nome e você executava , me poupando todo o trabalho. Vai ser uma pena mas o mundo é cheio de outros soldados.

Pela primeira vez em muitos anos, meus olhos se encheram de lágrimas. Em tentava insistentemente levantar meu corpo. Eu queria desesperadamente fugir dali, mas algo me prendia.

- É inútil todo este esforço. Você não vai conseguir ir para lugar algum. Não enquanto seu corpo ainda pulsar. Você está morrendo doce Erin. E quando enfim você repousar eu estarei aqui. Eu e seus fãs, prontos para lhe conduzir para o inferno. Até então o que podemos fazer é esperar.

Um barulho começou a se formar e antes o que era apenas um sibilar de folhas como a brisa que passeia pelos campos foi se tornando cada vez mais forte, como uma escola de samba. Só então me dei conta que era o meu próprio coração batendo acelerado, bombeando a cada momento com mais facilidade o sangue que vazava de meu peito, costas e garganta. Então a escuridão voltou a se formar. A morte me olhava sentada e com sua mão livre seus dedos me davam um “tchauzinho” enquanto seus lábios desenhavam o que parecia ser um “até breve”. E então tudo se apagou. Eu estava sozinha.

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20Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Ter Jul 10, 2012 3:32 pm


Fingi tão bem estar calma quando comecei a me afastar do balcão que, sinceramente, até consegui me acalmar um tanto de verdade. Mas um estampido da arma do tira me fez estacar de repente, encolher os ombros e erguer as mãos até a altura da cabeça, no maior susto. Me virei na mesma hora e, incrédula, pude ver ainda o corpo da morena sendo projetado pelo disparo da pistola!

Como é que o sujeito foi capaz de atirar à queima roupa numa mulher desarmada só por ela ter desafiado ele e ameaçado com a lei?! Quando a cidade foi devastada pelo furacão Katrina, vi na televisão, já que ainda não morava aqui, alguns desabrigados dizendo aos repórteres que se sentiam abandonados feito habitantes do Terceiro Mundo. Pelo que vi naquela hora, parece que os serviços públicos da boa e velha Nola têm ainda mais traços de subdesenvolvimento do que seria de se imaginar...

Mas talvez a coisa que me surpreendeu mais naquela hora tenha sido eu mesma. Daquele estado de olhos e boca muito abertos pelo espanto, resolvi passar depressa à ação. Corri na direção do corpo caído pronta pra usar os poucos conhecimentos que adquiri no curso de medicina. À primeira vista, isso deveria ser mais do que previsível. No entanto, a minha opção por esse curso nunca teve nada a ver com o desejo de salvar vidas. Eu sempre quis ser a melhor em tudo. Escolhi essa carreira pensando em virar uma pesquisadora apta a ganhar o prêmio Nobel ou então uma cirurgiã plástica que ficaria rica esticando as rugas de socialites e artistas em Beverly Hills. Pela primeira vez, e como que num instinto, eu corri a usar meus conhecimentos visando apenas ajudar outra pessoa, alguém que eu nem conhecia.

Uma atitude a ser premiada, com certeza. Só que os deuses parecem ter pensado de outro jeito, pois usaram um policial desequilibrado para cortar o meu barato e pôr a vida da mulher em risco ainda maior. Primeiro, o policial ameaçou o noivo pra que ele ficasse quieto. Depois, olhou pra mim bem na hora em que eu estava me curvando sobre o corpo e gritou:

- Você e sua amiga também, patricinha. E é melhor rezar para que eu não ache nada com nenhuma das duas.

Eu me virei pra ele e, tomada por uma raiva que me veio de repente, já que eu estava mesmo afobada pra ajudar a garota, respondi aos berros e de dedo em riste.

- Qual que é, seu guarda? Eu sou médica formada em Harvard! Cê atirou numa mulher desarmada, no meio de uma porrada de testemunhas, e quer me impedir de salvar ela? Cê já tá bem encrencado, e eu só vou te ajudar se não deixar ela morrer!

Enquanto eu dizia essas palavras, um sujeito que eu nem tinha notado naquele bar veio por trás de mim e se debruçou sobre o corpo da mulher. Ela estava viva, pois o cara chamou uma ambulância pelo celular e pediu ajuda pra socorrer ela. Eu, em vez de ir pra perto da minha “amiga”, afastei-me dela (e do envelope, óbvio). Pelo que o policial disse, ia nos revistar. Sinal de que não devia ter visto o que eu joguei no chão. Ainda bem.

Enquanto o corpo da morena era tirado do bar, virei pro policial e fiz uma tentativa de me livrar logo daquela situação. Agora, minhas palavras saíram mais calmas e, eu esperava, sem denotar o quanto eu já tinha bebido.

- Olha, cara, você impediu uma médica de prestar socorro pra vítima de um deslize seu e, pra piorar, eu sou filha da advogada Samanth Smith, que é sócia fundadora do Escritório Calarram! Pra que ficar arrumando mais encrenca pro seu lado? Pode me revistar que eu tô limpa.

Me virei de costas pra ele com os braços erguidos, aproveitando a deixa pra olhar pro teto com aquela cara de quem está de saco cheio de tudo.

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21Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Qua Jul 11, 2012 10:00 pm

Os músculos de Jason agem rápido, assim que o tiro é ouvido. Suas mãos pegam uma cadeira próxima e arremessam em direção ao policial. Atinge-o bem na boca, quebrando alguns de seus dentes. Logo atrás vem Jason, voando para cima do homem fardado, enchendo-o de socos na cara. Isso faz com que os dois caiam no chão, mas os socos não param. As pernas de Jason prendem o corpo da vítima no chão, enquanto os ossos do seu rosto são quebrados pelos punhos ensangüentados do brutamonte. Apesar dos cortes ali, Jason não sentia dor alguma, então continuava. Foi quando o policial começou a lhe dar ordens.

- Mãos no balcão agora. Se tentar alguma gracinha eu faço você ser o próximo.

Despertando de sua fantasia, Jason percebe que ainda estava com as mãos na cabeça. Seu desejo era claro, mas não podia fazer nada do que queria. O sangue da mulher, com quem há poucos segundos conversava, havia respingado em seu rosto. Sentiu-se perto demais do cheiro do resultado da burrada dela. O corpo estava estendido no chão, com um buraco no peito, apenas pelo crime de falar demais. Até onde Jason sabia, é claro. Encarou policial, e em pensamento, expressou sua opinião. “Covarde”. Segurou-se muito para não mover os lábios. Não queria que esta fosse a última vez que os movia.

Aquele policial não era certo. Já viu muitos colegas de profissão com aquele olhar, aquele ódio. Mas em um policial era a primeira vez. Imaginou que o homem havia cheirado, e resolveu fazer uma batida para arrecadar mais algum. Lá parecia mesmo ser o lugar certo, a julgar pelo rosto das prostitutas. Aproveitou para olhar em volta, e percebeu o silêncio. Cada um quieto em seu canto. Desde o barman até as putas nos colos dos motoqueiros. Todos inertes. Não esperava aquilo do lugar. Imaginava outra reação daquelas pessoas ao ver um policial entrar daquele jeito ali. Era tudo uma grande mentira. “Bando de viado... O dono daqui deve ser uma bicha decoradora que adora dar o rabo pro policial em cima de uma moto!”, pensou Jason, forçando-se mais uma vez a não mover os lábios.

Não tinha chance alguma ali. Sozinho e desarmado, tinha que contar com a sorte. E imaginou já ter sorte o bastante pra desviar da investida inicial do policial quando ele chegou. O encarou o tempo todo. Estava atento a qualquer movimento daquele maluco. A voz da patricinha voltou a encher a sua mente, e nem quis ouvir o que ela dizia. Devia ser algo sobre ela ser filha de alguém, a velha história do “Você sabe com quem tá falando?”. Só que dessa vez não ia funcionar. “Você vai levar um tiro na testa, gracinha, e o papai só vai poder usar a grana dele pra pagar um belo funeral.”. O policial era louco, e Jason escolheu não morrer naquele dia.

Andou calmamente até o balcão, como se tivesse todo o tempo do mundo, e colocou as mãos ali. Acabou por encarar o barman por alguns segundos. Meneou a cabeça negativamente, expressando para ele sua decepção, e voltou o olhar para baixo. Aquela visão, a maneira com que pousou as mãos ali, o fez se lembrar na noite anterior, quando segurava os quadris de Eve e a penetrava por trás. Ainda tinha de voltar ao Temptation e conseguir o nome dela. O de verdade. Realmente, hoje não era um bom dia para morrer.

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22Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Qui Jul 12, 2012 2:20 pm

Devia estar bêbada. Era a única explicação. Completamente bêbada. Ou talvez fosse mais um daqueles retornos da consciência dilatada do LSD que aconteciam de vez em quando, desde que tomara uma espécie de “porre” de ácido alguns anos atrás. Se bem que, da última vez que achara isso, bem... Tinha terminado como estava agora. Fodida, machucada e tão próxima da morte que sentia cheiro de sangue o tempo todo, e seu sabor em seus lábios. Ou seria...? Mas não era possível.

As coisas aconteceram muito rápido, e seus olhos mal tinham dado conta de acompanhar os movimentos à sua volta, imagine então se sua mente conseguiria processar tudo aquilo! O surgimento do meganha já tinha ares de alucinação, afinal, como alguém esperaria que uma criatura daquelas entrasse no Heavy Duty? Quer dizer, não que fosse totalmente impossível, mas era estupidez, e era ruim para o bar. Ninguém estava limpo naquele lugar. Quer dizer, ela estava... Talvez pelo efeito da bebida em um organismo já saturado de drogas, viu a luta toda em câmera lenta, quase sem despertar interesse, a despeito de ela própria ter quase sido jogada longe, devido à sua proximidade da cena. O falatório da gostosa, e então uma dor excruciante no ombro machucado.

Dor essa que ela não conseguiu identificar de onde vinha, e chegou a postular ser parte da vingança do... da coisa. Mas não teve muito tempo para pensar. O aperto no ombro escureceu sua vista a ponto de ela não ver nada, sentiu sua cabeça girando assustadoramente rápido e suas pernas fraquejarem. Seus joelhos bateram no chão com um som seco. O grito lhe subiu a garganta como uma onda de dor, mas ela não gritou. Não gritou, porque secundando o baque seco de seus joelhos contra o chão sujo, um som mais alto e mais terrível surgiu. Um tiro.

O silêncio que se seguiu machucava seus ouvidos como qualquer outra coisa cortante. Durou apenas alguns milésimos de segundo, antes de uma comoção geral no bar, e sua vista começou a voltar lentamente. Ainda com o ombro latejando dolorosamente e as imagens rodando, viu o corpo caído no chão.

O horror. O choque. O cheiro assustador de sangue. Sentiu seu corpo inteiro tremendo, e as diversas coisas que queria fazer naquele momento a transformavam numa panela de pressão de energia destrutiva. Enfiar seu canivete velho no pescoço daquele escroto e torcer. Matá-lo com requintes de crueldade. Mas não faria, e sabia disso muito bem. Não faria pois não podia, tinha medo , não tinha força, e não estava com o canivete.

Era verdade mesmo. Não estava tendo alucinações, infelizmente.

Demorou alguns segundos para compreender que ela era, supostamente, a amiga da patricinha que deveria colocar as mãos no balcão também. Mas não conseguia se mover de onde estava, tremendo de dor e de raiva. Nunca gostara de policiais, e isso piorara depois que soube que eles tinham prendido todo o Living Theatre por terem feito uma simples intervenção. Bom, agora as coisas pioravam. Além disso, não tinha mesmo como se mover, tinha a impressão de que algo acontecera com seus joelhos – que já estavam doloridos antes – na queda brusca. Apoiou a mão boa no chão e tentou se levantar. Bom, não conseguia. De qualquer maneira, não estava mesmo muito afim de por as mãos no balcão. Sabia que não morreria hoje, e isso dava um estranho conforto.

Pois bem, não faria nada. Se deixou apenas olhar com ódio para o policial. Era o suficiente.

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23Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Sex Jul 13, 2012 3:47 pm

Dava pra notar pelas reações dos envolvidos que o cabeludo era o único entendido nas regras das ruas. Quando aparece alguém mais forte, especialmente se portar uma arma e estiver a serviço da lei, não há que se querer bancar o herói ou fazer contestações. Há de se obedecer. Abaixar a cabeça e obedecer, como um cãozinho de estimação faria. O mundo real é bem diferente do conto de fadas em que algumas pessoas parecem viver, e se você não aprender bem rápido suas regras poderá acabar com uma bala no meio dos peitos, estirado no chão de um bar repleto de desconhecidos.

A garota baleada não havia seguido o script corretamente. Em seu auxílio aparecem um monte de anjos da guarda predispostos a salvar a vida de uma total desconhecida que na verdade poderia ser qualquer coisa: uma puta doente, uma serial killer, assassina contratada, policial infiltrada, terrorista... É muito amadorismo na visão do tira. Se a pessoa não for da sua família, não confie nela – e mesmo em família tenha suas desconfianças saudáveis.

Apesar de ter sido permitido – pela inércia policial – que fizessem o primeiro atendimento, o corpo cravado com uma bala da arma do policial não sairia do Heavy Duty tão facilmente. O’Reilly faz outro disparo dentro do bar, silenciando a loirinha que falava merda sem parar e assustando a garota machucada e o cabeludo que já havia se rendido. Imediatamente após o disparo ele já tinha a arma apontando para o cabeludo outra vez.



______- Larguem ela ali agora mesmo. – grita para os dois homens que tentavam carregar a garota baleada para fora do bar (Kevin Garnier e o gorila albino) – Senão vocês dois vão sair daqui iguais à ela!


O oficial da lei gritou a última frase com histeria; era o sangue subindo à cabeça novamente, estimulando a mente a aplicar mais lições nas pessoas. Ele era só atenção ao pessoal do balcão depois que notou os dois homens saindo do Heavy Duty. Pronto, poderia se concentrar novamente nos marginais. Com passos decisivos e uma boca entortada pela raiva, O’Reilly se aproxima da garota machucada (Gia) e lhe aplica um violento tapa no rosto¹, digno de arrancar qualquer expressão ousada na mesma hora. Sua ação tencionava colocá-la mais para perto do balcão, para que pudesse ter uma última chance de se render, como o cabeludo fizera, antes de levar bala.

Sempre de olho no sujeito no balcão que aparentava ser o mais perigoso dentre a turma (Jason), o policial se apresenta para revistar a loirinha (Ann). Ele se aproxima por trás e pela lateral, precavido contra uma cabeçada, um chute nas partes íntimas ou alguma garrafada que a loirinha pudesse tentar. Sua primeira ação é dar um tapa seguido de uma apalpada na bunda da garota, retirando-a daquele pedestal de gente importante que pensava ser. Para O’Reilly, é apenas mais uma vadia, como qualquer outra mulher. Somente depois de sentir aquele pedaço gostoso de carne e gordura perfeitamente moldados é que o policial começa a revistá-la².

Terminado, ao invés de passar a revistar os outros dois, ele usa o rádio no ombro para se comunicar com o parceiro. Fala bem alto e claro, sem se incomodar se os frequentadores do HD o ouviriam ou não.



______- Prepare a viatura pra dois passageiros. A mulher tá assim meio baleada, parecendo cansadona. – diz com um sorriso no rosto.


O’Reilly se encontra afastado alguns passos dos três que estão no balcão, sem se descuidar em permanecer apontando a arma para eles. Um movimento ou palavrinha fora de ordem e atiraria.


______- Um movimento ou se falaram qualquer gracinha e eu mando vocês para o inferno. Que nem aquilo ali. Depois não digam que o titio aqui não avisa vocês antes.


Mesmo sem olhar para a garota no chão, era claro que o “aquilo” se referia à ela.


__________________________________________
¹ Requisição de teste para dar o tapa;
² Requisição de teste de revista pessoal;

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24Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Sex Jul 13, 2012 11:52 pm

Enquanto eu e o gorila albino carregávamos a mulher para fora do Heavy Duty, um segundo disparo me pega desprevenido. Tenho a certeza de que algo perfurou meu corpo e sangue começa a escorrer de meu peito aberto pelo tiro do policial e isto me faz perder as forças. Cambaleio enquanto vejo de modo embaçado a imagem do corpo da mulher encharcada em sangue escorregar de minha mão e cair. Tudo acontece em câmera lenta, como quando a gente sofre um knock out, vejo o gorila nesse instante abandonando os outros membros da pobre criatura no ar, e pondo as mãos nos ouvidos para não escutar o estrondo que já havia acontecido, a careta que fez realmente o fez parecer com um gorila – as coisas que podemos pensar quando morremos podem ser bem engraçadas, se não fossem trágicas.

Ponho as mãos em meu peito para verificar o tamanho do estrago, para saber se vou me salvar dessa ou não. Se fosse uma luta eu saberia que não haveria problema algum, pois uma derrota apenas me faz trabalhar para me tornar melhor, mais rápido, mais forte, mas isso não é uma luta. Isso não é um esporte. Isso é o mundo real.

E o mundo real é trágico.

Uma derrota no mundo real pode lhe custar a vida. É a diferença entre viver novas glórias ou novas derrotas, e ainda saboreá-las com seus devidos acompanhamentos e deixar tudo isso para trás, e encarar o desconhecido.

Quem sabe não é melhor assim? Encontrarei meus velhos, poderei novamente ajudar meu pai em suas pescas. Poder novamente comer os cozidos de minha mãe. Sem Katrina para me atormentar em sonhos, sem os colegas de infância me atazanando a respeito do casamento de meus pais. Terei a vida que eu sempre quis, no fim desta.

Quando decido abraçar a crua realidade de meu fim, verifico minhas mãos e elas não estão mais ensanguentadas do que antes. “Estarei morto já? Isso foi rápido.” – Penso enquanto olho para o peito intacto e a vista voltando ao normal, ou no que pode ser normal na escuridão rubra do bar. Decido que estou, de fato, vivo quando ouço o policial falar:

- Larguem ela ali agora mesmo. Senão vocês dois vão sair daqui iguais a ela!

Faz tempo que alguém não me dá ordens simplesmente pelo prazer de fazê-lo. A última vez que me lembro, oficialmente, foi em Kosovo, quando me mandaram parar de bater num idiota que me conheceu quando éramos crianças. Não obedeci e fui excluído do grupo e das Forças Armadas logo em seguida, já que não acatei as ordens de não bater no sargento... como era o nome dele?

Naquele tempo só queria minha vida tranquila com meus pais, no mangue, sem preocupações. Um dia de cada vez, o sol aquecendo os pântanos, a umidade entrando pelas narinas e os caranguejos e camarões enchendo os cestos. Tudo tinha cor, sabor e aroma.

Agora as únicas cores são o preto e o vermelho, o sabor é de fumaça de cigarro e cerveja e o aroma é de morte. Me seguro para não fazer nenhuma besteira, um policial corrupto não é um pugilista, não devo dar o rosto para que ele abra a guarda ao meu jab. Os golpes dele são à distância: fisicamente, se falamos de sua arma, ou temporalmente, se tratamos de sua voz de prisão.

É... Realmente o mundo é uma merda. Por um segundo me faz desejar que o tiro tivesse me acertado. Apenas por um segundo, pois, por uma ironia estranha - alguns diriam que Deus, mas tenho minhas reservas sobre as suas intervenções – me veio à mente a imagem da malabarista que ajudei mais cedo.

Os olhos dela parados olhando para mim enquanto eu colocava o ingresso do cinema em suas mãos e a sensação de leveza que senti após esse ato tão bondoso de minha parte. Aquilo me fez bem. Assim como me fez bem tentar ajudar esta mulher!

Será que isso era para ter acontecido? Convenhamos: este policial não está no lugar certo. Esta mulher não estava no lugar certo. Eu não estou no lugar certo. Não estou no lugar certo assim como eu não estava no lugar certo em 2005. Por causa disso estou vivo e meus pais mortos. Eu estou vivo... Eles não... Esta moça não... E eu estou...

- Um movimento ou se falarem qualquer gracinha e eu mando vocês para o inferno. Que nem aquilo ali. Depois não digam que o titio aqui não avisa vocês antes.

Vivo enquanto permanecer calado. Penso novamente na mulher do Prytania. Eu permaneci calado. Se eu não tivesse me movido para ajudar essa pobre criatura aqui no bar, ela poderia ter sido salva. Não deveria ter me envolvido. Não deveria!

Que ótimo! Me sentia santo e agora me sinto como alguém que cometeu um crime capital. Ainda preciso ir à igreja, se eu sair vivo daqui.

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25Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Dom Jul 15, 2012 12:13 pm

Eu realmente não tinha ideia de com quem estava lidando. Achei que o policial havia atirado num acesso de fúria e que, em seguida, cairia em si. Daí eu ter mencionado a minha mãe advogada, até exagerando - ela trabalha mesmo no Escritório Calarram, mas não é nem chefe de departamento, quanto mais sócia. Contudo, a reação daquele meganha de República de Banana às minhas palavras mostrou que ele devia ter as costas muito quentes, pois não sentia qualquer receio de ser punido pela corregedoria de polícia, nem por algum superior, nem por ninguém. O grandalhão é que foi safo, mais uma vez; percebeu logo que o melhor era ficar quieto, mesmo com a noiva alvejada.

Bem, mas o fato foi que o policial impediu que a moça fosse levada pra fora do bar (!) e atirou pro teto a fim de manter todo mundo atônito. Senti muita raiva. Mas, não satisfeito, o pulha me deu um tabefe bem humilhante, e ainda aproveitou pra bolinar a minha bunda antes de começar a revista propriamente dita, tudo isso enquanto a morena continuava sangrando ali, na frente de todos! Eu juro que, se ainda fizesse parte do Olho de Lilith, me vingaria daquele patife!

- Tudo bem, seu guarda..., respondi entre dentes, pra segurar a vontade de reagir. Eu prometo que vou ficar no balcão.

E assim me coloquei entre o grandão e a loirinha. Já o policial se afastou um pouco e chamou a viatura pra levar a morena (ufa!), mas sempre com a arma apontada pro grandão. Eu sabia que tinha de ser rápida, pois a paciência dele era curta... aliás, curtíssima!

- Quer saber? Eu vou dar uma examinada nela, sim!! Mas eu juro que já volto pro meu lugar...

A intenção foi a melhor possível. Acho que nunca fui tão altruísta na vida! Ela estava em estado de choque, é óbvio. Percebi que houve perfuração do externo e, quase com certeza, do esôfago. Difícil saber se a bala atravessou brônquios ou a lateral do pulmão direito. Vi que a bala havia saído pelas costas sem atingir nenhuma vértebra, de sorte que ela não ficaria paralítica, se sobrevivesse. Avaliei que o problema principal era a hemorragia - de fato, o sangue já ia formando uma grande poça ao lado do corpo. Não demoraria a entrar em choque hipovolêmico. Sem uma transfusão, já era. Mas como estancar hemorragias dos dois lados do tórax sem poder cauterizar nada? Se fosse num membro, seria fácil fazer um torniquete. Mas, sem equipamento...

Levantei-me com um forte sentimento de frustração. O sentimento que eu mais tenho sentido no último ano, aliás. Quietinha, voltei para o meu lugar no balcão. Depois, encostei a testa na madeira e suspirei com força, pensando: “por que o cafajeste me chamou de 'patricinha'? Ele nem me conhece, e eu estou vestida como os motoqueiros daqui... Ah, já sei! É por causa do meu cabelo bem tratado e da maquiagem; meus lábios e cílios estão chamativos como os da Megan Fox nos Transformers que ela fez. Porcaria!”

Eu odeio mesmo essa pecha de “patricinha” com que tenho convivido há anos. É injusta comigo. Afinal, patricinha é uma jovem rica, bonita, popular, burra, fútil e que gosta de organizar festinhas de caridade. Mas, tirando os atrativos físicos e a popularidade, nunca tive nada de patricinha. Pra começar, nunca fui rica! Estudei numa universidade cara, mas como bolsista. E a bolsa Robinson só é concedida pra gente com histórico acadêmico e extracurricular excepcionalmente bons. Geralmente, uns geeks que combinam a inteligência e conhecimento tecnológico dos nerds com espírito de liderança e de organização. Ou seja, pessoas com potencial para chegarem a ser um Steve Jobs ou um cientista “nobelizável”, por assim dizer. Eu não tenho QI extraordinário, mas cheguei nesse ponto porque, ao contrário das verdadeiras patricinhas, sacrifiquei muitos e muitos finais de semana e férias estudando, participando de projetos culturais e científicos extracurriculares, e também da vida comunitária de Kentwood, onde nasci. E, muito diferente da personagem tolinha de Reese Witherspoon no filmeco Legalmente loira, nunca precisei emular com homem nenhum pra descobrir meu potencial. Além disso, eu era popular porque tenho carisma e facilidade de trato social, mas nunca fui tão baladeira quanto seria de se imaginar. Foi só depois de perder o rumo, cair em depressão e fazer tratamento psiquiátrico que eu resolvi recuperar o tempo perdido e me divertir um pouco. Só que aí... olha só a espelunca em que fui me meter.

- Cara, me desculpa não ter conseguido ajudar a sua noiva.

O que mais eu poderia dizer naquela hora?

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26Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Seg Jul 16, 2012 2:16 pm

O avô de Jason havia lhe contato uma história uma vez. Sobre uma espécie de macacos. Na ocasião o velho estava entorpecido pelas ervas de seu cachimbo, o qual Jason era novo demais para tragar. Isso podia explicar por que aquelas palavras saíram de um homem que normalmente era tão sério. Segundo a história, tais macacos impressionavam as fêmeas de sua raça pelo tamanho de seu pinto. Sim, isso mesmo. Aqueles macacos que tinham o maior pinto conseguiam conquistar a fêmea. E o que faziam então aqueles de pinto pequeno? Barulho! Chegavam fazendo um escândalo, gritando, se debatendo e urrando, para assustar os machos bem dotados e ficar com a fêmea para ele. E às vezes dava certo. Era um pouco diferente do que acontecia com as mulheres, dizia ele, mas a história podia se aplicar aos homens. Ao menos ao que pensavam um dos outros.

O que via agora o lembrou do conto. O policial que chegava batendo, atirando, gritando e esbravejando ordens para todos certamente tinha problemas genitais. Até acabava de dar um tiro para o alto! Isso botava em questão a suposta passividade do dono do lugar. Ele podia ser ativo, afinal. Mas ainda assim, uma bicha afrescalhada e sem moral. O tapa que o tira tentou dar na mocinha drogada confirmou sua teoria. Então ele não gostava de mulheres. “É porque ela tem uma buceta e você não, né não, otário?”. Um sorriso jocoso nasceu no canto de sua boca.

Não se comoveu pela passada de mão que deu na patricinha. É claro que ele tinha que fazer uma cena. Teve até impressão de que a vadiazinha tinha gostado. Às vezes os macacos de pinto pequeno conseguiam o que queriam. E Jason sabia que o que o fardado realmente queria era apalpá-lo. Muitos queriam isso na prisão, mas nenhum deles tentou fazê-lo com uma arma apontada pra sua cabeça. Teria que deixar dessa vez. Pelo menos não conseguiria tirar ESSA frustração do policial, depois de desviar de sua covarde aproximação por trás e não dar um fio de briga para ele.

O chamado pelo rádio acabou por frustrar os próprios pensamentos de Jason. Não que estivesse desapontado por não ver o policial realizar suas fantasias com um musculoso de couro rendido por sua arma. Mas pela coisa não seguir o que tinha em mente. Agora ele seria preso sem revista alguma. Poderia aproveitar a aproximação do policial para desmaiá-lo com uma cotovelada bem dada no meio daquele queixo de vidro. Ou então mostrar que não tinha nada com ele além de suas “economias”. Não podia ser preso apenas por carregar aquela quantia de dinheiro e um colar de ouro, sem arma alguma. Ao menos era isso que imaginava. Ainda esperava por uma oportunidade de escapar, de dar seu jeito. Mesmo que parecesse uma possibilidade remota, distante. Tinha toda a paciência do mundo, coisa que ganhou nos anos preso. E gastou toda a sua ansiedade na noite anterior com Eve. Não tinha motivos pra se precipitar. Não tinha um pavio curto como o do policial, se é que me entendem.

Deu de ombros quando a fã de novela mexicana lhe disse em tom de responsabilidade o que já era óbvio. “E o que você esperava fazer? Passar batom nela?”, provocou com seus pensamentos. Por mais que tivesse mil coisas para dizer, não o faria. Falar demais era burrice, e a sua “noiva” descobriu isso de um jeito muito ruim. Tirava ainda mais créditos da garota fantasiada de roqueira por ela insistir que o cadáver estendido no chão era algo seu. E tiraria de qualquer um que acreditasse naquela história bizarra. Preferiu até que aquela mulher morresse. Se ela pudesse falar mais, levaria Jason junto com ela. E o homem não gostava de pagar o preço da estupidez alheia. Já tinha problemas demais lidando com a própria. A sua burrada mais recente era ter entrado naquela merda de lugar. Continuava tentando ser esperto mantendo ambas as mãos coladas no balcão.

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27Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Ter Jul 17, 2012 2:25 am

O barulho do disparo a sobressaltou levemente, mesmo considerando que ela acompanhava os movimentos do policial com atenção redobrada. Sabia que não morreria naquela noite, mas, de qualquer maneira, era bom não facilitar. Afinal, o livre arbítrio nada mais é do que a mudança inconsciente do destino e, deuses, ela não se esquecia. Os pais sempre lhe disseram que cada encontro é uma interferência no destino. E que encontros naquela noite! Mudava o destino de muita gente, certamente. Por alguns segundos, quase via o rosto sorridente da mãe sobre as cartas de tarô, a lhe prever aventuras. Teria ela alguma ideia do que aconteceria? E, depois que morresse, será que poderia voltar para casa, e pedir desculpas por ter sido tão tola?

Sim, essa era a palavra. Era tola, tolinha, boba como uma criança, e não se preocupava com a infantilidade que as próprias palavras sugeriam. Ela sabia perfeitamente. Era só que aquilo nunca fora realmente um problema. Mas Nova Orleans não me perdoou, pensou com azedume. Ah, não, aquele lugar exigia toda a pretensa maturidade da sociedade contemporânea, o que significava se entregar, se render, se acomodar. E pensar que acreditara na possibilidade libertária daquele lugar, hah! Chegava a ser quase engraçado.

Acompanhou os passos do policial em sua direção quase em câmera lenta. Sentia o tempo diminuindo de velocidade enquanto ele se aproximava com uma cara feia e atitude desagradável, enquanto sua cabeça começava a entrar em parafuso. O que ele faria? Ia bater nela. Talvez lhe desse um chute, era o mais fácil a ser fazer com alguém caído no chão. Por alguns milésimos de segundo, a ideia de que ele talvez acertasse alguma das áreas machucadas de seu corpo a encheu de pavor. Não tinha certeza de que aguentaria algo do tipo. Podia quase sentir o úmero deslocando-se alguns centímetros para trás da clavícula, saindo pela pele fina, despontando como um pedaço de algo que nunca deveria ser descoberto. Imaginava seu ato reflexo, que lhe forçaria a reagir a partir da coluna, também machucada pela queda no manicômio, e o som de suas costas travando, o estalido seco da paralisia.

Mas não. Ele não puxou a perna num impulso para lhe dar um chute que a deixaria caída no chão, encolhida em posição fetal, chorando pelas desgraças de sua vida. Porque ele era um idiota. Quem, em sã consciência, tenta acertar um tapa na cara de alguém que está num nível diferente, digamos assim, ela num nível baixo e ele num nível alto. Quando viu ele levantando a mão, quase teve ganas de rir. Até ela, que nada entendia de brigas, conseguia compreender as dificuldades físicas que ele mesmo se impusera. Um chute ou uma joelhada seriam fatais e tinham quase setenta e oito vírgula três por cento de chance de acerto. Um tapa, bem...

Ela não precisou fazer muita coisa. Abaixou levemente a cabeça e sentiu o deslocamento de ar da mão que passava bruscamente por cima de sua cabeça, relando de leve em seus dreads. Quase teve vontade de rir, mas segurou os músculos faciais. Se o policial percebesse que ela achava simplesmente hilária sua histeria, sua vida estaria muito mais próxima do fim. Mas não era o momento de pensar nisso.

De algo servira a tentativa infrutífera do policial. Servia para lembrar-lhe que as coisas não estavam completamente fechadas. Ainda tinha medo, tanto do sofrimento terreno quanto do que, agora sabia bem, a esperava depois da morte. Sentiu a dor irracional em seu coração ao lembrar. Definitivamente, não queria acelerar seu mísero destino. E ainda tinha que aproveitar a vida, ou melhor, o pouco que ainda lhe restava dela. Com muitas dificuldades, gemidos e resfolegares de dor, se levantou e se apoiou no balcão, numa atitude que dizia claramente que se entregara.

Afinal, não tinha drogas com ela hoje, nada incriminador, e de nada lhe servia um orgulho vazio. Só queria se livrar logo daquilo e ir para um hospital. Afinal, já era hora de se cuidar um pouco.

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28Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Qua Jul 18, 2012 1:13 pm

Ações de Jason
Ações de Ann
Fala do parceiro policial de Kevin O'Reilly


Não importava quantos tiros fossem disparados dentro do bar, não importava o quão ultrajante estava sendo a conduta do oficial O’Reilly; Royce simplesmente não aparecia. Ele não apareceria se o policial simplesmente chegasse ali perguntando sobre sua pessoa, mas depois de toda essa confusão criada, era para o Brujah pintar por ali querendo bancar o gostosão. Os dois conversariam um pouco e O’Reilly arrancaria uma ou outra coisa que pudesse interessar a Freeman. Pois é, mas merda acontece, mostrando que até mesmo os Brujahs têm suas noites de covardia.

Enquanto o dono do pedaço não dava o ar de sua graça, o policial deveria continuar concentrado em suas ações no Heavy Duty. Ele mantém o cabeludo o tempo todo sob a mira de sua arma, ainda aquecida pelo último disparo. A esquiva da garota caída não o irritou além da conta, e logo ela era apenas um adorno do bar na visão do tira. Ele lança um último olhar em volta na tentativa de achar quem procurava, mas não havia um membro sequer dos Nightstalkers presente. Hora de procurar mais a fundo no bar.

O’Reilly segura Jason pela gola de trás do casaco e o “joga” na direção oposta ao balcão, virado para a saída. Mantinha a arma empunhada no alto, mirada e com o gatilho preparado, especialmente apontada para a nuca de Jason.


- Você vai comigo. E vocês... – aponta com o queixo para Ann e Gia – Peguem ela do chão e tragam aqui para fora, já que desejam tanto ajudar.

Jason anda até a porta calmamente, sem fazer movimentos bruscos. O sorriso jocoso não sai de seu rosto. Não só pelas suas conclusões sobre o caso do tira com o dono do lugar, mas também por ele ter errado o tapa na garota drogada. Imaginou o que seria daquele cara sem uma arma. Devia brigar como uma moça. Ah, se tivesse a oportunidade! Sai do bar sem nem olhar para trás. Não voltaria àquele lugar. Realmente não era um local seguro para seus negócios. Mesmo que a prisão fosse seu futuro mais óbvio, não se preocupava por isso. A maioria estaria cagando de medo por estar indo para lá. Mas Jason já sabia o que esperar. Só não sabia o que havia na terceira margem do rio, de onde não podia voltar. Não com seu próprio corpo.

Psiquiatria não era a área em que eu pretendia me especializar quando ainda achava que ser médica seria a maior realização da minha vida. Mas, se eu fosse psiquiatra, diagnosticaria esse policial como psicopata. Pô, se ele impediu que um voluntário levasse a mulher baleada dali e, pouco depois, mandou outras pessoas carregarem ela pra fora do muquifo, só há uma explicação racional pra isso: o cara tem um desejo compulsivo de exercer controle sobre os outros, impor sua vontade pela força, fazer com que todos ajam como ele quer, mesmo que seja apenas pra satisfazer um capricho. Ou então ele queria ter controle de como e por quem ela seria atendida, a fim de não correr o risco de ser punido pelo que fez a ela. Ah, deve ser as duas coisas: o que não falta a um psicopata é frieza pra se precaver.

Bom, mas pelo menos agora ele estava tomando providências para que a vítima fosse socorrida. Minhas mãos já estavam sujas com o sangue dela, então eu fui logo levantando o corpo pelos ombros, deixando as pernas pra loirinha segurar. No caminho, mais sangue ia escorrendo, ora deixando um rastro no chão, ora sujando as minhas calças (ainda bem que eram de couro). Mas a missão foi cumprida. Logo a coitada estava estendida na calçada, em frente ao Heavy Duty.


Com os envolvidos na confusão reunidos do lado de fora, O’Reilly e o parceiro se encontram próximos à viatura parada à entrada do Heavy Duty. A conversa é em alto e bom som.

- Coloque o cabeludo e a mulher baleada na viatura. As outras duas mulheres você pode dispensar junto com os outros curiosos. – ele se vira para as pessoas que enchiam a frente do bar após serem expulsas a tiros – Todo mundo pra casa que o show já acabou.

As pessoas começam a se dispersar. O policial se aproxima das duas garotas que trouxeram a baleada.

- Ajudem a colocá-la dentro da viatura e depois vão embora daqui. Não quero nunca mais ver as duas de novo, entenderam? Nem aqui e nem num maldito tribunal de algum juiz amigo meu.

Depois que o oficial O’Reilly entrou novamente no Heavy Duty, seu parceiro se aproximou de Jason com as mãos na cintura, abrindo a frente do casaco que vestia e mostrando que tinha uma arma.

- Você ouviu ele. Pra dentro do carro, agora.

Ann, Gia e Jason estão na calçada, com Erin estirada no chão aos seus pés. O policial está a um passo de Jason, com as mãos na cintura. O’Reilly entrou no bar e sumiu a vista de todos.

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29Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Dom Jul 22, 2012 8:41 pm

Falas , Pensamentos

Após perceber que não tinha levado um tiro, decido acompanhar o gorila albino porta afora desse lugar. Não sei por que o policial não me deixou ajudar a pobre moça, mas a ambulância já está a caminho, portanto, vou esperar por ela e informar o que houve.

Ao chegar do lado de fora, sinto o ar frio da noite em meu rosto. Alguns barbados que se mostram tão durões quando em suas motos ou com suas cervejas à mão agora demonstram certa dose de terror nos olhos. Aposto que nem eles, que são os “donos do pedaço” esperavam por essa. Alguns grupos falam baixo entre seus integrantes, outros gritam xingamentos, alguns inclusive quiseram depredar a viatura do lado de fora, mas perceberam a presença de outro “tira” dentro dela e decidiram não fazê-lo, uma vez que era parceiro do sangue quente lá dentro.

O gorila albino também sentia desespero, sem permanecer quieto por um instante sequer. Entendo sua agonia: deve ser até uma tarefa fácil cuidar desse lugar, já que os próprios frequentadores expulsam os que não se encaixam no perfil do lugar, e compram briga com qualquer pessoa que queira se elevar sobre os outros daqui. Mas o policial realmente não parece ser qualquer pessoa, pois, se fosse, teria saído à francesa sem causar algum problema maior.

Agora temos uma mulher praticamente morta lá dentro, e outras três pessoas que podem ter o mesmo destino! Me pego pedindo a Deus por um raio de misericórdia e que deixe ao menos eles saírem vivos de lá.
Parece que Ele me atendeu, pois vejo após alguns minutos o policial levando-os até a viatura e falando qualquer coisa para o parceiro, que fica de pé como um policial de série de TV qualquer, olhando para o cabeludo, com as mãos na cintura e um sorriso do tipo “você não escapará de mim tão facilmente” e, então, vejo o sangue quente voltar para dentro. A mulher baleada foi trazida pelas duas amigas dela, tento me aproximar para ver o que vai acontecer, esse policial parece mais razoável.

Ao me aproximar, dirijo-me ao policial de forma bem preocupada. “Policial, chamei uma ambulância mais cedo! Deve chegar a qualquer momento e ela precisa de cuidados!” - Digo a ele, intercalando o olhar entre ele e a moça ensanguentada. Não presto muita atenção ao cabeludo. Procuro um aceno de aceitação das amigas dela.

“É claro que ela vai morrer, estúpido!” Penso. “Vai acontecer a mesma coisa que aconteceu com seus pais! Ninguém irá salvá-la a tempo!” Tento ignorar meus pensamentos, mas eles continuam a aparecer: “Provavelmente ela está em pior estado que deveriam estar seus pais... já perdeu muito sangue... veja como está branca...”

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30Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Ter Jul 24, 2012 7:06 pm

TUDO CORRIGIDO, POSTAGENS LLIBERADAS.

ESTIPULO UM PRAZO DE MAIS TRÊS RODADAS COMPLETAS DE POSTAGENS ANTES DE A AMBULÂNCIA CHEGAR. ISSO É MAIS TEMPO DO QUE ERIN TEM, O QUE DIFICULTARÁ UM FUTURO TESTE DE MEDICINA (MAS TAMBÉM NÃO O IMPEDIRÁ).

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31Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Qua Jul 25, 2012 11:19 pm

Oportunidades. Era isso que fazia o ladrão, afinal. A ocasião. No Heavy Duty teve a grande oportunidade de ficar calado e obedecer. Mas agora o jogo virava, e o mundo lhe sorria. Estava na frente de um policial que não havia sacado sua arma, ainda com as mãos na cintura. O coitado não seguiu a cautela do seu parceiro do pavio curto, e subestimou Jason. Como se não bastasse uma guarda baixa e uma cara limpa, o coitado que tentava levar a “noiva” de Jason para o hospital resolveu argumentar com o tira. Estava aí a sua oportunidade.

Assim que o policial olhou para o bom samaritano nanico, deu um soco de direita em cheio no meio da cara dele. Queria derrubar o policial de uma vez, ou ao menos retardá-lo, mas não esperou para ver o que aconteceu. Assim que seu braço voltou para perto do corpo, botou-se a correr. Passou bem ao lado da viatura e atravessou a rua movimentada. Esquivou dos carros, que já passavam devagar para satisfazer a curiosidade de seus passageiros sobre o pequeno show que acontecia ali. Estrelando Jason e a sua noiva cadáver. E bem, como mocinho, tinha que se dar bem no final. Na calçada do outro lado da rua já estava misturado demais às pessoas para se preocupar com tiros vindos do policial recomposto.

Correu para a esquina mais próxima. As pessoas saiam do seu caminho, temendo serem atropeladas. Algumas não foram tão rápidas com seu pensamento, e acabaram por cair assim que Jason trombou nelas. Não queria machucá-las, mas tinha de salvar sua pele. Era uma grande pena que não saíam da frente.

No fim das contas, Jason fugiu. Não satisfez seu desejo de quebrar a cara do policial que deu um tiro na “noiva”. Também não temia o parceiro dele. O problema era a falta de controle do primeiro. A vantagem dos bandidos em relação aos mocinhos é que estes se importavam com a vida das pessoas, e tinham a missão de defendê-la. O tira esquentadinho não parecia nada com um mocinho, pouco se lixando com a vida de quem estava na mira de sua arma. Sabendo disso, nunca fugiria do jeito que fez se fosse a putinha do dono do bar que ordenasse sua entrada na viatura. Já teria levado um tiro faz tempo. Era desse policial que fugia. Do que não tinha freio nenhum. Do bandido fardado.

E tudo isso porque Jason sabia a hora em que podia agir. Sabia quando era o caçador, e também quando era a caça. O pouco de consciência que tinha vinha do seu finado avô. Um dia o pequeno Jason chegou em casa todo arrebentado. Uns dois dentes (de leite) não estavam mais em sua boca, deixando um veio de sangue escorrendo pelo canto dos lábios. Um olho estava mais roxo que o outro, não conseguindo ver por um deles, de tão inchado. Ainda mancava, e não tirava a mão de uma das costelas. “Quantos?”, perguntou o avô, e o pequeno Jason respondeu “Dez! Não... Doze! ”, cheio de orgulho. Não é só por ser ruim de conta que não sabia falar bem o número exato. Havia ficado completamente atordoado durante o espancamento. Então o avô lhe deu um tapa em seu ouvido, fazendo-o zunir. Quase chorando, o pequeno Jason pergunta por que ele havia feito aquilo. Com a cara fechada, emoldurada pelos lisos cabelos grisalhos presos em tranças laterais indígenas, ele disse “Pra você não ser tão burro. Não precisa só saber caçar. Tem que saber ser caça. Agora vai pegar as caixas lá na porta e leva pro fundo da loja. Chegou muita encomenda hoje.”. Foi assim que o pequeno Jason aprendeu a diferença entre coragem e burrice.

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32Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Qui Jul 26, 2012 2:45 pm

Quando alguma coisa é proibida, aí mesmo é que dá vontade de experimentar. O deus judaico-cristão - que nem é dos meus favoritos - devia saber disso muito bem; foi só avisar que tinha um fruto proibido no Éden pra começar o cortejo de tragédias que chamamos de História.

Sendo essa a natureza humana, acontecia agora a mesma coisa. Eu não tinha a menor vontade de retornar àquele boteco, mas foi só o policial cuspidor de fogo me proibir de voltar que já me deu uma vontadezinha de desobedecer. Talvez eu voltasse ali algum dia, sim, especialmente se fosse pra retomar a conversa que eu tentei começar com a loirinha.

Mas minha atenção foi logo desviada, já que o sujeito simpático que tentou socorrer a garota veio pra convencer o policial a deixar a ambulância fazer o resgate. Ele não se vestia no mesmo estilo daqueles motoqueiros, o que já indicava ter outra têmpera. Quando ele falou “ela precisa de cuidados”, fui logo emendando com palavras meio afoitas:

- Sim!, eu sou doutora, examinei ela e, olha só, se não socorrer logo, ela vai morrer! Trabalho no Medical Center e, se quer saber...

Só podia ser o álcool que tava soltando minha língua daquele jeito. Não fosse o ataque do cara com rabo de cavalo, não sei quantas mentiras mais eu ia despejar por minuto. O soco dele acertou a cara do policial bem na hora em que eu falava pelos cotovelos. Dei um passo pra trás com o susto e levei as mãos à boca, segurando um grito. O cara atravessou a rua em segundos e, até o policial se levantar, já era.

Eu até devia ter ficado feliz com a fuga, pois isso deixaria aquele bolinador fulo de raiva. Rá, rá, rá! O incompetente rendeu o cara, mas não se deu ao trabalho de pôr algemas e foi embora sem esperar que ele estivesse na viatura; muito gosto em atirar, pouco cérebro. Mas, como sempre dizia meu pai, “dois erros não fazem um acerto”: ao fugir, o tipo deu mais uma prova de que era marginal tarimbado, e policial bandido não transforma bandido em herói. Além do mais, que homem era aquele que abandonava a noiva assim, sem nem olhar pra trás? Duvidei até que fossem noivos mesmo...

O policial xingava e esfregava o nariz ensanguentado com a manga da camisa, mas agora as coisas finalmente começavam a se acalmar. De um jeito ou de outro, a morena seria atendida. Olhei de frente pra loirinha enquanto fazia minha respiração desacelerar. Ela tava suja de terra, exibia um corte com sangue coagulado na testa e, conforme eu descobri sem querer, tinha um ombro bem machucado. Ainda assim, ao invés de ir a um pronto-socorro, ficou bebendo num bar barra pesada. Positivamente, ela não era tão frágil quanto a meiguice daqueles olhos azuis sugeriam.

- Acho que você e eu não temos mais nada que fazer aqui, né? Viu, me desculpe ter te machucado lá no bar, mas é que eu tomei um susto com a chegada do brucutu e nem me toquei do que tava fazendo.

Eu disse aquilo enquanto sorria um tanto sem graça.

- Pra cair de joelhos com tanta dor, seu ombro deve tá bem ferido, provavelmente deslocado. Cê devia ir prum hospital, se não se importa que eu diga. Sabe, se cê tiver sem carro, eu posso te dar uma carona até o Medical Center. A gente podia conversar um pouco no caminho. Que tal?

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33Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Sex Jul 27, 2012 11:58 am

Voltar para a noite, deixando o bar sujo e pesado para trás, foi quase um alívio. Contudo, seu corpo inteiro latejava desagradavelmente pelo esforço em carregar o peso morto da “morta” e, como se não bastasse todo seu próprio sangue, já seco, que sujava suas roupas, tinha agora o sangue de outra pessoa nas mãos e na camiseta e em quase todo o braço bom, já que tivera que apoiar as pernas do cadáver no antebraço. Definitivamente seu ombro não estava bem. Mas agora, a situação toda começava a se organizar, e ela ia sair impune dessa, ao que tudo indicava. Restava agora descobrir onde era o hospital e cumprir essa caminhada. Ou talvez devesse procurar algo para comer? Se não fosse o policial escroto, entraria no bar de novo e terminaria de se embebedar, mas não tinha realmente do que reclamar. Afinal, toda aquela confusão servira pra livrá-la de pagar tudo o que consumira. Era tranquilizador.

Ficou parada por alguns segundos, observando a cena em que se encontrava, embora não se sentisse participante ativa dela. O som de vozes amenas entrava em seu cérebro sem que ela processasse, as pessoas a sua volta pareciam sinistras e ao mesmo tempo, patéticas; e a morta... Ela olhou para ela com algum pesar, balançando levemente a cabeça. O que era a vida afinal? Para acabar de uma maneira tão idiota! Não tivera sorte nenhuma, mas supunha que o que a esperava depois da passagem era melhor do que o que tinha reservado pra si própria. Portanto, não podia se sentir penalizada pela morta. Parecia que estava sem sorte. O Cosmos não conspirava a seu favor, ou melhor, não andava conspirando. Respirou fundo e sentiu sua cabeça girar. Precisava fumar. Procurou na mochila por algum cigarro perdido. Infelizmente a maconha tinha acabado então o tabaco teria que servir. Mal tinha colocado o cigarro amassado e torto no meio da boca quando veio a revolução. Não viu o golpe que o brutamontes deu no policial, mas viu a queda, e sentiu o corpanzil passando do seu lado com velocidade, muito próximo, a ponto de esbarrar no cigarro e mandá-lo longe.

Praguejando, ela mancou até o cigarro a alguma distância, só pra descobrir que tinha sido pisado pelo maldito, que já tinha desaparecido. O empurrou com o pé para a sarjeta. Entendia que o grandão quisesse fugir. Mas destruir o último cigarro de uma pessoa inocente era uma maldade sem precedentes. Abriu novamente a mochila e começou a procurar vigorosamente por alguma coisa pra fumar. Finalmente achou, embaixo de várias camadas de entulho, roupas sujas e pedaços murchos de bolacha, metade de um cigarro de palha. Ergueu-o das profundezas da mochila com felicidade genuína, e deu de cara com os olhos da loira que lhe ferrara o ombro voltados para si. Se colocou séria, fechando o zíper da mochila rapidamente para esconder a bagunça.

Deu um sorriso ante a preocupação da garota. Era definitivamente uma pessoa boa, e isso era quase risível. Bom, acreditava no ser humano, ainda.

- Ah, eu estou bem... Já doeu mais! – deu uma risadinha, tentando ignorar que todo seu corpo doía com o esforço de fazer isso – Mas você tem razão, é claro. Vou aceitar sua carona!...

Acendeu o cigarro de palha e tragou com calma. Não era tão prazeroso, cheiroso e saboroso quanto esperava, mas cumpria seu objetivo. Mas não podia ficar muito mais tempo sem maconha ou ia surtar. Muito.

- Acha que eles vendem comida e cigarros no hospital?

Procurou com o olhar o carro dela. Não devia estar muito longe, e naquela rua cheia de motos... Sentia que deviam sair dali o quanto antes.

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34Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Dom Jul 29, 2012 2:13 pm

AÇÕES LIBERADAS NOVAMENTE. PLAYERS, VISUALIZEM O RESULTADO DO GOLPE DE JASON AQUI.

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35Heavy Duty Beer Club - Página 1 Empty Re: Heavy Duty Beer Club em Dom Jul 29, 2012 9:09 pm

Alguma coisa nessa noite está fazendo com que tudo deixe de funcionar no devido tempo. Mal me viro para cuidar da pobre mulher caída, e a loirinha que parecia não se encaixar muito na cena veio falando que era médica, ouvi o que ela disse sem levantar qualquer dúvida sobre o óbvio. Pelo que percebi, ela também tentou salvá-la lá dentro e foi impedida pelo brucutu.

- Você é médica? A ambulância logo mais estará aqui! Você poderia acompanhá-la? – É o que eu iria perguntar quando um som surdo, já velho conhecido meu, corta o ar, me fazendo virar para o policial que “cuidava” do grandalhão. O pobre defensor da lei estava em queda, enquanto o cabeludo se punha a correr, sem pensar direito, por entre os carros na rua, nem reparando que quase é pego pelo bonde. “Este aí deve ter, sim, um bom motivo para não ser pego.” Penso. “Mas não vou deixá-lo ser pego por alguém que atira primeiro e pergunta depois.”

O policial praticamente apagou ali na calçada. Este não vai incomodar mais as moças e nem a mim, tento dar uns tapinhas no rosto da moribunda, num gesto inútil de fazê-la acordar. Sinto que a perco cada vez mais, minuto a minuto. E a médica parece mais estudante de medicina que médica de verdade... Largou a mulher indefesa e foi cuidar da junkie. Aquele jeito de procurar loucamente por algo na bolsa é coisa de drogado. Disso eu sei! Conheci muitos drogados por aí: gente sem importância e importante, sem dinheiro e podre de rico... Mas meus pais me criaram direito. Que Deus “(que Deus?)” os tenha. Tenho valores, e sei como estas coisas podem destruir você. Já fui alcoólatra e, se não fosse o boxe, ainda o seria...

Enquanto relembro meu triste passado, vejo as duas últimas sair dali, provavelmente a médica vai levar a outra para o hospital, ignorando a ambulância que chegará em breve. Agora estou sozinho aqui com a única vítima grave do ocorrido e com um tira louco do lado de dentro do bar e um policial se recuperando, provavelmente furioso aqui fora. Posso imaginar a próxima cena sendo eu dentro daquela viatura a prestar depoimento e ficando à mercê do brucutu.

Chamo o gorila albino, novamente. É claro que ele não está muito à vontade com toda essa situação, mas ele cuida da segurança do lugar e sabe por que o chamo. Peço a ele para aguardar a ambulância por mim. Dou a ele meu nome e celular para o caso de os paramédicos precisarem entrar em contato. Peço desculpas por tê-lo metido nisso e digo a ele me chamar caso queira assistir a alguma luta um dia. Dou a ele o endereço da academia onde treino para ele ver com os próprios olhos meu jab lento, o que arranca um leve sorriso dele. Despeço-me e vou embora dali, antes que o policial ignorante apareça de novo.

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